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 21 de setembro de 2009

Inversão de valores


Uma inédita pesquisa qualitativa, feita em São Paulo com 5 000 alunos entre 15 e 18 anos, traçou um infeliz cenário para o ensino: na definição desses estudantes, ser bom aluno é, basicamente, motivo de profunda vergonha – raramente de orgulho. Por causa disso, muitos deles negligenciam as tarefas de casa e se afastam dos livros. O objetivo é camuflar talentos e aptidões, justamente pelos quais os jovens temem hoje se destacar. No grupo de alunos sobre o qual o novo estudo lança luz, há relatos impressionantes, como o de um jovem que, depois de uma série de notas dez, decidiu, propositadamente, cravar um zero. Queria assim ser aceito entre os colegas, que sempre o excluíam. Conseguiu. Diz o filósofo Carlos Roberto Merlin, que conduziu a pesquisa: “São exceção aqueles bons estudantes que seguem dedicados à atividade intelectual, mesmo sendo repreendidos pelos colegas. Eles têm pavor de serem taxados de nerd.”

O quadro pintado na pesquisa reforça algo antigo no país: ainda que contabilizados recentes avanços, a educação continua a ser um valor secundário, quando não desprezível – como bem retrata o estudo. Isso se percebe de outros pontos de vista. Um deles é o lugar que a educação ocupa entre as prioridades dos brasileiros – quarto ou quinto, dependendo de quem dá o número – atrás do pagamento de dívidas e da compra de um carro novo. Também reforça a idéia de que as questões de sala de aula não estão no centro das preocupações o fato de a avaliação de pais, professores e estudantes sobre o ensino no país ser a melhor possível. Isso quando ele figura entre os piores do mundo. Clara evidência da falta de atenção que se dá ao assunto.

É bom lembrar que em países de bom ensino, como a Coréia do Sul, ninguém tem vergonha de ser bom na academia. Ao contrário. As aptidões de cada um são cultivadas e exibidas desde muito cedo, na escola e em casa. Os holofotes estão sempre sobre aqueles jovens que revelam brilhantismo e talentos raros. Esses são vistos com admiração – exemplos a ser seguidos. O Brasil está, infelizmente, na contramão. Basta olhar para os rankings internacionais de ensino para saber quem está certo.

Foto: Arquivo / Veja



Por Monica Weinberg - 18:11    •    Enviar Comentário     •    Ler Comentários



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Carla - A exclusão do adolescente com boas notas pelo grupo já acontecia quando eu cursava a antiga 7ª Série (1973).Mas durante todo o meu primário,1965-1969, a Escola Pública, incentivava a competição e premiava os melhores alunos. Quem não se lembra da famosa estrelinha no caderno, quando todo o dever de casa estava correto e bem apresentado? E a medalha para o melhor aluno da Escola? Cabe aos educadores incentivarem a competição e a valorizarem como é feito em diversas escolas de outros países. Na falta disto, o "grupo", que em sua maioria é medíocre, leva o melhor aluno aquerer se nivelar por baixo para ser aceito.

Roberto - Realmente a sociedade Brasileira deve repensar os seus valores!

pamela - eu achei muito bom os valores do aluno muito importante e bem legal

Sonia Maria Batista de Jesus - Mônica, os governantes não percebem que os avanços educacionais passam, obrigatoriamente, pelo professor e que políticas mais arrojadas de formação docente e capacitação continuada poderá levar a resultados mais positivos.

Prof. João Lopes - Não é preciso avaliar o resultado de pesquisas para perceber que o jovem brasileiro não esta preocupado com o seu desenvolvimento acadêmico, a escola hoje é um acontecimento social, onde o mais importante é encontrar os amigos e curtir bons momento sem preocupação com as consequencias desta curtição.E nossos governantes aproveitam indices de avaliações para denegrir a imagem dos professores que se empenham para continuar transmitindo os conhecimentos para os jovens.

