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Tecnologia Gates
abre uma nova janela Já está sendo testado
o Windows Vista, o novo sistema operacional da Microsoft. A empresa promete
que ele será mais confiável e seguro Roslan
Rahmann/AFP
 | ÍCONE
CULTURAL Bill Gates, dono da Microsoft: cultuado
e odiado ao mesmo tempo |
O mundo
da computação está alvoroçado. Depois de quatro anos
de especulações e espera, a Microsoft finalmente pôs para
circular a primeira versão de teste de seu novo sistema operacional, o
Windows Vista. "É o que chamamos de versão beta. Ela está
incompleta e sujeita a modificações, mas serve para que o ecossistema
tecnológico comece a se adaptar", diz Rodrigo Paiva, gerente de produtos
da Microsoft no Brasil. Em outras palavras, é a partir dela que os criadores
dos mais diversos programas e badulaques eletrônicos (como câmeras
digitais, impressoras ou placas de vídeo) verificam a compatibilidade de
seus produtos com o novo sistema operacional enquanto a Microsoft avalia
a necessidade de correções. Nos próximos meses, outras versões
deverão ser submetidas a especialistas, até o lançamento
definitivo do Vista, no segundo semestre de 2006. Nessa altura, milhões
de pessoas sentirão o impacto da novidade. Mais de 90% dos computadores
de todo o mundo operam com o sistema da Microsoft. Como Coca-Cola ou McDonald's,
o Windows deixou de ser somente uma marca: é um ícone que desperta
admiração e ódio, sinônimo de capitalismo e de globalização
(o mesmo se pode dizer do dono da Microsoft, Bill Gates, que é admirado
por alguns e considerado o anticristo por outros).
Um novo sistema operacional significa uma mudança radical no computador,
do visual às funções mais essenciais. A Microsoft criou,
por exemplo, um novo design para as telas do Windows Vista. Ela o batizou de Aero,
por fazer uso de transparências. Os computadores mais potentes terão
disponível uma opção ainda mais incrementada, o Aero Glass,
com ícones animados e efeitos visuais. Outra inovação importante
está na forma de apresentação e classificação
dos arquivos: será mais fácil localizá-los no computador
e reconhecer o seu conteúdo. Na internet, as mudanças ficam por
conta do navegador Explorer 7. Ele terá, por exemplo, uma função
especial que avisa o usuário quando uma página na rede freqüentemente
visitada sofreu alguma atualização. As grandes promessas do Windows
Vista, porém, são estruturais: o sistema pretende garantir maior
segurança contra os vírus e programas invasores que hoje infestam
a internet, além de reduzir as ocasiões em que o computador trava
e precisa ser reiniciado. Uma das conseqüências
da hegemonia da Microsoft no mercado de sistemas operacionais está no fato
de ela atrair a atenção de todos os tipos de criminosos e arruaceiros
virtuais. De acordo com dados da Trend Micro, empresa japonesa fabricante de antivírus,
95% de todos os ataques a computadores têm como alvo usuários dos
sistemas operacionais Windows. Periodicamente, quando descobre uma brecha em seus
programas, a Microsoft oferece, em seu site, atualizações de segurança.
"O problema é que, ao lançar um boletim na internet, a Microsoft
informa as falhas não só para os usuários, mas também
para os hackers", diz o consultor de tecnologia Lucas Shirahata.
Atualizações de segurança em geral exigem que o computador
seja reiniciado, o que demanda um tempo precioso em companhias com grandes redes
de computadores. A mais recente epidemia disseminada em plataformas Windows atingiu
a rede de notícias CNN e o jornal The New York Times, entre outras
empresas. Nenhuma delas atualizou seu sistema a tempo quando, no início
de agosto, a Microsoft anunciou um problema no Windows XP. Em menos de cinco dias,
os hackers criaram um vírus chamado Zotob, que se aproveitava da tal falha.
 |  | HACKERS
EM AÇÃO O canal de notícias CNN divulga o recente
ataque do vírus Zotob, que atingiu seus próprios computadores e os de mais de
100 outras empresas: em busca das brechas do Windows |
Grandes
esforços estão sendo feitos para que, no Windows Vista, setores
vitais do computador sejam mais difíceis de acessar e modificar, o que
diminuiria a possibilidade de que um vírus ou um "cavalo-de-tróia"
(programa que rouba informações privadas sem que o usuário
saiba) se instale na memória. O desafio, claro, é fazer com que
isso não dificulte também a vida do usuário. "Estamos bem
conscientes, contudo, de que essa é uma guerra que não tem fim",
diz Rodrigo Paiva. Com menos de um mês de lançamento da versão
beta, já houve tentativas de burlar a segurança desse sistema experimental.
