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Edição 2032

31 de outubro de 2007
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Millôr
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Diogo Mainardi
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Cartas

 

"Entre a inércia dos céticos e o zelo dos ortodoxos, as gerações futuras herdarão um planeta melhor se ouvirmos os conselhos dos segundos."
Vanessa C. Santos
Petrópolis, RJ

Aquecimento global

Parabéns a Okky de Souza e a Vanessa Vieira, que conseguiram mostrar as verdades e mentiras sobre o que de fato está ocorrendo com o planeta azul. A reportagem "S.O.S. Terra" (24 de outubro) nos mostra que só teremos êxito nessa batalha se superarmos, primeiramente, nosso problema de intolerância social e trabalharmos juntos.
Francisco Hyppolito Neto
Mogi Guaçu, SP

De extrema importância a indicação de soluções mais e menos radicais para salvar o planeta. O aumento desenfreado da população é visivelmente sua sentença de morte. Durante séculos estamos consumindo todos os recursos naturais esgotáveis, como gafanhotos gigantes, e nos reproduzindo como coelhos. Somente nós podemos salvar nossa espécie e as outras que restam.
Beatriz Volpe
Valinhos, SP

Mais uma vez VEJA demonstra preocupação com as questões ambientais e cumpre sua função informativa com responsabilidade e eficiência, oferecendo a seus leitores a oportunidade de conhecimento do que está ocorrendo e do que pode ocorrer com o nosso planeta. Preocupado também com os grandes impactos causados ao meio ambiente por nós, resolvi implementar na minha cidade um projeto que visa a substituir as sacolas plásticas de supermercados por sacolas ecológicas, que, além de não contribuírem para a poluição do planeta, são cômodas, resistentes, espaçosas e chiques. Faça também a sua parte!
Gustavo Casado
Consultor ambiental
Maceió, AL

A formação da consciência ambiental acabou gerando neste século, depois de muito debate, o surgimento de dois grupos: os céticos e os alarmistas. Em qual lado do muro você vai ficar? Essa é a pergunta que a reportagem deixa para nós, leitores de VEJA e habitantes do planeta Terra. Continua sendo árdua a tarefa de criar a consciência ambiental nas pessoas, pois o mais cômodo, sempre, é fazer como todo mundo faz, comprometendo o ambiente. Como professor de geografia e ambientalista por necessidade e convicção, acredito na idéia do ambiente equilibrado, com o mínimo possível de riscos para as gerações futuras. Não é admissível que deixemos um ambiente pior do que aquele que recebemos de nossos antecessores. Atos simples podem fazer a diferença, por mais que eles atentem contra o chamado pseudoprogresso da humanidade.
Maxwell Cavalcante Silva
Natal, RN

O risco existe à medida que a população mundial cresce descontroladamente, em detrimento de um meio ambiente estável. A emissão de gases poluentes, por exemplo, deve ser revista. Mas o controle da natalidade também deve ser revisto. Isso é determinante. Al Gore exagera quando vaticina que o nível dos oceanos aumentará 6 metros e Bjorn Lomborg é mais realista quando diz que estamos assustados demais. A exploração inconseqüente da riqueza animal dos oceanos e rios, a fúria da indústria madeireira nas florestas e a exploração desmesurada das mineradoras no seio das florestas são fatores que precisam de uma fiscalização muito mais rígida que a atual. Mas a matéria de VEJA sobre o assunto chega em ótimo momento, não há dúvida.
Djalma Alves Gomes
Salvador, BA

