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Edição 1 724 - 31 de outubro de 2001
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Como na vida real

Brando, De Niro e Norton
interpretam Brando, De Niro
e Norton em A Cartada Final

Isabela Boscov

 

Paramount Pictures

As três gerações de ases: briga para ver quem vai ficar com o cetro

Em A Cartada Final (The Score, Estados Unidos, 2001), Marlon Brando interpreta uma figura lendária, Robert De Niro faz o veterano que age sob sua inspiração e Edward Norton é o novato atrevido que pisa nos calos do antecessor. Tudo bem parecido com a vida real, em que esses atores de estirpes semelhantes são expoentes de suas respectivas gerações. É essa a graça do filme que estréia nesta sexta-feira no país – talvez a única graça, aliás, já que ele se filia àquela linhagem surrada das aventuras sobre grandes roubos. De Niro é Nick, uma espécie de tecnocrata da gatunagem. O credo desse sujeito tão competente quanto aborrecido pode ser resumido ao seguinte: nunca atacar em sua própria cidade – Montreal, no Canadá – e sempre se ater à disciplina. Com muita relutância, Nick é induzido por seu mentor a subtrair uma peça valiosíssima do depósito alfandegário de Montreal. O plano prevê que ele contracene, por assim dizer, com um espião plantado ali dentro. O jovem Jack (Norton) se empregou na aduana como faxineiro. Finge ser deficiente mental para não despertar suspeitas, mas é um daqueles tipos atirados e dados a ousadias. Exatamente o que Nick detesta.

É claro que Jack não está de olho só no lucro que o golpe pode proporcionar. Quer também furtar ao cinqüentão Nick a sua primazia no ramo (como se vê, até aqui mal entramos no território da ficção). E então se segue o tradicional embate de egos, além das seqüências em que os criminosos testam as traquitanas que irão empregar na execução do roubo. Como essas cenas não trazem nada de novo, resta a diversão de interpretar o enredo segundo a situação hierárquica dos protagonistas. Marlon Brando dá boas risadas jogando seus seguidores um contra o outro, e não por acaso determina que eles roubem um cetro. Robert De Niro diz a Edward Norton que só o talento, sem constância, não o levará a lugar nenhum, e ainda provoca: "Quando você começou a achar que é melhor do que eu?". O novato, por sua vez, avisa ao veterano que se resigne em ser passado para trás, e por aí vai. São boas piadas. Pena que, com um roteiro tão desanimado, nem elas nem essa trinca de ases consigam quebrar a banca.

   
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