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Edição 2093

31 de dezembro de 2008
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NESTA EDIÇÃO
Índice
 

Retrospectiva 2008 Economia
O dicionário da crise financeira

As palavras que é preciso conhecer para entender
como um modelo baseado na confiança mútua entre
credores e tomadores de empréstimos transformou-se
em um sistema, em sua fase terminal, baseado na má-fé


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Nesta edição
O ano em que o trem quase parou
A arte de ver e não enxergar
O dicionário da crise financeira
Os vários dinheiros da crise
O retorno dos velhos fantasmas
O país da blindagem e da marola

Agências de rating – Deveriam aferir a capacidade de países e empresas pagarem seus débitos em dia, mas se especializaram em distribuir notas máximas (AAA) para títulos e empresas podres e, assim, burlar a vigilância do público e das autoridades.

Bolsa russa – Todas as bolsas andam ruças, mas a russa vai pior ainda. Suas negociações foram interrompidas inúmeras vezes. A desvalorização acumulada desde o seu pico em maio é de 70%.

Casa – Bem imóvel que era usado para abrigar famílias, mas que, dado como garantia para empréstimos, passou a ser usado como caixa eletrônico 24 horas. Com a crise, voltou a servir apenas para morar.

Depressão Ah, que bom quando essa palavra se referia apenas ao distúrbio mental caracterizado por adinamia, desânimo e sensação de cansaço – grave, porém facilmente diagnosticável e tratável pela medicina. Agora, a depressão é o grande fantasma do mundo, pois traz desemprego em massa, miséria e até fome – e não é nem facilmente diagnosticável nem tratável.

Derivativos Nasceram como uma brilhante invenção capaz de diluir o risco dos investidores, aumentando assim a segurança de todo o sistema financeiro. Mentes mais espertas os transformaram em armadilhas que serviam não mais para diluir, mas para mascarar o risco.

Stringer Shanghai/Reuters

Descolamento – Teoria segundo a qual os países emergentes, como o Brasil, a China, a Índia e a Rússia, se fortaleceram tanto que se tornaram imunes aos efeitos da crise americana. Os argumentos ainda são válidos. O problema são os fatos. Eles insistem em desmentir a teoria.

Lia Lubambo

Etanol Encontrado em bebidas como cerveja e aguardente. Costuma dar ressaca. Foi o que aconteceu com a versão usada como combustível de motores de explosão. Quando o petróleo estava a 147 dólares o barril, era a salvação da lavoura. Até os donos do Google se interessaram em plantar cana no Brasil. Com o petróleo novamente barato, o entusiasmo com o etanol despencou na mesma proporção.

Hedge funds Como os derivativos, esses fundos nasceram para proteger ("hedge", em inglês) os investidores das bruscas variações dos mercados tradicionais de ações, câmbio e títulos de governo. Eles colocam o dinheiro do investidor também em mercados de ouro, grãos, petróleo e até em obras de arte. Vinham se saindo até bem no decorrer da crise até que em dezembro estourou uma megafraude justamente em um hedge fund dirigido pelo falsário Bernard Madoff, que deu prejuízo de 50 bilhões de dólares na praça.

Divulgação

Islândia Até o início de 2008, era mais lembrada como o inóspito e gelado país de onde vinha a série infantil de sucesso LazyTown. Seus 300.000 habitantes viviam tranqüilos com um PIB per capita de 55 000 dólares e com seu primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Do dia para a noite, descobriu-se que praticamente todos os islandeses viviam em uma bolha financeira maior do que o próprio país. Era o Lazy Country. A bolha estourou. A coroa islandesa perdeu metade de seu valor. A Islândia tornou-se o primeiro país desenvolvido a ser socorrido pelo FMI nas últimas três décadas.

Manat Na Bíblia, o maná foi um alimento que Deus fez cair dos céus sobre os fiéis no deserto. Significa algo prazeroso e vantajoso. O manat do Turcomenistão foi a moeda que mais se desvalorizou (queda de 64% no ano) no mundo. Depois, é claro, do dólar zimbabuano. Mas este faz tempo que não vale nada mesmo.

Marolinha Tsunami, na língua falada pelo governo brasileiro. É com essa palavra que os efeitos da maior crise mundial desde 1929 foram inicialmente descritos pelo presidente Lula e pelo ministro Guido Mantega.

Fred Prouser/fFSP/Reuters

Myron Scholes – Fuja dele! Recebeu o Nobel em 1997 por desenvolver um modelo que reduzia o perigo das operações com derivativos. Com seus ensinamentos, já quebrou dois fundos: o Long Term Capital Management (LTCM), em 1998, e o Platinum Grove Asset Management, em novembro passado.

Ninja Organização secreta marcial que habitava as províncias do Japão feudal do século XIV, cujos membros eram conhecidos por suas habilidades de infiltração e sabotagem. Os empréstimos "ninja" (de "no income, no job, no assets", ou seja, para pessoas sem renda, sem emprego e sem bens) se infiltraram e sabotaram a ordem financeira internacional em 2008.

Toshifumi Kitamura/AFP

Nouriel Roubini O Doutor Apocalipse, economista que teve a fama catapultada por ter previsto que a bolha mobiliária americana se transformaria numa crise sistêmica. Foi descrito em reportagens como detentor de uma aura lúgubre e de feições de quem vive atormentado pela clarividência. O Facebook revelou a outra face de Roubini, aproveitando, feliz, as coisas boas da vida. Antes que o mundo acabe.

Recessão – É um período de diminuição prolongada no nível de atividade econômica. Mais leve que a depressão. Dizem que é um pouco como pornografia, você percebe quando a vê. Nos Estados Unidos, não basta vê-la para confirmá-la. É preciso atestado oficial do NBER (National Bureau of Economic Research). OS EUA estão em recessão desde dezembro de 2007.

Stockton, Califórnia A cidade do "porto do sol nascente" transformou-se numa estrela cadente. É a região mais castigada pelo estouro da bolha imobiliária americana, onde as casas perderam metade de seu valor desde 2005.

 



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