"Entre a
inércia dos céticos e o zelo dos ortodoxos, as gerações
futuras herdarão um planeta melhor se ouvirmos os conselhos
dos segundos." Vanessa C. Santos Petrópolis, RJ
Aquecimento
global
Parabéns
a Okky de Souza e a Vanessa Vieira, que conseguiram mostrar
as verdades e mentiras sobre o que de fato está ocorrendo
com o planeta azul. A reportagem "S.O.S. Terra" (24 de outubro)
nos mostra que só teremos êxito nessa batalha
se superarmos, primeiramente, nosso problema de intolerância
social e trabalharmos juntos. Francisco Hyppolito Neto
Mogi Guaçu, SP
De extrema importância
a indicação de soluções mais e
menos radicais para salvar o planeta. O aumento desenfreado
da população é visivelmente sua sentença
de morte. Durante séculos estamos consumindo todos
os recursos naturais esgotáveis, como gafanhotos gigantes,
e nos reproduzindo como coelhos. Somente nós podemos
salvar nossa espécie e as outras que restam. Beatriz Volpe
Valinhos, SP
Mais uma vez VEJA
demonstra preocupação com as questões
ambientais e cumpre sua função informativa com
responsabilidade e eficiência, oferecendo a seus leitores
a oportunidade de conhecimento do que está ocorrendo
e do que pode ocorrer com o nosso planeta. Preocupado também
com os grandes impactos causados ao meio ambiente por nós,
resolvi implementar na minha cidade um projeto que visa a
substituir as sacolas plásticas de supermercados por
sacolas ecológicas, que, além de não
contribuírem para a poluição do planeta,
são cômodas, resistentes, espaçosas e
chiques. Faça também a sua parte! Gustavo Casado Consultor ambiental
Maceió, AL
A formação
da consciência ambiental acabou gerando neste século,
depois de muito debate, o surgimento de dois grupos: os céticos
e os alarmistas. Em qual lado do muro você vai ficar?
Essa é a pergunta que a reportagem deixa para nós,
leitores de VEJA e habitantes do planeta Terra. Continua sendo
árdua a tarefa de criar a consciência ambiental
nas pessoas, pois o mais cômodo, sempre, é fazer
como todo mundo faz, comprometendo o ambiente. Como professor
de geografia e ambientalista por necessidade e convicção,
acredito na idéia do ambiente equilibrado, com o mínimo
possível de riscos para as gerações futuras.
Não é admissível que deixemos um ambiente
pior do que aquele que recebemos de nossos antecessores. Atos
simples podem fazer a diferença, por mais que eles
atentem contra o chamado pseudoprogresso da humanidade. Maxwell Cavalcante Silva
Natal, RN
O risco existe
à medida que a população mundial cresce
descontroladamente, em detrimento de um meio ambiente estável.
A emissão de gases poluentes, por exemplo, deve ser
revista. Mas o controle da natalidade também deve ser
revisto. Isso é determinante. Al Gore exagera quando
vaticina que o nível dos oceanos aumentará 6
metros e Bjorn Lomborg é mais realista quando diz que
estamos assustados demais. A exploração inconseqüente
da riqueza animal dos oceanos e rios, a fúria da indústria
madeireira nas florestas e a exploração desmesurada
das mineradoras no seio das florestas são fatores que
precisam de uma fiscalização muito mais rígida
que a atual. Mas a matéria de VEJA sobre o assunto
chega em ótimo momento, não há dúvida. Djalma Alves Gomes
Salvador, BA
Cabe citar o fantástico
trabalho desenvolvido por rotarianos de todo o mundo, antes
até mesmo da Eco 92, da Agenda 21 dela decorrente e
do Protocolo de Kyoto. Em 1990, o brasileiro Paulo Viriato
Corrêa da Costa, natural de Santos, presidente do Rotary
International, lançou um programa ecológico
denominado Preserve o Planeta Terra, que recebeu o apoio incondicional
de rotarianos espalhados por todo o mundo. A idéia
inicial, bastante simples, era que cada rotariano (mais de
1,15 milhão à época) plantasse uma árvore,
que simbolizasse o comprometimento da entidade e de seus associados
com a preservação do meio ambiente. O resultado
foi, no mínimo, animador: só no primeiro ano
de existência do programa, plantaram-se mais de 33 milhões
de árvores ao redor do mundo, realizaram-se quatro
seminários sobre meio ambiente e iniciaram-se milhares
de projetos voltados para a ecologia. Em 1992, foi criada
