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Brasil Quase
parando Na semana em que se compara
a JK, Lula despenca 10 pontos na confiança popular  João
Gabriel de Lima
Gustavo
Miranda/Ag. O Globo
 | | Lula,
com Roriz: agora vale até dar ambulância ao lado de inimigo clássico
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Em seus discursos diários,
o presidente Lula tem feito questão de afirmar que, apesar do maremoto
da crise, o governo funciona, o país segue em frente e as instituições
mantêm-se sólidas. É natural que o presidente procure transmitir
uma sensação de normalidade à sociedade, mas é incorreto
dizer que o governo está em ritmo normal. Depois que a crise entrou em
fase crônica, e especialmente depois que o ministro Antonio Palocci foi
sugado para o centro dela, o Palácio do Planalto rendeu-se à paralisia
administrativa e só reúne energias para tentar combater os desdobramentos
das denúncias. Nas reuniões matinais de Lula com cinco ministros,
introduzidas na reforma ministerial de julho, nunca se debateu um ato ou programa
de governo. Fala-se só de formas para superar a crise. Dos 1.819 projetos
no Orçamento, 1.219 não receberam um tostão neste ano. Ou
seja: mais de dois terços dos programas federais não saíram
do papel. Para contribuir com a letargia, o governo recebeu outra notícia
paralisante: pela primeira vez, uma pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros,
52%, não confia em Lula. Os
reflexos eleitorais do novo panorama são evidentes: se a eleição
fosse hoje, Lula chegaria em segundo lugar já no primeiro turno, coisa
que nenhuma pesquisa apontara até agora. Seu adversário mais forte
é o tucano José Serra, prefeito de São Paulo. A pesquisa
é ruim para o governo pelos números que exibe e pelo futuro que
projeta. Com o governo atolado na crise, Lula tem feito tudo para, se não
aumentar, ao menos preservar seu cacife eleitoral. Na semana passada, o presidente
chegou ao extremo de estrelar uma cerimônia chinfrim de entrega de ambulâncias
ao lado do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, um inimigo clássico
do PT e um símbolo de traquinagens públicas tão emblemático
quanto Paulo Maluf. Pelos dados da pesquisa, o esforço intenso de Lula
para manter sua popularidade não tem produzido os resultados esperados.
No contexto de um governo que não
anda e uma popularidade que cai, o presidente disse, em discurso no Planalto,
que não pretende se suicidar como Getúlio Vargas nem renunciar como
Jânio Quadros ou João Goulart que, em verdade, foi deposto
pelo golpe militar de 1964 e comparou-se com o presidente Juscelino Kubitschek.
"Crise, neste país, levou o Juscelino a ser mais achincalhado do que qualquer
outro presidente da história deste país", improvisou Lula. Ombrear-se,
ainda que de maneira forçada, àquele que é considerado o
Pelé dos presidentes faz sentido do ponto de vista propagandístico.
O problema é que, ao invocar JK, Lula faz paralelo entre situações
incomparáveis. No tempo de JK, o Brasil não tinha instituições
tão sólidas, o Ministério Público não fustigava
os políticos e a imprensa andava a reboque de interesses eleitoreiros,
dando voz a diatribes infundadas apenas para açoitar rivais políticos.
Agora é diferente e o mensalão já produziu recibos
bancários, confissões de alguns protagonistas, fitas de vídeo... 

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