Cabe citar o fantástico trabalho desenvolvido por rotarianos de todo o mundo, antes até mesmo da Eco 92, da Agenda 21 dela decorrente e do Protocolo de Kyoto. Em 1990, o brasileiro Paulo Viriato Corrêa da Costa, natural de Santos, presidente do Rotary International, lançou um programa ecológico denominado Preserve o Planeta Terra, que recebeu o apoio incondicional de rotarianos espalhados por todo o mundo. A idéia inicial, bastante simples, era que cada rotariano (mais de 1,15 milhão à época) plantasse uma árvore, que simbolizasse o comprometimento da entidade e de seus associados com a preservação do meio ambiente. O resultado foi, no mínimo, animador: só no primeiro ano de existência do programa, plantaram-se mais de 33 milhões de árvores ao redor do mundo, realizaram-se quatro seminários sobre meio ambiente e iniciaram-se milhares de projetos voltados para a ecologia. Em 1992, foi criada a Maratona Ecológica, simbolizada por um troféu itinerante que durante cinco anos circulou por todas as Américas, esteve na Antártica e chegou à Sibéria, envolvendo milhares de unidades rotárias em projetos ambientais. Mais informações podem ser obtidas no site www.paulovccosta.com.br.
Liliana R. Diegues Rodriguez
Santos, SP

Embora a situação propagada por Al Gore possa parecer alarmista, não restam dúvidas de que medidas urgentes precisam ser tomadas. Somente a união da sociedade – do primeiro, do segundo e do terceiro setor – poderá minimizar o impacto da destruição da natureza.
José Zulmar Lopes
São Paulo, SP

O ex-vice americano presta um enorme serviço à humanidade ao se dedicar com tanta ênfase ao esclarecimento dos problemas relativos ao aquecimento global. Nós, que vivemos neste planeta, precisávamos de uma figura de respeito, íntegra, honesta e inteligente para fazer esse alerta. O Prêmio Nobel da Paz foi muito merecido.
Washington Luiz Neves Santos
Santa Maria, RS

 

Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros, por estar apenas temporariamente afastado, continua pairando sobre as decisões do Senado como uma sombra malévola, ensejando conchavos entre seus correligionários para "sair-se bem" das acusações que pesam sobre ele. Meus cumprimentos a VEJA por prosseguir divulgando essas tristes maquinações dos bastidores da política, para que seus leitores e a sociedade em geral, indignados com tal estado de coisas, se posicionem, exigindo ética do Senado Federal ("O morto-vivo", 24 de outubro).
Francisco Souto Neto
Curitiba, PR

Quero felicitá-los pela seqüência de reportagens esclarecedoras sobre o caso Renan. Refletindo sobre o desfecho atual, gostaria de expor os seguintes comentários aos demais leitores: em um exercício de imaginação, proponho a todos que se transportem ao dia seguinte à primeira denúncia contra o senador Renan Calheiros e leiam o texto em que ele, agora, anuncia o afastamento da presidência. Percebam que, naquele instante, seria uma atitude honrada, digna de respeito à instituição que presidia e ao povo brasileiro. Interromperia, contudo, a seqüência de investigações que desvendaria uma série de ilícitos praticados por ele ao longo do tempo. Voltando ao presente, o texto realça seu cinismo e desfaçatez. Ou seja, ao senador Renan faltam inúmeras virtudes e até inteligência. Mas o que me interessa, agora, é a postura dos ditos éticos do Senado.
Jorge A.N. Guimarães
Recife, PE

Fico indignada, e ao mesmo tempo aliviada, com o pedido de afastamento do senador (que disse que seria necessário sujar as mãos para tirá-lo da presidência). Talvez ele estivesse se referindo ao médico que lhe forneceu o atestado, sobre cuja veracidade todos têm dúvida. Afinal, que doenças o médico verificou no senador? É possível que o atestado seja divulgado e se saiba pelo menos o nome do profissional? O povo pode questionar sua validade?
Márcia Regina Sillman Hergert
Limeira, SP

 

As causas da violência no Brasil

Lendo a reportagem "Duas questões fora do foco" (24 de outubro), lembrei-me de que a situação piorou, e muito, depois que se deixou de considerar o viciado um criminoso. Precisamos repensar esse aspecto: voltar a considerar o viciado um criminoso, com prisão, porque sem o viciado não existe o tráfico, assim como não existe o roubo sem o receptador. Devemos apenar, com maior rigor, tanto o viciado quanto o receptador.
Braz Ferraz Carlomanho
Piracicaba, SP

