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Literatura Retrato
falado CD traz registro inédito
da voz de Manuel Bandeira  |  | | Manuel
Bandeira: leitura sem teatralidade | |
As pausas, a cadência, o modo de articular uma frase, a respiração
tudo isso pode ser muito significativo na poesia. É por isso que
registros sonoros de poetas recitando a própria obra são preciosos.
Um documento histórico do gênero acaba de ser editado: o CD Manuel
Bandeira O Poeta em Botafogo apresenta o autor de Libertinagem
lendo 27 de seus poemas. É uma iniciativa do diplomata Lauro Moreira,
que foi amigo de Manuel Bandeira (1886-1968) na década de 60. Ao lado da
escritora Clarice Lispector, Bandeira foi padrinho do casamento do diplomata com
a poeta Marly de Oliveira, em 1964 (mais tarde, Marly seria mulher do também
poeta João Cabral de Melo Neto). Certa noite, em 1967, depois de um jantar
na casa do amigo, o poeta pediu para usar o gravador de rolo. Desejava registrar
a leitura de alguns poemas. Esquecida nos anos em que o diplomata serviu no exterior,
a fita foi recuperada e reproduzida em CD. A seleção é um
tanto aleatória, mas inclui alguns dos poemas mais conhecidos do autor,
como Consoada, Última Canção do Beco e, claro,
Vou-me Embora pra Pasárgada, peça obrigatória de qualquer
antologia de poesia brasileira. A gravação caseira foi feita sem
cuidados de isolamento de som é possível ouvir o trânsito
de carros ao fundo. Mas esses defeitos acrescentam um certo charme casual à
leitura de Bandeira. Sua voz anasalada é calma, sem teatralidade. Nenhuma
ênfase desnecessária é colocada nos versos. Como uma espécie
de bônus no CD, Lauro Moreira leu ele mesmo mais trinta poemas de Bandeira.
A qualidade da gravação é melhor mas nada se compara
à voz do próprio poeta. |