Mogli
O Menino Lobo (The Jungle Book, Estados Unidos, 1967. Disney)
Baseado nas histórias do escritor Rudyard Kipling um dos mestres
do período colonial britânico , esse desenho é um daqueles
eternos favoritos dos estúdios Disney: uma aventura íntima e cheia
de ação sobre o menino que, encontrado na selva ainda bebê
pela pantera Baguera e entregue a uma família de lobos, se vê instruído
a retornar ao convívio humano quando um tigre feroz aparece no pedaço.
Mogli, porém, não pretende ceder sem espernear um bocado
e a precisão com que os artistas recriam os gestos e humores de um garoto
dessa idade é um dos trunfos que fazem o filme seduzir até as crianças
que nem imaginam que houve um tempo em que não existiam computadores nem
animação em 3D.
Um Elenco
do Barulho (The TV Set, Estados Unidos, 2006. Focus) Um roteirista
estressadíssimo (David Duchovny, com barriguinha e barba por fazer) batalha
para rodar o piloto de um seriado no qual todas as tramas se originam do suicídio
de um personagem. "Ótimo", diz a executiva da emissora (Sigourney Weaver,
que apesar da inteligência se diverte aqui fazendo o papel de tapada). "Mas
é meio deprimente. Não dá para jogar fora essa história
de suicídio?" A despeito do título que parece de pornochanchada,
o filme do diretor Jake Kasdan (filho do também cineasta Lawrence Kasdan,
de Silverado) é uma comédia repleta de esperteza e mordacidade,
sobre como a indústria americana de entretenimento não pode ver
uma galinha dos ovos de ouro sem tentar estrangulá-la.
Don't
Look Back (Estados Unidos, 1967. Sony/BMG) Dirigido por D.A. Pennebaker,
Don't Look Back é um marco na história dos documentários
sobre artistas de rock. Primeiro porque registra um momento crucial na carreira
de Bob Dylan. Em 1965, ele estava começando a abandonar a persona de trovador
folk, trocando o violão pela guitarra elétrica. Depois porque Pennebaker,
que também traz no currículo um belo registro do festival de Monterey,
conheceu um Bob Dylan muito diferente da figura enigmática dos dias de
hoje. O cantor aparece em conversas animadas com sua banda, discute com um fã
cricri que não gosta de Subterranean Homesick Blues (uma de suas
melhores canções) e até chama um repórter da revista
Time de "débil mental". O filme traz registros históricos
de shows na Inglaterra.
LIVROS
David
Levenson/Getty Images
Asne:
o dia-a-dia na Sérvia em tempos de guerra
De
Costas para o Mundo, de Asne Seierstad (tradução de Britt
Jensen; Record; 370 páginas; 46 reais) A jornalista norueguesa Asne
Seierstad tornou-se best-seller internacional com sua reportagem sobre a opressiva
vida doméstica de uma família afegã, O Livreiro de Cabul.
Antes de cobrir a guerra no Afeganistão, Asne trabalhou na Sérvia,
nos anos 90, quando a guerra civil dilacerava o país. De Costas para
o Mundo revisa a história sérvia, desde o domínio otomano
até as ditaduras de Tito (da antiga Iugoslávia) e do genocida Slobodan
Milosevic. O livro é sobretudo um retrato do cotidiano. Asne apresenta
o ponto de vista de camponeses, músicos, estudantes cidadãos
comuns perdidos em meio à guerra. Leia
trecho.
Ulf
Andrsen/Getty Images
Mulisch:
as memórias que a Holanda gostaria de esquecer
O
Atentado, de Harry Mulisch (tradução de Cristiano Zwiesele
do Amaral; José Olympio; 288 páginas; 35 reais) Um policial
que colaborava com os nazistas é morto em um subúrbio de Haarlem,
na Holanda, em 1945. Os alemães, em retribuição, dizimam
a população do local. O Atentado narra a história
de Anton Steenwijk, um sobrevivente do massacre que retorna a Haarlem no pós-guerra.
Embora possa ser lido como uma história policial, o romance é um
exame profundo das vergonhosas memórias que a sociedade holandesa buscou
recalcar depois da guerra. Detalhe biográfico revelador: o holandês
Mulisch e sua mãe, judia, escaparam aos campos de concentração
porque seu pai, um funcionário de banco, colaborou com os nazistas na desapropriação
de bens de outras famílias judias. Leia
trecho.
DISCO
Divulgação
Siouxsie:
talento que vai além do punk
Mantaray,
Siouxsie (Universal) A líder do Siouxsie and the Banshees foi ídolo
da tribo gótica dos anos 80, graças à sua "atitude" e à
mistura de punk rock e ritmos tribais. Mantaray, o primeiro disco-solo
de sua carreira, aponta algumas mudanças de rumo. Siouxsie deixou o punk
para ceder a outras influências, como o jazz (é fã confessa
de Shirley Bassey, cantora da música-tema de 007 contra Goldfinger),
o glam rock e o rhythm'n'blues. A bateria pesada, marca registrada dos Banshees,
também ficou em segundo plano não por coincidência,
ela se separou de Budgie, ex-baterista do grupo. Faixas como Here Comes That
Day e Drone Zone, cujos arranjos de metais lembram os de uma big band,
mostram que o talento dessa veterana vai bem além do que se supunha.