O combate ao tráfico nos morros do Rio de Janeiro não surtirá efeito se a flecha da ação da polícia não se inverter. O importante é descer os morros e prender os financiadores do tráfico residentes em Copacabana, Leblon, Ipanema e Barra da Tijuca. É essencial, por outro lado, que as autoridades governamentais entendam que o emprego do Exército tem mais sentido nas fronteiras do que nos morros.
Manoel de Jesus Moreira Bastos
São Luís, MA

O filme Tropa de Elite só não mostra uma coisa, que é a causa da truculência policial: a ineficiência do sistema penal. Se os policiais tivessem o apoio de autoridades sérias, não precisariam "matar ou morrer". Parece óbvio que não adianta entregar bandidos perigosos à Justiça, porque as leis são frouxas. Mas não é óbvio para a esquerda, que pede calma quando se fala em mudar as leis, nem para os estrangeiros que verão o filme. A ONU e a Anistia Internacional continuarão dizendo que a violência no Brasil é culpa da polícia.
Milena Cardoso Costa
Porto Alegre, RS

 

Júlio Lancellotti

O delito de extorsão, como qualquer outro crime, precisa ser investigado e, comprovada a sua prática, os responsáveis devem ser devidamente julgados e condenados. No entanto, a reportagem "O padre e o moço" (24 de outubro) deixou de tratar de uma questão importante, que, não obstante a dor e o sofrimento aos quais foi submetido o padre pelos seus algozes, deve ser objeto de esclarecimento: a origem do dinheiro pago aos extorsionários. Essa questão ganha ainda mais peso ao se considerar que o padre tem sob a sua gestão organizações não-governamentais conveniadas com pessoas jurídicas de direito público e que movimentam somas consideráveis.
Roberto Izidorio Pereira
São Paulo, SP

Parabéns, mas parabéns mesmo a VEJA pelo destaque dado ao caso do padre Lancellotti. Foi a única revista a tratar o assunto como devia, mostrando o lado negativo da ação do padre, com relação aos benefícios concedidos por ele a um delinqüente com o qual certamente manteve relações íntimas. Outros órgãos desafiaram a paciência e a inteligência de seus leitores ao procurar colocar o padre como vítima chantageada. Parabéns também a Diogo Mainardi, que em sua crônica semanal mostrou que o padre Lancellotti ofereceu ao bandido que ajudava o aluguel de uma casa, uma bicicleta, uma moto, um terreno e uma Mitsubishi Pajero, além de ter mentido sobre a origem de seus rendimentos.
Milton Moreira
São Paulo, SP

Infelizmente, faltou ao padre Lancellotti interpretar corretamente as palavras do Senhor no Sermão da Montanha: "Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda que eles lhes ponham os pés em cima e, tornando-se contra vós, vos despedacem" (Mateus, 7.6).
Gilberto Dib
São Paulo, SP

Fiquei impressionado quando li a reportagem. Quem diria? O senhor Lancellotti, sempre defendendo com unhas e dentes delinqüentes que destroem famílias inteiras com crimes bárbaros, falando sempre em seus direitos humanos.
Luiz Buzetti Filho
Paranaíba, MS

Assim que acabei de ler a reportagem sobre a extorsão que o padre Júlio Lancellotti sofreu, lembrei-me daquela historinha em que a menina chega para a mãe e diz que foi estuprada. Quando a mãe, muito assustada, lhe pergunta quando, ela responde: na semana retrasada, na semana passada, ontem, hoje e amanhã às 19 horas.
Maria Clara Rubira Garbin
São Caetano do Sul, SP

 

Diogo Mainardi

Sempre começo a ler VEJA pela coluna de Diogo Mainardi. Desta vez ele se superou comentando sobre o padre Júlio Lancellotti ("A Pastoral da Pajero", 24 de outubro). Deixo inicialmente claro que sou católico praticante, respeito muito os sacerdotes. Mas, com relação ao referido padre, sempre achei exageradas suas atitudes diante de bandidos e assassinos, especialmente aqueles menores de 18 anos que, somente no Brasil (e em mais três países), têm direito de matar e roubar impunemente. Desta vez alguma coisa está mostrando o lado real. Fica difícil, para nós católicos, entender a atitude do sacerdote. Pagar 50.000 reais a um criminoso apenas pela "tentativa de recuperá-lo para a sociedade" mostra que alguma coisa realmente não está batendo (é muito dinheiro, considerando seus rendimentos).
Plínio Zabeu
Americana, SP

