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Carta ao leitor
Debaixo do capô
Divulgação
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| JK inaugura a fábrica
da Volks no ABC |
O
motor fica escondido debaixo do capô. Nunca é
visto. Mas sem ele o carro não sai do lugar. Interessante
paralelo pode ser feito com as reformas institucionais. No
fundo, elas são os motores que fazem os países
andar. A fotografia que ilustra esta página é
muito vista. Ela registra o gesto triunfal do presidente Juscelino
Kubitschek ao inaugurar a primeira fábrica de automóveis
no Brasil, em 1959, marco zero da industrialização
brasileira. Ninguém se lembra de que debaixo do capô
do triunfalismo juscelinista se acumulou uma dívida
pública que teria inviabilizado não apenas o
processo de industrialização mas todo o país,
caso ela não fosse atacada pelas reformas impopulares
e corajosas feitas anos mais tarde no governo Castello Branco.
Seus autores intelectuais
foram Octavio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos.
Pouca gente fora da profissão de economia sabe bem
o que a dupla Bulhões-Campos fez pelo Brasil. Fotos
deles raramente são vistas. Mas eles montaram o motor
institucional do país ao criar a Lei do Mercado de
Capitais, o Código de Minas, o Estatuto da Terra, um
eficiente Código Tributário e, como se isso
fosse pouco, o Banco Central.
Uma reportagem
desta edição de VEJA mostra que o Brasil de
2007 vive outro momento de euforia consumista em que, mais
uma vez, o carro é um de seus símbolos. Nunca
no Brasil se produziram e venderam tantos carros. A mesma
reportagem revela que o motor institucional que trouxe o país
até aqui e que ganhou octanagem extra nos anos
FHC com a entronização da estabilidade econômica
como uma conquista nacional não tem força
para impulsioná-lo muito mais longe, em especial quando
a bonança da economia mundial passar.
Para avançar
será preciso fazer novas reformas institucionais. O
ensino básico universalizado vai ter de ensinar para
valer. As leis trabalhistas não podem mais significar
a duplicação do custo da mão-de-obra.
A burocracia oficial não deve mais solapar o ganho
que as empresas obtêm em produtividade. Não é
mais admissível que os impostos e a infra-estrutura
podre de estradas e portos devorem as poucas vantagens comparativas
que os produtores brasileiros desfrutam no mercado internacional.
A hora de modernizar o motor institucional do Brasil é
agora, enquanto os bons ventos sopram.
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