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Vai dar certo?

Os preparativos da dupla Sandy & Junior
para o lançamento no mercado americano

Sérgio Martins


Adriano Goldman

Sandy & Junior: sem escala no mundo hispânico


Desde que deixaram a roupagem sertaneja e entraram no universo pop, Sandy & Junior adotaram a estratégia de regravar sucessos internacionais. Immortality, composição dos Bee Gees interpretada por Celine Dion, virou Imortal. I'll Be There, dos Jackson Five, transformou-se em Com Você. O novo CD da dupla, lançado há vinte dias, traz outra faixa desse tipo: Endless Love, hit dos anos 80 nas vozes de Lionel Richie e Diana Ross. Dessa vez, contudo, a dupla não fez uma versão da letra. Deu seus trinados em inglês mesmo, sem grandes arroubos, com o maior cuidado para controlar o sotaque. A canção é uma prévia do que está por vir: a estréia de Sandy & Junior em carreira internacional. Em vez de dar passos tímidos no mercado latino – como faz atualmente o grupo juvenil Twister –, a dupla resolveu (ou melhor, resolveram por ela) se lançar logo no mercado de língua inglesa. Em meados de 2001, os irmãos se recolheram a estúdios de Los Angeles e São Paulo para gravar doze canções em inglês. Elas formam o repertório de um álbum, ainda sem título, a sair na Inglaterra em janeiro de 2002.

A iniciativa de lançar Sandy & Junior lá fora foi de Max Hole, diretor de marketing da gravadora Universal na Inglaterra. Hole vê neles uma versão moderninha dos Carpenters, casal de irmãos americanos que abalou as paradas na década de 70. O investimento no CD inglês foi de cerca de 1 milhão de dólares e cinco produtores foram arregimentados. Apenas um é brasileiro: Moogie Canazio, que também cuidou do recém-lançado disco nacional. Os demais são ingleses e americanos. Um deles é Simon Franglen, que já trabalhou para Madonna e Michael Jackson. Outra colaboração preciosa é a da compositora Diane Warren. Cinco vezes indicada ao Oscar de Melhor Canção, Diane é requisitadíssima. Ela assina seis composições do disco. Em duas delas, Sandy mostrará seus dotes como letrista, em inglês. Ela aprendeu a língua numa escola do interior paulista.

Bandas como Backstreet Boys e 'N Sync também foram testadas no mercado inglês antes de atravessar o Atlântico e aportar na arena pop americana, maior e mais impiedosa. Ainda que Sandy & Junior façam sucesso entre os ingleses, isso não é garantia de que as coisas correrão bem depois. Primeiro, porque o mercado para cantores e dançarinos adolescentes, no estilo das boys bands, dá sinais de saturação nos Estados Unidos. "As pessoas vão nos associar a esse filão. Mas depois vão perceber que somos diferentes", acredita Junior. O outro problema é a resistência dos americanos ao pop vindo de fora. Poucos estrangeiros conseguiram romper essa barreira. A cubana Gloria Estefan, o porto-riquenho Ricky Martin e a colombiana Shakira, cujo primeiro disco americano é aguardado com interesse, são exceções. É bom lembrar que eles já contavam com muitos fãs na comunidade latina dos Estados Unidos antes de alçar o vôo mais ambicioso. Partindo do zero, será que Sandy & Junior têm chances? O crítico Neil Strauss, do jornal The New York Times, que conferiu a performance dos dois no último Rock in Rio, arrisca uma opinião. "Acho que daria mais certo se Sandy, sozinha, fizesse duetos com artistas americanos", afirma.

 

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