Procurei ler com muito cuidado as notícias que saíram a respeito do padre Lancellotti e em especial a coluna de Diogo Mainardi, mas não entendi por que o padre financiou o bandido. Há alguma coisa que, quanto mais ele se explica, mais complicada fica. É o caso do padre, que, na palavra do presidente Lula, "cuida melhor das crianças do que qualquer aparelho do estado". No episódio, o padre cuidou de uma "criança" em especial. Vai ter de se explicar.
Izabel Avallone
Alto da Boa Vista, SP

O padre Júlio, na minha maneira de enxergar a situação, se declara culpado a partir do momento em que cede às chantagens. Poderia desde o início, se inocente fosse, recorrer à polícia, à OAB, ao Ministério Público, à Igreja e até aos fiéis de sua paróquia para elucidar a situação. Tenho certeza de que em algum lugar ele acharia respaldo para garantir sua segurança física e moral, comprovando sua idoneidade.
Mônica Delfraro David
Campinas, SP

 

Roberto Pompeu de Toledo

Perfeito sob todos os aspectos o ensaio "O inimigo que nem o Bope encara" (24 de outubro), de Roberto Pompeu de Toledo. O Brasil, por meio de seus órgãos de governo, deveria buscar o abrandamento do problema das drogas com base nas idéias elaboradas pelo ensaísta, que trariam muito mais benefícios ao país do que almejar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU.
Mario A. Guedes
Petrópolis, RJ

O último ensaio de Roberto Pompeu de Toledo é perfeito. O problema das drogas é, em parte, fruto da maciça influência da cultura americana (no seu lado negativo, é claro) que nosso país sofreu nas últimas décadas. Talvez a opção de combater o tráfico pelo lado da oferta seja feita porque é do lado da demanda que estão os ricos e poderosos, que ganham com o tráfico.
João da Mata Correia dos Santos
Ananindeua, PA

Acho que a solução civilizada seria discutir, sem hipocrisia nem cinismo, a descriminalização das drogas com leis que regulamentem a comercialização, dêem empregos formais e arrecadem impostos para que o estado possa investir no controle das vendas e no tratamento dos viciados. Alguém acredita que conseguiremos vencer essa batalha selvagemente, trocando tiros no meio da população, abatendo inocentes? Vai ser difícil, porque os barões do tráfico, infiltrados principalmente nos altos estratos da sociedade, vão perder muito com isso.
Manoel Ambrósio de Oliveira
Uberlândia, MG

Os jovens brasileiros foram incitados nas últimas décadas, velada e explicitamente, pelos mais diversos meios, ao uso de drogas. Lentamente, criou-se um monstro que hoje, das mais variadas formas, avança sobre nós. Está na hora de sermos mais explícitos e deixarmos claro que, assim como o roubo de um rádio de carro só ocorre porque existe o receptador, o tráfico de drogas não existiria sem consumidores. Se estes são "doentes", devem ser tratados, mas o que não pode é uma nação inteira ficar refém, com medo de dizer não às drogas. Parabéns, Toledo, por abordar esse tema.
Abdo Farret Neto
Natal, RN

 

Neville Isdell

Muito a calhar a entrevista às páginas amarelas do senhor Neville Isdell (24 de outubro), manda-chuva da gigante dos refrigerantes Coca-Cola. Já era tempo de alguém como ele, graduado nesse mercado tão cercado de segredos, mistérios e lendas, confessar algumas verdades ao grande público e jogar mais limpo. Admitir que o refrigerante não é comercializado como algo saudável, mas como um produto apenas excitante aos olhos e ao paladar, pouco interessando o seu conteúdo, já é um bom começo na direção de consumidores mais conscientes e de fabricantes menos insensíveis ao apelo do ecologicamente correto. Cabe a cada um de nós decidir sobre o que ingere, desde que sejamos suficientemente informados a respeito. Às cegas é que não dá.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