a Maratona Ecológica, simbolizada por um troféu
itinerante que durante cinco anos circulou por todas as Américas,
esteve na Antártica e chegou à Sibéria,
envolvendo milhares de unidades rotárias em projetos
ambientais. Mais informações podem ser obtidas
no site www.paulovccosta.com.br. Liliana R. Diegues Rodriguez
Santos, SP
Embora a situação
propagada por Al Gore possa parecer alarmista, não
restam dúvidas de que medidas urgentes precisam ser
tomadas. Somente a união da sociedade do primeiro,
do segundo e do terceiro setor poderá minimizar
o impacto da destruição da natureza. José Zulmar Lopes
São Paulo, SP
O ex-vice americano
presta um enorme serviço à humanidade ao se
dedicar com tanta ênfase ao esclarecimento dos problemas
relativos ao aquecimento global. Nós, que vivemos neste
planeta, precisávamos de uma figura de respeito, íntegra,
honesta e inteligente para fazer esse alerta. O Prêmio
Nobel da Paz foi muito merecido. Washington Luiz Neves Santos
Santa Maria, RS
Renan Calheiros
O senador Renan
Calheiros, por estar apenas temporariamente afastado, continua
pairando sobre as decisões do Senado como uma sombra
malévola, ensejando conchavos entre seus correligionários
para "sair-se bem" das acusações que pesam sobre
ele. Meus cumprimentos a VEJA por prosseguir divulgando essas
tristes maquinações dos bastidores da política,
para que seus leitores e a sociedade em geral, indignados
com tal estado de coisas, se posicionem, exigindo ética
do Senado Federal ("O morto-vivo", 24 de outubro). Francisco Souto Neto
Curitiba, PR
Quero felicitá-los
pela seqüência de reportagens esclarecedoras sobre
o caso Renan. Refletindo sobre o desfecho atual, gostaria
de expor os seguintes comentários aos demais leitores:
em um exercício de imaginação, proponho
a todos que se transportem ao dia seguinte à primeira
denúncia contra o senador Renan Calheiros e leiam o
texto em que ele, agora, anuncia o afastamento da presidência.
Percebam que, naquele instante, seria uma atitude honrada,
digna de respeito à instituição que presidia
e ao povo brasileiro. Interromperia, contudo, a seqüência
de investigações que desvendaria uma série
de ilícitos praticados por ele ao longo do tempo. Voltando
ao presente, o texto realça seu cinismo e desfaçatez.
Ou seja, ao senador Renan faltam inúmeras virtudes
e até inteligência. Mas o que me interessa, agora,
é a postura dos ditos éticos do Senado. Jorge A.N. Guimarães
Recife, PE
Fico indignada,
e ao mesmo tempo aliviada, com o pedido de afastamento do
senador (que disse que seria necessário sujar as mãos
para tirá-lo da presidência). Talvez ele estivesse
se referindo ao médico que lhe forneceu o atestado,
sobre cuja veracidade todos têm dúvida. Afinal,
que doenças o médico verificou no senador? É
possível que o atestado seja divulgado e se saiba pelo
menos o nome do profissional? O povo pode questionar sua validade? Márcia Regina Sillman Hergert
Limeira, SP
As causas da
violência no Brasil
Lendo a reportagem
"Duas questões fora do foco" (24 de outubro), lembrei-me
de que a situação piorou, e muito, depois que
se deixou de considerar o viciado um criminoso. Precisamos
repensar esse aspecto: voltar a considerar o viciado um criminoso,
com prisão, porque sem o viciado não existe
o tráfico, assim como não existe o roubo sem
o receptador. Devemos apenar, com maior rigor, tanto o viciado
quanto o receptador. Braz Ferraz Carlomanho Piracicaba, SP
O combate ao tráfico
nos morros do Rio de Janeiro não surtirá efeito
se a flecha da ação da polícia não
se inverter. O importante é descer os morros e prender
os financiadores do tráfico residentes em Copacabana,
Leblon, Ipanema e Barra da Tijuca. É essencial, por
outro lado, que as autoridades governamentais entendam que
o emprego do Exército tem mais sentido nas fronteiras
do que nos morros. Manoel de Jesus Moreira Bastos
São Luís, MA
O filme Tropa
de Elite só não mostra uma coisa, que é
a causa da truculência policial: a ineficiência
do sistema penal. Se os policiais tivessem o apoio de autoridades
sérias, não precisariam "matar ou morrer". Parece
óbvio que não adianta entregar bandidos perigosos
à Justiça, porque as leis são frouxas.
