Blog: Ambiente
Ronaldo França
Coordenador do painel de Ambiente de Veja 40 anos - o Brasil que queremos ser, o editor Ronaldo França destaca aqui assuntos referentes ao tema e discute os conteúdos apresentados pelos leitores
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 09 de outubro de 2009

Do que é feito o Nobel da Paz?

A eleição do presidente Barack Obama ao prêmio Nobel da Paz, anunciada nesta sexta-feira, é um prêmio às boas intenções. Porque essas são, por enquanto, as credenciais de seu governo. Cabe analisar do que é feito, afinal o prêmio Nobel da Paz, a mais simpática e política das seis premiações da Real Academia de Ciências da Suécia.  É de ações individuais ou das de governo? No caso de Obama, seu principal gesto individual será a doação do dinheiro do prêmio a instituições de caridade.

Como governante, sim, ele tem o que mostrar. Sua recente proposta de desarmamento nuclear tem um peso extraordinário. Aponta uma mudança importante na posição do governo americano. Sua disposição ao diálogo com os países islâmicos, sem perder a firmeza na condenação ao avanço iraniano na área nuclear, também. A recente crítica ao governo de Israel pelas ocupações em território palestino é outra guinada admirável.
Mas são ações motivadas pela necessidade de uma correção de rumos inescapável. Deveriam resultar, no máximo, em um prêmio Nobel do Bom Senso. Ele percebeu a rejeição internacional às posições assumidas pelo governo americano nos últimos anos e deu um rumo à diplomacia de seu país. Ou está tentando dar, porque a diplomacia americana é coisa para profissionais. Por lá não tem essa história vergonhosa de filiação partidária como acaba de fazer a cúpula do Itamaraty.
O reposicionamento da política externa americana é resultado do deslocamento do eixo político global com entrada da China e dos outros emergentes no jogo. É resultado também da absurda situação de endividamento legada por George W. Bush, que ele precisa contornar se quiser manter a capacidade de intervenção em conflitos regionais ao redor do mundo. Não se pode dizer que seja uma propensão do presidente à bondade.
O líder político que, durante sua campanha, encantou multidões com a perspectiva de uma nova Era de Aquarius, é pragmático a ponto de manter a posição americana em relação às guerras e adiar a retirada de tropas do Iraque. Da mesma forma, adotou medidas para redução das emissões de gases de efeito estufa muitíssimo mais modestas do que prometeu na campanha.
O prêmio que acaba de ganhar criou a suspeita de que os senhores da Nobel Foundation, na Suécia, estão de birra com George W. Bush. Durante o governo do ex-presidente americano, concederam a honraria a alguns de seus principais desafetos ou concorrentes. Assim, como quem não quer nada, em 2002, premiaram Jimmy Carter, que de fato liderou a luta mundial pelos direitos humanos, mas é um integrante do Partido Democrata; o presidente da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei ganhou em 2005. Seu feito notável foi bater de frente com o governo americano por conta da falsa acusação da existência de armas nucleares no Iraque. Era um opositor de Bush, portanto. Em 2007, o ex-vice presidente Al Gore foi o escolhido, no momento em que se tornou o maior crítico da política ambiental americana.
Premiar Obama agora, com apenas nove meses de governo, parece um recado claro de contestação ao governo Bush  —  que diga-se de passagem, lutou com afinco contra a paz mundial. Talvez o maior feito de Obama seja não ser Bush.



Por Ronaldo França - 22:12       Enviar Comentário       Ler Comentários (4)

 24 de setembro de 2009

Um passo para um acordo do clima



Todos os envolvidos na negociação do acordo de Copenhagen, a reunião de cúpula sobre mudanças climáticas que acontecerá em dezembro, na Dinamarca, estavam esperando um sinal do governo americano. Ele veio finalmente ontem , na reunião da ONU. O presidente americano Barack Obama reconheceu que os países desenvolvidos têm maior responsabilidade na elevação da temperatura global do que os pobres e emergentes.
Parece óbvio, mas no complexo mundo das negociações internacionais, esse reconhecimento muda o patamar das conversas. Principalmente porque a posição dos Estados Unidos, verificada em suas ações internas, não é nas mais promissoras para o bom termo do acordo climático. O Governo Obama adotou metas de redução de emissões de gases de efeito estufa mais tímidas do fazia prever a disposição inicial do novo presidente.  A meta anunciada pelo governo americano é de redução de 17% sobre as emissões registradas em 2007, e não sobre as reduções de 1990, como se esperava.
 O reconhecimento da responsabilidade dos países desenvolvidos abre caminho para que os países em desenvolvimento tenham metas diferenciadas (aviso que os encarregados dessa negociação no governo brasileiro não gostam da palavra meta) e possam se remunerar pelas emissões evitadas, como no caso do mecanismo de REDD.
A negociação em Copenhagen é uma das mais complexas que já se fez até hoje. Ela engloba discussões comerciais, científicas, de soberania sobre o uso de territórios, energia e por aí vai. É mais difícil que as negociações de comércio, em que a lógica é basicamente econômica  — o que já não é pouco.
Por isso o mundo inteiro está se mobilizando para a reunião da Dinamarca. O que sair dali terá profundo impacto no desenvolvimento das nações.