Dionizio Montisolli - Infelizmente, a desvalorização educacional começa dentro de casa. A escola é vista pelas classes mais baixa como o LUGAR onde o saber e a Educação são oferecidos. Em outras palavras, a culpa pelo surgimento do aluno desinteressado é sempre do professor e da Escola!

Anonimo - E os valores do MEC. Antes o MEC afirmou que iria acusar candidato de ter chutado, atribuindo menos nota, sem que esse tivesse direito de defesa. Agora, o MEC corta 2 opções de cursos quando quem pagou tinha cinco. E muito fácil querer fazer o que seria educação quando se toma o educando por rábula, sem direito alguns. Como base nisso, faz as coisas de forma tão primária e incompetente que qualquer sujeito com uma cueca quase furada faz um rombo imenso.

Paula Correa - A questão do ensino no Brasil não está na falta de dinheiro, ou de quem paga por uma universidade, mas a falta de interêsse por parte dos governantes em prorcionar educação ao povo. "Simples assim.", faço minhas as palavras de Mr. Martin Carnoy (O triste cenário nas escolas brasileiras).

Miguel Tadeo - Se o critério promovido pelo MEC, para cursarem universidades públicas, está condenando uma boa parte destes jovens abastados, não faz sentido, também, exigir aplicação nos estudos por parte deles. Se não querem ser nerd(s), é porque são realmente inteligentes. A política de cotas do governo também pode ser culpada, e se esses jovens forem da raça que errou no passado(que não é minoria no Brasil), é mais um motivo. Essa pesquisa qualitativa feita pelo Sr Merlin tem que considerar outros fatores que influenciam esses estudantes, e comparação do comportamento dos estudantes brasileiros com os Coréia do Sul... Não dá não.

Corina - Moncia, trabalho com pesquisa e docência e gostaria de saber a autoria e o órgão responsável pela pesquisa.Grata,Corina

x.braz - Dominar as disciplinas da mesma área seria o básico... Mas o problema ja vem das faculdades que são superespecializadoras.

Prof. Eder - Para um professor dominar várias disciplinas realmente tem que ser um superdotado... haja memoria e raciocínio... e haja cansaço...

Prof. Pedro - Uma das grandes problemáticas que se encontr n educaçao é falta de estímulo. Temos excelentes especialistas na educação, o que o país precisa é acabar com os problemas internos, por ex. professor de uma matéria lecionar outra, é o cúmulo do absurdo. Como o aluno vai se interessar se nem o professor sabe o que está ensinando????????????É um descaso muito grande pelos alunos da escola pública...

prof. Marcia - AnomimoAgradeço a consideração. Pena que o nosso sindicato não valoriza o bom professor. Os aposentados tem mais direitos que os professores novos...

Elida - Sabe o que me deixa triste? É descobrir que os alunos que não fazem nada é porque são taxados de burros pelos professores e pelos pais que não valorizam seus talentos e sentimentos. É um circulo vicioso. Penso que burro não os alunos, mas quem os chama de burro...

Anonimno - Profa. Márcia. Tudo que eu quero dizer é que você é PROFESSSORA. Temos que atacar o que é ruim, seja docente... seja aluno. Meus parabéns.

Anonimo0000 - Caro Prof. Márcio. Os termos da equação estão trocados. Eu até encontro aluno no Brasil, mas quase nunca achei docente. Até por uma razão bem simples: não existe como docente prestar, se não tem aluno idem.

Maria Carolina - É muito triste ver que o ensino no Brasil não mudou nada nas últimas décadas. A falta de valorização do estudo é algo permanente e está presente na casa e na escola. Os pais não incentivam os filhos a estudar ou ler um livro e na escola as crianças que gostam de ler e são mais dedicadas, normalmente, sofrem algum tipo de preconceito e são excluídas. A questão que fica é quando o brasileiro vai aprender a valorizar o esforço e a educação e perceber que um carro novo na garagem não significa nada. Talvez o erro esteja no "Homem Cordial", arraigado no brasileiro, que acredita no trabalhar pouco e ganhar muito.

Cleber - A sociedade está estrutura para funcionar em função do mundo "adulto".As vezes penso se isso está certo... talvez ela devesse se concentrar na adolescencia, época onde os sentimentos, sonhos, ideais estão no nível máximo... Oportunidades de relacionamento construtivo, de desvender os mistérios do conhecimento, enfim...

prof marcio - As escolas são apenas locais temporários de tempo.Tem muitos estudantes, mas infelizmente raros alunos.

Paulo - Na minha infância meu pai vivia me dizendo "me filho você tem que estudar para ser alguem na vida". Hoje, quando ele me vê estudando ele me diz " meu filho vai se divertir, para quê estudar?Esta é a visão que os alunos têm da educação! Não adianta pregarmos ideologias, eles sabem olhar a realidade...

Rodrigo - Sim, não existe apenas um tipo de aluno. Nem um modelo único de bom aluno.Quanto a isso, a pesquisadora Bernice McCarthy fez um levantamento interessante, que ao invés de taxar os alunos contribui para o próprio desenvolvimento de metodologias.Para quem quiser consultar:http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateriaImpressao.php?cod=1641

Joana - Eu ando horrorizada! Aprender que é bom nada, os alunos terminam o ensino médio sem saber ler e escrever direito, porém hoje o que vemos é que a educação se tornou uma verdadeira fábrica de homossexuais... basta dar uma olhada nas escolas, cada vez mais aumenta o numero de casos, parece uma praga que vai tomando conta do país...

Professora Márcia - Por outro lado, um fato que acontece muito hoje é que o professor se foca em um padrão de aluno, o quieto, comportado e obediente e acaba rotulando aqueles que estão fora desses padrões. O aluno questionador, que quer descobrir, que quer saber mais, que é dinâmico é visto como rebelde, indisciplinado, o professor não quer um aluno questionador, que desafia-o a uma nova experiência, a uma nova forma de ensinar e educar. Este aluno precisa mesmo é de muita atenção pois seus talentos são muitos porém são ignorados pois alunos inteligentes dão muito trabalho. É muito melhor alunos calados, silenciosos, que seguem as regras como cordeirinhos, eles são os alunos ideais...Acredito que os professores precisam mudar a visão que tem dos alunos e tentar encontrar em cada um o seu verdadeiro talento, que nem sempre serão os mesmos...

Professora Márcia - Um dos maiores obstáculos que enfrentamos hoje na educação é a mentalidade que impera no país de que devemos levar vantagem em tudo, a lei do mínimo esforço e do maximo lucro sem lutar por isso de forma honesta e digna e de que só somos bom se passarmos o outro para trás.O professor deve saber reconhecer talentos para que assim possa desenvolvê-los adequadamente, e precisamos também inventar um sistema para coibir o vício do mínimo esforço e de levar vantagem em cima do esforço e do talento do outro.Enquanto os talentosos ficam escondidos os espertalhoes levam a fama... Desenvolver talentos e valorizá-los é uma forma de incentivo a novos talentos e a novas descobertas. E faz bem ao país...

Willian Nerd - Hoje fala-se muito em inteligencias multiplas, acontece que ainda ficamos nos velhos padrões.Os alunos com inteligencia lógico-matemática e linguistica por exemplo, é muito facil de identificar, mas um aluno com a inteligencia intrapessoal é praticamente impossível pelos meios atuais.Além disso, os alunos que tem inteligencia voltada para as áreas mais objetivas, naturalmente, gostam mais da objetividade do que da subjetividade o que os deixa mais "chatos", mas o mundo precisa tanto de chatos quanto de "legais". Quando vamos aprender isso, PROFESSORES???

Fátima - De vez em quando eu vejo entre meus alunos aquele que é mais inteligente para ser aceito acaba fazendo as tarefas do outro ( preguiçoso ),ou então passa cola na hora da prova. O aluno bom rala de estudar enquanto outros se divertem e na hora da prova passa as resposta para os outros para não ser excluído. Já fiquei sabendo de cola até em concursos publicos...

