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Edição 1 724 - 31 de outubro de 2001
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DVD

Coleção O Poderoso Chefão (Paramount) – Para quem é fã da série (e é difícil achar quem não seja), é quase um sonho: os três episódios de O Poderoso Chefão juntos numa caixa, com direito a comentários do diretor Francis Ford Coppola e a um disco repleto de atrações extras – que incluem desde o inevitável making of até dezenas de cenas inéditas, algumas delas maravilhosas. O certo, porém, é começar pelos filmes e assistir em seqüência à saga da família mafiosa Corleone, fundada pelo siciliano Don Vito (Marlon Brando e, na juventude, Robert De Niro) e levada até a era das grandes corporações pelo caçula Michael Corleone (Al Pacino). É um assombro constatar que Coppola tinha apenas 33 anos quando lançou o primeiro filme, em 1972 (o segundo saiu em 1974 e o último, em 1990). E não só porque seu domínio do meio cinematográfico é absoluto. Coppola mostra ainda uma profundidade e um senso dramático que simplesmente não existem mais no cinema americano. Nos extras, não deixe de ver o item intitulado "O Caderno de Coppola". Nele, o diretor explica em detalhe como rabiscou todo um exemplar do livro de Mario Puzo e transformou essas anotações num calhamaço que fez as vezes de roteiro. Vale por pelo menos um semestre na faculdade de cinema.

 

LIVROS

Coleção O Escritor e a Cidade (editora Companhia das Letras) – Guias turísticos podem ajudá-lo a mover-se num lugar estranho. Mas nada como a verve de um bom escritor para fazê-lo penetrar mais fundo no caráter de uma metrópole. É o que essa série oferece: retratos de grandes cidades, traçados por grandes nomes da literatura contemporânea. Os dois primeiros volumes são dedicados a Paris e Sydney. Para falar da capital francesa, o americano Edmund White, que lá morou por dezesseis anos, adota a técnica da flânerie – a perambulação descompromissada, sem objetivo certo, mas atenta aos menores estímulos. Nesse vaguear, o autor de O Flâneur (tradução de Reinaldo Moraes; 211 páginas; 26,50 reais) leva o leitor a recantos pouco conhecidos de Paris, como o Museu Camondo e o Hotel de Lauzun. White recheia o seu texto com referências literárias e observações agudas sobre a cultura francesa. Pode-se dizer também que um tema atravessa o livro: a relação do parisiense com as "minorias" da cidade – o judeu, o negro, o árabe, o homossexual. Australiano radicado nos Estados Unidos há dez anos, Peter Carey adota outra tática em 30 Dias em Sydney (tradução de Bernardo Carvalho; 256 páginas; 26,50 reais). Para ele, a cidade "não é definida apenas pela sua sofrida e peculiar história humana, mas pelos quatro elementos da natureza: a terra, o ar, o fogo e a água". Feito com base em relatos de amigos, entretecidos com dados históricos, o divertido livro de Carey traça a imagem de uma cidade pujante e de beleza invulgar.

 
Divulgação/Jerry Bauer
Karen: estudo da ameaça fundamentalista  

Em Nome de Deus, de Karen Armstrong (tradução de Hildegard Feist; Companhia das Letras; 490 páginas; 37,50 reais) – Estudiosa renomada das religiões, a inglesa Karen Armstrong se dedica a compreender, aqui, os movimentos fundamentalistas. Não somente o fanatismo islâmico, mas também aquele surgido no coração das outras grandes religiões monoteístas, o cristianismo e o judaísmo. Segundo a autora, o traço comum a todos os fundamentalismos é o rechaço violento à modernidade e ao secularismo. Eles seriam ainda "uma forma de reconduzir Deus ao campo da política". Karen inicia suas análises no século XV. Mas a parte mais substancial do livro tem mesmo a ver com os últimos 100 anos – período no qual esse tipo de devoção militante ganhou força e se tornou uma ameaça real.

 
Os Beatles: tudo sobre eles  

Antologia, The Beatles (tradução de Ana Luiza Dantas Borges e outros; Cosac & Naify; 368 páginas; 149 reais) – Um ano depois de seu lançamento provocar corridas às livrarias na Europa e nos Estados Unidos, a obra que narra a história dos Beatles segundo a própria banda ganha versão em português. Ótima notícia: a edição preserva integralmente o luxo da original. Antologia é uma colagem de depoimentos dos três membros vivos da banda – Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison – e trechos de entrevistas do quarto integrante, John Lennon, assassinado em 1980. Traz revelações sobre a infância, as experiências com drogas e os bastidores das turnês e dos negócios dos Beatles. O livro contém fotos inéditas e reproduções de recortes e manuscritos.

 

DISCO

Strange Little Girls, Tori Amos (WEA) – A cantora e compositora americana ganhou notoriedade por recriar sucessos da música pop. Um de seus feitos foi transformar a furiosa Smells Like Teen Spirit, do grupo Nirvana, em uma balada ao piano. Strange Little Girls traz novas experiências desse tipo. Tori pinçou doze canções de artistas masculinos para dar-lhes uma "visão feminina". O resultado nunca é menos do que agradável. Tori faz de Bonnie & Clyde, do insolente rapper Eminem, e de Raining Blood, do grupo de rock pesado Slayer, músicas audíveis. Outras recriações que chamam a atenção são as de Enjoy the Silence, do grupo Depeche Mode, e de Happiness Is a Warm Gun, dos Beatles.

 

OS MAIS VENDIDOS – CRÍTICA

Esqueça qualquer comparação com as aventuras do bruxo mirim Harry Potter – que é como estão vendendo o livro Artemis Fowl – O Menino Prodígio do Crime (tradução de Alves Calado; Record; 286 páginas; 25 reais), do irlandês Eoin Colfer. Esse romance juvenil não pode nem de longe ser equiparado à série que já vendeu 100 milhões de exemplares em todo o mundo. Seu autor, um professor de primário que gosta de gibis e fitas de ação, busca fisgar adolescentes rebeldes. O resultado é esquisito: uma história em que há fadas alcoólatras, anões acometidos de flatulência e assim por diante. Em vez de um protagonista do bem, como ocorre em 99,9% das obras infantis, ele inventou o tal Artemis Fowl, um garoto de 12 anos que recorre a trapaças para atingir seus objetivos. Em quarto lugar na lista de VEJA, o livro parece ter sido escrito para se transformar num filme de aventura – as passagens em que gnomos e fadas saem de suas tocas subterrâneas e sobem à superfície por meio de um propulsor ultra-avançado ficariam perfeitas numa produção de Hollywood. Obviamente, Colfer já vendeu os direitos de filmagem de Artemis Fowl – O Menino Prodígio do Crime. O precinho até que foi camarada: 500.000 dólares. Talvez na tela funcione melhor.

Marcelo Marthe

 

   
 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
   
 
   
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