Foto: AFP.


Por Ronaldo França - 21:36       Enviar Comentário       Ler Comentários (10)

 03 de setembro de 2009

Marina 2 x O Lula

Desta vez foi Dilma. A suposta (mas já não tão provável) candidata do PT à presidência falou em sustentabilidade, ontem. O efeito Marina se propaga. Marina Silva é a pedra no lago do discurso da sustentabilidade neste governo.

Por Ronaldo França - 15:40       Enviar Comentário       Ler Comentários (4)

 02 de setembro de 2009

Inovação é sustentabilidade


A prestigiada Harvard Business Review, em sua última edição, afirma que a sustentabilidade é a chave para a inovação nas empresas. Não é, portanto, papo de botequim.
Os autores afirmam que a produção verde ajuda a baixar os cursos e aumentar os lucros. Diz também que, no futuro, somente as empresas que se preocupam com isso sobreviverão.
Para isso, dizem, são necessários cinco passos.
1 – Ver a obediência às normas como uma oportunidade de negócios, e não um impeditivo;
2 – Fazer com que a cadeia de valores da empresa seja sustentável. Cadeia de valores, numa explicação quase simplória, é um conceito cirado pelo papa da competitividade, Michael Porter, para definir a adição de valor ao produto em  todos os estágios da produção;
3 – Criar produtos e serviços sustentáveis
4 – Desenvolver novos modelos de negócios baseados na sustentabilidade.
O artigo, assinado por RAM Nidumolu, C.K Prahalad e M.R. Rangaswami termina afirmando que inovação é igual a sustentabilidade.


Por Ronaldo França - 23:14       Enviar Comentário       Ler Comentários (8)


Marina já fez efeito

A entrada da senadora Marina Silva no páreo da campanha presidencial produziu seu primeiro resultado prático. Lula falou sobre sustentabilidade. Ao disse nada demais, mas falou.
Chega a ser constrangedor que isso tenha acontecido somente porque se deu conta do vácuo que o tema representa em sua pauta. Mas o fato é que falou.
Foi durante um encontro de empresários brasileiros e alemães. E disse coisas certas. Em resumo, afirmou que é necessário o desenvolvimento de um mercado mundial de etanol  — meta que o setor persegue há tempo  — e que os países pobres devem ganhar alguma coisa com o seqüestro de carbono. Essa sim, a frase mais importante de sua fala.
Se o presidente tiver mesmo acordado para a necessidade de se estabelecer o mecanismo de REDD, como vem sendo proposto ao governo, será um ganho e tanto. Ajudará a remover algumas barreiras dentro do próprio governo pra a reunião de Copenhagen.


Por Ronaldo França - 22:14       Enviar Comentário   

 27 de agosto de 2009

Esta conversa nos interessa



O roteiro é o mesmo, sempre que o assunto é a busca de uma solução para o desmatamento provocado pela criação de gado, na Amazônia: a solução é o confinamento, dizem os ambientalistas. Pois a revista Time que chegou às bancas se dedica a remover pacientemente todos os argumentos a favor do confinamento, como se demolisse um muro usando uma pinça cirúrgica.
O tema da reportagem de capa é o real custo dos alimentos baratos consumidos pelos americanos. Ou seja, na ponta do lápis, qual o preço que se paga quando se levam em conta os custos adicionais no uso de defensivos e nos prejuízos ambientais. A conclusão do repórter Bryan Walsh é de que, no mínimo, deve-se olhar com desconfiança o alimento barato. Na maior parte das vezes, ele é produzido utilizando-se processos prejudiciais à saúde.
O melhor exemplo, claro, é o gado confinado, como ele mesmo mostra nas fotos que publicou e eu reproduzo aqui. A de cima mostra o gado que se convencionou chamar de orgânico. A de baixo mostra as condições em que uma vaca é obrigada a viver seus últimos dias. Mas o melhor da matéria é que ele não apela a sentimentalismo. Traz números e argumentos científicos.
Durante o período de confinamento ele é submetido a uma dieta em que come somente milho, que torna os bois suscetíveis a doenças e altera o metabolismo. O capim é um alimento natural dos bois. Ao forçá-los a uma dieta de engorda, há efeitos colaterais que acabam refletindo na dieta dos humanos, diz ele.
Como tudo na vida, é possível alcançar um meio termo entre as condições ideais de criação e os processos em que se aumenta a produtividade, usa-se extensões de terra menores e, portanto, desmata-se menos. A leitura vai, no mínimo, alimentar uma discussão interessante. 


