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Ela é espada

Sucesso na TV paga, o seriado
Xena é cultuado pelas lésbicas.
Existem até xenólogas

Marcelo Marthe

 
Universal International Television

A vitaminada Xena (Lucy Lawless) e a carinhosa Gabrielle (Reneé O'Connor): mais que amizade

Criado há seis anos por um estúdio de televisão neozelandês, o seriado Xena – A Princesa Guerreira é mais um trash que virou objeto de culto ao redor do mundo. Como os "trekkers" (os viciados em Jornada nas Estrelas), os "xenitas" consomem tudo que diz respeito ao programa, realizam encontros e passam horas na internet, discutindo cada episódio. A receita do seriado funde várias mitologias, figurinos da Idade Média e humor pastelão. Mas a isca principal de Xena é seu conteúdo erótico. Na primeira temporada, a relação entre a musculosa protagonista, interpretada pela ex-mineradora Lucy Lawless, e sua meiga escudeira, Gabrielle (Reneé O'Connor), despertava especulações. Depois sumiram as dúvidas: existe mesmo algo mais entre elas. Xena e Gabrielle já fizeram juras de fidelidade, banharam-se nuas numa lagoa e dividiram o leito. Registram-se até cinco beijos na boca. Por causa disso, as personagens se transformaram em ícones do movimento lésbico. É nesse segmento – e não entre os marmanjos – que se concentra a massa xenita.

No Brasil, a série já constou da programação do SBT, mas hoje só é exibida pelo canal pago USA, que nesta semana colocará no ar episódios inéditos. Segundo as medições do Ibope, a audiência de Xena por aqui é composta em 58% por mulheres, a maioria acima dos 35 anos. Em 2002, dois eventos devem homenagear a personagem. A 3ª Xenacon reunirá, em São Paulo, fãs do país inteiro. Como nas edições anteriores, moças vestirão modelitos de amazona e usarão réplicas das armas da heroína – o sabre e o "chakram", um disco metálico e cortante. Além disso, as organizações lésbicas prometem dedicar seu trio elétrico a Xena na próxima Parada do Orgulho Gay paulistana.

O culto ao seriado no Brasil originou ainda uma categoria intelectual: a xenóloga. Em revistas voltadas ao público homossexual, encontram-se artigos analisando a série sob o prisma do (lá vai) pós-estruturalismo. Eis o título de um deles: "O ponto G de Xena e a incógnita X de Gabrielle: a arquitetura homoerótica do desejo". Só uma coisa angustia essa turma: o anúncio oficial de que, apesar do sucesso, o programa deixará de ser produzido. No fim da temporada que estréia agora, Xena tem uma morte violentíssima. Ela é decapitada e esquartejada. "Isso é machismo. Nunca submeteriam um herói masculino a um fim tão degradante", acusa Luiza Granado, militante do grupo lésbico Um Outro Olhar. Tudo, claro, pode ser golpe de marketing. Xena já morreu sete vezes e sempre ressuscitou.



   
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