Mas não é óbvio para a esquerda, que
pede calma quando se fala em mudar as leis, nem para os estrangeiros
que verão o filme. A ONU e a Anistia Internacional
continuarão dizendo que a violência no Brasil
é culpa da polícia. Milena Cardoso Costa Porto Alegre, RS
Júlio
Lancellotti
O delito de extorsão,
como qualquer outro crime, precisa ser investigado e, comprovada
a sua prática, os responsáveis devem ser devidamente
julgados e condenados. No entanto, a reportagem "O padre e
o moço" (24 de outubro) deixou de tratar de uma questão
importante, que, não obstante a dor e o sofrimento
aos quais foi submetido o padre pelos seus algozes, deve ser
objeto de esclarecimento: a origem do dinheiro pago aos extorsionários.
Essa questão ganha ainda mais peso ao se considerar
que o padre tem sob a sua gestão organizações
não-governamentais conveniadas com pessoas jurídicas
de direito público e que movimentam somas consideráveis. Roberto Izidorio Pereira
São Paulo, SP
Parabéns,
mas parabéns mesmo a VEJA pelo destaque dado ao caso
do padre Lancellotti. Foi a única revista a tratar
o assunto como devia, mostrando o lado negativo da ação
do padre, com relação aos benefícios
concedidos por ele a um delinqüente com o qual certamente
manteve relações íntimas. Outros órgãos
desafiaram a paciência e a inteligência de seus
leitores ao procurar colocar o padre como vítima chantageada.
Parabéns também a Diogo Mainardi, que em sua
crônica semanal mostrou que o padre Lancellotti ofereceu
ao bandido que ajudava o aluguel de uma casa, uma bicicleta,
uma moto, um terreno e uma Mitsubishi Pajero, além
de ter mentido sobre a origem de seus rendimentos. Milton Moreira
São Paulo, SP
Infelizmente, faltou
ao padre Lancellotti interpretar corretamente as palavras
do Senhor no Sermão da Montanha: "Não
deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos
porcos as vossas pérolas, para que não suceda
que eles lhes ponham os pés em cima e, tornando-se
contra vós, vos despedacem" (Mateus, 7.6). Gilberto Dib
São Paulo, SP
Fiquei impressionado
quando li a reportagem. Quem diria? O senhor Lancellotti,
sempre defendendo com unhas e dentes delinqüentes que
destroem famílias inteiras com crimes bárbaros,
falando sempre em seus direitos humanos. Luiz Buzetti Filho
Paranaíba, MS
Assim que acabei
de ler a reportagem sobre a extorsão que o padre Júlio
Lancellotti sofreu, lembrei-me daquela historinha em que a
menina chega para a mãe e diz que foi estuprada. Quando
a mãe, muito assustada, lhe pergunta quando, ela responde:
na semana retrasada, na semana passada, ontem, hoje e amanhã
às 19 horas. Maria Clara Rubira Garbin
São Caetano do Sul, SP
Diogo Mainardi
Sempre começo
a ler VEJA pela coluna de Diogo Mainardi. Desta vez ele se
superou comentando sobre o padre Júlio Lancellotti
("A Pastoral da Pajero", 24 de outubro). Deixo inicialmente
claro que sou católico praticante, respeito muito os
sacerdotes. Mas, com relação ao referido padre,
sempre achei exageradas suas atitudes diante de bandidos e
assassinos, especialmente aqueles menores de 18 anos que,
somente no Brasil (e em mais três países), têm
direito de matar e roubar impunemente. Desta vez alguma coisa
está mostrando o lado real. Fica difícil, para
nós católicos, entender a atitude do sacerdote.