Por Ronaldo França - 16:48       Enviar Comentário       Ler Comentários (4)

 26 de agosto de 2009

O direito à liberdade

Chamo atenção para uma frase de Marina Silva, dita ontem: “As empresas já estão se colocando à frente do governo, a academia há muito tempo já se colocou à frente e os movimentos sociais antes mesmo desses que acabei de mencionar. Então, nesse momento, falta o governo se colocar de forma estratégica, liderando o processo, interna e externamente. A sustentabilidade ambiental é o desafio deste século, e não uma discussão do verde pelo verde, como dizem aqueles mais desinformados. É discutir economia, como isso se traduz na agricultura, no transporte, na geração de energia, na saúde, na educação, no conhecimento, na inovação tecnológica. (reproduzo aqui a frase publicada em O Globo).
Marina acertou em cheio. É animador que ela tenha essa visão, que refletirá no debate durante a campanha presidencial. É especialmente animadora a referência que ela faz aos desinformados. Eles são uma praga a se combater. A falta de informação, assim como a falta de liberdade de opinião, de transparência, são um empecilho à sustentabilidade.
Essa é a idéia por trás do incentivo às pesquisas com transgênicos – guardados os cuidados até que sua segurança esteja provada. A escolha deverá ser do consumidor. A liberdade de escolha é requisito da sustentabilidade. A pressão da sociedade civil, dos consumidores, é um dos instrumentos mais eficazes na busca por um mundo sustentável. Ela não existe em um ambiente de restrição direitos e de censura à busca do conhecimento. Somente quando as pessoas têm liberdade para tomar suas próprias decisões - seja comprar um produto orgânico ou fazer um aborto – elas têm condições de pressionar os grupos econômicos e governos.
Antes que alguém estranhe a citação a um caso tão extremo quanto o aborto, deixo claro que pessoalmente não gosto da idéia, mas sou favorável a que todos tenham direito a decidir o que é melhor para suas vidas. Cada um sabe o custo pessoal de sua escolha. Como escreveu o austríaco Friederick Von Hayek, em seu clássico "Caminho para a Servidão": “Os vários gêneros de coletivismo diferem entre si quanto ao fim procurado, e todos eles se distinguem do liberalismo e do individualismo por pretenderem organizar a sociedade inteira e todos os seus recursos visando a essa finalidade única, e por se negarem a reconhecer esferas autônomas em que os objetivos individuais são soberanos. Essa finalidade única é vagamente definida como “bem comum”. Ora, o bem-estar de um povo, assim como a felicidade de um homem, dependem de inúmeras coisas que lhe podem ser proporcionadas numa infinita variedade de combinações. Não é possível exprimi-las de modo adequado como um objetivo único”.

* Na semana passada, um leitor que assinou apenas como Jorge fez um reparo ao texto que publiquei, no qual afirmei que a senadora é contrária a qualquer regularização de terras na Amazônia. O leitor tem razão. Pelas declarações da ex-ministra aos jornais, ela não se oporia a uma regularização que atingisse apenas as pequenas propriedades, de até 400 hectares.  Eis a carta aberta que Marina enviou ao presidente Lula.

