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Como na vida real
Brando,
De Niro e Norton
interpretam Brando, De Niro
e Norton em A Cartada Final

Isabela Boscov
Paramount Pictures

As
três gerações de ases: briga para ver quem vai
ficar com o cetro
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Em A
Cartada Final (The Score, Estados Unidos, 2001), Marlon
Brando interpreta uma figura lendária, Robert De Niro faz o veterano
que age sob sua inspiração e Edward Norton é o novato
atrevido que pisa nos calos do antecessor. Tudo bem parecido com a vida
real, em que esses atores de estirpes semelhantes são expoentes
de suas respectivas gerações. É essa a graça
do filme que estréia nesta sexta-feira no país talvez
a única graça, aliás, já que ele se filia
àquela linhagem surrada das aventuras sobre grandes roubos. De
Niro é Nick, uma espécie de tecnocrata da gatunagem. O credo
desse sujeito tão competente quanto aborrecido pode ser resumido
ao seguinte: nunca atacar em sua própria cidade Montreal,
no Canadá e sempre se ater à disciplina. Com muita
relutância, Nick é induzido por seu mentor a subtrair uma
peça valiosíssima do depósito alfandegário
de Montreal. O plano prevê que ele contracene, por assim dizer,
com um espião plantado ali dentro. O jovem Jack (Norton) se empregou
na aduana como faxineiro. Finge ser deficiente mental para não
despertar suspeitas, mas é um daqueles tipos atirados e dados a
ousadias. Exatamente o que Nick detesta.
É
claro que Jack não está de olho só no lucro que o
golpe pode proporcionar. Quer também furtar ao cinqüentão
Nick a sua primazia no ramo (como se vê, até aqui mal entramos
no território da ficção). E então se segue
o tradicional embate de egos, além das seqüências em
que os criminosos testam as traquitanas que irão empregar na execução
do roubo. Como essas cenas não trazem nada de novo, resta a diversão
de interpretar o enredo segundo a situação hierárquica
dos protagonistas. Marlon Brando dá boas risadas jogando seus seguidores
um contra o outro, e não por acaso determina que eles roubem um
cetro. Robert De Niro diz a Edward Norton que só o talento, sem
constância, não o levará a lugar nenhum, e ainda provoca:
"Quando você começou a achar que é melhor do que eu?".
O novato, por sua vez, avisa ao veterano que se resigne em ser passado
para trás, e por aí vai. São boas piadas. Pena que,
com um roteiro tão desanimado, nem elas nem essa trinca de ases
consigam quebrar a banca.
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