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As boas e as más avaliações
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Às vésperas da Prova Brasil e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ambos aplicadas pelo Ministério da Educação, cabe registrar uma preocupação sobre o rumo das avaliações oficiais. A se basear pelo conteúdo do último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), a que recentemente se submeteram universitários de todo o país, a ideologia vem, perigosamente, se sobrepondo à objetividade – este, o princípio básico de qualquer boa prova. O vazamento do Enem, por sua vez, chamou a atenção para as inúmeras fragilidades em relação à própria segurança da prova. Notícias ruins numa rara área em que o Brasil costuma ir muito bem. A eficiência do já gigantesco sistema de avaliação do ensino implantado no país é reconhecida até fora do Brasil. Técnicos daqui costumam ser convidados para versar sobre as aferições brasileiras em países de elevada excelência acadêmica. Todo mundo quer saber como colocar de pé uma avaliação aplicada a tanta gente. Fala-se de algo na casa dos milhões de provas. Quanto ao conteúdo, o Enem tem sido comparado ao Pisa, prova conduzida pela OCDE (organização que reúne os países mais ricos) – referência no mundo das avaliações. Até então, o conjunto de exames oficiais vinha cumprindo bem o seu papel, de fornecer apuradas fotografias da sala de aula. Até meados da década de 90, não havia nada parecido no Brasil, o que só fazia ampliar os problemas. Sem diagnósticos, não havia metas. E sem metas, estávamos no escuro. O último Enade mostra que no escuro continuamos. Tomara que os novos exames oficiais sigam rumo inverso. O país não pode prescindir de bons termômetros do ensino. Foto: Agência Brasil.
Por Monica Weinberg - 17:56
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Uma visão pouco científica
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De uma lista de 57 países, o Brasil é um dos piores em ciências, na 52ª posição. Com o ensino do jeito que é, as chances de mudança são mínimas – ou nenhuma. São os próprios estudantes que escancaram as raízes do problema, em pesquisa realizada pela OCDE e agora analisada pelo argentino Julio Jacobo Waiselfisz, autor do livro O Ensino das Ciências no Brasil e o Pisa. Alguns números evidenciam a falta de apreço dos alunos – uma amostra de 400 000 deles vindos de escolas públicas e particulares – pelos temas científicos. - 79% dizem que a física não lhes deperta grandes interesses, avaliação parecida à que têm da química, da geologia e da astronomia. - Algo como 30% não gostam, e por vezes até “odeiam”, ter contato com questões científicas. Esse repúdio às ciências se reflete num quadro de ignorância desolador, segundo mostra a pesquisa da OCDE, com rara riqueza de detalhes. Para se ter uma ideia, a esmagadora maioria dos estudantes na faixa de seus 15 anos não entendem bem a função dos antibióticos ou o que desencadeia um terremoto. Mais básico ainda, desconhecem o fato de a Terra girar em torno do Sol e o significado da camada de ozônio. É impressionante – e remete a um nó difícil de ser desatado. O nível dos professores de ciências no país é, em geral, muito baixo: 70% daqueles que trabalham em escola pública sequer têm especialização na área. Mesmo quem tem o diploma costuma apresentar deficiências elementares. Eles já chegam à universidade com uma base científica frágil – e de lá saem sem tê-la solidificado como deveriam. Sem mudar o cenário, o Brasil continuará a responder por minguados 0,2% dos pedidos internacionais de patentes e permanecerá em 43º lugar num ranking que mede o desenvolvimento tecnológico em 72 países. Um vexame.
Por Monica Weinberg - 15:34
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Pré-escola, só ser for boa
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Um novo conjunto de pesquisas sobre os efeitos da escola nos primeiros anos de vida de uma criança sugere uma reflexão que contraria o senso comum: enquanto basicamente todo mundo diz que a pré-escola é crucial para o desenvolvimento, tais estudos afirmam que isso só é verdade se ali forem contempladas duas necessidades básicas dessa fase. A primeira diz respeito ao tamanho das turmas, que devem ser enxutas o suficiente para garantir algo decisivo para o aprendizado de tais crianças: um atendimento ao mesmo tempo personalizado e afetivo – ou ainda, na definição do mineiro João Bastista Oliveira, doutor em psicologia do aprendizado, “um tipo de atenção que se assemelhe ao da mãe.” Outro ponto decisivo remete aos estímulos que a escola é capaz de prover. Nessa etapa da vida, o mais importante, de acordo com o que já está provado cientificamente, é incentivar a curiosidade e apresentar à criança um repertório de palavras do qual ela se beneficiará ao longo de toda a sua trajetória escolar. Com dois anos de idade, há crianças que dominam um conjunto de 200 palavras, ao passo que outras já têm conhecimento de 600 delas. Essa diferença se explica justamente pelo tipo de empurrão dado a cada uma. É aí que a escola pode ser decisiva – ou inútil. O Brasil bate na tecla da inclusão de todos na pré-escola, mas deixa de lado a questão de maior relevo: sem um alto padrão, elas não terão qualquer efeito positivo para o aprendizado. Foto: jgp_design.