Infelizmente, até na leitura despretensiosa da entrevista de um irlandês que trabalha nos Estados Unidos encontramos informações que nos chateiam, causam baixo-astral e nos envergonham: nossos deputados – eles de novo, confesso que não sabia dessa – queriam saber a fórmula da Coca-Cola. O presidente da Coca-Cola disse que acabou prevalecendo o bom senso. Acredito, mas não revelou nem lhe perguntaram "quantas Coca-Colas custaram à empresa" para que os deputados brasileiros chegassem ao bom senso. Estou longe, muito longe, de pertencer à geração Coca-Cola, mas, entre a Coca-Cola e os deputados, saiam, deputados!
Luis Carlos Barelli
Itápolis, SP

 

Obras superfaturadas

Indignação, nojo, revolta são os sentimentos que tomam conta da gente com a leitura da Carta ao leitor "O outro desastre" (24 de outubro) e da reportagem "Fraude de 500 milhões de reais" (24 de outubro). O "outro desastre" simplesmente não ocorreria se as empreiteiras comprovadamente envolvidas em corrupção em obras públicas fossem impedidas de participar de novas licitações. Que bem isso faria ao Brasil! Entretanto, pergunto: interessa a esse Congresso votar e aprovar uma lei nesse sentido? Até quando a sociedade brasileira ficará inerte diante desses descalabros?
Luiz Carlos H. de Souza
Por e-mail

Em tempo de votação da CPMF, deparamos novamente com uma fraude milionária. Mais uma vez, ataca-se o efeito e não a causa do problema. Está claro que um governo que não sabe planejar, monitorar nem controlar seus programas, projetos e ações oferece um prato cheio a espertalhões e bandidos. Para melhorar, basta analisarmos como algumas das 100 maiores empresas brasileiras conduzem suas atividades para nos darmos conta de que existem soluções simples e eficazes que podem ser implantadas no âmbito federal. Esse é o choque de gestão de que o Brasil precisa.
Rodrigo Otávio Alves da Silveira
Brasília, DF

A história se repete: as empreiteiras financiam as campanhas políticas, os cupinchas dos candidatos eleitos nomeados para cargos estratégicos propiciam a compensação do "investimento" e o povo paga a conta, com dinheiro ou com a própria vida. Essa libertinagem entre empresários e o Poder Executivo, que sempre tem algum parlamentar como alcoviteiro, parece não ter fim.
Adalberto Alves de Matos
Barra do Garças, MT

O que causa maior indignação é saber que as empreiteiras envolvidas são as mesmas de sempre, que continuam ganhando novos contratos, crescendo e perpetuando as falcatruas à custa do dinheiro dos contribuintes. Mesmo com o extraordinário aparato anticorrupção citado na reportagem, enquanto tais empresas não forem definitivamente banidas das obras públicas os contribuintes brasileiros continuarão a alimentar esses insaciáveis empreiteiros desonestos.
Luiz Fernando Silva

Salvador, BA

Triste é verificar que estamos cercados de corrupção. No entanto, a população é conivente com isso. De certa forma, o brasileiro aceita os modos de corrupção não tão "escandalosos", mas que constituem prática igualmente deplorável. Se queremos conviver em um ambiente digno, devemos antes de tudo avaliar se todos os nossos atos são permeados por dignidade.
Luiz Eduardo Silva Daniele
São Paulo, SP

Até quando nós, brasileiros e trabalhadores honestos, teremos de conviver com essa vergonha nacional? A Justiça brasileira, que tem pessoas íntegras, precisa tomar providências e punir exemplarmente toda essa quadrilha de corruptos que infestam o serviço público, seqüestrando seus bens e colocando-os atrás das grades. Temos de eliminar esse câncer praticando a eutanásia moral. Basta de impunidade!
Reginaldo Barbosa Gonçalves
João Pessoa, PB

A reportagem publicada por VEJA na edição desta semana sob o título "Fraude de 500 milhões de reais" faz uma menção errônea à Ductor como uma das empreiteiras do Aeroporto Santos Dumont. A direção da empresa esclarece, contudo, que a Ductor não é nem nunca foi empreiteira e, portanto, não atua na construção de nenhum tipo de obra, pública ou privada. No caso das obras do Aeroporto Santos Dumont, a empresa atuou em consórcio com outra companhia para realizar apenas os serviços de supervisão técnica da obra.
Antonio Carlos Caio da Silva
Presidente da Ductor
Por e-mail

