|
|
Brasil O
marketing e a corrupção  Camila
Pereira
Montagens
sobre fotos de Paulo Vitale
 |
Pagamento e "recompensa" Como
é acertada a diferença entre os valores dos pagamentos declarados
aos marqueteiros de campanha e os efetivamente cobrados
x - 3x = y (x) Quantia que políticos declaram
pagar a seus marqueteiros (3x) Quantia que
especialistas afirmam ser o valor real pago em campanhas (y)
Diferença entre o valor declarado e o real COMO
Y É PAGO? 1 Ao longo da
campanha, via caixa dois 2 Depois
das eleições, por meio de contas entregues ao publicitário
pelo governo que ele ajudou a eleger 3
Por meio do desvio de dinheiro público, em licitações fraudulentas
4 No caso do PT, desconfia-se, com
dinheiro vindo do exterior, de origem desconhecida Exemplo:
na campanha presidencial de 2002, Lula declarou ter pago a Duda Mendonça
7 milhões de reais. Em depoimento à CPI, Duda admitiu que, na verdade,
cobrou 25 milhões por seu trabalho. Especialistas afirmam que, de fato,
as campanhas custam de três a quatro vezes mais do que o valor declarado
oficialmente aos tribunais eleitorais. Nesse caso, a equação ficaria
assim: 7 milhões (x) 25 milhões
(3,5x) = 18 milhões (y) FORMA
DE PAGAMENTO 1 Caixa dois: Duda
Mendonça declarou à CPI dos Correios ter recebido 10 milhões
de reais de Marcos Valério, via caixa dois 2
Com isso, restariam 8 milhões a ser pagos. Investigações
mostram que esse dinheiro pode ter sido incluído nos contratos que a agência
de Duda mantém no governo Lula. Desde 2003, o marqueteiro faturou 229 milhões
de reais. Como a comissão desses contratos gira em torno de 20%, o publicitário
ficou com 46 milhões. A conta da campanha foi paga, com lucro para o marqueteiro
| |
Nos últimos quinze anos,
os custos das campanhas eleitorais brasileiras aumentaram em proporção
extraordinária. Hoje, elas não só figuram entre as mais caras
do mundo, como ultrapassam em muito os gastos com eleições na mais
portentosa democracia e economia do planeta, a americana. As raízes desse
fenômeno repousam na fragilidade dos partidos e nas características
do sistema eleitoral. Aos primeiros, falta conteúdo programático.
Quanto ao sistema eleitoral, ele joga em terceiro plano o debate de propostas.
As falhas e distorções de ambos estimulam a exploração
da imagem individual dos candidatos, jogando inclusive políticos de uma
mesma agremiação uns contra os outros. Abre-se, então, o
caminho para a hipervalorização da propaganda, orquestrada por marqueteiros
pagos a preço de ouro. Não raro, trata-se de uma propaganda peculiaríssima,
a que se faz nas campanhas baseada exatamente no oposto do que receitam
os melhores manuais de publicidade. Se são escassos os atributos pessoais
do candidato (o produto), inventam-se qualidades para ele. Se seu capital de idéias
é muito limitado, cria-se um modo de ampliá-lo de tal forma que
a tacanhez se torne grandiosidade. Foi assim que o marketing emprestou um coração
a Maluf. Foi assim que o marketing emprestou um intelecto e um plano de governo
a Lula duas qualidades fictícias que, somadas à realidade
da Carta ao Povo Brasileiro, na qual o petista deu uma guinada ideológica
em direção à racionalidade, lhe garantiram a vitória
nas urnas. As razões da explosão
dos custos eleitorais estão claras há algum tempo para os cientistas
políticos, mas suas conseqüências só recentemente começaram
a ficar evidentes. A principal delas: por causa de seus gastos exacerbados, as
campanhas brasileiras se transformaram numa poderosa mola propulsora da corrupção
no país. O ciclo de degeneração tem início no momento
em que são feitas as doações aos candidatos. Nos Estados
Unidos, a maior parte das contribuições vem de indivíduos,
e não de empresas. No Brasil, é o contrário. Em 1998, cada
candidato a deputado federal teve, em média, apenas doze doadores individuais
na maior parte deles, seus parentes. O resto do dinheiro veio de pessoas
jurídicas. Como grande parte das empresas impõe o anonimato como
condição para as doações (seja para escapar do imposto
de renda, seja para proteger-se de acusações sobre possíveis
privilégios no futuro governo), o resultado, para os partidos, é
a formação de um vultoso caixa dois. É consenso entre especialistas
que os valores declarados pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
representam não mais do que um terço daquilo que de fato é
torrado nas campanhas. Os outros dois terços permanecem sob o manto da
ilegalidade ou, para usar um eufemismo delubiano, entram no cofre dos partidos
como "recursos não contabilizados". Ora, sendo o dinheiro "não contabilizado",
o que significa "invisível" aos olhos da lei, seus controladores se sentem
naturalmente mais à vontade para usá-lo da forma que bem entenderem.