Por Monica Weinberg - 19:10
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Tomara que dê certo
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Há gente no Brasil interessada em importar dos Estados Unidos o Teach for America, o mais bem-sucedido programa feito para atrair os melhores estudantes de ensino médio para a carreira de professor. Até então, o que existe são conversas entre o Teach for All, organização que ajuda a implantar o programa americano mundo afora, e gente do setor privado daqui. Tomara que se concretize. No Brasil, os professores têm saído da parte menos qualificada da pirâmide – justamente aquela habitada por 20% dos alunos com o mais baixo rendimento escolar do país. Qualquer iniciativa para mudar isso será mais do que bem-vinda. O Teach for America consegue atrair os mais talentosos alunos para a docência oferecendo-lhes algo bem concreto. Depois de dois anos no papel de professor de escola pública – tempo mínimo de estada no programa – esses jovens ingressam quase que automaticamente em algumas das maiores empresas americanas, com quem o Teach for America estabeleceu uma produtiva parceria. Para as empresas, recrutar gente que passou por lá significa encurtar o complicado processo de busca por bons profissionais. Pela estreita peneira do programa só passam os realmente capazes. Para se ter uma ideia, apenas os alunos de ótimo boletim têm direito à inscrição e, ainda assim, 85% deles ficam de fora. É essa rigorosa seleção que atrai os próprios estudantes. Sobreviver a ela é um sinal claro de excelência, algo que faz todo mundo querer ostentar um carimbo do Teach for America no currículo. Inclusive gente de Harvard, Princeton, Yale. No final, uma parcela deles acaba optando pela carreira de professor, coisa que jamais haviam pensado antes. A maioria, no entanto, acaba deixando o programa depois dos dois anos previstos – mas não sem antes causar um impacto gigantesco no nível do ensino. Os estudantes certamente irão se beneficiar desse empurrão ao longo de toda a vida escolar. Mais do que isso: muitos do que já passaram pelo Teach For America continuam envolvidos com educação, em diferentes graus e áreas de atuação. Por tudo isso, não faria mal ao Brasil – país sempre lembrado pela baixa qualidade de seus professores – trilhar caminho parecido. Foto: Teach for America.
Por Monica Weinberg - 11:52
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Como o computador pode ajudar
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Um grupo de especialistas americanos acaba de examinar 99 estudos, feitos na última década pelos mais renomados centros de pesquisa de lá, que giram em torno de uma mesma questão: todos eles se propuseram a investigar em que medida o computador tem contribuído para elevar o nível de ensino e abrir horizontes na sala de aula. A resposta traz à luz um fato que deve ser considerado seriamente por quem trata da educação – também no Brasil. Descobriu-se, afinal, que já é freqüente que os estudantes aprendam mais em aulas e atividades educativas on-line do no velho modelo de giz e quadro-negro. Essa constatação faz pensar, em primeiro lugar, que a escola de hoje – em muito ainda semelhante às do século XIX – precisa avançar, urgentemente, de modo a tornar-se mais atraente e próxima da zona de interesses dos alunos. Também levanta uma reflexão sobre a necessidade de se aplicar mais tecnologia na sala de aula. Não entenda-se por isso instalar meia dúzia de PCs na escola e incluir na grade de matérias convencionais aulas de informática. Já está provado que esse tipo de iniciativa ajuda pouco – ou nada. O que faz diferença, aí sim, é abrir aos alunos a possibilidade de que aprendam em rede e exercitem o que nos melhores centros de produção científica do mundo é chamado de trabalho colaborativo – modalidade em que o conhecimento vai sendo esculpido e aprimorado em grupo. É a melhor contribuição que a internet pode dar ao ensino. No Brasil, no entanto, os computadores disponíveis nas escolas costumam se prestar justamente às velhas aulas de informática, quando não ficam lacrados numa sala, sem serventia nenhuma. Com algum treinamento, os professores poderiam tirar infinitamente mais proveito deles. Seria, como mostram as presentes pesquisas, de grande valor para a educação. Foto: PDS Palooza.