Carta aberta ao Presidente da República
Brasília, 04 de junho de 2009
Exmo. Sr.
Luiz Inácio Lula da Silva
DD Presidente da República
Sr. Presidente,
Vivemos ontem um dia histórico para o país e um marco para a Amazônia, com a aprovação final, pelo Senado Federal, da Medida Provisória 458/09, que trata sobre a regularização fundiária da região. Os objetivos de estabelecer direitos, promover justiça e inclusão social, aumentar a governança pública e combater a criminalidade, que sei terem sido sua motivação, foram distorcidos e acabaram servindo para reafirmar privilégios e o execrável viés patrimonialista que não perde ocasião de tomar de assalto o bem público, de maneira abusiva e incompatível com as necessidades do País e os interesses da maioria de sua população.
Infelizmente, após anos de esforços contra esse tipo de atitude, temos, agora, uma história feita às avessas, em nome do povo mas contra o povo e contra a preservação da floresta e o compromisso que o Brasil assumiu de reduzir o desmatamento persistente que dilapida um patrimônio nacional e atenta contra os esforços para conter o aquecimento global.
O maior problema da Medida Provisória são as brechas criadas para anistiar aqueles que cometeram o crime de apropriação de grandes extensões de terras públicas e agora se beneficiam de políticas originalmente pensadas para atender apenas aqueles posseiros de boa-fé, cujos direitos são salvaguardados pela Constituição Federal.
Os especialistas que acompanham a questão fundiária na Amazônia afirmam categoricamente que a MP 458, tal como foi aprovada ontem, configura grave retrocesso, como aponta o Procurador Federal do Estado do Pará, Dr. Felício Pontes: “A MP nº 458 vai legitimar a grilagem de terras na Amazônia e vai jogar por terra quinze anos de intenso trabalho do Ministério Público Federal, no Estado do Pará, no combate à grilagem de terras”.
Essa é a situação que se espraiará por todos os Estados da Amazônia. E em sua esteira virá mais destruição da floresta, pois, como sabemos, a grilagem sempre foi o primeiro passo para a devastação ambiental.
Sendo assim, Senhor Presidente, está em suas mãos evitar um erro de grandes proporções, não condizente com o resgate social promovido pelo seu governo e com o respeito devido a tantos companheiros que deram a vida pela floresta e pelo povo Amazônia. São tantos, Padre Jósimo, Irmã Dorothy, Chico Mendes, Wilson Pinheiro – por quem V. Excia foi um dia enquadrado na Lei de Segurança Nacional – que regaram a terra da Amazônia com o seu próprio sangue, na esperança de que, um dia, em um governo democrático e popular, pudéssemos separar o joio do trigo.
Em memória deles, Sr. Presidente, e em nome do patrimônio do povo brasileiro e do nosso sonho de um País justo e sustentável, faço este apelo para que vete os dispositivos mais danosos da MP 458, que estão discriminados abaixo.
Permita-me também, Senhor Presidente, e com a mesma ênfase, lhe pedir cuidados especiais na regulamentação da Medida Provisória. É fundamental que o previsto comitê de avaliação da implementação do processo de regularização fundiária seja caracterizado pela independência e tenha assegurada a efetiva participação da sociedade civil, notadamente os segmentos representativos do movimento ambientalista e do movimento popular agrário.
Por tudo isso, Sr. Presidente, peço que Vossa Excelência vete os incisos II e IV do artigo 2º; o artigo 7º e o artigo 13.
Com respeito e a fraternidade que tem nos unido, atenciosamente,
Senadora Marina Silva



Por Ronaldo França - 19:48       Enviar Comentário       Ler Comentários (2)

 21 de agosto de 2009

A proposta campeã de votos no projeto VEJA 40 Anos


Caros,

O projeto VEJA 40 anos abriu uma votação  para a escolha das melhores propostas enviadas pelos leitores. A campeã, até agora, foi enviada por Eduardo Cardoso Prado. Teve, até o momento, 714 votos. Como diz respeito ao tema desse blog sobre Ambiente, a reproduzo aqui. É mesmo muito interessante:

Pastoreio Voisin como disciplina nos cursos superiores 

No Brasil, segundo dados da EMBRAPA, dos 180 milhões de pastagens do nosso Solo Pátrio, cerca de 50% estão em processo de degradação, erosão e desertificação. A solução para frear tamanha degradação é o Pastoreio Racional Voisin, inclusive, já sendo objeto de diversas dissertações de mestrado no Brasil e no exterior. O Pastoreio Racional Voisin é um modelo de manejo dos pastos científico, definitivo; diferente; de baixo custo; limpo; ecológico; sustentável; não usa calcário e nem os caríssimos adubos de síntese química; dobra e até triplica a capacidade de produção das pastagens; não usa o fogo e pode ser trabalhado com integração lavoura/pecuária e com lavoura/pecuária/árvores, independente do tamanho da propriedade. No Rio Grande do Sul, o engenheiro Nilo Ferreira Romero, pioneiro desse sistema no Brasil, produz desde 1963, 8 vezes mais carne que seus vizinhos, em suas duas fazendas (Bagé e Candiota). Alcança essa produção extraordinária, apenas com o PRV. Dom Nilo Ferreira Romero é o melhor exemplo do Brasil e do mundo, em termos de pastagens lucrativas e sustentáveis. Afinal de contas, 45 anos sem adubos não são 45 dias. Usando essa mesma técnica, a UFSC já implantou cerca de 430 projetos de Pastoreio Racional Voisin nesse estado. Isso posto, temos plena convicção, que o Ministério da Educação deveria em breve, incluir o Pastoreio Racional Voisin como disciplina obrigatória na grade curricular dos cursos de Agronomia e Zootécnia das Universidades Públicas Federais bem como naquela das Escolas Agrotécnicas Federais. Mais informações sobre essa proposta, ver nossa carta aberta encaminhada ao Presidente Lula no site do Sindicato dos Produtores Rurais de Vilhena: www.srvilhena.org.br

Eduardo Cardoso do Prado
Técnico de Segurança das Centrais Elétricas de Rondônia

Enviado por eduardo cardoso do prado (03/03/2009)



Por Ronaldo França - 16:05       Enviar Comentário       Ler Comentários (1)

 18 de agosto de 2009

Um sinal amarelo para os verdes



A provável candidatura da ex-ministra Marina Silva à presidência da República fará um bem enorme ao país se o PV conseguir se desvencilhar das amarras do discurso ambientalista.

A contribuição real será incorporar a variável da sustentabilidade em sua abordagem sobre economia, pobreza, fome, pesca, ciência, moda, futebol ou o quer que seja.

