BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2032

31 de outubro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Stephen Kanitz
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Carta ao leitor
Debaixo do capô

 
Divulgação
JK inaugura a fábrica da Volks no ABC

O motor fica escondido debaixo do capô. Nunca é visto. Mas sem ele o carro não sai do lugar. Interessante paralelo pode ser feito com as reformas institucionais. No fundo, elas são os motores que fazem os países andar. A fotografia que ilustra esta página é muito vista. Ela registra o gesto triunfal do presidente Juscelino Kubitschek ao inaugurar a primeira fábrica de automóveis no Brasil, em 1959, marco zero da industrialização brasileira. Ninguém se lembra de que debaixo do capô do triunfalismo juscelinista se acumulou uma dívida pública que teria inviabilizado não apenas o processo de industrialização mas todo o país, caso ela não fosse atacada pelas reformas impopulares e corajosas feitas anos mais tarde no governo Castello Branco.

Seus autores intelectuais foram Octavio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos. Pouca gente fora da profissão de economia sabe bem o que a dupla Bulhões-Campos fez pelo Brasil. Fotos deles raramente são vistas. Mas eles montaram o motor institucional do país ao criar a Lei do Mercado de Capitais, o Código de Minas, o Estatuto da Terra, um eficiente Código Tributário e, como se isso fosse pouco, o Banco Central.

Uma reportagem desta edição de VEJA mostra que o Brasil de 2007 vive outro momento de euforia consumista em que, mais uma vez, o carro é um de seus símbolos. Nunca no Brasil se produziram e venderam tantos carros. A mesma reportagem revela que o motor institucional que trouxe o país até aqui – e que ganhou octanagem extra nos anos FHC com a entronização da estabilidade econômica como uma conquista nacional – não tem força para impulsioná-lo muito mais longe, em especial quando a bonança da economia mundial passar.

Para avançar será preciso fazer novas reformas institucionais. O ensino básico universalizado vai ter de ensinar para valer. As leis trabalhistas não podem mais significar a duplicação do custo da mão-de-obra. A burocracia oficial não deve mais solapar o ganho que as empresas obtêm em produtividade. Não é mais admissível que os impostos e a infra-estrutura podre de estradas e portos devorem as poucas vantagens comparativas que os produtores brasileiros desfrutam no mercado internacional. A hora de modernizar o motor institucional do Brasil é agora, enquanto os bons ventos sopram.


  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |