Blog: Megacidades
Lucila Soares
Coordenadora do painel de Megacidades de Veja 40 anos - o Brasil que queremos ser, a chefe da sucursal do Rio de Janeiro de VEJA Lucila Soares acompanha e discute aqui os conteúdos apresentados pelos leitores
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 06 de novembro de 2009

Lições que vêm de Paris



Prefeito de Paris desde 2001, o socialista Bertrand Delanoë, de 59 anos, é conhecido por suas iniciativas inovadoras. Em 2002 implementou o Paris Plage, uma praia artificial montada todo verão às margens do rio Sena, que recebe 4 milhões de visitantes por ano. A idéia já foi copiada em cinco cidades européias. Em 2007 criou o Velib, sistema de aluguel de bicicletas para reduzir o trânsito e a poluição. Semana passada Delanoë esteve no Rio de Janeiro, onde assinou um acordo de cooperação que vai ajudar, com a expertise parisiense, o projeto de revitalização da zona portuária carioca, área degradada que a prefeitura promete renovar para os jogos de 2016. Na ocasião, conversou com o repórter Marcelo Bortoloti, de VEJA, sobre a importância da troca de experiência entre cidades e os desafios e oportunidades do Rio com as Olimpíadas.

SOLUÇÕES PARA O TRÂNSITO – Paris diversificou a oferta de transporte com metro, ônibus, VLT, bicicleta e agora carros elétricos de uso coletivo, o Autolib. Nossa idéia é fazer com que, no futuro, ninguém precise usar um automóvel poluente na cidade. Haverá soluções de transporte mais eficientes e ecológicas para cada demanda. Desde 2001, o fluxo de automóveis diminuiu em 20% na cidade. Não é possível transportar nossas soluções mecanicamente para o Rio, mas é possível pensar em soluções parecidas de acordo com as demandas locais.

REVITALIZAÇÃO DO PORTO – É um objetivo ambicioso, mas possível. A vitória para receber os jogos de 2016 é algo que empurra, mais que isso, quase obriga a cidade a esse tipo de realização. Paris, pelo simples fato de ter concorrido para ser sede das Olimpíadas de 2012, está levando adiante várias iniciativas inspiradas no projeto olímpico. Uma delas é a construção da Vila Olímpica que abrigaria os atletas no bairro de Batignolles, uma área da cidade com instalações industriais antigas e abandonadas. Depois dos jogos, ela seria convertida num conjunto habitacional. Não precisamos mais da vila para os atletas, mas como a idéia era boa, construiremos um conjunto habitacional mesmo assim.

PREPARAÇÃO OLÍMPICA – A cidade já é um importante destino turístico, mas precisa modernizar e ampliar sua capacidade de recepção. O Pan-Americano de 2007 foi uma oportunidade para isso e a Copa de 2014 será outra. Paris se tornou o destino turístico que é com uma junção entre turismo de negócios e de lazer. O que falta ao Rio é organizar mais seminários e eventos internacionais para aumentar sua capacidade de recepção.

PARCERIAS – Estamos recuperando 10% da área de Paris, que estava degradada, e a iniciativa privada é uma aliada nesse propósito. A cada projeto reservamos áreas específicas para habitação, atividades econômicas, atividades culturais e equipamentos públicos. Quando você tem essa diversidade, é mais fácil atrair investimentos privados. Foi o que aconteceu no bairro de Belleville, próximo a Montmartre. Recuperamos construções e criamos zonas habitacionais, áreas de negócio e de lazer. Isso atraiu os investimentos. O governo tem que agir com base num projeto profissional, que faça sentido dentro da lógica da cidade.

COOPERAÇÃO – As prefeituras estão se organizando para ter voz ativa nos organismos internacionais. Isso porque soluções para problemas de trânsito, habitação e meio-ambiente podem até ser pensadas globalmente, mas são executadas de forma concreta em nível municipal. E temos experiências que, embora não possam ser copiadas, podem ser compartilhadas.

Foto: Mon Ceil.



Por Lucila Soares - 20:38    •    Enviar Comentário     •    Ler Comentários



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Comentários

Maria Beatriz Gonçalves - Prezada Lucila, sugiro a leitura deste blog interessantíssimo para continuar o debate das megacidades: http://veja.abril.com.br/blog/de-paris/franca/carro-compartilhado-um-servico-mao -na-roda/

karlson rocha silveira - As autoridades do Rio precisam acabar com a violência que se vê diariamente no Rio. É bala perdida,bandidos mostrando fuzis,polícia corrupta,etc. Precisamos "limpar" a polícia,expulsando os maus elementos e promover os atos de heroísmo com aumento salarial e promoções na carreira. Bandido que entrar "sorrindo" no camburão deveria sair chorando. Proibir visitas íntimas para o narco-tráfico. Infernizar a vida dos parentes dos traficantes,bloqueando bens e contas bancárias,etc. Já é um começo,e mandar o governador do Rio parar de sorrir,tanto,pois a coisa é séria. Parece Alice no país das maravilhas.

bianca martins - Sinal verde para o Autolib, o carro públicoterça-feira, 4 de agosto de 2009

Lindisvaldo Coelho - Só existe um problema que dificulta o aproveitamento das inovações aplicadas em Paris. A corrupção existente em nosso país. Nossos governantes desviam verbas e conseguem sempre impor o jeitinho brasileiro de ganhar vantagens pessoais.Em matéria de corrupção somos MEDALHA DE OURO!

Francisco Eloi dos Santos - Gosto do geito de Paris, inclusive do trânsito, acho que a cidade pode cooperar com o Rio e muito. O Rio tem todo o potencial, mas não aproveita metade: segurança e transporte tem que ter prioridade.

toninho - Seria bom que ele falace, sobre a corrupção, pois nós, com gastos orçados em 500 milhões, os Petralhas, gastaram 4,5 bilhões e meio. Qualquer experiência nesse sentido nos ajudará.

Marcio Marques Alves - "O Brasil que queremos ser".O Brasil da didatura?! Da repressão?! Muito enaltecedora,por parte da colunista, a atitude da prefeitura de "BH",punindo aqueles que não têm oportunidade de se legalizarem junto à prefeitura e que não têm,diploma de jornalismo, para ficar condenando quem é obrigado a trabalhar na clandestinidade. "O Brasil que voces querem",já deixou de existir à mais de 25 anos e não serão voces que vão promover um retrocesso institucional de direita,em defesa do grande capital privado de mais exclusão social e concentração de renda.

   
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