A tarefa é difícil por duas razões. A primeira é que depois de tantos anos dedicado com afinco à mais completa irrelevância, o partido não tem nenhuma importância no debate ambiental brasileiro.

Foi escanteado pelo PT, que se tornou dono da causa ambiental no Congresso, e o PV passou a desnecessário. Para levar adiante a idéia da candidatura Marina, o PV precisará repassar um a um os itens da agenda ambiental para se posicionar. O que é muito bom, diga-se de passagem. O partido tem alguns quadros muito bem formados nesse assunto. Se ganhar musculatura a reboque da figura simbólica de Marina, tem tudo para contribuir com o país.

Mas há um outro obstáculo a superar. A leniência com os grupos políticos que passaram a usar o partido como legenda de aluguel é perigosa. Assustados com a entrada em vigor da cláusula de barreiras, seus dirigentes aceitaram inchar artificialmente o partido por puro pragmatismo eleitoral. O PV passou a ser qualquer coisa, menos um partido verde de seiva pura.

Há uma outra dificuldade, que reside na própria candidata. Ninguém duvida de sua seriedade, honestidade, da bondade que sua frágil figura inspira. Mas não é possível levar adiante o discurso da sustentabilidade tendo posições como a condenação do aborto e dos transgênicos, ou a recusa a qualquer tipo de regularização fundiária na Amazônia. A presidência da República não comporta visões parciais.

Foto: Agência Brasil.



Por Ronaldo França - 20:08       Enviar Comentário       Ler Comentários (9)

 11 de agosto de 2009

O preço da floresta



O mecanismo de REDD (Redução de emissões por desmatamento e degradação evitados) é o assunto mais importante na agenda da reunião de Copenhagen, que se aproxima.
Sua lógica é simples: quem deixar de desmatar recebe dinheiro por isso, na medida exata do carbono preservado em forma de árvore. Quem paga é quem emitiu gases de efeito estufa além do permitido. Compensação simples.
O que muitos ambientalistas imaginam possível é usar o REDD para remunerar a preservação da Amazônia. É receber para manter árvores de pé. Também sempre tive a certeza de que é um mecanismo inteligente e oportuno.
Já que temos que preservar a floresta, e já que isso tem um valor, por que não receber por isso? Sempre me incomodei com a posição do governo brasileiro. A forma como o país se coloca nos fóruns internacionais sobre o assunto é muito semelhante à que adota nas discussões da rodada Doha. Ou seja, o Brasil parece querer tirar vantagens comerciais.
É uma posição controversa porque não se pode mercadejar com algo que tem impacto direto nas mudanças climáticas.
A entrevista de hoje à Folha de S. Paulo do papuano Kevin Conrad, encarregado das discussões climáticas no governo de Papua-Nova Guiné, traz um ponto-de-vista que mercê atenção. Diz ele que esse sistema não funcionaria de imediato, porque não existe um mercado internacional. Não há dinheiro para isso. O argumento despreza a lógica econômica.
Na medida em que os países forem obrigados a pagar a conta da emissão, esse dinheiro surgirá. É o que parece mais razoável. Na entrevista,Conrad dá uma pista sobre o que o leva a formular esse argumento. Os países menores não tem mecanismos como o do Brasil pra o monitoramento de suas florestas. Ou seja, não poderão competir em condições de igualdade.
 Não parece que faça sentido impedir a criação de um mecanismo que pode proteger a Amazônia apenas porque um mercado não está consolidado ou porque não há dinheiro para isso. Claro que há dinheiro para isso. A questão é sistematizar. É o que estará em jogo em Copenhagen.

Foto: Arquivo.



Por Ronaldo França - 19:50       Enviar Comentário       Ler Comentários (7)

 05 de agosto de 2009

O alvo errado

O IBAMA enviou aos jornalistas, ontem, uma nota denunciando a prisão do coordenador da Operação Boi Pirata II, por ordem do juiz estadual do Pará em exercício na 1ª Vara Cível da Comarca de Itaituba e Vara Única de Novo Progresso, José Admilson Gomes Pereira. A nota pretende, ao que parece, evidenciar um absurdo. Quem escreveu tem pontaria de atirador de mísseis israelense.
O juiz está certíssimo em mandar prender quem descumpre um ordem judicial. Se essa ordem é estapafúrdia, e parece que é, que seja questionada nos tribunais e o juiz denunciado ao CNJ. Simples assim.


Por Ronaldo França - 13:09       Enviar Comentário   

 14 de julho de 2009

Quebrar patentes ambientais pode ser um tiro no pé

A proposta do governo brasileiro de que países emergentes possam quebrar patentes ambientais é arriscada. Patentes são uma garantia para quem investe. Os produtos ambientais, como os de base florestal, por exemplo, ainda estão por ser desenvolvidos. Tudo o que não se pode fazer é espantar os investidores.
Ainda não dá para dizer que seja um tiro no pé total. Nem sempre é. Veja o caso dos medicamentos genéricos, sucesso absoluto. A diferença, e talvez esteja aí o risco, é que o mercado farmacêutico é maduro. Os investimentos feitos nos produtos que agora têm genéricos já passaram do ponto na curva de rentabilidade. Temo que essa idéia jogue incerteza num terreno já tão minado pela dúvida.


Por Ronaldo França - 19:25       Enviar Comentário       Ler Comentários (4)

 10 de julho de 2009

Com dois graus poderemos estar na fogueira



Pense no que são 2 graus centígrados. Aumente a temperatura do ar-condicionado do seu quarto. Parece pouco. Se você chegou agora nessa discussão ambiental, saiba que 2 graus centígrados são suficientes para causar um estrago considerável.

Uma história ilustra bem isso. Quem me contou foi o ganhador do prêmio Nobel de Química de 1995, Frank Sherwood Rowland. Já publiquei essa história, mas vale a pena contar novamente. O abeto-vermelho é uma árvore rica na produção de resina. Ela é encontrada nas florestas temperadas do Alasca.

 As árvores começaram a ser atacadas por um tipo de besouro comum na região, que se alimentava da resina. A razão pela qual eles eram inofensivos é que nos meses mais frios do inverno eles morriam em razão do frio. Quando o Alasca começou a esquentar um pouco mais, em menos de um grau, eles simplesmente deixaram de morrer e eliminaram as árvores de abeto. Pode-se imaginar as conseqüências de mudanças como essas.  Rowland explicava que essa mudança e seus efeitos não foram previstas, por impossíveis.

Fica fácil entender assim porque é tão importante não deixar o planeta aquecer mais. A meta proposta na reunião de cúpula desta semana, de conter a emissão de gases de efeito estufa a um limite em que a Terra aqueça apenas 2 graus centígrados, é insuficiente.

Pode ser bom como um número mágico, na mesa de negociações. Mas se a meta não for mais ousada, as consequências são imprevisíveis e podem ser tão drásticas que, sim, pode mudar a paisagem em várias partes do planeta. 

O desafio, na reunião de Copenhagen, em dezembro, é avançar nesse terreno, mas ninguém acredita que seja possível. Obrigaria os países emergentes a uma redução na emissão de gases para a qual não estão preparados.A boa notícia é que o Brasil está bem colocado nesse debate.



Por Ronaldo França - 21:18       Enviar Comentário       Ler Comentários (10)

 03 de julho de 2009

Na trilha de Marx



Alienação das massas, mais valia, fetiche da mercadoria...  Esqueça. Desde que o Marxismo se empoeirou, a esquerda que só sabia  bradar contra os donos dos meios de produção adotou o discurso ambiental. Foi como mudar de roupa sem sair da cabine.

É o que explica, em grande parte, a radicalização do debate e a aparente  — só aparente  —  falta de informação de seus contendores. O ranço ideológico contaminou a área. Os exemplos mais recentes são as discussões sobre o desmatamento e a mudança da legislação.

Claro que há gente que acha que o aquecimento global é bobagem e não há problema em desmatar mais. Mas esses também duvidam de que o homem tenha pisado na lua. Do outro lado, tem os abraçadores de árvore. Mas não são esses que estão sentados nas mesas de negociação.

Quem está negociando é gente muito bem preparada. O problema é que os ambientalistas radicais não querem nem saber de equações econômicas. Quando obrigam um pequeno produtor a arcar com os custos do reflorestamento por um desmatamento que ele fez quando ainda era permitido, sabem que ele pode quebrar, mas não ligam.

Os produtores, por seu turno, querem mudar a lei para colocar na conta do governo um reflorestamento de área que sabiam ilegal quando compraram. Sabem que não é justo, mas fingem não concordar para — .velho vício nacional  — socializar o prejuízo.

A reunião de Copenhagen está chegando. Será o principal fórum global sobre o tema desde a Rio 92. Se o Brasil não chegar com um discurso afinado, perderá a oportunidade de se firmar como um líder global na área ambiental.

A foto acima é da Avenida Karl Marx, em Berlim.



Por Ronaldo França - 20:15       Enviar Comentário       Ler Comentários (2)

 26 de junho de 2009

O que se espera do ministro

A MP 458, que regulariza a propriedade de terras na Amazônia, é um avanço. Sobre isso não há o que discutir. Permite a responsabilização pelo desmatamento, dá segurança jurídica aos novos proprietários para que possam investir a longo prazo e cria estabilidade. É especialmente positiva para reduzir o clima de insegurança que reina nas regiões em que há disputa pela terra.

O que se tem a destacar é o papel que ministro do meio ambiente exerceu durante o processo de aprovação. Ele é ilustrativo.  Minc era contra vários artigos da MP. Tinha posição muito próxima à da senadora Marina Silva, para quem o texto em tramitação no Congresso era um lixo total.