Pagar 50.000 reais a um criminoso apenas pela "tentativa de
recuperá-lo para a sociedade" mostra que alguma coisa
realmente não está batendo (é muito dinheiro,
considerando seus rendimentos). Plínio Zabeu
Americana, SP
Procurei ler com
muito cuidado as notícias que saíram a respeito
do padre Lancellotti e em especial a coluna de Diogo Mainardi,
mas não entendi por que o padre financiou o bandido.
Há alguma coisa que, quanto mais ele se explica, mais
complicada fica. É o caso do padre, que, na palavra
do presidente Lula, "cuida melhor das crianças do que
qualquer aparelho do estado". No episódio, o padre
cuidou de uma "criança" em especial. Vai ter de se
explicar. Izabel Avallone
Alto da Boa Vista, SP
O padre Júlio,
na minha maneira de enxergar a situação, se
declara culpado a partir do momento em que cede às
chantagens. Poderia desde o início, se inocente fosse,
recorrer à polícia, à OAB, ao Ministério
Público, à Igreja e até aos fiéis
de sua paróquia para elucidar a situação.
Tenho certeza de que em algum lugar ele acharia respaldo para
garantir sua segurança física e moral, comprovando
sua idoneidade. Mônica Delfraro David
Campinas, SP
Roberto Pompeu
de Toledo
Perfeito sob todos
os aspectos o ensaio "O inimigo que nem o Bope encara" (24
de outubro), de Roberto Pompeu de Toledo. O Brasil, por meio
de seus órgãos de governo, deveria buscar o
abrandamento do problema das drogas com base nas idéias
elaboradas pelo ensaísta, que trariam muito mais benefícios
ao país do que almejar uma cadeira no Conselho de Segurança
da ONU. Mario A. Guedes
Petrópolis, RJ
O último
ensaio de Roberto Pompeu de Toledo é perfeito. O problema
das drogas é, em parte, fruto da maciça influência
da cultura americana (no seu lado negativo, é claro)
que nosso país sofreu nas últimas décadas.
Talvez a opção de combater o tráfico
pelo lado da oferta seja feita porque é do lado da
demanda que estão os ricos e poderosos, que ganham
com o tráfico. João da Mata Correia dos Santos
Ananindeua, PA
Acho que a solução
civilizada seria discutir, sem hipocrisia nem cinismo, a descriminalização
das drogas com leis que regulamentem a comercialização,
dêem empregos formais e arrecadem impostos para que
o estado possa investir no controle das vendas e no tratamento
dos viciados. Alguém acredita que conseguiremos vencer
essa batalha selvagemente, trocando tiros no meio da população,
abatendo inocentes? Vai ser difícil, porque os barões
do tráfico, infiltrados principalmente nos altos estratos
da sociedade, vão perder muito com isso. Manoel Ambrósio de Oliveira
Uberlândia, MG
Os jovens brasileiros
foram incitados nas últimas décadas, velada
e explicitamente, pelos mais diversos meios, ao uso de drogas.
Lentamente, criou-se um monstro que hoje, das mais variadas
formas, avança sobre nós. Está na hora
de sermos mais explícitos e deixarmos claro que, assim
como o roubo de um rádio de carro só ocorre
porque existe o receptador, o tráfico de drogas não
existiria sem consumidores. Se estes são "doentes",
devem ser tratados, mas o que não pode é uma
nação inteira ficar refém, com medo de
dizer não às drogas. Parabéns, Toledo,
por abordar esse tema. Abdo Farret Neto
Natal, RN
Neville Isdell
Muito a calhar
a entrevista às páginas amarelas do senhor Neville
Isdell (24 de outubro), manda-chuva da gigante dos refrigerantes
Coca-Cola. Já era tempo de alguém como ele,
graduado nesse mercado tão cercado de segredos, mistérios
e lendas, confessar algumas verdades ao grande público
e jogar mais limpo. Admitir que o refrigerante não
é comercializado como algo saudável, mas como
um produto apenas excitante aos olhos e ao paladar, pouco
interessando o seu conteúdo, já é um
bom começo na direção de consumidores
mais conscientes e de fabricantes menos insensíveis
ao apelo do ecologicamente correto. Cabe a cada um de nós
decidir sobre o que ingere, desde que sejamos suficientemente
informados a respeito. Às cegas é que não
dá. Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE
Infelizmente, até
na leitura despretensiosa da entrevista de um irlandês
que trabalha nos Estados Unidos encontramos informações
que nos chateiam, causam baixo-astral e nos envergonham: nossos
deputados eles de novo, confesso que não sabia
dessa queriam saber a fórmula da Coca-Cola.