Não temos nenhuma participação na construção das obras e tão-somente como empresa notoriamente de consultoria de engenharia damos apoio à Infraero na fiscalização das obras.
Mauro Viegas Filho
Presidente da Concremat – Engenharia e Tecnologia S.A.
Por e-mail

 

Redução do estômago

Li a reportagem "Não existe solução mágica" (24 de outubro), sobre cirurgia de redução do estômago, e vi que é verdadeira. Mas graças a Deus essa realidade de fazer a cirurgia, emagrecer e voltar a engordar não aconteceu comigo. Eu pesava 185 quilos. Operei há quatro anos e emagreci 103 quilos. Não engordei mais. Mas, quando percebo que a minha saia aperta (nem que seja um pouquinho), eu paro de comer as guloseimas que engordam demais. Quando subo na balança e vejo que aumentei 500 gramas, já volto a comer diet, fujo dos doces e salgadinhos. É difícil, mas a única solução é controlar a boca, ou seja, parar de comer.
Denise Santana

Brasília, DF

 

Escolas de medicina

Tomamos conhecimento por meio da coluna Radar (24 de outubro) da criação de uma comissão conjunta do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, que finaliza um estudo sobre a qualidade do ensino oferecido pelas faculdades particulares de medicina do país. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), através desta presidência, muito preocupado com a importância do assunto, vem externar o nosso apoio a essa iniciativa de vistoria e possível fechamento de escolas de medicina que não apresentam ensino de boa avaliação. Achamos interessante estender essa atitude às residências de oftalmologia e para tanto colocamos à disposição dos ministérios todo o apoio do corpo técnico do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Não poderíamos deixar de destacar o espaço importante dado por essa revista à educação e à saúde, uma vez que temos trabalhado arduamente para que esses setores cumpram sua função. Hamilton Moreira
Presidente do CBO
Homero Gusmão
Vice-presidente do CBO
Brasília, DF

Já era tempo de alguém se preocupar com a formação dos médicos! Acho que eles deveriam fazer uma prova do tipo da OAB e testes periódicos para exercer a profissão. Hoje, com a informação farta da mídia, alguns pacientes chegam a questionar certos diagnósticos de seu médico.
Aldo A. Leite
Florianópolis, SC

 

Entretenimento

Há um erro na reportagem "A vingança dos nerds" (24 de outubro). The Sims não é um simulador de cidades, e sim um simulador de vida. O simulador em que se administram cidades é o SimCity, criado também por Will Wright. Para maiores detalhes, entre no site da Electronic Arts: http://www.brasil.ea.com/.
Carlos Eduardo Pinheiro
São Joaquim da Barra, SP

 

CORREÇÃO: O endereço correto do site Voudemochila é www.voudemochila.com.br ("Com a palavra, os mochileiros", Guia, 17 de outubro).

 

 

 

VIUVINHAS DO CHE

As câmaras de vereadores de Diadema e São José do Rio Preto, em São Paulo, e da gaúcha Cachoeira do Sul vivem um momento de grande ócio. Não tendo os três municípios nenhum problema sério a demandar a atenção dos nobres edis locais, eles se reuniram em sessão para aprovar moções de "repúdio" (Diadema e São José do Rio Preto) e de "contrariedade" (Cachoeira do Sul) contra a reportagem de capa que tratou do mito e da farsa Che Guevara (3 de outubro). Para a vereadora do ABCD paulista Irene dos Santos, "é sintomático do estado de coisas vigentes em nosso continente que a direita ataque de forma tão desclassificada a memória de Che". Sua colega gaúcha, Dina Marilu Machado Almeida, achou a matéria "caluniosa e pejorativa, que deturpa a história do revolucionário Ernesto Guevara Linche de La Serna". Em Rio Preto, o petista João Paulo Rillo e o psolista Pedro Roberto Gomes consideram que o "grupo a qual (sic) pertence esta revista seria com certeza combatido por Che". Pronto. Aí está o registro da revolta dos nobres representantes do povo. Agora, ao trabalho, senhores vereadores, que o eleitor está de olho.

