Blog: Ambiente
Ronaldo França
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 09 de outubro de 2009

Do que é feito o Nobel da Paz?

A eleição do presidente Barack Obama ao prêmio Nobel da Paz, anunciada nesta sexta-feira, é um prêmio às boas intenções. Porque essas são, por enquanto, as credenciais de seu governo. Cabe analisar do que é feito, afinal o prêmio Nobel da Paz, a mais simpática e política das seis premiações da Real Academia de Ciências da Suécia.  É de ações individuais ou das de governo? No caso de Obama, seu principal gesto individual será a doação do dinheiro do prêmio a instituições de caridade.

Como governante, sim, ele tem o que mostrar. Sua recente proposta de desarmamento nuclear tem um peso extraordinário. Aponta uma mudança importante na posição do governo americano. Sua disposição ao diálogo com os países islâmicos, sem perder a firmeza na condenação ao avanço iraniano na área nuclear, também. A recente crítica ao governo de Israel pelas ocupações em território palestino é outra guinada admirável.
Mas são ações motivadas pela necessidade de uma correção de rumos inescapável. Deveriam resultar, no máximo, em um prêmio Nobel do Bom Senso. Ele percebeu a rejeição internacional às posições assumidas pelo governo americano nos últimos anos e deu um rumo à diplomacia de seu país. Ou está tentando dar, porque a diplomacia americana é coisa para profissionais. Por lá não tem essa história vergonhosa de filiação partidária como acaba de fazer a cúpula do Itamaraty.
O reposicionamento da política externa americana é resultado do deslocamento do eixo político global com entrada da China e dos outros emergentes no jogo. É resultado também da absurda situação de endividamento legada por George W. Bush, que ele precisa contornar se quiser manter a capacidade de intervenção em conflitos regionais ao redor do mundo. Não se pode dizer que seja uma propensão do presidente à bondade.
O líder político que, durante sua campanha, encantou multidões com a perspectiva de uma nova Era de Aquarius, é pragmático a ponto de manter a posição americana em relação às guerras e adiar a retirada de tropas do Iraque. Da mesma forma, adotou medidas para redução das emissões de gases de efeito estufa muitíssimo mais modestas do que prometeu na campanha.
O prêmio que acaba de ganhar criou a suspeita de que os senhores da Nobel Foundation, na Suécia, estão de birra com George W. Bush. Durante o governo do ex-presidente americano, concederam a honraria a alguns de seus principais desafetos ou concorrentes. Assim, como quem não quer nada, em 2002, premiaram Jimmy Carter, que de fato liderou a luta mundial pelos direitos humanos, mas é um integrante do Partido Democrata; o presidente da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei ganhou em 2005. Seu feito notável foi bater de frente com o governo americano por conta da falsa acusação da existência de armas nucleares no Iraque. Era um opositor de Bush, portanto. Em 2007, o ex-vice presidente Al Gore foi o escolhido, no momento em que se tornou o maior crítico da política ambiental americana.
Premiar Obama agora, com apenas nove meses de governo, parece um recado claro de contestação ao governo Bush  —  que diga-se de passagem, lutou com afinco contra a paz mundial. Talvez o maior feito de Obama seja não ser Bush.



Por Ronaldo França - 22:12    •    Enviar Comentário     •    Ler Comentários



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Stefany - O que distancia Obama de Bush é no meu modo de ver, entre otras coisas, a superação pessoal atraves da educação. O que me traz para uma outra reflexão: Como sería bom se os mandatários de todos os países estivessem centrados en valores como amor pelo saber, pela cultura e pela paz. E deixo uma pergunta: Nobel brasileiro de qualquer categoria para quando? Há paises muitísimo menores e com menos recursos que já conseguiram. Ou será que para o brasileiro feitos em física, química, medicina, economía, literatura são inatinguíveis?

Read Aued Guirar - A rigor que mereceu o Nobel da Paz foi o povo americano porque, primeiro elegeu um negro e segundo, porque esse negro parece ser e fazer o que se espera dele.

Ronaldo França - Tem razão. A questão é que o próprio Obama admite não ter ainda realizado nada à altura do Nobel. Mas, sem dúvida,é uma mudança significativa na política externa americana.

Borges - ok de facto Obama durante este curto respaço de tempo não teve ainda na prática acçoes tao relevantes para tal premio mas pensem a posicao de Obama sobre o iraque, corea do norte, irao aquecimento global etc numa altura de grande agitaçao internacional vindo de um presidente americano ja por si so alivia essa agitaçao e da esperança as povos a futuro melhor.

   
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