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DVD
Coleção
O Poderoso Chefão (Paramount) Para quem é
fã da série (e é difícil achar quem não
seja), é quase um sonho: os três episódios de O
Poderoso Chefão juntos numa caixa, com direito a comentários
do diretor Francis Ford Coppola e a um disco repleto de atrações
extras que incluem desde o inevitável making of até
dezenas de cenas inéditas, algumas delas maravilhosas. O certo,
porém, é começar pelos filmes e assistir em seqüência
à saga da família mafiosa Corleone, fundada pelo siciliano
Don Vito (Marlon Brando e, na juventude, Robert De Niro) e levada até
a era das grandes corporações pelo caçula Michael
Corleone (Al Pacino). É um assombro constatar que Coppola tinha
apenas 33 anos quando lançou o primeiro filme, em 1972 (o segundo
saiu em 1974 e o último, em 1990). E não só porque
seu domínio do meio cinematográfico é absoluto. Coppola
mostra ainda uma profundidade e um senso dramático que simplesmente
não existem mais no cinema americano. Nos extras, não deixe
de ver o item intitulado "O Caderno de Coppola". Nele, o diretor explica
em detalhe como rabiscou todo um exemplar do livro de Mario Puzo e transformou
essas anotações num calhamaço que fez as vezes de
roteiro. Vale por pelo menos um semestre na faculdade de cinema.
LIVROS
Coleção
O Escritor e a Cidade (editora Companhia das Letras)
Guias turísticos podem ajudá-lo a mover-se num lugar estranho.
Mas nada como a verve de um bom escritor para fazê-lo penetrar mais
fundo no caráter de uma metrópole. É o que essa série
oferece: retratos de grandes cidades, traçados por grandes nomes
da literatura contemporânea. Os dois primeiros volumes são
dedicados a Paris e Sydney. Para falar da capital francesa, o americano
Edmund White, que lá morou por dezesseis anos, adota a técnica
da flânerie a perambulação descompromissada,
sem objetivo certo, mas atenta aos menores estímulos. Nesse vaguear,
o autor de O Flâneur (tradução de Reinaldo
Moraes; 211 páginas; 26,50 reais) leva o leitor a recantos pouco
conhecidos de Paris, como o Museu Camondo e o Hotel de Lauzun. White recheia
o seu texto com referências literárias e observações
agudas sobre a cultura francesa. Pode-se dizer também que um tema
atravessa o livro: a relação do parisiense com as "minorias"
da cidade o judeu, o negro, o árabe, o homossexual. Australiano
radicado nos Estados Unidos há dez anos, Peter
Carey adota outra tática em 30 Dias em Sydney (tradução
de Bernardo Carvalho; 256 páginas; 26,50 reais). Para ele, a cidade
"não é definida apenas pela sua sofrida e peculiar história
humana, mas pelos quatro elementos da natureza: a terra, o ar, o fogo
e a água". Feito com base em relatos de amigos, entretecidos com
dados históricos, o divertido livro de Carey traça a imagem
de uma cidade pujante e de beleza invulgar.
Divulgação/Jerry Bauer
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| Karen:
estudo da ameaça fundamentalista |
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Em
Nome de Deus, de Karen Armstrong (tradução de Hildegard
Feist; Companhia das Letras; 490 páginas; 37,50 reais) Estudiosa
renomada das religiões, a inglesa Karen Armstrong se dedica a compreender,
aqui, os movimentos fundamentalistas. Não somente o fanatismo islâmico,
mas também aquele surgido no coração das outras grandes
religiões monoteístas, o cristianismo e o judaísmo.
Segundo a autora, o traço comum a todos os fundamentalismos é
o rechaço violento à modernidade e ao secularismo. Eles
seriam ainda "uma forma de reconduzir Deus ao campo da política".
Karen inicia suas análises no século XV. Mas a parte mais
substancial do livro tem mesmo a ver com os últimos 100 anos
período no qual esse tipo de devoção militante ganhou
força e se tornou uma ameaça real.
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| Os
Beatles: tudo sobre eles |
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Antologia,
The Beatles (tradução de Ana Luiza Dantas Borges
e outros; Cosac & Naify; 368 páginas; 149 reais) Um
ano depois de seu lançamento provocar corridas às livrarias
na Europa e nos Estados Unidos, a obra que narra a história dos
Beatles segundo a própria banda ganha versão em português.
Ótima notícia: a edição preserva integralmente
o luxo da original. Antologia é uma colagem de depoimentos
dos três membros vivos da banda Paul McCartney, Ringo Starr
e George Harrison e trechos de entrevistas do quarto integrante,
John Lennon, assassinado em 1980. Traz revelações sobre
a infância, as experiências com drogas e os bastidores das
turnês e dos negócios dos Beatles. O livro contém
fotos inéditas e reproduções de recortes e manuscritos.
DISCO
Strange
Little Girls, Tori Amos (WEA) A cantora e compositora americana
ganhou notoriedade por recriar sucessos da música pop. Um de seus
feitos foi transformar a furiosa Smells Like Teen Spirit, do grupo
Nirvana, em uma balada ao piano. Strange Little Girls traz novas
experiências desse tipo. Tori pinçou doze canções
de artistas masculinos para dar-lhes uma "visão feminina". O resultado
nunca é menos do que agradável. Tori faz de Bonnie &
Clyde, do insolente rapper Eminem, e de Raining Blood, do grupo
de rock pesado Slayer, músicas audíveis. Outras recriações
que chamam a atenção são as de Enjoy the Silence,
do grupo Depeche Mode, e de Happiness Is a Warm Gun, dos Beatles.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Esqueça
qualquer comparação com as aventuras do bruxo mirim
Harry Potter que é como estão vendendo o livro
Artemis
Fowl O Menino Prodígio
do Crime (tradução
de Alves Calado; Record;
286 páginas; 25 reais), do irlandês Eoin Colfer. Esse
romance juvenil não pode nem de longe ser equiparado à
série que já vendeu 100 milhões de exemplares
em todo o mundo. Seu autor, um professor de primário que
gosta de gibis e fitas de ação, busca fisgar adolescentes
rebeldes. O resultado é esquisito: uma história em
que há fadas alcoólatras, anões acometidos
de flatulência e assim por diante. Em vez de um protagonista
do bem, como ocorre em 99,9% das obras infantis, ele inventou o
tal Artemis Fowl, um garoto de 12 anos que recorre a trapaças
para atingir seus objetivos. Em quarto lugar na lista de VEJA, o
livro parece ter sido escrito para se transformar num filme de aventura
as passagens em que gnomos e fadas saem de suas tocas subterrâneas
e sobem à superfície por meio de um propulsor ultra-avançado
ficariam perfeitas numa produção de Hollywood. Obviamente,
Colfer já vendeu os direitos de filmagem de Artemis
Fowl O Menino Prodígio do Crime.
O precinho até que foi camarada: 500.000
dólares. Talvez na tela funcione melhor.
Marcelo
Marthe
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