Joedson
Alves/AE
 | O
REI DO ESPETÁCULO Duda Mendonça em gravação
de filme para campanha de Lula: sorrisos, superproduções e personal stylist |
"A compra de outros partidos, para a formação
de alianças, é um exemplo disso", afirma o professor da Universidade
de São Paulo (USP) e consultor político Gaudêncio Torquato.
Mais: como lembra o professor do Departamento de Ciências Políticas
da Universidade de Minnesota (EUA), David Samuels, estudioso das campanhas brasileiras,
os recursos em dinheiro que entram como caixa dois nos partidos fatalmente têm
de sair do caixa dois dos doadores. "E o dinheiro proveniente de caixa dois dificilmente
é um dinheiro limpo", diz Samuels. Ou seja, para consegui-lo, as empresas
doadoras valem-se freqüentemente de meios ilegais, ainda que, na mais pueril
das hipóteses, essas ilegalidades se limitem à sonegação
de impostos. Portanto, à diferença do que sugeriu Lula em entrevista
recente, ao fazer uso de caixa dois na última campanha presidencial, o
PT não está simplesmente "fazendo o que todos os partidos fazem".
Está também contribuindo para a perpetuação da falcatrua
em escala industrial. Há outra forte razão
para que a exacerbação dos gastos de campanha seja um fator determinante
para o aumento da corrupção no país. Em depoimento à
CPI do Mensalão, o empresário Marcos Valério declarou que
"todas as empresas de publicidade do Brasil que atendem aos governos se relacionam
com eles politicamente". Em sua própria tradução: "Quem fez
a campanha do presidente no passado atendeu às melhores contas do governo
no passado", disse. Valério pode não ter autoridade moral para acusar
ninguém, mas já provou ser um especialista em assuntos do submundo
eleitoral e o que ele diz, nesse caso, afirmam especialistas, é
a mais pura expressão da verdade. "A celebração dos chamados
contratos de risco é uma prática cada vez mais comum entre marqueteiros
e candidatos", afirma o cientista político Rubens Figueiredo. Esses contratos
(verbais, é claro) funcionam da seguinte forma: como o candidato não
tem dinheiro suficiente para bancar a campanha milionária bolada pelo marqueteiro,
este cobra apenas uma parte do custo durante a realização do trabalho.
O restante dos gastos, bem como o lucro do publicitário, é pago
depois, em caso de vitória do candidato quando, então, o
profissional é agraciado com gordas contas de publicidade no governo. Ou
seja, a propaganda do candidato vencedor é paga com dinheiro público.
O risco desses contratos, evidentemente, está em perder a eleição,
quando o político não dispõe de verbas governamentais para
remunerar o marqueteiro. Egberto
Nogueira
 |
O NÚMERO 2
Marqueteiro de FHC, Nizan Guanaes já usou até slogan de cerveja para vender candidato
|
Nos Estados Unidos, o fato de
existirem dois partidos fortes, o Democrata e o Republicano, com posições
e propostas claras a respeito dos assuntos que interessam aos americanos
como o controle de armas, o aborto e a aplicação do orçamento
, faz com que o debate de idéias prevaleça sobre a exploração
da imagem individual do candidato. No Brasil, na ausência de siglas com
força equivalente, resta aos aspirantes a cargos públicos promover
a si mesmos. "Em um país onde as siglas são fracas, o voto passa
a ser muito mais personalista do que partidário", afirma Torquato. Essa
situação somada à existência de um horário
eleitoral gratuito que dura 45 dias e prevê inserções de até
vinte minutos para alguns candidatos produziu um fenômeno que, no
Brasil, surgiu no governo Collor e atingiu o paroxismo na era Lula: o marketing
do espetáculo, aquele em que 30% do orçamento de campanha é
consumido na produção de filmes de propaganda para TV, o personal
stylist ocupa lugar de honra na equipe, os discursos do candidato flutuam ao sabor
das pesquisas de opinião e o político é anunciado como se
fosse uma marca de cerveja. Um exemplo literal da situação foi protagonizado
na campanha presidencial de 2002 pelo publicitário Nizan Guanaes, bruxo
das campanhas que elegeram Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. Ao assessorar
a então pré-candidata Roseana Sarney (PFL), Nizan pegou carona em
uma famosa propaganda de cerveja e "vendeu" Roseana como a candidata "número
