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Edição 1 724 - 31 de outubro de 2001
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Como se faz um
supersoldado

Reuters

HERANÇA INGLESA
As tropas de elite americanas, como os Seals, foram inspiradas na SAS (foto) força especial inglesa criada para atuar em missões de infiltração nas linhas inimigas

Logo depois dos atentados em Nova York e Washington, o Pentágono deixou claro que a carga pesada da guerra contra o terrorismo não ficaria com aviões e navios – e, sim, com as forças especiais, uma elite de apenas 46 000 homens entre os 2,2 milhões de soldados das Forças Armadas americanas. São supersoldados altamente treinados, operam em pequenos grupos e se deslocam com rapidez e equipamento leve. Essas características os tornam ideais para missões perigosas atrás das linhas inimigas, como caçar Osama bin Laden nas montanhas inóspitas do Afeganistão. As forças especiais americanas (e as inglesas, que devem acompanhá-las nesta guerra) são veteranas de muitas batalhas, incluindo vitórias espetaculares, derrotas amargas e, com certeza, uma enormidade de missões secretas das quais nunca saberemos os detalhes. O que torna cada um desses soldados um Rambo da vida real pode ser resumido numa explicação: o treinamento intenso a que são submetidos.

O Rambo de Sylvester Stallone era um boina-verde, da tropa que atuou em operações secretas atrás das linhas vietcongues no Vietnã. Foi lá, por sinal, que o Pentágono descobriu que precisava dispor de certa abundância de soldados especiais, pois não se deve lutar uma guerra convencional contra um inimigo pouco convencional. O soldado de elite segue o padrão popularizado pelo cinema – um brutamontes com sagacidade, treinamento e perícia para causar estrago desproporcional nas fileiras inimigas. Para completar as habilidades físicas, há fartura de tecnologia bélica. São coisas como o visor infravermelho para operações noturnas; câmaras que podem transmitir a missão ao vivo, via satélite, para o comando; e capacetes com radiocomunicador embutido. No uniforme, roupas térmicas que protegem o soldado do frio ou do calor, colete à prova de bala feito de aramida e botas com amortecedores. Com esse calçado, uma marcha de 10 quilômetros causa o mesmo desgaste físico de uma caminhada de 3.

A formação de um supersoldado é um processo intenso e demorado. A dureza é tamanha que menos de 5% dos candidatos que se inscrevem e passam pelo treinamento inicial de um ano são aproveitados. O treinamento físico tem a mesma carga aplicada a um atleta de ponta: cinco horas diárias, alternando corridas, caminhadas com peso, exercícios de musculação e aulas de defesa pessoal. Os soldados aprendem a lidar com explosivos e armamentos, montar armadilhas, operar aparelhos de comunicação e sobreviver em situações-limite. Há, ainda, aulas de "formação psicológica", nas quais são orientados a como agir num interrogatório sob tortura. Dezenas de situações de combate são simuladas nos locais de treinamento. Na última fase, de exercícios de campo, os soldados aplicam tudo o que aprenderam nos estágios anteriores: técnicas de alpinismo, descida de rappel, salto de pára-quedas e sobrevivência.

Há ainda uma espécie de batismo de fogo, que consiste em deixar a tropa numa região inóspita por quinze dias. Ali o soldado come raízes, animais selvagens ou o que aparecer na frente. Se não há água, vale tudo para não desidratar. "Uma saída é chupar pedregulho, que mantém as glândulas salivares em atividade e não deixa secar a boca", ensina o engenheiro Ricardo Chilelli, oficial da reserva do Exército, que, na época da ativa, fez estágio em todas as cinco forças especiais americanas. Se não for suficiente, o jeito é beber a própria urina. "É quente e salgada, mas não faz mal à saúde", revela Chilelli. O grau de exigência física e psicológica das forças especiais é intenso. É necessário adquirir preparo físico para suportar caminhadas de 30 quilômetros carregando 40 quilos nas costas e passar dias dormindo não mais que três horas seguidas. Eles saltam de pára-quedas de uma altura de 10.000 metros e, em questão de horas, abrem uma clareira numa floresta para o desembarque de tropas. Após três anos, os soldados passam para algum posto de comando ou voltam para a arma de onde vieram. Treinar e manter as forças especiais custa 4 bilhões de dólares por ano aos Estados Unidos. Não é muito, levando-se em conta que representa apenas 1,5% do orçamento militar americano para 2001.

