Subitamente, num nanomomento
histórico, o politicamente
correto decretou que é proibido fazer qualquer
piada sobre qualquer grupo
"minoria". Todos pertencentes a esses minoritários
embora mulheres, negros e gays sejam, visível
e estatisticamente, maioria são perfeitos, impolutos,
acima de qualquer suspeita e, melhor (ou pior), acima de qualquer
piada.
Agora, o contrário: esses
grupos, e todos nós, podemos falar, impunemente, da
loura burra.
E eu, que não tenho coragem
de infringir nenhum preceito politicamente correto, aproveito
e também gozo essa loura modelo que, como todos vocês
sabem, só tem dois neurônios.
E acrescento: tem dois neurônios,
mas só usa um.
O outro é step.
Deixa de procurar, amigo. Par
perfeito só mesmo o do sapato. E olhe lá.
Baldio. Nunca ouvi esse
adjetivo empregado senão pra adjetivar terreno. Terreno
baldio.
Falar nisso, que fim levou o
terreno baldio? Morreu. Desapareceu. Está enterrado
embaixo dos arranha-céus.
Por inferência, careca
também é baldio. E, pela mesma inferência,
fazendas no olho do furacão do MST são consideradas
baldias pela recuperação social. E toda
a Amazônia, do ponto de vista dos madeireiros e das
multinacionais farmacológicas.
Sarney, olhando as fotos da
Mônica na Playboy, murmurou, lastimoso: "Pô, por
que eu não levei o Photoshop pra cama?".
Há muitos anos, "no tempo
em que João, filho de Pedro, memorava, depois que livre
o teve do vizinho poder, que o molestava", compareci, ingenuamente,
levado por meu amigo Técio Lins e Silva, a um congresso
sobre drogas, no Palácio da Cúria, no Sumaré,
RJ, presentes inclusive Dom Eugênio e o Padre D'Ávila,
reconhecido como sacerdote aberto a todos os ventos. Quando
vi, estava num simpósio (palavra culturalmente
assustadora) com 56 pessoas, polícia internacional,
ex-drogados, especialistas em drogas, juristas, o escambau.
De um sábado de manhã ao domingo à noite
discutiu-se tudo referente a drogas e seu indiscutível
sucesso social, pessoal, criminal. Boquiaberto, mantive-me
de boca fechada. Mesmo porque eu não tinha nada a ver
com o enfoque geral. No
fim do simpósio, o plenário foi dividido em
quatro grupos, 14 pessoas cada grupo.
No meu grupo, aí
sim, eu falei: "Vocês vão me perdoar, mas me
deixem falar primeiro, porque possivelmente sou o mais radical
de vocês". E advoguei a liberação de todas
as drogas. Pra minha surpresa não houve muita oposição.
Aparentemente não havia, de imediato, outra solução.
Foi escrita uma moção, retificada sabiamente
por Técio Lins e Silva.
De volta ao plenário,
Técio leu nossa moção. Dom Eugênio,
agora presente, perguntou um tanto flabergasted: "Os
senhores aprovaram isso?".
Pela primeira vez me levantei
e disse: "Por unanimidade, Dom Eugênio".
Mais duas vezes Dom Eugênio
teve a mesma reação, obteve a mesma resposta.
Anos depois, quando ventos mais
liberais trouxeram de novo à baila a discussão,
pedi a Técio que solicitasse à Cúria
nossa modesta proposta. Ele não conseguiu. Acho que
o texto nem estava no arquivo.