Por Monica Weinberg - 15:08
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Inversão de valores
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Uma inédita pesquisa qualitativa, feita em São Paulo com 5 000 alunos entre 15 e 18 anos, traçou um infeliz cenário para o ensino: na definição desses estudantes, ser bom aluno é, basicamente, motivo de profunda vergonha – raramente de orgulho. Por causa disso, muitos deles negligenciam as tarefas de casa e se afastam dos livros. O objetivo é camuflar talentos e aptidões, justamente pelos quais os jovens temem hoje se destacar. No grupo de alunos sobre o qual o novo estudo lança luz, há relatos impressionantes, como o de um jovem que, depois de uma série de notas dez, decidiu, propositadamente, cravar um zero. Queria assim ser aceito entre os colegas, que sempre o excluíam. Conseguiu. Diz o filósofo Carlos Roberto Merlin, que conduziu a pesquisa: “São exceção aqueles bons estudantes que seguem dedicados à atividade intelectual, mesmo sendo repreendidos pelos colegas. Eles têm pavor de serem taxados de nerd.” O quadro pintado na pesquisa reforça algo antigo no país: ainda que contabilizados recentes avanços, a educação continua a ser um valor secundário, quando não desprezível – como bem retrata o estudo. Isso se percebe de outros pontos de vista. Um deles é o lugar que a educação ocupa entre as prioridades dos brasileiros – quarto ou quinto, dependendo de quem dá o número – atrás do pagamento de dívidas e da compra de um carro novo. Também reforça a idéia de que as questões de sala de aula não estão no centro das preocupações o fato de a avaliação de pais, professores e estudantes sobre o ensino no país ser a melhor possível. Isso quando ele figura entre os piores do mundo. Clara evidência da falta de atenção que se dá ao assunto. É bom lembrar que em países de bom ensino, como a Coréia do Sul, ninguém tem vergonha de ser bom na academia. Ao contrário. As aptidões de cada um são cultivadas e exibidas desde muito cedo, na escola e em casa. Os holofotes estão sempre sobre aqueles jovens que revelam brilhantismo e talentos raros. Esses são vistos com admiração – exemplos a ser seguidos. O Brasil está, infelizmente, na contramão. Basta olhar para os rankings internacionais de ensino para saber quem está certo. Foto: Arquivo / Veja
Por Monica Weinberg - 18:11
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Universidade para mais gente
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Um novo estudo da OCDE chama a atenção para um antigo gargalo do ensino brasileiro: é ínfimo o grupo de pessoas que chega à universidade no Brasil. Nada menos do que 90% dos jovens entre 25 e 34 anos ainda não têm um diploma de ensino superior – e provavelmente isso jamais acontecerá. Na comparação internacional, um verdadeiro abismo separa a realidade brasileira da dos países mais desenvolvidos. Enquanto mais de 60% da população adulta do país não completou sequer o ciclo escolar, em alguns países da OCDE é exatamente esse o porcentual daqueles que já têm um canudo de ensino superior. O estudo ajuda a dimensionar o tamanho de nosso atraso. E remete a uma questão bem anterior à vida universitária: é nas escolas brasileiras que o destino desses estudantes vai sendo mal traçado, ano após ano. Quase todo mundo já ingressa no ensino fundamental no Brasil, mas 32% não conseguem ascender do primeiro para o segundo ano, dez vezes a média de repetência da OCDE. Quais as perspectivas desses alunos? Baixíssimas. Conforme seguem adiante, a situação não muda muito. Basta saber que os professores brasileiros estão entre o que menos usam a aula para fazer o básico: ensinar. Também são os que desperdiçam mais tempo na tentativa de manter a ordem e o mínimo de atenção, no que quase sempre fracassam. De acordo com a OCDE, tudo isso está por trás do péssimo desempenho das escolas brasileiras. Sem enfrentar esse nó, não dá sequer para o Brasil sonhar com a massificação de seu ensino superior, nem tampouco em ser uma nação moderna. Foto: Arquivo/VEJA.
