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09 de Setembro de 2010

Mundo

Autoridades do Oriente Médio temem reações de ódio contra queima do Alcorão

JIDÁ, Arábia Saudita (AFP) - Autoridades políticas e religiosas do mundo muçulmano, dentre as quais a OCI e o primeiro-ministro iraquiano, aumentaram o tom das advertências nesta quinta-feira em relação às consequências de uma queima do Alcorão, projeto lançado por um pequeno grupo integrista cristão americano.

A Organização da Conferência Islâmica (OCI), que reúne 57 países muçulmanos, expressa sua "grande preocupação" com a convocação feita pelo pastor Terry Jones do "Dove World Outreach Center" para que os membros de sua igreja queimem 200 exemplares do Alcorão no dia 11 de setembro, aniversário dos atentados de 2001.

O secretário-geral da OCI, Ekmeleddin Ihsanoglu, se disse "consternado pelo fato de o pastor, que prega a religião, ter escolhido seguir o caminho escandaloso do ódio, queimando um livro sagrado de uma das maiores religiões do mundo".

Ele desejou que "o bom senso termine por prevalecer" e que o pastor "abandone seu projeto, o que permitiria escapar de uma situação desagradável e emocionalmente instável no mundo".

Este ato "poderá ser considerado um pretexto pelos extremistas para que cometam mais assassinatos", advertiu nesta quinta-feira o primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki.

"Isso prejudicará as relações interreligiosas, assim como o diálogo e as relações culturais entre as nações", acrescentou Maliki, lembrando que "aqueles que cometeram os crimes do 11 de setembro não tinham nada a ver com o Islã".

No Irã, o ministro das Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki, "condenou o projeto detestável", considerando que foi "orquestrado pelo regime sionista após seus fracassos contra os muçulmanos e o mundo islâmico".

O presidente paquistanês Asif Ali Zardari condenou um projeto que "vai inflamar os sentimentos dos muçulmanos no mundo inteiro e danificar irreversivelmente a harmonia entre as religiões e a paz no mundo".

Se for realizado, este projeto "representará uma catástrofe para as relações humanas, para a coexistência e para a paz entre os homens, e provocará sentimentos de ódio no mundo muçulmano", lembrou a famosa instituição sunita Al-Azhar, no Cairo.

Essa instituição, considerada um pólo moderado de difusão da doutrina sunita no mundo, mencionou "consequências perigosas".

Kuwait e Bahrein também condenaram o projeto do pastor americano.

A iniciativa tem como objetivo "solapar os louváveis esforços empregados para consolidar o diálogo entre as civilizações", declarou um porta-voz do Ministério kuwaitiano das Relações Exteriores.

Para o Bahrein, o projeto pode "atiçar as campanhas de incitação contra o Islã e os muçulmanos".

A iniciativa do pastor Jones, cujo "Dove World Outreach Center" reúne cerca de cinquenta membros, ocorre em um momento particularmente sensível, em que os muçulmanos celebram a festa do Fitr, que marca o fim do mês de jejum do Ramadã, e as autoridades nos Estados Unidos temem uma escalada do sentimento antimuçulmano.

Em uma entrevista divulgada nesta quinta-feira, o pastor afirmou que não tinha entrado em contato com as autoridades americanas, mas leva a entender que poderá rever seus planos se for o caso.


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