CONCLUSÃO DO PAINEL
Levar o estado às favelas        Superprefeitos nas regiões metropolitanas        Combate ao tráfico de drogas        Planejar o crescimento
Tirar a majestade do carro        Organizar o transporte coletivo        Conferir aos ônibus o padrão de metrô        Não se intimidar com os desafios       
O espaço para a produção de propostas e comentários no projeto de VEJA 40 anos foi encerrado. Agradecemos a sua colaboração.

Conclusão do painel

O relato de quem
vive nas Megacidades

Por Lucila Soares

O blog “Megacidades” entrou no ar em 20 de agosto. Desde então, recebeu 279 comentários e 152 propostas que chamam a atenção por uma característica bem marcante: todos falam com a autoridade que lhes confere o fato de viverem no espaço que está em discussão. Isso vale também para autoridades e especialistas que se manifestaram através do blog, seja comentando seja apresentando proposta. De fato, falar do espaço urbano é falar na primeira pessoa, relatar uma experiência que diz respeito não apenas ao lugar onde se mora, mas a uma rede dinâmica, que envolve, claro a moradia, mas também o transporte, a escola, a saúde, o meio ambiente.

Outra característica que chama a atenção é essa: comentar a cidade e formular propostas que a tornem melhor é falar de muitos assuntos que compõem a melhor qualidade de vida que se deseja. A visão transversal que o tema proporciona é muito interessante. Ao discutir a presença do estado nas favelas, o combate ao tráfico apareceu imediatamente, assim como o acesso a serviços. “Todas as favelas, para serem legalizadas, deveriam ser reconstruídas em condições mínimas de dignidade para as pessoas, e de acesso para o estado e seus agentes. Do médico ao policial.”, escreveu o leitor Antonio da Matta.

Muitos comentários e propostas referiram-se também à necessidade de proporcionar boas condições de educação à população que vive nas favelas, como forma de capacitá-la para concorrer em melhores condições no mercado de trabalho e, assim, conseguir moradia mais digna. Também o tema das regiões metropolitanas e sua governança atravessou-se na discussão das favelas. Como é possível pensar em política habitacional sem integrar o conjunto de municípios por onde a população circula de casa para o trabalho, ida e volta (olha aí os transportes!), todos os dias?



Algumas ideias interessantes surgiram em torno da figura do “superprefeito” proposta no seminário dos 40 anos de VEJA. A profissionalização foi uma delas. “O gerenciamento deve ser como nas empresas privadas, com planejamento, desenvolvimento estratégico, metas e resultados. A escolha deve sair de uma lista de três nomes, indicados pelo governador e votados pelos deputados estaduais. Esse profissional, de preferência com formação em administração pública, não deve ser exposto às pressões de partidos”, escreveu o leitor que se identifica apenas como Rafael. Embora seja difícil imaginar o ocupante de um cargo com tamanho poder que não sofra pressão política, a ideia de Rafael dá um passo adiante na proposta do “superprefeito”: o pré-requisito da formação. Na direção oposta, alguns especialistas dizem que a solução não é um “superprefeito”, e sim “subgovernadores”, que mais ligados às realidades locais, poderiam subsidiar melhor o governador do estado em relação às necessidades da população.

O tema dos transportes, que ficou subdividido em três, leva a uma rica discussão também sobre as regiões metropolitanas e as decisões políticas envolvidas em algumas soluções. Nesse tópico, o que ficou claro é que, na opinião da maioria dos leitores, as soluções são conhecidas, e só não são adotadas porque os governantes não se entendem entre si ou porque existem interesses poderosos dos agentes privados envolvidos na prestação desse serviço que impedem um planejamento racional do transporte público. “É preciso colocar em prática a velha tese da integração entre o planejamento urbano e o planejamento dos transportes”, diz Alexandre Meirelles.

Outros leitores recorreram a exemplos concretos. Suely Grynberg citou Istambul, com seus trens de superfície de apenas dois vagões. Maria Aparecida, moradora de Curitiba, elogia como usuária o internacionalmente conhecido corredor de ônibus que funciona há quase três décadas na cidade. A intenção da revista foi precisamente essa: levantar a discussão e abrir um novo forum para que ela avance. No conjunto, os blogs que ficaram no ar ao longo de 2009 proporcionaram um bom arsenal de ideias e reflexões para o prosseguimento do debate.
 

As Megacidades do país, elas ainda têm solução

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