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45 anos longe de temores e perto do leitor

Neste 21 de setembro de 2013, ao comemorar o 45º aniversário, VEJA presenteia os leitores com reportagens, vídeos e infográficos desenvolvidos especialmente para cada uma de suas plataformas. Nas bancas, uma edição comemorativa destaca 45 capas que resumem a essência da revista: “Estão aqui em cada página a coragem de contrariar unanimidades burras, o destemor e a transparência na exposição de seu ponto de vista e a obsessão pela qualidade editorial, pela notícia inédita e pela reflexão original”, diz a Carta ao Leitor.

Na edição para o tablet, que acaba de ultrapassar a marca de 100.000 assinantes, o material impresso foi enriquecido por áudios e imagens que tornam ainda mais fascinante a viagem ao passado. Neste infográfico criado para o site de VEJA, são apresentados, além de vídeos históricos, depoimentos que revelam os bastidores de reportagens que contribuíram para mudar os rumos do país. José Roberto Guzzo, ex-diretor de redação e hoje integrante do conselho editorial da Editora Abril, Carlos Maranhão, diretor editorial de VEJA Cidades, Policarpo Júnior, redator-chefe de VEJA, Augusto Nunes, colunista de VEJA.com, o fotógrafo Pedro Martinelli, e o próprio Roberto Civita (1936-2013), criador da revista, são os entrevistados.

O infográfico mostra o caminho trilhado por VEJA até se transformar na revista de maior circulação do país e realizar a profecia feita já na edição inaugural por Victor Civita, fundador da Editora Abril: “O Brasil não pode mais ser o velho arquipélago separado pela distância, o espaço geográfico, a ignorância, os preconceitos e os regionalismos: precisa de informação rápida e objetiva, a fim de escolher rumos novos. Onde quer que você esteja, na vastidão do território nacional, estará lendo estas linhas praticamente ao mesmo tempo que todos os demais leitores do país”.

Um começo atribulado

Do lançamento bem sucedido em 11 de setembro de 1968 a meses de queda vertiginosa nas vendas. Assim foi o começo daquela que se tornaria a maior revista semanal de informação do Brasil. “Era uma revista considerada feia, com muito texto e poucas fotos”, conta Carlos Maranhão, diretor editorial de VEJA Cidades. Uma redação repleta de talentos e reportagens aprofundadas fizeram com que VEJA, pouco a pouco, encontrasse o caminho: “A imprensa brasileira era atrasada, provinciana, previsível, burocrática”, resume José Roberto Guzzo, ex-diretor de redação e hoje integrante do conselho editorial da Editora Abril. “VEJA tentava colocar a imprensa brasileira no mundo contemporâneo”.

Em busca do ideal

Ao longo de quase seis meses, VEJA imprimiu 14 “números zero”. As capas, as reportagens e as fotos simulavam uma edição real, mas nunca chegaram às bancas. O objetivo era aprimorar a publicação para entregar aos leitores uma revista tão perto quanto possível do ideal. Muitos desses números apresentam anotações feitas à mão por Victor e Roberto Civita – seja para discutir ideias ou apontar erros de digitação

  • VEJA imprimiu 13 “números zero” que nunca chegaram às bancas. No destaque, um dos estudos do número 05
  • Estudo do logo de VEJA para a edição 010 feito em 14 de agosto de 1968. A revista foi lançada um mês depois
  • Estudos de logo, foto e diagramação da edição 011, impressa em 21 de agosto de 1968
  • Anotações à mão feitas no número 06 de VEJA
  • Detalhe de uma das anotações feitas no número 06 de VEJA
  • No número 013, de 4 de setembro de 1968, foram feitos três estudos de capa para a 1ª edição de VEJA. A escolhida para a estreia nas bancas foi a que estampa a foice e o martelo

Uma viagem ao passado

“Se você quer ser jornalista, acompanhe esse mundo novo. Veja como se faz uma nova revista”, dizia o locutor num dos primeiros anúncios publicitários de VEJA, veiculado em 1968. A redação descrita como “super moderna” era repleta de máquinas de escrever. O telex (uma espécie de avô do fax) é apresentado como máquina de última geração. Uma reveladora e frequentemente divertida viagem ao passado.

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O confronto com a
ditadura militar

Em 13 de dezembro de 1968, o governo militar baixou o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), que endureceu o regime e deu início a um período de 11 anos de censura à imprensa. Foi nesse ambiente que VEJA, recém-nascida, teve de encontrar seu caminho. Neste vídeo, Roberto Civita conta a história da capa que mostrava o presidente Costa e Silva sentado sozinho no plenário da Câmara – a primeira edição de VEJA a ser recolhida pela ditadura.

