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Televisão Mistérios
de Roma Um homem que se veste de mulher é
o personagem mais querido de A Lua Me Disse Fotos
divulgação/Rede Globo
 | | Miguel
Magno como Dona Roma (à dir.): o ideal de mãe |
Um travesti de meia-idade é o personagem mais querido da atual novela das
7 da Rede Globo, A Lua Me Disse. A emissora chegou a essa conclusão
numa recente pesquisa de grupo, ferramenta utilizada para detectar erros e acertos
de um folhetim. Interpretada pelo ator Miguel Magno, de 54 anos, Dona Roma não
somente não enfrenta rejeição como ainda é descrita
de maneira curiosa por quem assiste à novela: ela representa "o ideal de
mãe, uma pessoa que está sempre pronta a ajudar o próximo
e que seria bom ter por perto". E isso quem diz são donas-de-casa, o principal
grupo de espectadores pesquisado pela Globo. Dona
Roma nasceu no teatro, numa peça de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa,
os mesmos autores de A Lua Me Disse. "No palco eu era uma velha ranzinza",
conta Magno, que tem trinta anos de carreira e contribui com sua experiência
para dar o tom certo ao personagem. Para encarnar Dona Roma na TV, o ator se submete
a um processo de maquiagem que dura cinqüenta minutos. "Depois de mais de
100 capítulos, começo a achar estranho quando não estou de
saia", diz ele. Segundo a trama da novela, por baixo da peruca e do vestido Dona
Roma é Amoroso Valentim, sujeito que herdou da mãe dois casarões,
construiu neles uma pensão e, um belo dia, descobriu que adorava usar roupas
de mulher. Dona Roma é conselheira de boa parte dos personagens da trama.
"Não é a sexualidade de Dona Roma que está em primeiro plano.
Ela não tem desejo, não é homo nem hétero. O que importa
é seu caráter, e acho que foi isso que cativou o público",
afirma Magno. Caráter e bons sentimentos
tornaram-se, de fato, as palavras-chave em A Lua Me Disse. Depois de um
começo histérico, totalmente devotado ao nonsense, a novela se organizou.
Criou um núcleo de vilões bem oportuno o dos políticos
corruptos. Além disso, alguns personagens polêmicos ou saíram
da história ou se transformaram. Coriolano, interpretado por Agildo Ribeiro,
disse adeus. Ele era um gay espalhafatoso, que o próprio movimento gay
não aprovou. Whitney e La Toya eram negras que odiavam ser negras. A primeira
ainda reclama do cabelo, com um humor para lá de politicamente incorreto,
mas brigou com a irmã perversa e não quer mais saber de armações.
A principal metamorfose foi a de Madô (Debora Bloch). Antes uma megera preconceituosa,
ela deixou para trás todos os maus sentimentos. Tornou-se, com isso, a
segunda personagem mais bem-vista pelas telespectadoras. Como diria Dona Roma,
"a gente sempre muda para melhor".
Mudanças de rumo Guinadas
na novela A Lua Me Disse
MADÔ
(DEBORA BLOCH)
Como era: preconceituosa,
arrogante, aproveitadora Frase típica: "Você tem inveja
porque o meu cabelo balança" (para uma personagem negra) Como ficou:
perdeu o marido e caiu na real. Ficou simpática, arrumou trabalho e deverá
ter um final feliz CORIOLANO
(AGILDO RIBEIRO) Como era: homossexual venenoso e caricato
Frase típica: "Casamento, para mim, só de fachada" Como
ficou: saiu da novela, depois da reclamação de grupos gays
WHITNEY
(MARY SHEILA) Como era: fútil e interesseira. Odiava ser
negra Frase típica: "Você é muito mais preta que
eu" (para a irmã) Como ficou: abandonou a irmã perversa,
que faz negociatas com corruptos | | |