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"Um dos protagonistas mais importantes - se não o mais importante - da cena nacional no último quarto de século." Foi assim que, em 2006, VEJA avaliou a importância histórica de Fernando Henrique Cardoso, presidente da República entre 1995 e 2002. Seus primeiros movimentos rumo ao Planalto foram registrados pela revista ainda em 1993, quando, no posto de ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, FHC domou o monstro da inflação que castigava a população do país havia décadas. Seu Plano Real, a primeira direção racional de política econômica no Brasil em décadas, desindexou a economia brasileira, livrou o país do vício da "correção monetária" e abriu caminho para a estabilização, cujos efeitos positivos são sentidos até hoje. Suas reformas econômicas, aprofundadas quando elegeu-se presidente no ano seguinte, tiraram o Brasil da condição de pária na comunidade internacional. Graças a elas, o país conseguiu renegociar a dívida externa, criar uma moeda forte, colocar um ponto final na inflação galopante e tirar milhões de cidadãos da pobreza absoluta. Sob sua Presidência, o Brasil mergulhou de cabeça nas águas da globalização econômica. Seus críticos chamaram esse movimento de submissão. Como sociólogo, Fernando Henrique esteve sempre com a cabeça no cenário internacional. Sua "teoria da dependência", que os críticos diziam ser apenas um eufemismo para explicar o imperialismo americano, tentava justificar o crescente grau de intercâmbio entre as nações. Além de proporcionar a liberdade econômica, FHC obteve conquistas ainda maiores no campo da política. Antes de sua chegada à Presidência, o que fazia história no Brasil era o golpe, a sucessão traumática, o suicídio, a renúncia, a exceção fardada, o impeachment e a peculiar colocação de vices no Palácio do Planalto. Fernando Henrique não. Foi um presidente que soube conduzir a nau do Estado dentro da normalidade democrática. No que talvez venha a ser reconhecido como sua obra máxima, foi um reformador e um consolidador de instituições. Para lembrar um só ato nessa direção, foi o criador do Ministério da Defesa, com o qual se completou a operação de recolher aos bastidores os ocupantes dos comandos militares, durante tanto tempo protagonistas maiores da mambembe ordem democrática brasileira. Também lhe devem ser creditadas as virtudes da tolerância e do desarmamento dos conflitos, exercidas mesmo quando os adversários o ameaçavam nada menos que com a arma letal da destituição, em campanhas que tinham por mote o "Fora FHC". Pode-se apontar muitos defeitos e malfeitos em seus oito anos de governo, como VEJA não se furtou a fazer. Pode-se afirmar, com dados e estatísticas, que ele não realizou tudo a que se propôs. Pode-se criticar a contestada aprovação da emenda constitucional da reeleição. Pode-se jurar nunca mais dar um voto ao ex-presidente, seja por decepção, seja simplesmente por aquele mesmo cansaço que levou os atenienses a afastar Péricles do governo da cidade. Pouco importa. Resta o fato de que, nos anos FHC, o Brasil deixou para trás a improvisação na economia, começou a desvincular o conceito de estado daquele de nação, integrou-se ao mercado mundial e traçou ao menos um esboço promissor de futuro. Cabe à sociedade e aos governos posteriores completar o desenho. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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