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Ambiente Poluição
na floresta O fogo destrói a natureza
e também os pulmões de quem vive na Amazônia  Leonardo
Coutinho
Odair
Leal
 | | A
cidade de Rio Branco: as queimadas barram a luz do sol e prejudicam a saúde
dos habitantes |
Na semana passada, o ar da capital
do Acre, em plena Amazônia, estava mais poluído que o da cidade de
São Paulo. O fenômeno, que se repete nos meses de agosto e setembro,
é uma espécie de maldição geográfica combinada
à irresponsabilidade ambiental. Localizado em uma confluência de
correntes de vento que passam sobre o Pará, Mato Grosso e Rondônia,
o Acre recebe boa parte da fumaça gerada pelas queimadas nos três
estados, os líderes do ranking dos incêndios florestais. Para piorar,
tem um relevo que amplia o problema. A barreira das correntes de vento representada
pela Cordilheira dos Andes faz as nuvens de fumaça parar sobre o Acre.
Com a tendência de aumento das queimadas na região, sabe-se que a
situação se tornará cada vez mais grave. Neste ano, a questão
ganhou dimensão ainda mais dramática porque o estado vive uma das
piores secas de sua história. Os níveis de umidade do ar
num lugar cercado de floresta úmida chegam a rivalizar com os de
Brasília, uma das cidades com o ar mais seco do país.
O ar seco e a falta de chuvas deixam a vegetação mais vulnerável
ao fogo. O resultado é que os primeiros focos de queimada na região
começam a aparecer pelo menos um mês antes do esperado. "O próprio
Acre está produzindo muito da fumaça que o sufoca", explica o agrônomo
Evandro Orfanó Figueiredo, da Embrapa. Segundo o cientista, cada hectare
de mata consumido pelo fogo lança na atmosfera cerca de 115 toneladas de
carbono. Isso é o mesmo que dizer que o peso das árvores é
dissolvido e diluído no ar. Só em agosto, o número de focos
de incêndio no estado foi cinco vezes maior que o registrado ao longo de
todo o ano de 2004. O físico Saulo Freitas, do Centro de Previsão
de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, explica que a fumaça é
apenas a parte visível do problema. No Hospital de Base de Rio Branco,
mais de 30% dos atendimentos médicos registrados em agosto foram de crianças
e idosos com problemas respiratórios provocados pelo ar contaminado. O
aeroporto da cidade só opera por instrumentos e já chegou a ficar
fechado por dois dias. Freitas ressalta que o ar sobre o Acre só começa
a melhorar depois que massas de ar frio chegam ao estado, empurrando a poluição
em direção ao Sul do país. Nessa fase do processo, também
há interferência da Cordilheira dos Andes.
Assim como em Santiago, na Cidade do México e em Bogotá, localizadas
em vales com pouco vento, a cadeia de montanhas ajuda a criar um tampão
de poluição. No caso amazônico, esse efeito tem dimensões
continentais. As análises atmosféricas na América do Sul
demonstram que gases poluentes das queimadas da Amazônia chegam ao Rio Grande
do Sul. "A estação de pesquisa do Inpe na Antártica já
detectou que os efeitos das queimadas podem ser sentidos até naquela região",
diz Freitas. 
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