O presidente da Coca-Cola disse que acabou prevalecendo o
bom senso. Acredito, mas não revelou nem lhe perguntaram
"quantas Coca-Colas custaram à empresa" para que os
deputados brasileiros chegassem ao bom senso. Estou longe,
muito longe, de pertencer à geração Coca-Cola,
mas, entre a Coca-Cola e os deputados, saiam, deputados! Luis Carlos Barelli
Itápolis, SP
Obras superfaturadas
Indignação,
nojo, revolta são os sentimentos que tomam conta da
gente com a leitura da Carta ao leitor "O outro desastre"
(24 de outubro) e da reportagem "Fraude de 500 milhões
de reais" (24 de outubro). O "outro desastre" simplesmente
não ocorreria se as empreiteiras comprovadamente envolvidas
em corrupção em obras públicas fossem
impedidas de participar de novas licitações.
Que bem isso faria ao Brasil! Entretanto, pergunto: interessa
a esse Congresso votar e aprovar uma lei nesse sentido? Até
quando a sociedade brasileira ficará inerte diante
desses descalabros? Luiz Carlos H. de Souza Por e-mail
Em tempo de votação
da CPMF, deparamos novamente com uma fraude milionária.
Mais uma vez, ataca-se o efeito e não a causa do problema.
Está claro que um governo que não sabe planejar,
monitorar nem controlar seus programas, projetos e ações
oferece um prato cheio a espertalhões e bandidos. Para
melhorar, basta analisarmos como algumas das 100 maiores empresas
brasileiras conduzem suas atividades para nos darmos conta
de que existem soluções simples e eficazes que
podem ser implantadas no âmbito federal. Esse é
o choque de gestão de que o Brasil precisa. Rodrigo Otávio
Alves da Silveira Brasília, DF
A história
se repete: as empreiteiras financiam as campanhas políticas,
os cupinchas dos candidatos eleitos nomeados para cargos estratégicos
propiciam a compensação do "investimento" e
o povo paga a conta, com dinheiro ou com a própria
vida. Essa libertinagem entre empresários e o Poder
Executivo, que sempre tem algum parlamentar como alcoviteiro,
parece não ter fim. Adalberto Alves de
Matos Barra do Garças, MT
O que causa maior
indignação é saber que as empreiteiras
envolvidas são as mesmas de sempre, que continuam ganhando
novos contratos, crescendo e perpetuando as falcatruas à
custa do dinheiro dos contribuintes. Mesmo com o extraordinário
aparato anticorrupção citado na reportagem,
enquanto tais empresas não forem definitivamente banidas
das obras públicas os contribuintes brasileiros continuarão
a alimentar esses insaciáveis empreiteiros desonestos.
Luiz Fernando Silva Salvador, BA
Triste é
verificar que estamos cercados de corrupção.
No entanto, a população é conivente com
isso. De certa forma, o brasileiro aceita os modos de corrupção
não tão "escandalosos", mas que constituem prática
igualmente deplorável. Se queremos conviver em um ambiente
digno, devemos antes de tudo avaliar se todos os nossos atos
são permeados por dignidade. Luiz Eduardo Silva Daniele São Paulo, SP
Até quando
nós, brasileiros e trabalhadores honestos, teremos
de conviver com essa vergonha nacional? A Justiça brasileira,
que tem pessoas íntegras, precisa tomar providências
e punir exemplarmente toda essa quadrilha de corruptos que
infestam o serviço público, seqüestrando
seus bens e colocando-os atrás das grades. Temos de
eliminar esse câncer praticando a eutanásia moral.