1". Os políticos sempre tiveram seus truques
para edulcorar a própria imagem junto ao eleitorado. Getúlio Vargas
se apresentava como o "pai dos pobres". Jânio Quadros "almoçava"
bananas no palanque. A diferença é que o marketing moderno
terceirizado, profissionalizado e elevado aos limites da ficção
não só passou a forjar nos candidatos qualidades que eles,
mais tarde, provarão não ter (veja
quadro) como extrapolou as fronteiras das campanhas para invadir o território
do governo. Durante boa parte de seu curto mandato, o ex-presidente Fernando Collor
acreditou que se sustentaria à base de vôos em aviões de caça
e outras pirotecnias de igual calibre. Lula foi além ao basear programas
de governo em campanhas publicitárias desprovidas de recheio o Fome
Zero é o seu exemplo mais famoso. "Primeiro, o governo achou um slogan,
para só depois pensar de que modo poderia colocar o projeto em prática",
afirma o professor Torquato. Como não conseguiu, o resultado é que,
pirandellianamente, o Fome Zero se tornou um símbolo à procura de
uma realização. Joedson
Alves/AE
 |
ISSO TAMBÉM É PUBLICIDADE
Marcos Valério: "Quem fez a campanha do presidente no passado atendeu às melhores
contas do governo" |
O uso do
marketing do espetáculo não é uma prerrogativa nacional.
Especialistas situam seu nascimento na campanha que elegeu o presidente americano
John Kennedy, em 1960. Mais precisamente no debate em que o futuro presidente
aprumado, bem assessorado e maquiado massacrou seu adversário,
o carrancudo, suado e malbarbeado Richard Nixon (veja o quadro abaixo).
Outro exemplo americano de uso do condão publicitário, dessa vez
nem tão bem-sucedido assim, se deu em 1968, na campanha do também
candidato à Presidência George Wallace. Àquele tempo, opositores
insinuavam que Wallace não se notabilizava por seus dotes intelectuais.
Diante disso, seus assessores tiveram a estapafúrdia idéia de sugerir-lhe
que, num comício televisionado, usasse um par de óculos de grau,
a fim de "sofisticar" sua imagem. Wallace acatou a sugestão pela metade:
afastado do público por um vidro de proteção, resolveu usar
apenas a armação dos óculos, dispensando suas lentes. Foi
desmascarado quando, ao sentir um cisco perturbando a visão, levou instintivamente
o dedo ao olho por cima das lentes inexistentes. O vexame foi parar nos
jornais e, obviamente, não contribuiu em nada para a imagem do candidato,
derrotado por Nixon. A crise política que
o governo enfrenta hoje tem como um dos panos de fundo a campanha eleitoral que
o alçou ao poder. É preciso lembrar, no entanto, que, mesmo com
sua dinâmica viciada, suas distorções e seus exageros, as
campanhas não são "a causa" da crise, como pretendem alguns petistas.
O modo como se elegem hoje os candidatos, afinal de contas, por equivocado que
possa ser, não tem nenhuma relação com o projeto do PT de
colonizar o aparelho do Estado, tentar censurar a imprensa, amordaçar o
Judiciário e cooptar parlamentares à base de métodos heterodoxos,
como o mensalão essas, sim, as causas da crise. Ao atrair os holofotes
para o tema das campanhas, ela fez com que parlamentares improvisassem uma reforma
eleitoral que, se votada e aprovada pela Câmara até o dia 30 de setembro,
entrará em vigor já nas eleições de 2006. Ainda que
inclua mudanças importantes, sobretudo por forçar o barateamento
do custo das eleições (veja
quadro), a reforma está longe de resolver o problema fundamental
que as campanhas encobrem: o uso recorrente do caixa dois pelos partidos. O financiamento
público de campanha costuma ser apontado como a melhor panacéia
para esse mal. No Brasil, ele já vigora parcialmente por meio do horário
eleitoral gratuito e do Fundo Partidário dinheiro proveniente das
multas aplicadas pela Justiça Eleitoral que é distribuído
aos partidos para sua manutenção e uso nas campanhas. O financiamento
público também já existe em outro sentido, por meio do assalto
ao Estado. Por baixo do lençol, muitos políticos eleitos tratam
de tirar do poder público parte do dinheiro que gastaram na campanha. Financiam-se
com o dinheiro do contribuinte. A implantação integral do financiamento
público, afirma Samuels, não eliminaria a existência do caixa
