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Em 1976, treze anos depois do filme O Pagador de Promessas ter sido a primeira produção nacional indicada ao Oscar, o Brasil comemorava a repercussão e sucesso de bilheteria de Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto. O filme, baseado no romance homônimo de Jorge Amado, foi estrelado por Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça. Anos antes, a produção cinematográfica brasileira teve desde as obras de Hector Babenco e Glauber Rocha (premiado em Cannes com O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro) até a farta produção de pornochanchadas. Com a idéia de tornar o mercado mais competitivo recorreu-se a adaptação para o cinema de obras literárias. O sucesso do filme de Bruno Barreto aconteceu em meio ao regime militar, o que sujeitou a fita ao crivo da censura. Segundo os cineastas daquele tempo, porém, o grande vilão do cinema nacional era a concorrência com as superproduções estrangeiras. No início da década de 80, Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, surpreendeu pela qualidade e elenco: Sônia Braga, Vera Fischer e Tarcísio Meira. Os filmes dos Trapalhões não tinham os mesmos méritos, mas eram os responsáveis por lotar as salas de exibição no país. No exterior, a produção nacional não tinha grande repercussão. O cinema brasileiro permaneceu praticamente esquecido durante os anos 1980. Foi só em 1996, depois de 33 anos de jejum, o Brasil viu uma produção nacional concorrendo ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O Quatrilho foi dirigido por Fábio Barreto, irmão de Bruno, e protagonizado por Patrícia Pillar e Glória Pires. O troféu não veio, mas a década de 1990 representou um renascimento do cinema nacional. Bruno Barreto volta à cena em 1998, ano em que O Que É Isso Companheiro?, exibido no país em 1997, concorre ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro. Trata-se de uma ficção baseada em fatos reais. O enredo é pautado pela história do seqüestro do embaixador americano no Brasil Charles Elbrick, em 1969. Barreto falou a VEJA direto de sua casa em Nova York e disse que não voltaria mais a morar no Brasil: "Posso filmar no Brasil. Morar, nunca mais. No Brasil o sucesso ofende. O sujeito é gênio ou imbecil. Não existe a figura do profissional. Companheiro está fazendo sucesso junto a um público mais exigente porque é um filme brasileiro sem mocinho e bandido muito definidos". O drama Central do Brasil, dirigido por Walter Salles, foi lançado em 1998 e indicado ao Oscar nas categorias filme estrangeiro e atriz (Fernanda Montenegro). Não levou a estatueta inédita, mas levou outros prêmios importantes como o Urso de Prata no Festival de Berlim, o Bafta e o Globo de Ouro. O mesmo cineasta produziu em 2004 Diários de Motocicleta, ano em que Cidade de Deus foi indicado ao Oscar em quatro categorias e consagrou Fernando Meirelles como um dos melhores cineastas do país. Até 2007, nenhum filme tinha sido tão assistido e comentado quanto Tropa de Elite, de José Padilha. Milhões de brasileiros assistiram à polêmica fita por meio de DVDs piratas, antes mesmo da estréia nas salas de exibição. A atuação de Wagner Moura no papel de Capitão Nascimento, o impiedoso comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, foi marcante. O filme mostra com fidelidade a força do crime organizado e o desafio da polícia no combate ao banditismo nas favelas. |
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