Alguns grupos dessas tropas especiais dispõem de um pequeno blindado, que é abandonado no final da missão e se autodestrói com explosivos para evitar que caia na mão do inimigo. Numa operação-padrão, os soldados aproveitam a noite para saltar de pára-quedas ou desembarcar de helicópteros. O armamento básico é o mesmo usado pelas tropas regulares: uma pistola 9 milímetros, uma faca de sobrevivência, um fuzil de assalto M-16 ou sua versão curta, o M4, com lança-granadas – e farta munição. As forças especiais modernas nasceram com a SAS, a tropa de elite da Força Aérea inglesa, considerada uma das melhores do mundo, e que está mobilizada para combater no Afeganistão. Com suas incursões de comando infiltradas atrás das linhas alemãs no norte da África, na II Guerra, a SAS demonstrou que pequenos grupos de soldados bem treinados podiam ter eficiência letal. As forças especiais americanas são compostas de cinco grupos principais com comando e treinamento próprios. Dependendo da situação, podem atuar em conjunto. Três são do Exército – os Rangers, os Boinas Verdes e a Força Delta. A Força Aérea tem as Forças de Operações Especiais (SOF), que realizam resgates em combate e operações de infiltração dentro do território inimigo, demarcando alvos para bombardeios aéreos. Os Seals, da Marinha, contam com peritos em demolição de pontes e sabotagem de navios. São os melhores mergulhadores militares que existem.

Cada ramo dessas forças é bastante especializado e há considerável rivalidade entre elas, cada uma querendo ser reconhecida como a mais competente e audaz da elite militar. Os Rangers são o que os militares chamam de tropa de choque de infantaria ligeira. Cabe a eles o primeiro assalto para conquistar um objetivo, como um aeroporto, permitindo o desembarque de forças convencionais. A Força Delta, que pode atuar em conjunto com os Rangers, é a elite da elite. O grupo foi criado em sigilo no fim dos anos 70 para operações antiterroristas, como resgate de reféns e tomada de aviões seqüestrados. Até hoje, nem o Congresso americano sabe seu orçamento efetivo. Seus soldados aperfeiçoaram o salto de miniparaglider, mais compacto e ágil que o pára-quedas convencional. É a única tropa de elite a contar com um destacamento só de mulheres. Os Boinas Verdes são lendários. Um pouco por causa de Rambo, mas sobretudo pela atuação no Vietnã. A diferença em relação aos Rangers está no tipo de treinamento e no melhor preparo intelectual de seus integrantes, pois executam missões que exigem, além da força física, soluções estratégicas mais complicadas. Costumam ser mais velhos, precisam saber línguas e a maioria tem curso universitário. São os únicos que os Estados Unidos enviam para treinar forças estrangeiras.

 
Os homens e as armas

FORÇAS ESPECIAIS
Soldados treinados e equipados para missões muito perigosas, secretas e atrás das linhas inimigas. São apenas 46 000 dos 2,2 milhões de soldados americanos

Rangers
Tropas de choque de infantaria ligeira do Exército, especializadas em missões em campo aberto e incursões rápidas

Boinas Verdes
Unidade de elite do Exército especializada em espionagem e contraterrorismo. São soldados mais velhos e a maioria tem curso universitário

Força Delta
A elite da elite é especializada em operações antiterroristas. É tão secreta que nem sequer existe oficialmente

SEALs
Os soldados de elite da Marinha americana são a melhor unidade militar de mergulhadores que existe

SOF
O grupo especial da Força Aérea realiza operações de infiltração em território inimigo e de resgate em combates

SAS
A tropa inglesa especializada em missões atrás das linhas inimigas está entre as mais experientes e respeitadas do mundo

O TREINAMENTO
É tão severo que menos de 5% dos candidatos são aproveitados. Os soldados aprendem até a suportar a tortura, para o caso de ser capturados

AS ARMAS
O equipamento varia de acordo com a missão, mas o armamento básico é um fuzil de assalto, normalmente um M-16, ou sua versão mais curta, o M4, armado com lançador de granadas. Cada soldado leva uma pistola 9 milímetros e uma faca de sobrevivência. Eles podem usar miras eletrônicas, óculos de visão noturna e aparelho de comunicação instalado no capacete



 
 
   
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