Basta de impunidade! Reginaldo Barbosa Gonçalves João Pessoa, PB
A reportagem publicada
por VEJA na edição desta semana sob o título
"Fraude de 500 milhões de reais" faz uma menção
errônea à Ductor como uma das empreiteiras do
Aeroporto Santos Dumont. A direção da empresa
esclarece, contudo, que a Ductor não é nem nunca
foi empreiteira e, portanto, não atua na construção
de nenhum tipo de obra, pública ou privada. No caso
das obras do Aeroporto Santos Dumont, a empresa atuou em consórcio
com outra companhia para realizar apenas os serviços
de supervisão técnica da obra. Antonio Carlos Caio
da Silva Presidente da Ductor Por e-mail
Não temos
nenhuma participação na construção
das obras e tão-somente como empresa notoriamente de
consultoria de engenharia damos apoio à Infraero na
fiscalização das obras. Mauro Viegas Filho Presidente da Concremat
Engenharia e Tecnologia
S.A. Por e-mail
Redução
do estômago
Li a reportagem
"Não existe solução mágica" (24
de outubro), sobre cirurgia de redução do estômago,
e vi que é verdadeira. Mas graças a Deus essa
realidade de fazer a cirurgia, emagrecer e voltar a engordar
não aconteceu comigo. Eu pesava 185 quilos. Operei
há quatro anos e emagreci 103 quilos. Não engordei
mais. Mas, quando percebo que a minha saia aperta (nem que
seja um pouquinho), eu paro de comer as guloseimas que engordam
demais. Quando subo na balança e vejo que aumentei
500 gramas, já volto a comer diet, fujo dos doces e
salgadinhos. É difícil, mas a única solução
é controlar a boca, ou seja, parar de comer.
Denise Santana Brasília, DF
Escolas de
medicina
Tomamos conhecimento
por meio da coluna Radar (24 de outubro) da criação
de uma comissão conjunta do Ministério da Educação
e do Ministério da Saúde, que finaliza um estudo
sobre a qualidade do ensino oferecido pelas faculdades particulares
de medicina do país. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia
(CBO), através desta presidência, muito preocupado
com a importância do assunto, vem externar o nosso apoio
a essa iniciativa de vistoria e possível fechamento
de escolas de medicina que não apresentam ensino de
boa avaliação. Achamos interessante estender
essa atitude às residências de oftalmologia e
para tanto colocamos à disposição dos
ministérios todo o apoio do corpo técnico do
Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Não poderíamos
deixar de destacar o espaço importante dado por essa
revista à educação e à saúde,
uma vez que temos trabalhado arduamente para que esses setores
cumpram sua função. Hamilton Moreira Presidente do CBO Homero Gusmão Vice-presidente do CBO Brasília, DF
Já era tempo
de alguém se preocupar com a formação
dos médicos! Acho que eles deveriam fazer uma prova
do tipo da OAB e testes periódicos para exercer a profissão.
Hoje, com a informação farta da mídia,
alguns pacientes chegam a questionar certos diagnósticos
de seu médico. Aldo A. Leite Florianópolis, SC
Entretenimento
Há um erro
na reportagem "A vingança dos nerds" (24 de outubro).
TheSims não é um simulador de
cidades, e sim um simulador de vida. O simulador em que se
administram cidades é o SimCity, criado também
por Will Wright. Para maiores detalhes, entre no site da Electronic
Arts: http://www.brasil.ea.com/.
Carlos Eduardo Pinheiro
São Joaquim da Barra, SP
CORREÇÃO:O endereço correto do site Voudemochila é
www.voudemochila.com.br
("Com a palavra, os mochileiros", Guia, 17 de outubro).
VIUVINHAS DO CHE
As
câmaras de vereadores de Diadema e São
José do Rio Preto, em São Paulo, e da
gaúcha Cachoeira do Sul vivem um momento de grande
ócio. Não tendo os três municípios
nenhum problema sério a demandar a atenção
dos nobres edis locais, eles se reuniram em sessão
para aprovar moções de "repúdio"
(Diadema e São José do Rio Preto) e de
"contrariedade" (Cachoeira do Sul) contra a reportagem
de capa que tratou do mito e da farsa Che Guevara (3
de outubro). Para a vereadora do ABCD paulista Irene
dos Santos, "é sintomático do estado de
coisas vigentes em nosso continente que a direita ataque
de forma tão desclassificada a memória
de Che". Sua colega gaúcha, Dina Marilu Machado
Almeida, achou a matéria "caluniosa e pejorativa,
que deturpa a história do revolucionário
Ernesto Guevara Linche de La Serna". Em Rio Preto, o
petista João Paulo Rillo e o psolista Pedro Roberto
Gomes consideram que o "grupo a qual (sic) pertence
esta revista seria com certeza combatido por Che". Pronto.
Aí está o registro da revolta dos nobres
representantes do povo. Agora, ao trabalho, senhores
vereadores, que o eleitor está de olho.
