Edição 1920 . 31 de agosto de 2005

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Mistérios de Roma

Um homem que se veste de
mulher é o personagem mais
querido de A Lua Me Disse

 
Fotos divulgação/Rede Globo
Miguel Magno como Dona Roma (à dir.): o ideal de mãe

Um travesti de meia-idade é o personagem mais querido da atual novela das 7 da Rede Globo, A Lua Me Disse. A emissora chegou a essa conclusão numa recente pesquisa de grupo, ferramenta utilizada para detectar erros e acertos de um folhetim. Interpretada pelo ator Miguel Magno, de 54 anos, Dona Roma não somente não enfrenta rejeição como ainda é descrita de maneira curiosa por quem assiste à novela: ela representa "o ideal de mãe, uma pessoa que está sempre pronta a ajudar o próximo e que seria bom ter por perto". E isso quem diz são donas-de-casa, o principal grupo de espectadores pesquisado pela Globo.

Dona Roma nasceu no teatro, numa peça de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, os mesmos autores de A Lua Me Disse. "No palco eu era uma velha ranzinza", conta Magno, que tem trinta anos de carreira e contribui com sua experiência para dar o tom certo ao personagem. Para encarnar Dona Roma na TV, o ator se submete a um processo de maquiagem que dura cinqüenta minutos. "Depois de mais de 100 capítulos, começo a achar estranho quando não estou de saia", diz ele. Segundo a trama da novela, por baixo da peruca e do vestido Dona Roma é Amoroso Valentim, sujeito que herdou da mãe dois casarões, construiu neles uma pensão e, um belo dia, descobriu que adorava usar roupas de mulher. Dona Roma é conselheira de boa parte dos personagens da trama. "Não é a sexualidade de Dona Roma que está em primeiro plano. Ela não tem desejo, não é homo nem hétero. O que importa é seu caráter, e acho que foi isso que cativou o público", afirma Magno.

Caráter e bons sentimentos tornaram-se, de fato, as palavras-chave em A Lua Me Disse. Depois de um começo histérico, totalmente devotado ao nonsense, a novela se organizou. Criou um núcleo de vilões bem oportuno – o dos políticos corruptos. Além disso, alguns personagens polêmicos ou saíram da história ou se transformaram. Coriolano, interpretado por Agildo Ribeiro, disse adeus. Ele era um gay espalhafatoso, que o próprio movimento gay não aprovou. Whitney e La Toya eram negras que odiavam ser negras. A primeira ainda reclama do cabelo, com um humor para lá de politicamente incorreto, mas brigou com a irmã perversa e não quer mais saber de armações. A principal metamorfose foi a de Madô (Debora Bloch). Antes uma megera preconceituosa, ela deixou para trás todos os maus sentimentos. Tornou-se, com isso, a segunda personagem mais bem-vista pelas telespectadoras. Como diria Dona Roma, "a gente sempre muda para melhor".

 

Mudanças de rumo

Guinadas na novela A Lua Me Disse

MADÔ (DEBORA BLOCH)

Como era: preconceituosa, arrogante, aproveitadora
Frase típica: "Você tem inveja porque o meu cabelo balança" (para uma personagem negra)
Como ficou: perdeu o marido e caiu na real. Ficou simpática, arrumou trabalho e deverá ter um final feliz

CORIOLANO (AGILDO RIBEIRO)
Como era: homossexual venenoso e caricato
Frase típica: "Casamento, para mim, só de fachada"
Como ficou: saiu da novela, depois da reclamação de grupos gays


WHITNEY (MARY SHEILA)
Como era:
fútil e interesseira. Odiava ser negra
Frase típica: "Você é muito mais preta que eu" (para a irmã)
Como ficou: abandonou a irmã perversa, que faz negociatas com corruptos

 
 
 
 
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