Por Monica Weinberg - 15:39
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Os professores querem se nivelar por baixo
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Tramita na Assembléia Legislativa de São Paulo um projeto com um bom propósito: regulamentar a carreira de professor das escolas estaduais, de modo que os mais talentosos tenham perspectivas concretas de avanço – o que hoje inexiste. Se o projeto vingar, serão criados cinco diferentes níveis para a docência. Para pular de degrau, o professor precisará se submeter a uma prova e obter uma boa nota. Simples assim. Do nível 1 ao 2, é necessário, por exemplo, tirar 6. Para ascender ao estágio 3, a nota mínima é 7. Um levantamento encomendado pelo secretário Paulo Renato Souza, que está à frente do projeto, não deixa dúvidas quanto aos efeitos positivos da medida. Se hoje o teto de salário de um professor de ensino fundamental é de 2 760 reais, com a mudança ficará em 5 430 reais – o dobro. Um diretor, por sua vez, poderá chegar a 7 200 reais, contra os atuais 4 200 reais. Basta que ele seja realmente bom no que faz. Quem se queixa da idéia? A Apeoesp. Isso mesmo: o próprio sindicato dos professores. Os mesmos que, supostamente, seriam os grandes beneficiados nessa história. O sindicato tem duas bandeiras, ambas agitadas pelo mesmo ideário de sempre: o de nivelar todo mundo por igual – e por baixo. Ele defende, antes de tudo, um aumento no piso salarial para todos. Em segundo lugar, critica o fato de o novo projeto prever um número máximo de pessoas a saltar de um estágio para outro de uma vez só. A cada prova, apenas 20% dos candidatos poderão ser alçados de patamar, caso cheguem à nota mínima para tal. Trata-se de uma peneira pela qual só os melhores conseguirão passar. É o que, afinal, torna o plano viável do ponto de vista orçamentário. E também o que mantém viva a idéia da premiação pelo mérito. Sem isso, os mais brilhantes alunos do ensino médio continuarão a repudiar a carreira de professor. Situação que não dá ao ensino – tradicionalmente sofrível – grandes chances de progresso. Evidentemente, ninguém quer isso. Parece que só o sindicato. Foto: Delima.
Por Monica Weinberg - 15:02
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O bom do básico
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A educação brasileira é muito feita de achismos e guiada por intuição. A ideologia costuma se sobrepor à ciência, quando não à própria lógica. Um grupo de especialistas (pequeno, diga-se) já martela nessa tecla há algum tempo, mas poucos falam com tanto conhecimento de causa sobre o assunto quanto o canadense Clermont Gautier. Ele vem ao Brasil na próxima semana justamente para voltar ao tema, durante um encontro organizado pelo Instituto Alfa e Beta. Não há nada de muito mirabolante na tese central de Gautier, mas é a simplicidade aí que interessa. Com base em suas pesquisas, ele afirma que o ensino precisa ser “estruturado” para funcionar. Entenda-se por isso que, ao entrar numa sala de aula, o professor tenha na mão um plano mínimo de vôo, sabendo de onde está partindo e em que lugar pretende chegar. Faz parte de um programa maior, com prazo para ser concluído. Tudo básico, mas pouquíssimo aplicado por aqui. O que mais se vê no Brasil é o oposto: absoluta falta de clareza sobre o que se vai ensinar. Essa ausência de norte vem aliada a um ardoroso culto ao construtivismo – que, segundo Gautier, só atrapalha. É coisa da década de 80 para cá, na América Latina de um modo geral. No Brasil, se sedimentaram sobre essa base teórica idéias como a de que é o aluno quem dita o ritmo e o próprio conteúdo das aulas, enquanto ao professor cabe o papel de mediador. Espera-se ainda da escola que ela seja um lugar agradável e prazeroso, sempre. Em seu périplo brasileiro, Gautier diz que se trata de um equívoco. Não apenas porque a experiência internacional mostra que o caminho para a eficiência acadêmica é contrário a esse – mas também porque as notas dos estudantes brasileiros são péssimas. Foto: Arquivo VEJA.
