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Edição 2032

31 de outubro de 2007
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Mogli – O Menino Lobo (The Jungle Book, Estados Unidos, 1967. Disney) – Baseado nas histórias do escritor Rudyard Kipling – um dos mestres do período colonial britânico –, esse desenho é um daqueles eternos favoritos dos estúdios Disney: uma aventura íntima e cheia de ação sobre o menino que, encontrado na selva ainda bebê pela pantera Baguera e entregue a uma família de lobos, se vê instruído a retornar ao convívio humano quando um tigre feroz aparece no pedaço. Mogli, porém, não pretende ceder sem espernear um bocado – e a precisão com que os artistas recriam os gestos e humores de um garoto dessa idade é um dos trunfos que fazem o filme seduzir até as crianças que nem imaginam que houve um tempo em que não existiam computadores nem animação em 3D.

Um Elenco do Barulho (The TV Set, Estados Unidos, 2006. Focus) – Um roteirista estressadíssimo (David Duchovny, com barriguinha e barba por fazer) batalha para rodar o piloto de um seriado no qual todas as tramas se originam do suicídio de um personagem. "Ótimo", diz a executiva da emissora (Sigourney Weaver, que apesar da inteligência se diverte aqui fazendo o papel de tapada). "Mas é meio deprimente. Não dá para jogar fora essa história de suicídio?" A despeito do título que parece de pornochanchada, o filme do diretor Jake Kasdan (filho do também cineasta Lawrence Kasdan, de Silverado) é uma comédia repleta de esperteza e mordacidade, sobre como a indústria americana de entretenimento não pode ver uma galinha dos ovos de ouro sem tentar estrangulá-la.

Don't Look Back (Estados Unidos, 1967. Sony/BMG) – Dirigido por D.A. Pennebaker, Don't Look Back é um marco na história dos documentários sobre artistas de rock. Primeiro porque registra um momento crucial na carreira de Bob Dylan. Em 1965, ele estava começando a abandonar a persona de trovador folk, trocando o violão pela guitarra elétrica. Depois porque Pennebaker, que também traz no currículo um belo registro do festival de Monterey, conheceu um Bob Dylan muito diferente da figura enigmática dos dias de hoje. O cantor aparece em conversas animadas com sua banda, discute com um fã cricri que não gosta de Subterranean Homesick Blues (uma de suas melhores canções) e até chama um repórter da revista Time de "débil mental". O filme traz registros históricos de shows na Inglaterra.

 

LIVROS

 
David Levenson/Getty Images
Asne: o dia-a-dia na Sérvia em tempos de guerra  

De Costas para o Mundo, de Asne Seierstad (tradução de Britt Jensen; Record; 370 páginas; 46 reais) – A jornalista norueguesa Asne Seierstad tornou-se best-seller internacional com sua reportagem sobre a opressiva vida doméstica de uma família afegã, O Livreiro de Cabul. Antes de cobrir a guerra no Afeganistão, Asne trabalhou na Sérvia, nos anos 90, quando a guerra civil dilacerava o país. De Costas para o Mundo revisa a história sérvia, desde o domínio otomano até as ditaduras de Tito (da antiga Iugoslávia) e do genocida Slobodan Milosevic. O livro é sobretudo um retrato do cotidiano. Asne apresenta o ponto de vista de camponeses, músicos, estudantes – cidadãos comuns perdidos em meio à guerra. Leia trecho.

 

Ulf Andrsen/Getty Images
Mulisch: as memórias que a Holanda gostaria de esquecer  

O Atentado, de Harry Mulisch (tradução de Cristiano Zwiesele do Amaral; José Olympio; 288 páginas; 35 reais) – Um policial que colaborava com os nazistas é morto em um subúrbio de Haarlem, na Holanda, em 1945. Os alemães, em retribuição, dizimam a população do local. O Atentado narra a história de Anton Steenwijk, um sobrevivente do massacre que retorna a Haarlem no pós-guerra. Embora possa ser lido como uma história policial, o romance é um exame profundo das vergonhosas memórias que a sociedade holandesa buscou recalcar depois da guerra. Detalhe biográfico revelador: o holandês Mulisch e sua mãe, judia, escaparam aos campos de concentração porque seu pai, um funcionário de banco, colaborou com os nazistas na desapropriação de bens de outras famílias judias. Leia trecho.

 

DISCO

 

Divulgação
Siouxsie: talento que vai além do punk  

Mantaray, Siouxsie (Universal) – A líder do Siouxsie and the Banshees foi ídolo da tribo gótica dos anos 80, graças à sua "atitude" e à mistura de punk rock e ritmos tribais. Mantaray, o primeiro disco-solo de sua carreira, aponta algumas mudanças de rumo. Siouxsie deixou o punk para ceder a outras influências, como o jazz (é fã confessa de Shirley Bassey, cantora da música-tema de 007 contra Goldfinger), o glam rock e o rhythm'n'blues. A bateria pesada, marca registrada dos Banshees, também ficou em segundo plano – não por coincidência, ela se separou de Budgie, ex-baterista do grupo. Faixas como Here Comes That Day e Drone Zone, cujos arranjos de metais lembram os de uma big band, mostram que o talento dessa veterana vai bem além do que se supunha.

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.



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