Fátima - De vez em quando eu vejo entre meus alunos aquele que é mais inteligente para ser aceito acaba fazendo as tarefas do outro ( preguiçoso ),ou então passa cola na hora da prova. O aluno bom rala de estudar enquanto outros se divertem e na hora da prova passa as resposta para os outros para não ser excluído. Já fiquei sabendo de cola até em concursos publicos...

helloyn - Eu acho que depende. Se o aluno for bagunçeiro e tirar boas notas ele não é discriminado, mas se for quieto ele é, até por professores.

Luiz - Isso que nos rendeu a idolatria aos americanos durante tantos anos. Através dos filmes eles quiseram dar a impressão de serem o modelo perfeito para o mundo. Quem estudam são os “nerds”, termo inventado justamente por eles... para eles a inteligencia sempre está vinculada a experteza. Isso já está no imaginário brasileiro, do estudante. Como vamos reverter isso?

Danielle - A questao eh que no Brasil nao se leva o bullying a serio. Aqui nos EUA, bullying eh assunto para suspensao, ate cadeia, dependendo da idade e da seriedade do ato. Bully eh serio, e as criancas nas escolas sao incentivadas a denunciar quem faz isso. Discriminacao contra alunos nerds sempre existiu (na minha epoca, em SP, eram chamados de CDFs). A questao eh que, pra variar no Brasil, tudo eh tratado no "deixa disso", "nao esquenta", e as criancas que querem estudar sao reprimidas pela maioria imbecilizada que prefere achatar e nao conviver. PRofessor no Brasil nao trata disso a serio, pai de aluno tambem. Quando morava no BRasil, e minha filha sofreu bully na escola que estudava, fui direto na coordenadora pedagogica, ordenei que minha fiha apontasse os culpados, e EXIGI punicao exemplar. Quem age assim merece punicao, nao passada de mao na cabeca, que nem o moleque da novela das 8 (Caminho das Indias).

Eduardo - Deveriamos ter um programa,que combatesse os processos dogmáticos de ensino,pois eles são arcaicos e passam á ideologia que nada mudará,assim como á infeliz perpectiva que nosso País não têm mais solutivas.Parabéns pela matéria!São Paulo-Capital

Eduardo - Deveriamos ter um programa,que combatesse os processos dogmáticos de ensino,pois eles são arcaicos e passam á ideologia que nada mudará,assim como á infeliz perpectiva que nosso País não têm mais solutivas.Parabéns pela matéria!

Ariel - Sim, basta você dar uma passeada pelo ORKUT que é onde os jovens estão, para perceber as coisas mais esdrúxulas, e não só no que concerne à ortografia, mas também na falta de ideias próprias,nos tipos de ''comunidades''esquisitas,na escolha de vídeos etc. É vergonhoso.Você diz que''o quadro pintado na pesquisa reforça algo antigo no país'', e isso é bem certo, pois os jovens são em geral muito 'conservadores', e querem permanecer ignorantes,como são seus pais ou eram seus avós, e até no quesito religião eles continuam num conservadorismo ridículo,(que para um ateu,como é o meu caso, é desolador), é o cúmulo da confusão mental. Ora, se o sujeito acha a vida ''um dom divino'', ou ''eu amo ''o Senhor''ou ainda ''Deus é tudo'', então que faça algum esforço para merecer tanta ''graça divina'', ou irá ser um velhote ignorante e conformista como tantos por aí.

Cristovam- Poconé MT - Todos, pegaram a síndrome do apedeuta, os que estudam vão ser meus empregados...Falou...

Luiz Fernando - Isso não é novidade para mim. Sentia isso na escola desde muito cedo, mas mais acentudamente na entrada da adolescência, a partir da sétima série. E isso já faz 15 anos! E já observava a mesma atitude com os alunos das turmas mais velhas...Esse é um problema que já está completando décadas mas, infelizmente, parece que nada tem sido feito para mudar esse panorama. É desolador...

Carlos Ordovás - FláviaColunista da Veja, que trata da educação, é bom conferir outras colunas dela!Bj.

   
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