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Num país onde a história foi muitas vezes escrita à base de golpes, renúncias, regimes autoritários e governantes que não completaram seus mandatos, falar de eleições sempre demandou certa sensibilidade, dada a estranheza do tema para algumas gerações de brasileiros. O país passou quarenta anos sem eleger o presidente. VEJA nasceu no auge do governo militar. Teve de esperar até a década de 1980 para, assim como todos os brasileiros, exercer plenamente a sua vocação democrática.
A emergente democracia brasileira ganharia contornos mais fortes só em 1989, ano das primeiras eleições diretas para presidente desde o regime militar. Em disputa com o ex-metalúrgico petista Lula no segundo turno, Fernando Collor saiu vencedor. VEJA registrou o caráter acirrado da campanha ao observar que Collor triunfara em um país dividido. Envolvido em escândalos de corrupção generalizada, ele foi defenestrado do poder em 1992 - e foi por seu impeachment, e não pelo fato de ter sido o primeiro presidente eleito pela população em 39 anos, que Collor marcou uma nova era na política e nos costumes nacionais.
A queda do marajá da Dinda teve influência direta no pleito presidencial seguinte. Com Collor fora do cenário, o claudicante Itamar Franco que assumiu a presidência teve como grande mérito de seu curto governo a nomeação de Fernando Henrique Cardoso ao Ministério da Fazenda. Ali, debelou a inflação com o seu Plano Real e pavimentou o caminho para uma vitória tranqüila na eleição de 1994 - um massacre sobre Lula, derrotado ainda no primeiro turno. FHC foi o primeiro presidente eleito a cumprir seu mandato na íntegra desde que Juscelino Kubitschek passou a faixa a Jânio Quadros, em 1961. E ao contrário de JK, ele ainda teve a oportunidade de transmitir o mandato a si mesmo, ao vencer de novo em 1998, depois da polêmica aprovação da emenda da reeleição, um ano antes. Lula foi outra vez o adversário nas urnas. De novo, vitória do tucano no primeiro turno.
A persistência de Lula levou o petista a concorrer pela quarta vez à Presidência em 2002. Domando a ala radical do PT e afirmando o compromisso de manter as conquistas políticas e econômicas da era FHC, Lula finalmente chegou ao Planalto, ao derrotar o tucano José Serra. Na ocasião, VEJA observou que a conquista atestava a qualidade da democracia brasileira, certificada pela alternância de poder. A alucinante sucessão de escândalos do governo petista que abalou o Brasil na segunda metade do mandato não foi suficiente para impedir uma nova vitória de Lula no pleito de 2006, desta vez contra Geraldo Alckmin. Com a democracia brasileira finalmente consolidada, a eleição rendeu a Lula 58 milhões de votos, a segunda maior votação de um governante nas democracias ocidentais até aquele tempo.
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