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A revolução dos computadores pessoais chegou com dez anos de atraso ao Brasil. Isso porque o governo impôs uma reserva de mercado no setor de informática na década de 1980. A proteção criada no período impedia a importação de computadores. No início dos anos 1990, o país estava atrás de Argentina, México e Venezuela em número de computadores por habitantes.

Se o total de vendas dessas máquinas a brasileiros foi de apenas 450.000 em 1992, em 1993, VEJA já adiantava que a questão não era mais ter ou não um computador, mas sim qual tipo comprar. Prova disso é que 14 anos depois, em 2007, o número de vendas de computadores no Brasil chegou a superar os 10 milhões.

Com a expansão da indústria desse setor, os computadores, que custavam no mínimo 1.500 dólares, se tornaram mais baratos. A princípio, eram vendidos em lojas de aparelhos óticos, ao lado de óculos e câmeras fotográficas. As vendas cresceram e os micros ganharam lojas especializadas. Depois, chegaram às prateleiras dos supermercados.

Na esteira do sucesso do computador pessoal surgiu o que VEJA classificou de "uma experiência humana rara, a concretização da profecia da aldeia global": a internet. Em 1995, quando o assunto foi capa da revista pela primeira vez, a rede estava apenas chegando ao Brasil. Eram 50.000 os usuários de internet no país - no fim da década seguinte, já ultrapassavam os 39 milhões.

A internet se tornou um gigantesco negócio. Com o passar dos anos, surgiram os grandes provedores, responsáveis pela popularização da rede. Em 2000, a America Online era a líder mundial dos provedores. Naquele ano, seus serviços chegaram ao Brasil - e enfrentaram diversos problemas técnicos. No exterior, a empresa protagonizava um dos maiores negócios da história do capitalismo. A AOL incorporou o grupo Time Warner numa transação de 184 bilhões de dólares.

Empolgados com a possibilidade de navegar pela rede mundial, os brasileiros compraram computadores pessoais em escala inédita no país. O setor se tornaria ainda mais produtivo em 2005, quando o governo aliviou boa parte dos tributos embutidos nos computadores.

A rede passou a produzir brasileiros milionários - e, como é comum em negócios que envolvem a informática, boa parte deles ainda sequer haviam chegado à idade adulta. Em 2000, o adolescente Edgard Nogueira, de 17 anos, montou o Aonde?, um serviço de busca de informações na internet. Somente no primeiro ano de existência, o site atingiu quase 4 milhões de visitas por mês, e um valor de mercado de 10 milhões de reais.

Foi também no início dos anos 2000 que a boa fase da economia da internet se viu ameaçada. Depois de um período de investimentos bilionários e disparada no valor das ações de empresas de Internet, a "bolha" deste novo mercado estourou. Como resultado, a economia global assistiu a milhares de demissões, centenas de falências e dezenas de grandes fusões entre empresas de mídia e tecnologia.

Isso não impediu a internet de se consolidar como o mais eficaz e revolucionário instrumento de informação do homem moderno. Com o impulso oferecido por novidades como o YouTube, os usuários da rede pelo mundo já ultrapassam 690 milhões de pessoas. A internet é hoje fundamental para o acesso à informação e atividades econômicas - e também uma das mais importantes ferramentas já surgidas para a comunicação entre as pessoas.


 
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