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Por dentro da imensidão verde

Na década de 1970, VEJA consolida seu espaço. Ao lado das análises sobre temas que sempre fizeram parte de seu cardápio, encontram-se reportagens de “descoberta do Brasil” – como a da edição de 14 de fevereiro de 1973, fartamente ilustrada pelas fotografias de Luigi Mamprin (1921-1995), que passou três anos embrenhado no coração da floresta Amazônica ao lado de Cláudio e Orlando Villas-Boas. Mamprin e Pedro Martinelliforam os únicos fotógrafos do mundo que registraram o primeiro contato dos irmãos sertanistas com os índios isolados kranhacãrore. A empreitada pretendia tornar menos danosa para tribos sem contato com o homem branco a abertura de estradas. Neste vídeo, Martinelli relembra detalhes da aventura inesquecível.

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Amazônia revisitada

Para marcar os 45 anos de VEJA, o fotógrafo Pedro Martinelli voltou à região da Amazônia onde, em 1973, como integrante da expedição encabeçada pelos irmãos Cláudio e Orlando Villas-Boas, fez os primeiros registros fotográficos dos índios kranhacãrore, que até então viviam isolados. A galeria de imagens mostra que os descendentes dos índios ainda vivem ali – embora seus hábitos e a paisagem ao redor tenham sido profundamente alterados pela passagem do tempo.

  • Feito por Luigi Mamprim e publicado na edição de VEJA de 14 de fevereiro de 1973, este registro pioneiro dos índios kranhacãrore, hoje chamado Panarás, trazia a seguinte legenda: “Ao final do contato, o aceno de despedida, um gesto que o índio parece não entender".
  • Colega de Luigi Mamprim, que acompanhava a expedição dos irmãos Villas-Boas para VEJA, Pedro Martinelli fotografa Sokriti, da tribo kranhacãrore, em 1973. A foto foi originalmente publicada pelo jornal O Globo
  • Salto no tempo: em 2013, Pedro Martinelli leva Sokriti ao mesmo local onde, 40 anos antes, capturou sua primeira imagem
  • A floresta devassada: imagem aérea feita por Pedro Martinelli mostra a pista de pouso aberta em 1973, às margens do Rio Peixoto de Azevedo e em meio à mata fechada, para auxiliar a expedição dos irmãos sertanistas Cláudio e Orlando Villas-Boas
  • Poluição: na região da Amazônia onde a expedição dos irmãos Villas-Boas travou contato com os kranhacãrore, águas contaminadas, em 2013, pelo garimpo ilegal
  • Desmatamento: às margens do Rio Peixoto de Azevedo, a floresta cede espaço para a pecuária
  • Asfalto: onde há 40 anos não havia um único indício da presença do homem branco, ergue-se hoje a cidade de Peixoto de Azevedo
  • Rotina: Sokriti faz compras no atacadão localizado há poucos quilômetros do local onde, 40 anos antes, ocorreu o primeiro contato entre os irmãos Villas-Boas e os índios isolados kranhacãrore
  • Espaço tomado: Sokriti caminha pelo local onde ficava, em 1973, a aldeia dos kranhacãrore
  • Nova casa: a tribo dos kranhacãrore fica hoje próxima ao local onde eles viviam em 1973
  • Sokriti e Pedro Martinelli se reencontram 40 anos depois do primeiro contato entre os irmãos Villas-Boas e os índios kranhacãrore

O grande veneno da imprensa

“No primeiro dia, você tem uma reação de espanto, de raiva”, diz José Roberto Guzzo, ex-diretor de redação de VEJA e hoje integrante do conselho editorial da Editora Abril, ao contar como era trabalhar sob censura prévia ─ imposta a VEJA pela ditadura militar de 1968 a 1976. “No segundo momento você enfrenta e a censura corta.” O passo seguinte, conta Guzzo, é refazer a matéria censurada para o leitor não perceber que houve um corte. Até que o jornalista deixa de escrever sobre determinados assuntos por saber que serão vetados. “Daí a censura dorme em paz”, conclui.

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Os segredos do poder

Horas antes da vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, VEJA chegou às bancas com a capa A história secreta da sucessão. A reportagem é um dos grandes exemplos de jornalismo investigativo da imprensa brasileira e mostra a obsessão pela apuração da notícia – uma das marcas registradas da revista. Em 33 páginas, Etevaldo Dias, chefe da sucursal de Brasília, e os repórteres Guilherme Costa Manso e Henrique José Alves, contaram em detalhes os bastidores da mais importante sucessão presidencial da história do Brasil. “Procuramos seguir os padrões de apuração do caso Watergate e toda a informação era checada com mais de uma pessoa”, conta Augusto Nunes, então redator-chefe de VEJA, que coordenou a reportagem ao lado de Elio Gaspari, diretor-adjunto, e José Roberto Guzzo, diretor de redação.

