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Tales
Alvarenga
Velhinhas de Taubaté
"Todo esquerdista puro-sangue
acha que os
fins (fazer justiça social) justificam os meios
(assaltar a elite e o bolso do contribuinte para
garantir a permanência no poder). A tragédia do
PT é que ele só ficou nos meios. O assalto ao cofre"
O fim do PT já começou
a provocar uma sensação de vácuo na vida de
muita gente. Durante dezesseis anos, desde que Lula foi candidato
a presidente pela primeira vez, bastava abrir o jornal e
pam! lá estava sempre o artigo de um ideólogo
petista fazendo todo tipo de malabarismo retórico para apresentar
o partido sob cores favoráveis. Nada abalava aquela certeza
cega que se demonstrava em relação à pureza
do PT.
O grande público não
era informado, mas os de casa sabiam de tudo e, como avestruzes,
enterravam a cabeça na areia para não ver a bandalheira.
Em 1995, o cientista político César Benjamin, um dos
coordenadores da campanha de Lula à Presidência, tomou
conhecimento de que integrantes do partido estavam fazendo captação
de recursos ilícitos. Alertou Lula, nada conseguiu e abandonou
o PT.
Em 1997, o economista Paulo de
Tarso Venceslau disse a Lula que o advogado e empresário
Roberto Teixeira, compadre do atual presidente, estava se valendo
do seu nome para tomar dinheiro de prefeituras administradas pelo
PT. O caso Venceslau teve grande repercussão quando ele foi
submetido a processo interno no partido e terminou expulso da agremiação.
Os admiradores do PT continuaram com a cabeça enfiada no
buraco. Houve acusações contra petistas no governo
do Rio Grande do Sul, em Ribeirão Preto, Campinas e em outros
lugares.
Em 2002, foi assassinado o prefeito
de Santo André, Celso Daniel. Conforme denúncia feita
por seu irmão, o médico oftalmologista João
Francisco Daniel, ele foi morto porque mandou desativar um esquema
criminoso, montado para recolher dinheiro para o caixa do PT junto
a donos de empresas de ônibus na cidade. O achaque petista
tornou-se um escândalo de proporções federais.
A vida real vem dando provas
de que o partido começou a trocar a pureza ideológica
pela corrupção sistemática quando assumiu prefeituras
nos anos 90. Aprendeu a roubar nessa fase. Aplicou a tecnologia
com tanta desfaçatez no governo federal por um motivo simples.
Todo esquerdista puro-sangue acha que os fins (fazer justiça
social) justificam os meios (assaltar a elite e o bolso do contribuinte
para garantir a permanência no poder). A tragédia do
PT é que ele só ficou nos meios. O assalto ao cofre.
Os fins nunca foram atingidos nem jamais seriam. Suspeito de que
boa parte daquela gente que se mudou para o Palácio do Planalto
sabia que seria assim desde o primeiro dia.
O PT teve chance de se corrigir
em todos os casos aqui narrados. Também tiveram a oportunidade
de enxergar o óbvio todos os petistas bem informados, como
o dominicano Frei Betto, que até mesmo trabalhou dentro do
Palácio do Planalto com santo Luiz Inácio Lula da
Silva. Foi preciso que uma dúzia de estrelas do governo federal
fosse apanhada com a mão na mala para que, finalmente, caísse
a ficha dos crédulos. Frei Betto anunciou na semana passada
que os petistas desmoralizaram a esquerda. Marcelo Coelho, articulista
da Folha de S.Paulo, escreveu na primeira página do
jornal: "Arrependo-me do meu bom-mocismo em relação
ao PT". E, para que a história não terminasse sem
algum humor, Luis Fernando Verissimo, colunista de O Globo, matou
sua personagem, a Velhinha de Taubaté, aquela que acreditava
em todos os políticos apesar de todas as evidências
para duvidar. Vai ver que isso tudo é sinal de que caiu a
ficha de todas as Velhinhas de Taubaté do petismo encabulado.
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