 

A FEIRA DO DANTE ALIGHIERI

No sábado passado, aconteceu pelo sétimo ano a feira de tecnologia D@nte Digit@l, do Colégio Dante Alighieri. "O tema da feira sempre faz referência a um assunto importante que está em discussão na sociedade", diz Luiz Cesar Tunas, do departamento de comunicação do colégio. "Neste ano, a inspiração para a coordenadora do departamento de tecnologia educacional, professora Valdenice Minatel M. de Cerqueira, foi a edição de VEJA, de 30 de dezembro de 2006, que trouxe como matéria de capa o "Alerta global – 7 megassoluções para o megaproblema ambiental". A partir disso, o colégio elegeu o tema "Planeta Terra: microssoluções e muitas ações", com destaque para a questão da sustentabilidade. "É a revista VEJA nos ajudando a pensar um mundo melhor", afirma Tunas. A feira deste ano contou com atrações como a interação entre os robôs Mike (criado por alunos da FEI) e Mafalda (desenvolvido por alunos da oficina de robótica do Dante). Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site http://www.colegiodante.com.br/ dantedigital/intro.htm.

 

O SUCATEIRO PROTESTA


O leitor Luciano Quintão envia a foto que tirou na cidade de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais, que mostra uma forma de protesto original encontrada por um comprador de material para reciclagem. Não dá nem cadeia?, pergunta o cartaz, fazendo referência a alguns dos casos recentes de corrupção, do juiz Lalau à máfia das ambulâncias. Veja na foto o protesto do sucateiro.

 

JUIZADOS ESPECIAIS

O leitor José Henrique Arantes Theodoro, de Santos, escreve para dizer que a Lei nº 9099/95 "proíbe os juizados especiais de julgar, por exemplo, casos que se refiram à matrícula de aluno em escola pública ou ao atendimento de doentes em hospitais não particulares". A leitora Carine Nassri, de Ilhéus, fala sobre a mesma lei e faz o mesmo alerta, informando que, nos juizados especiais, "as pessoas jurídicas de direito público" não podem ser parte em causas analisadas por juizados especiais. Isso significaria que, ao contrário da tese da coluna de André Petry ("Dane-se a rabacuada", 17 de outubro), as escolas e os hospitais públicos não poderiam ter juizados especiais como os instalados recentemente nos aeroportos, que trataram de questões ligadas às empresas aéreas, todas elas privadas. De fato, a lei faz a restrição mencionada pelos leitores. Há, no entanto, uma questão que escapou a eles: a lei dispõe sobre os juizados especiais apenas no âmbito da Justiça estadual, proibindo, portanto, assuntos "de interesse da Fazenda Pública" dos estados e municípios. Outra lei, a nº 10259/2001, trata dos juizados especiais do âmbito da Justiça Federal, e, nesse caso, os assuntos referentes à Fazenda Pública são autorizados. Ou seja: os juizados especiais podem ser instalados para cuidar de assuntos relacionados a escolas e hospitais públicos, desde que federais. Por que a diferença entre as duas leis? Uma permitindo que os juizados analisem causas que envolvam dinheiro público (no caso da União) e a outra proibindo-os de fazê-lo (no caso do estado ou do município)? "Em 1995, os juizados especiais estaduais eram uma iniciativa pioneira, e o legislador, talvez por cautela, decidiu excluir causas de interesse da Fazenda Pública. Mas, em 2001, data da lei sobre os juizados especiais federais, já havia uma experiência bastante positiva e se avaliou que a competência dos juizados deveria ser mais ampla", diz o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). "Instituir juizados especiais nas escolas e hospitais públicos, locais onde desfila, lamentavelmente, uma legião enorme de pessoas vulneráveis e desprotegidas, é uma idéia brilhante. Esse tipo de reflexão precisa ser feito. A lei de 1995 poderia incorporar essa conquista e ampliar a competência dos juizados especiais estaduais", diz Mello.

 




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