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Uma ousadia estampada
na capa

“É isso que uma capa tem de fazer: tomar posição”, explica Roberto Civita, editor de VEJA desde o nascimento da revista até morrer, em maio de 2013. Ele ilustra a frase com a edição de 14 de outubro de 1987, que traz na capa um artigo do economista Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda durante o governo de Ernesto Geisel e ministro do Planejamento no governo Figueiredo.“Os leitores que estão de acordo compram e os que não estão podem ler outra coisa”.

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O primeiro grande teste da jovem democracia brasileira

Na década de 1990, VEJA não só reportou episódios importantes do país como ajudou a mudar o rumo da história. Publicada em maio de 1992, a entrevista de Pedro Collor de Mello foi o estopim da crise que culminaria, quatro meses depois, no impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. “Entre as atribuições de Luis Costa Pinto, chefe da sucursal de Recife, estava acompanhar o que acontecia em Alagoas”, lembra Policarpo Júnior, redator-chefe de VEJA e, naquele momento, repórter da sucursal de Brasília. “Ele acompanhou de perto a disputa pelo poder no estado. Quando o Pedro Collor resolveu falar, ele estava lá para ouvir.” O impeachment do presidente foi um teste para a democracia brasileira, que acabara de eleger pelo voto direto seu primeiro presidente depois da ditadura militar. “E nós passamos com louvores”, diz Policarpo.

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A derrota do pistoleiro

Em meio à sequência de denúncias de casos de corrupção ocorridos no governo Collor, o presidente do Banco do Brasil, Lafaiete Coutinho, chamou dois repórteres de VEJA para avisar que, se as revelações prosseguissem, tornaria públicos “segredos da vida pessoal de Roberto Civita”. A resposta da revista foi contar a história numa reportagem de capa publicada em 15 de julho de 1992, ilustrada pela imagem de Coutinho com um chapéu de cangaceiro sobre a chamada: O pistoleiro do Planalto. “Essa capa mostra o que eu considero ser a postura certa”, diz Civita. “Você não pode aceitar chantagem, pressão, ameaça. Você tem de continuar a fazer uma grande revista.”

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Uma semana em VEJA

Assinaturas, gráfica, departamento de pesquisa e apuração de reportagens. Neste vídeo, os detalhes de uma semana na redação de VEJA na década de 1990.

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O maior de todos os escândalos

“O que é o jornalismo investigativo?”, pergunta Policarpo Júnior, redator-chefe de VEJA. Ele próprio responde: “É você revelar aquilo que as autoridades querem esconder.” A primeira década do século XXI no Brasil ficará marcada por um desses episódios, no qual VEJA teve papel fundamental: o caso do mensalão. O ponto de partida foi a divulgação de um vídeo, em 18 de maio de 2005, no qual um funcionário dos Correios contava como funcionava a estrutura de corrupção dentro da instituição. Para Policarpo, parte do sucesso das investigações pode ser atribuída ao aprendizado adquirido durante outro escândalo de grande repercussão nacional: “O caso Collor permitiu que soubéssemos como conduzir as investigações nesse que foi o maior escândalo de todos os tempos na política brasileira.”

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A busca pela excelência

O que permite a uma revista vencer o teste do tempo e chegar aos 45 anos com o vigor de VEJA – e o vínculo estreito que ela mantém com seus leitores? Neste vídeo, José Roberto Guzzo, ex-diretor de redação de VEJA e hoje integrante do conselho editorial da Editora Abril, Carlos Maranhão, diretor editorial de VEJA Cidades, Policarpo Júnior, redator-chefe de VEJA, Augusto Nunes, colunista de VEJA.com, e Pedro Martinelli, fotógrafo, falam sobre a busca da excelência no jornalismo

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Créditos

  • REPORTAGEM
    Branca Nunes
  • EDIÇÃO
    Carlos Eduardo Jorge
    Thiago Brizola
  • IMAGENS
    Carlos Eduardo Jorge
  • PESQUISA
    Milena Buarque
  • TRILHAS
    Ronaldo Miranda
  • WEB-DESIGN
    Sidclei Sobral
  • FRONT-END
    Deborah Miranda
  • COORDENAÇÃO
    Fernanda Monte Claro e Alexandre Hoshino
  • AGRADECIMENTOS
    Dedoc - Fotos
    Memória Abril