A FEIRA DO DANTE ALIGHIERI
No
sábado passado, aconteceu pelo sétimo
ano a feira de tecnologia D@nte Digit@l, do Colégio
Dante Alighieri. "O tema da feira sempre faz referência
a um assunto importante que está em discussão
na sociedade", diz Luiz Cesar Tunas, do departamento
de comunicação do colégio. "Neste
ano, a inspiração para a coordenadora
do departamento de tecnologia educacional, professora
Valdenice Minatel M. de Cerqueira, foi a edição
de VEJA, de 30 de dezembro de 2006, que trouxe como
matéria de capa o "Alerta global 7 megassoluções
para o megaproblema ambiental". A partir disso, o colégio
elegeu o tema "Planeta Terra: microssoluções
e muitas ações", com destaque para a questão
da sustentabilidade. "É a revista VEJA nos ajudando
a pensar um mundo melhor", afirma Tunas. A feira deste
ano contou com atrações como a interação
entre os robôs Mike (criado por alunos da FEI)
e Mafalda (desenvolvido por alunos da oficina de robótica
do Dante). Mais informações sobre o evento
podem ser obtidas no site http://www.colegiodante.com.br/
dantedigital/intro.htm.
O SUCATEIRO PROTESTA
O leitor Luciano
Quintão envia a foto que tirou na cidade de Coronel
Fabriciano, em Minas Gerais, que mostra uma forma de
protesto original encontrada por um comprador de material
para reciclagem. Não dá nem cadeia?,
pergunta o cartaz, fazendo referência a alguns
dos casos recentes de corrupção, do juiz
Lalau à máfia das ambulâncias. Veja
na foto o protesto do sucateiro.
JUIZADOS ESPECIAIS
O
leitor José Henrique Arantes Theodoro, de Santos,
escreve para dizer que a Lei nº 9099/95
"proíbe os juizados especiais de julgar, por
exemplo, casos que se refiram à matrícula
de aluno em escola pública ou ao atendimento
de doentes em hospitais não particulares". A
leitora Carine Nassri, de Ilhéus, fala sobre
a mesma lei e faz o mesmo alerta, informando que, nos
juizados especiais, "as pessoas jurídicas de
direito público" não podem ser parte em
causas analisadas por juizados especiais. Isso significaria
que, ao contrário da tese da coluna de André
Petry ("Dane-se a rabacuada", 17 de outubro), as escolas
e os hospitais públicos não poderiam ter
juizados especiais como os instalados recentemente nos
aeroportos, que trataram de questões ligadas
às empresas aéreas, todas elas privadas.
De fato, a lei faz a restrição mencionada
pelos leitores. Há, no entanto, uma questão
que escapou a eles: a lei dispõe sobre os juizados
especiais apenas no âmbito da Justiça estadual,
proibindo, portanto, assuntos "de interesse da Fazenda
Pública" dos estados e municípios. Outra
lei, a nº 10259/2001, trata dos juizados especiais
do âmbito da Justiça Federal, e, nesse
caso, os assuntos referentes à Fazenda Pública
são autorizados. Ou seja: os juizados especiais
podem ser instalados para cuidar de assuntos relacionados
a escolas e hospitais públicos, desde que federais.
Por que a diferença entre as duas leis? Uma permitindo
que os juizados analisem causas que envolvam dinheiro
público (no caso da União) e a outra proibindo-os
de fazê-lo (no caso do estado ou do município)?
"Em 1995, os juizados especiais estaduais eram uma iniciativa
pioneira, e o legislador, talvez por cautela, decidiu
excluir causas de interesse da Fazenda Pública.
Mas, em 2001, data da lei sobre os juizados especiais
federais, já havia uma experiência bastante
positiva e se avaliou que a competência dos juizados
deveria ser mais ampla", diz o ministro Celso de Mello,
do Supremo Tribunal Federal (STF). "Instituir juizados
especiais nas escolas e hospitais públicos, locais
onde desfila, lamentavelmente, uma legião enorme
de pessoas vulneráveis e desprotegidas, é
uma idéia brilhante. Esse tipo de reflexão
precisa ser feito. A lei de 1995 poderia incorporar
essa conquista e ampliar a competência dos juizados
especiais estaduais", diz Mello.