Por Monica Weinberg - 12:20
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Boas ideias para o Brasil
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Saiu essa semana um livro que lança luz sobre um conjunto de medidas que, aplicado desde 2002, deu muito certo nas escolas públicas de Nova York. As idéias contidas ali se aproximam mais de práticas do mundo empresarial do que propriamente das de um típico ambiente escolar. Talvez essa seja a maior contribuição de A Reforma Educacional de Nova York: Possibilidades para o Brasil: mostrar como é possível transpor para o universo de um colégio conceitos como gestão eficiente, incentivo ao mérito, horizonte na carreira. Depois que a prefeitura de lá decidiu aumentar o salário dos diretores, lhes fornecer treinamento e, sobretudo, novas perspectivas, as vagas passaram a ser disputadas por gente de todas as áreas, a grande parte egressa do setor privado. Muitos ainda ficam de fora. Para conseguir o cargo, afinal, é preciso passar por uma peneira rigosora. O investimento nos diretores já se reverteu na profissionalização absoluta do comando nas escolas. Com a reforma no ensino de Nova York, as escolas também conquistaram autonomia administrativa, o que as livrou dos fardos da burocracia e lhes deu, pela primeira vez, liberdade para gerenciar o próprio orçamento. Está à disposição desses colégios uma série de serviços que tem sido de grande ajuda. Um deles é uma espécie de treinamento (ou coaching) dado pelos professores mais experientes da rede aos demais. O outro diz respeito a uma consultoria prestada aos diretores para que desenvolvam e lapidem as habilidades necessárias à função. Fica a critério de cada escola contratar e pagar por esses serviços. A decisão é delas, não do Estado. Parece um bom equilíbrio. Os alunos, por sua vez, fazem diversos testes ao longo do ano. As notas servem como um termômetro para o nível ensino – e como um aferidor da própria competência dos profissionais nas escolas. Relata Patrícia Mota, do Instituto Fernand Braudel, que, junto com a Fundação Itaú, conduziu a pesquisa da qual resultou o livro: “Se as médias persistirem baixas, a equipe inteira de um colégio pode ser dispensada.” Sim: nas escolas de Nova York, a ineficiência no trabalho pode custar o emprego, como em qualquer empresa. Resta um detalhe essencial. Depois de tudo isso, as notas nesses colégios só subiram e a evasão despencou. Por que não aprender um pouco com eles? Foto: The New York Times.
Por Monica Weinberg - 18:10
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Professores: é hora de estudar
O Ministério da Educação anda preocupado com o baixíssimo interesse despertado pelos cursos de licenciatura que planeja oferecer, ainda esse ano, no país inteiro. Compreensível. A ideia é formar aqueles professores que, mesmo que a lei obrigue, ensinam sem ter sequer concluído o ensino superior. Também devem ser contemplados os profissionais que até possuem diploma, mas ele não diz respeito à disciplina que lecionam – detalhe assustador que consta de nada menos do que a metade dos currículos dos professores brasileiros. Pois bem: até esse momento, apenas 3 500 deles se inscreveram nos cursos do MEC. É menos do que 7% do total das 53 000 vagas disponíveis para 2009. Na Bahia, o porcentual de adesão despenca para 2% das vagas. No Piauí e no Maranhão, patina em 1%. Números modestos frente à expectativa do MEC e certamente ínfimos diante da óbvia necessidade dos professores por mais estudo. Os cursos serão ministrados por 90 universidades, 76 delas públicas, as demais comunitárias. Até 2015, espera-se, 330 000 professores terão passado por um desses cursos. Só aí podem adquirir a formação adequada para a função que já exercem (algo sujeito, evidentemente, à qualidade das aulas que irão receber). Com algum empenho por parte dos professores – a começar pela inscrição gratuita para cursos igualmente gratuitos – quem sabe o Brasil fica em condições mínimas para abandonar, enfim, a zona do péssimo ensino.
Por Monica Weinberg - 15:32
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Quando comparar é decisivo
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Não faltam mais números nem rankings na educação brasileira. Ao contrário. Eles já são tantos que, não raro, os próprios especialistas se perdem na miríade de siglas do MEC. O excesso não atrapalha. É informação que ajuda a garimpar as razões do fracasso escolar e a lançar luz sobre a excelência. Decisivo para um necessário avanço na sala de aula. O que falta, isso sim, é uma aplicação mais prática desse gigantesco banco de dados. Para se ter uma idéia, só agora ele começa a nortear a escolha das famílias por uma escola, a exemplo do que já ocorre, há décadas, em países do mundo desenvolvido. É aí que uma iniciativa do economista Naercio Menezes, do Insper, merece atenção. O pesquisador organizou um site que permite ranquear as escolas públicas de qualquer estado ou cidade brasileira com base nos resultados da Prova Brasil e também do Saresp (estes últimos, relativos apenas a São Paulo). O banco de dados do MEC, disponível no site do Inep, informa as notas dos mesmos colégios, mas não os ordena num ranking. O de Naercio, por sua vez, possibilita até comparar as escolas de um determinado bairro. Apenas assim, é possível saber, afinal, onde está a melhor. Tradicionalmente, esse tipo de comparação leva a dois efeitos positivos. O primeiro é que as escolas ruins tendem a empreender um esforço para deixar a zona do fracasso e, com isso, atrair mais alunos e verbas. O outro impacto é na própria escolha por um colégio, árdua para os pais. Ancorada num ranking, ela deixa de ser intuitiva para ganhar um bom grau de objetividade. Isso é bom. A experiência internacional mostra que boas escolhas nesse campo costumam contribuir para ótimos resultados escolares. Daí a relevância dos dois endereços a seguir, nos quais estão as informações organizadas pelo professor Naércio Menezes: http://cpp.insper.org.br/saresp09/index.asp e http://cpp.insper.org.br/prova-brasil/index.asp.
