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Estados Unidos
O aiatolá deles
Televangelista dos EUA pede à CIA
que mate Chávez, um apelo ao crime
que só ajuda o falastrão da Venezuela
| Fotos Gene J. Puska/AP,
Jorge Rey/AFP |
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| Chávez comenta, ao lado
do ditador cubano Fidel Castro, as ameaças de Pat Robertson
(à esq.): "É o imperialismo americano"
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Terrorismo a favor não
é terrorismo? No início da semana passada, Pat Robertson,
um dos mais conhecidos televangelistas dos Estados Unidos, deu sua
contribuição ao debate: sugeriu ao governo americano
recorrer ao assassinato como solução sumária
para seus problemas com Hugo Chávez, o presidente falastrão
da Venezuela. A declaração foi feita durante seu programa
de TV matinal (audiência média de 1 milhão de
pessoas). Com a firmeza de um fanático, o pastor explicou
o assassinato como medida preventiva para evitar que os americanos
precisassem gastar "200 bilhões de dólares em outra
guerra para se livrar de um ditador". Para ter idéia das
proporções políticas do pronunciamento, imagine
se um aiatolá de Teerã fosse à televisão
e clamasse pelo assassinato do presidente Bush. A diferença
entre os dois lados na guerra ao terror é exatamente essa
há clareza na identificação do lado
terrorista, que é aquele que explode bombas nos trens de
Londres e ataca edifícios em Nova York.
Apesar de tudo, a reação
da Casa Branca foi tépida. O Departamento de Estado praticamente
desconversou. Qualificou a fala de Robertson de "inapropriada" e
esclareceu que o assassinato de Hugo Chávez não faz
parte da política oficial dos Estados Unidos. É certo
que não, visto que há mais de trinta anos uma lei
proíbe o governo americano de cometer assassinatos políticos
no exterior. Devido a declarações desse tipo, mas
com o sinal contrário, a Inglaterra e a França estão
expulsando mulás raivosos de seus territórios. Robertson
dificilmente perderá o acesso aos figurões do governo
Bush. Como um dos principais representantes da extrema direita cristã,
ele foi indispensável na reeleição do presidente
e terá peso na convenção republicana de 2006.
"Os grupos evangélicos de extrema direita são uma
parte importante do eleitorado do atual governo, e por isso Bush
não condenou publicamente as declarações de
Robertson", disse a VEJA Clyde Wilcox, cientista político
da Universidade de Georgetown, em Washington.
Dono de um império empresarial
que inclui uma rede de TV e uma universidade e de uma receita para
emagrecer que vende bem, Robertson é pródigo em declarações
descabidas. Depois dos atentados de 11 de setembro, disse ver a
tragédia como uma vingança divina pelo excesso de
materialismo e liberdade sexual da sociedade americana. Mais recentemente,
advertiu que "terremotos, tornados e, possivelmente, meteoros iriam
atingir a Disney World por ter promovido um 'dia gay' ". O mais
feliz com tudo isso é Chávez, que sempre incluiu em
seu discurso antiamericano a acusação de que Bush
conspira para matá-lo e invadir a Venezuela. Robertson deu
mais um argumento para essa mirabolante teoria conspiratória
e dificultou o esforço do governo americano de baixar o tom
na guerra de palavras com o presidente venezuelano.
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