De uma hora para outra Minc aparece elogiando a MP da forma como foi aprovada, com os dois vetos do presidente (ao artigo que permitiria a regularização de terras de empresas e de terras exploradas por terceiros).

Aí é que está o detalhe. Qual é a verdadeira posição do ministro sobre o assunto, qualquer assunto?

As mudanças repentinas de direção têm a ver com a forma como o ministro negocia. Quase sempre lança mão da mesma estratégia: pede mais do que espera ganhar, tal como um comerciante de tapetes. Coloca o bode na sala em quase tudo o que faz.

 Essa forma de negociar não combina com o figurino de ministro de estado. O que se espera dele é que dê a grande direção. Que aponte o caminho que o país deve seguir em sua área. O ministério que tenha em sua equipe negociadores para colocar e tirar o bode da sala.

Isso é o que está atrapalhando o ministro. É a razão pela qual os ruralistas falam abertamente em derrubá-lo. 



Por Ronaldo França - 19:29       Enviar Comentário       Ler Comentários (2)

 25 de junho de 2009

Eólica pode ligar o mundo, segundo pesquisa de Harvard. Será?



Pesquisa da Universidade Harvard em conjunto com o Centro de Pesquisa Técnica da Finlândia concluiu que a energia eólica tem potencial suficiente para abastecer o mundo inteiro.

A reportagem publicada pelo Estado de S.Paulo, na terça-feira, transformou-se em munição na mão dos ambientalistas contrários à construção de hidrelétricas. É compreensível. Mas há cuidados a tomar antes de embarcar nessa afirmação.

Ventos são resultado do deslocamento de massas de ar quente e frio, do movimento de correntes marinhas etc. Não há vento permanente no território brasileiro. Esses só existem  em alto mar.

O desafio de trazer essa energia até o continente é enorme e a viabilidade econômica dessa operação é tão inquestionável quanto a existência de vida em outro planeta da Via Láctea.

A redação de VEJA, no Rio, acaba de responder uma carta de leitora questionado esse ponto na reportagem desta semana, "O Desafio de crescer e preservar". Essas considerações foram feitas a ela. Trago esse tema até aqui porque é relevante.

Veja o caso da gigantesca reserva de petróleo na camada pré-sal, na costa brasileira. Os engenheiros da Petrobras não têm dúvida de que existe muito petróleo ali. O que eles não sabem é se é viável técnica e economicamente extrair o óleo e o gás de lá. Depende do volume e da vazão. Depende do valor do barril no mercado internacional, da margem de lucro e mais um monte de coisas, que não há espaço aqui para tratar.  O fundamental é entender que o debate ambiental anda empacado por falta de informação, porque a economia é complexa e nem sempre lavada em conta.

As análises são quase sempre superficiais e incompletas. Os ambientalistas quase sempre desprezam o fato de que na economia real não bastam boas intenções. As alternativas têm que ser viáveis. Somente assim deixam de ser alternativas e se tornam o melhor caminho.

Foto: Ras263.



Por Ronaldo França - 15:30       Enviar Comentário       Ler Comentários (2)

 23 de junho de 2009

Sem bom senso não há sustentabilidade possível



O debate em torno da mudança do Código Florestal sofreu um revés inesperado, na semana passada. Num evento na Amazônia, ao lado de artistas como a belíssima Cristiane Torloni, o presidente Lula defendeu os proprietários de terra que desmataram antes da promulgação do Código, em 1965, e os que o fizeram nas décadas de 70 e 80, com o incentivo governamental.

Não é incomum que o presidente esteja do lado errado da discussão, mas a verdade é que desta vez ele expressou sensatez. Feito raro, para que já defendeu a oposição irresponsável (quando ainda não era governo, claro), absolveu a instituição do caixa dois nas eleições, chamou de chorões os manifestantes iranianos que não se conformam com a roubalheira nas eleições presidenciais e quer um tratamento diferenciado para o Sarney – leia-se, todos os presidentes da República depois que deixarem o cargo.

Um comentário lateral inevitável: é impossível não achar que havia ali, naquela defesa do Sarney, uma advocacia de interesses próprios. Afinal, pela mesma lógica, Lula também não seria uma pessoa comum. Se não estava pensando em uma futura condição de intocável para ele mesmo, só podia estar com a cabeça em  2010, tentando levar de uma vez por todas o PMDB para a candidatura de Dilma. Mas isso é outra história. 

Voltando à questão do Código Florestal, o fato é que Lula, desta vez, estava certo. Não se pode querer que os proprietários de terras que desmataram em uma dessas duas condições tenham tratamento igual aos espertos e bandidos, que desflorestaram contando com a infalível leniência do poder público. 