Por Monica Weinberg - 11:23
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Essa, sim, uma questão relevante
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Em meio a uma greve sem sentido nem fim, a USP desperdiça tempo precioso que poderia dedicar a compreender melhor o que diz um novo ranking sobre a produção acadêmica mundial – e a da própria USP. Foram contabilizados, por área de conhecimento, o número de citações aos artigos científicos publicados por pesquisadores em milhares de universidades no mundo, incluindo as brasileiras. As informações coletadas se referem ao período de 2003 a 2007 e se originam do banco de dados Scopus, que cataloga tudo o que saiu em mais de 16 000 periódicos, entre os mais respeitados no mundo da ciência. As citações na qual o ranking se baseia importam na medida em que ajudam a aferir a relevância dos trabalhos acadêmicos. O Brasil, mais uma vez, amarga um resultado ruim. A primeira instituição brasileira a aparecer na lista é a Universidade Federal de Pelotas, na 699ª colocação. Apesar de estar na rabeira, é a única no país a se situar ligeiramente acima da média mundial no quesito citações a artigos publicados. Depois vem a federal de Santa Maria seguida da do Rio Grande do Sul. Com as três gaúchas no pódio, onde está USP? Em quarto entre as brasileiras e no 877º lugar no ranking mundial. Vexame que passou em branco. Eis um assunto que, esse sim, merece a atenção de alunos e professores. Não a greve. Foto: Arquivo/Veja.
Por Monica Weinberg - 16:21
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Dinheiro não é o maior problema
Tradicionalmente, se atribui à escassez de dinheiro o péssimo resultado do Brasil na educação. É uma simplificação. A última edição da revista Economist traz números, colhidos pela OCDE e pela Unesco, que justamente ajudam desmistificar o peso do orçamento sobre o desempenho brasileiro em sala de aula. Não são dados exatamente novos, mas não custa olhar para eles com a devida atenção. Lá estão, no topo do ranking de leitura, os alunos da Coréia do Sul – e os brasileiros, uma vez mais, entre os últimos. Pela lógica determinista do dinheiro, era de se esperar que o Brasil canalizasse menos dinheiro para o ensino e a Coréia, mais. Mas isso não acontece. Enquanto os gastos públicos com a educação brasileira correspondem a 5,1% do PIB do país, na Coréia a fatia é mais modesta – 4,41%. Veja o caso da Indonésia. País bem mais pobre do que o Brasil e que também investe menos em suas escolas, é outro que está à nossa frente no ranking de leitura. Não que mais dinheiro para o ensino básico brasileiro não fosse bem-vindo. Sempre ajuda. Mas o que faz mesmo a diferença é investi-lo bem. E isso ainda falta ao Brasil, como confirmam os números sobre quais a Ecnomist lançou luz.
Por Monica Weinberg - 15:54
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Mais ciência e menos achismo
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O professor canadense Clermont Gauthier é autor de um dos maiores estudos já feitos sobre as razões do sucesso escolar – o mesmo em que aponta, claramente, o que leva ao fracasso do ensino. Nesse vasto trabalho, ele alerta para as péssimas conseqüências de uma prática que se tornou comum em muitos lugares: a de se inventar métodos de ensino com base em intuição e a de aplicá-los com base em modismos. Ocorre, muito mais do que o desejado, no Brasil. Gauthier lamenta ter caído em desuso a velha idéia da sistematização de conhecimento e de ter surgido uma prevenção aos modelos mais tradicionais que, apesar de antigos, podem, por que não?, funcionar. “Precisamos evitar a aplicação de métodos sem comprovação científica, sob os riscos de ver o mau ensino grassar”, escreve o professor. “Infelizmente, a cultura da pesquisa científica é fraca na educação.” Gauthier, que estará no Brasil em agosto para dar palestra no seminário Profissão Professor: O Resgate da Pedagogia, segue a mesma linha de pensamento de Lee Sing Kong, o diretor do Instituto Nacional de Educação de Cingapura, cuja entrevista à editora assistente Camila Pereira saiu publicada na revista VEJA da semana passada. Tal qual o canadense, Lee Kong também bate na tecla da relevância de se aplicar em sala de aula métodos de eficácia comprada pela investigação científica – e apenas esses. São tais métodos que sua escola de formação de professores ensina aos jovens que irão ensinar nas escolas do país. É esse rigor científico que ajuda a explicar o fato de Cingapura ocupar os primeiros lugares nos rankings de educação – e o Brasil não. Foto: Steel Wool.