Ao lado da vulnerabilidade, o Windows também
tem o mau hábito de travar, muitas vezes causando perdas de dados. Quem
nunca deparou com uma mensagem mal-educada do tipo "Este programa executou uma
ação ilegal e será fechado"? "Esses problemas ocorrem porque
o sistema vai acumulando muitos erros na memória. O problema vem sendo
contido, mas está longe do ideal", diz Caetano Traina Júnior, professor
de computação da Universidade de São Paulo em São
Carlos. O Vista pretende ser um sistema mais estável, embora a versão
beta ainda não permita avaliar que sucesso terá. Entre as medidas
pesquisadas para tornar os computadores mais confiáveis para seus usuários
(como diz a Microsoft, dar firmeza ao "pilar da confiança" é essencial)
estão, por exemplo, o reinício automático de serviços
que falham, o diagnóstico precoce de problemas com impressoras e outros
periféricos e o conserto eficiente de sistemas que, digamos, demoram muito
para carregar. Quem precisa ou apenas deseja
comprar um novo PC neste momento deve levar em conta alguns fatores. Primeiramente,
a Microsoft promete dez anos de assistência a seus produtos. Isso significa
que usuários do sistema operacional corrente, o Windows XP, ainda terão
direito a suporte técnico por um bom tempo. De maneira semelhante, arquivos
e programas que rodam com o XP não deverão caducar e serão
plenamente compatíveis com o Vista. Quem esperar pelo segundo semestre
de 2006, contudo, provavelmente acabará adquirindo uma máquina mais
potente e funcional. Até porque, para alcançar seu desempenho máximo,
o Windows Vista deverá ser instalado em computadores com um mínimo
de 512 megabytes de memória. Está acabando a era da memória
de 256 megabytes a mais vendida no Brasil de hoje.
Livre, não grátis
Paul
Sakuma/AP
 | CAPITALISTA,
SIM Linus Torvalds, criador do Linux: gigantes
como a IBM investem em seu programa |
O
sistema operacional Windows tem inimigos no governo Lula. Eles defendem a bandeira
do software livre ou seja, dos programas que não cobram licença
de uso, ao contrário do que ocorre com o produto da Microsoft. Um dos mais
agressivos defensores dessa causa vinha sendo até agora o sociólogo
Sérgio Amadeu da Silveira, diretor-presidente do Instituto Nacional de
Tecnologia da Informação, órgão vinculado à
Casa Civil. Subordinado ao ex-ministro José Dirceu, Amadeu perdeu influência
nas últimas semanas e está para deixar o cargo. Mas isso não
significa que a idéia de adotar o software livre tenha sido abandonada.
Há três frentes em que ela deve ser posta em prática. Primeiro,
o programa Computador para Todos. Dentro de três semanas, o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve disponibilizar 200 milhões
de reais em linhas de crédito para que a população mais pobre
compre PCs. As máquinas que forem adquiridas com esse financiamento virão
obrigatoriamente equipadas com software livre. Há também o projeto
Casa Brasil, que pretende construir centros comunitários onde a população
terá acesso a computadores e internet. Finalmente, o plano de instalar
o Linux o mais famoso e o mais utilizado dos sistemas livres em
toda a rede da administração federal.
Sérgio Amadeu já se referiu ao negócio da Microsoft como
"prática de traficante". Isso revela o viés ideológico de
seu raciocínio. E um viés bastante torto. Pois não se deve
confundir software "livre" com "gratuito". O finlandês Linus Torvalds, criador
do Linux, não é nenhum anarquista digital. É um homem de
negócios. A IBM e a Dell, gigantes da indústria da informática,
fazem pesados investimentos no desenvolvimento de softwares para o Linux, que
é usado no mercado corporativo. Terminais de banco, celulares, caixas de
supermercado e até robôs rodam com o programa mas pagam pelos
serviços de instalação e manutenção. O governo
federal e os compradores dos computadores que ele financiar também ficarão
sujeitos a esses gastos. Os beneficiários do programa Computador para Todos,
por exemplo, só terão direito a um ano de suporte grátis.
Além disso, é aconselhável levar em conta o resultado das
políticas de inclusão digital implementadas em outros países.
Malásia, Tailândia e Coréia do Sul, por exemplo, comprovaram
que a venda de computadores sem opção de escolha de software pode
ter péssimas conseqüências. "Se o usuário que foi obrigado
a usar software livre não gostar, ele vai acabar comprando uma versão
do Windows no camelô", diz Jorge Sukarie, presidente da Associação
Brasileira das Empresas de Software. Foi o que se observou na Ásia: a imposição
do software livre só serviu para incentivar a pirataria. |
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