O ministério do meio ambiente quer que todo mundo seja obrigado a reflorestar suas propriedades, independente de terem sido incentivados pelo próprio governo a fazê-lo. E acena com um financiamento em condições generosíssimas como se isso fosse suficiente. Não há sensatez nessa posição, defendida pelo ministro Carlos Minc e pelos ambientalistas. O ministro Minc não precisava ter tido orientações de seu chefe tão contrárias à direção que vinha tomando, ali, em público.

Deveria ter percebido antes que é injusto e a insistência nisso só tende a criar uma demanda jurídica interminável, que vai consumir dinheiro público, entupir a mesa de juízes, desembargadores e ministros do STF para, ao final, chegar-se a quase nada.

O governo está tendo bons resultados na redução do desmatamento, que deverá ficar na casa dos 8 000 ou 9 000 quilômetros quadrados, no levantamento a ser divulgado em breve. São números empolgantes. Prova de que não será preciso abrir mão do bom senso pra se chegar ao desmatamento zero.

Foto: Agência Brasil.



Por Ronaldo França - 19:27       Enviar Comentário       Ler Comentários (5)

 19 de junho de 2009

Há um efeito Minc?

O ministro Carlos Minc anda repetindo por aí que o desmatamento da Amazônia, a ser anunciado em breve, será o menor dos úlltimos 20 anos. Uma vitória espetacular. Não sei ainda, exatamente, o quanto diminuiu.  Mas pode ser um sinal de que seu destempero nas declarações, as brigas com os ruralistas, estejam surtindo efeito.O povo da motoserra anda cabreiro.

 Hoje o presdente Lula o prestigiou publicamente. Na teleconferência do presidente com três ministros de estado, cada um num município, Minc estava ao lado de Lula. Era o único. Como o mundo da política funciona por símbolos, esse arranjo deve ter impressionado os mais atentos. O pragmatismo de Lula compensa os vícios do tempo em que o ministro andava por aí fazendo empates até em porta de geladeira. Ultimamente, ele abre a porta da geladeira. Lhe faz bem.

A questão é: será que está dando certo? O colete está vencendo a motoserra e a pata do boi?

Antes de dormir: Minc continua de mau humor com a Kátia Abreu.



Por Ronaldo França - 23:55       Enviar Comentário       Ler Comentários (1)

 12 de junho de 2009

Brasil, uma marca poderosa



 Vastos setores da sociedade brasileira sofrem de miopia na área ambiental. Não se dá ao assunto a importância que tem. Acaba-se transigindo com o desmatamento como se fosse a única saída para o desenvolvimento.O desmonte da legislação ambiental brasileira, um patrimônio recente e muito bem-vindo, é consequência desse processo.  Diz muito sobre esse descaso o fato de termos que esperar pelo apoio de publicações estrangeiras para vermos a questão pelo ângulo correto.

Duas revistas de peso trataram de questões ambientais brasileiras nesta semana. A inglesa Economist que chegou hoje às bancas, publicou matéria sobre estratégia de conservação da Amazônia. Afirma que o Brasil deveria ser remunerado, no mercado de carbono, por manter sua floresta de pé. E diz que, para estabelecer um critério de pagamentos deve-se primeiro tratar da regularização fundiária.

Essa é uma ideia defendida pelas melhores cabeças do país. O problema é sério. Estima-se que exista seis escrituras para cada terreno na Amazônia. É impossível estabelecer mecanismos de controle sem o documento essencial que é o título da terra.

Seria uma medida inclusive de contenção da violência. O professor José Goldemberg costuma resumir a questão fundiária com uma comparação à cidade de São Paulo. Diz ele: “a única razão de não haver conflito de terras em São Paulo é que todos os terrenos têm dono”. Raciocínio simples e certeiro.

A outra citação ao Brasil foi feita pela revista Science, em artigo científico de autoria da equipe do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, (Imazon). O estudo, feito em 286 municípios, mostra o quão danosa é a atividade econômica baseada no desmatamento, seja para exploração de madeira ou para a pecuária.

Essas atividades têm um ciclo curto de prosperidade, de 15 a 16 anos. Ao final desse período, o índice de desenvolvimento humano desses municípios é igual ou pior ao período anterior. O boom econômico não se converte em desenvolvimento social. 

No texto da Economist há uma observação com a qual concordo inteiramente e já havia falado aqui, no post que está aí embaixo. A de que o Brasil está diante da oportunidade de se firmar como o país de matriz energética mais limpa do mundo e pioneiro no uso de energia renovável. Isso é uma marca poderosa, que vale dinheiro. Se não houvesse outra razão para se manter o patrimônio ambiental brasileiro de pé, essa seria uma bela motivação.

 



Por Ronaldo França - 20:17       Enviar Comentário       Ler Comentários (8)

 05 de junho de 2009

Flor do Hemisfério Norte



Essa é pelo Dia Mundial do Meio Ambiente



Por Ronaldo França - 20:59       Enviar Comentário       Ler Comentários (5)
   
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