Por Monica Weinberg - 19:58
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Um bom começo
O Ministério da Educação acaba de lançar um pacote de medidas que mira um problema crucial do ensino – a péssima formação dos professores, vastamente aferida no Brasil – e o fazem de maneira acertada. Um dos pontos mais relevantes diz respeito a mudanças nos cursos de pedagogia, notoriamente incapazes de fazer aquilo que deveriam: fornecer às escolas professores prontos para ensinar. Atualmente, as faculdades, teóricas ao extremo, se prestam mais à formação de especialistas em educação do que propriamente de gente apta a dar uma aula. Com o novo pacote, os cursos de pedagogia, federais e particulares, serão obrigados a dedicar 70% do seu currículo à formação específica de professores – só o resto ficará voltado para disciplinas menos aplicadas à sala de aula. A proporção hoje é justamente oposta. E o curso não funciona. Há outras medidas que podem ter bom efeito, como oferecer vagas àqueles profissionais que, já na ativa, ainda não têm o diploma de ensino superior, como prevê a lei. É o caso de 31% dos professores do ensino básico – uma vergonha frente à situação de outros países, nos quais a universidade é só o ponto de partida para uma formação sólida e abrangente. Melhorar esse cenário é imperativo para o avanço do ensino. O MEC também está preocupado com a seleção dos professores – precária. Nesse sentido, vai exigir que todos os estudantes interessados em cursar pedagogia não apenas façam o novo Enem como tirem uma boa nota no exame. Uma tentativa de ficar apenas com os melhores da turma, como já ocorre em países de excelência na sala de aula, tipo Finlândia. A intenção é boa, mas resta saber como atrair esses alunos mais talentosos para uma área desprestigiada e com péssimos horizontes salariais. A experiência mostra que, para mudar isso, não basta apenas mais dinheiro, que é primordial, mas de uma verdadeira transformação na própria carreira. Não importa a que área pertençam, os melhores sempre buscam ter o talento reconhecido e incentivado, além de novos e estimulantes desafios. No Brasil, é preciso correr, e muito, para chegar a esse ponto. O pacote apresentado pelo MEC pode ser um bom começo.
Por Monica Weinberg - 15:47
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Uma notícia incômoda
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O alemão Andreas Schleicher, responsável na OCDE pelo Pisa, a prova que mede o nível dos estudantes nos países, tomou uma decisão que expõe o mau ensino brasileiro. Foi justamente o péssimo desempenho do Brasil e de países como Azerbaijão, Qatar, Quirguizistão, exame após exame, que lhe despertou uma idéia. Schleicher tomou a decisão de incluir no próximo Pisa, que será aplicado a alunos de 72 países na semana que vem, questões fáceis – bem mais fáceis. Não que o nível da prova vá cair, avisa o alemão. As novas perguntas terão o único propósito de discernir os alunos ruins dos muito ruins, lançando luz sobre as deficiências. Infelizmente, é nessa zona por onde transitam os maus estudantes que se situam os brasileiros. Vale olhar os números. No mês passado, a OCDE divulgou um estudo focado nos alunos com as melhores notas no exame. Havia pouquíssimos brasileiros. Para se ter uma idéia, apenas 1,1% dos testados alcançaram o nível 5, o mais alto da escala. Isso em leitura. Péssimo na comparação com jovens de outros países, mas incrivelmente bom diante do desempenho dos próprios brasileiros nas demais disciplinas. Em ciências, o porcentual deles no topo da pirâmide era de 0,5%. Em matemática, exíguos 0,2%. Espera-se que os próximos números de Schleicher sobre o Brasil sejam um pouco melhores. Foto: Arquivo Veja.
Por Monica Weinberg - 20:29
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Um avanço relativo
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O ISI é um banco de dados relevante. Por meio dele, se sabe quem faz ciência de bom nível no mundo inteiro. Estão registrados ali todos os artigos científicos publicados em revistas indexadas, justamente aquelas de maior peso no meio acadêmico. Foi nesse medidor que o Brasil acaba de saltar da 15ª para a 13ª colocação no ranking mundial – o país que mais avançou. Considerando-se que isso ocorreu em tempo exíguo, de um ano para o outro, trata-se de um resultado notável. Cabem, no entanto, algumas ressalvas sobre o fato: - Entre 2007 e 2008, o número de revistas brasileiras indexadas pelo ISI subiu de 63 para 103. Significa que aumentaram as chances do trabalho de um cientista daqui aparecer no banco de dados. Não é o mesmo que dizer, portanto, que os especialistas brasileiros estejam produzindo mais. - O principal medidor para aferir a qualidade de um artigo e o seu verdadeiro impacto no mundo científico é o número de vezes em que ele aparece citado por outros especialistas. O Brasil está aí bem abaixo da média mundial. Para se ter uma idéia, os artigos brasileiros com mais citações são os de matemática – que, é preciso que se diga, raras vezes foram mencionados por mais de um cientista no mundo. - É verdade que estamos uma posição apenas atrás da Coréia do Sul, reconhecida por sua eficácia na produção de ciências de altíssimo nível. Mas não custa lembrar que esses são números absolutos e que a população coreana é um quarto da brasileira. Na prática fica assim: para cada milhão de pessoas, eles produzem cerca de quatro artigos – nós, somente um. - Falta transformar pesquisa acadêmica em riqueza para o país. Enquanto o Brasil registrava apenas 118 patentes nos Estados Unidos, no mesmo ano a Coréia do Sul emplacava 7 264 e a China, 1 235.
Por Monica Weinberg - 15:49
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Resolveram começar pelo fim
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O MEC tem uma idéia, sujeita à aprovação do Conselho Nacional de Educação, de empacotar em quatro grandes áreas de conhecimento as doze matérias normalmente ensinadas aos estudantes de ensino médio do país. Estamos falando de matemática, ciências humanas, línguas e ciências exatas e biológicas. A medida acompanha uma tendência mundial, de retirar as disciplinas dos escaninhos tradicionais, em que as divisões temáticas muitas vezes não refletem o mundo de verdade. Ao propor um currículo menos compartimentado, o MEC não apenas segue coerente com a experiência internacional, mas também com a linha de pensamento sobre a qual será construído o novo Enem, prova que, feita pelo ministério, vai substituir o vestibular, este ano ainda, em quinhentas universidades públicas e particulares do país. A direção parece positiva. O momento, afinal, é de completo desinteresse pela escola – seja ela pública ou particular. É o que dizem 40% dos estudantes brasileiros que abandonam a sala de aula antes da hora, segundo um recente estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. O trabalho indica que é preciso melhorar rapidamente o cenário. Resta saber se o enxugamento de disciplinas sugerido pelo MEC terá qualquer efeito. Cabe aqui uma pergunta: como os mesmos professores de sempre, com a mesma formação de sempre e as mesmíssimas dificuldades conseguirão trazer à vida um currículo que se pretende inovador e capaz de livrar a escola da zona do tédio e do desinteresse absoluto que ela desperta? Parece difícil. Foto: badbwoy.
Por Monica Weinberg - 16:44
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É preciso que se lembre: o dinheiro é público

| Alunos durante o Enem: quem vai bem na prova pode conseguir bolsa no ProUni |
O ProUni, programa do governo federal que concede bolsas a estudantes pobres às vésperas da universidade, é uma boa iniciativa, não há dúvida. Ele já ajudou algo como 380 000 jovens a ingressar no ensino superior. O governo isenta de certos impostos as instituições particulares (uma soma que chega a quase 400 milhões de reais) e, em contrapartida, elas reservam entre 8,5% e 10% das vagas a esses alunos. O problema reside exatamente aí. De acordo com um recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), nada menos do que 74 faculdades deixaram de conceder, juntas, 10 000 vagas. Pior: não passaram a pagar mais impostos por isso. Essas faculdades já foram notificadas pelo MEC. Um escândalo. Na semana passada, o TCU havia divulgado outro problema não menos constrangedor no ProUni. Voltado para estudantes com renda per capita familiar de até três salários mínimos, o tribunal descobriu que mil beneficiados eram proprietários de “carros de luxo” (tal qual afirma o relatório). Sinal de que escolha dos candidatos, que além da renda também considera as notas no Enem, precisa ser mais criteriosa. Isso é o mínimo em se tratando de dinheiro público. Os dois episódios são, afinal, um triste exemplo de como a verba para a educação, que já não é muita, pode simplesmente escoar pelo ralo. Foto: Agência Brasil
Por Monica Weinberg - 16:25
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