dois pelo contrário: "Nos moldes do sistema eleitoral brasileiro,
ele poderia encorajar a corrupção". Isso porque, segundo o especialista,
os altos custos das campanhas continuariam a exigir recursos extras e, diante
da inexistência de um "caixa um", as empresas que hoje fazem ao menos parte
das doações de maneira legal acabariam por fazê-las de forma
totalmente ilegal, ou seja, por meio de caixa dois. Foi exatamente o que aconteceu
no México. Em 1996, para acabar com as doações ilegais de
campanha e quebrar a hegemonia do corrupto Partido Revolucionário Institucional
(PRI) encastelado no poder havia sete décadas , o país
adotou o financiamento público de campanha. O governo passou a bancar 80%
do custo das eleições e permitir aos partidos o recebimento apenas
de contribuições individuais as empresas foram proibidas
de doar. Quatro anos depois, o PRI foi derrotado e Vicente Fox, do Partido da
Ação Nacional (PAN ), ganhou as eleições para
logo em seguida se ver no epicentro de um escândalo eleitoral. A oposição
o acusou de ter recebido, ilegalmente, 15 milhões de dólares de
empresas. Ou seja, proibidas de fazer doações pelo caixa um, as
empresas fizeram o óbvio: recorreram ao caixa dois.
O fim do uso do caixa dois nas campanhas e da corrupção que
ele gera demanda mais do que uma reforma tributária improvisada.
Ele só seria possível se o caixa dois fosse eliminado também
da vida das empresas. Para tanto, é preciso levar adiante uma reforma tributária
que diminua o peso dos impostos na economia do país e desestimule a sonegação.
Seria necessário, ainda, que os mecanismos de fiscalização
e punição de quem recorre a esse expediente fossem mais rígidos.
Mais: é impossível baratear realmente o custo das campanhas sem
uma redefinição do sistema de representação proporcional
dos partidos. Como funciona hoje, além de possibilitar que candidatos inexpressivos
peguem "carona" em um campeão de votos da mesma legenda, o sistema atua
como mais um encarecedor de campanhas. Ao obrigar os postulantes a cargos no Legislativo
a competir com seus próprios colegas de sigla mais os adversários
de outros partidos , ele faz com que os candidatos, novamente, apostem na
diferenciação do perfil individual em detrimento de uma plataforma
partidária para alegria dos marqueteiros e seus bolsos sôfregos.
Não se trata aqui de demonizar a propaganda. Ela tem por função,
repita-se, realçar as qualidades e propostas do candidato (o produto)
além de legítimo, isso é fundamental para ajudar o eleitor
a definir o seu voto. O que ocorre hoje, também se repita, é que,
no lugar de ressaltar atributos, o marketing à moda de publicitários
como Duda Mendonça se presta tão-somente a escamotear os defeitos
do candidato e forjar-lhe qualidades. E cobra caro por isso. Resultado: além
de azeitar a máquina da corrupção, ele acaba produzindo "políticos
sabão em pó", que se liquefazem em espuma ao primeiro jato de realidade.
O pior é que, na maioria das vezes, tais produtos não podem ser
devolvidos à prateleira antes do tempo. É preciso esperar pelas
próximas eleições. Mas tudo bem: com todos os problemas,
"a democracia é um sistema que, se não garante a escolha dos melhores,
impede que os piores se perpetuem no poder". A frase é do filósofo
de língua inglesa Karl Popper. Fotos
Neco Varella/Ag. O Globo e Dave Weaver/AP
 |  |

A primeira vitória do marketing AP
 | CONFRONTO
HISTÓRICO Kennedy (à dir.) versus
Nixon: na televisão, o democrata explorou até o suor do rival |
O avanço do marketing sobre o terreno da política tem um marco zero:
26 de setembro de 1960. Nesse dia, pela primeira vez na história americana,
dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos o democrata
John F. Kennedy e o republicano Richard Nixon participaram de um debate
transmitido pela televisão. O resultado do confronto, e as inúmeras
teorias criadas para explicar o sucesso de um e o fracasso do outro aos olhos
dos telespectadores, é um tratado da lógica marqueteira. As imagens
de um Kennedy jovial, bronzeado e sorridente em contraste com um Nixon suado,
mal barbeado e abatido são consideradas até hoje o melhor exemplo
de como uma boa estratégia de marketing pode determinar o destino de uma
candidatura. Enquanto a equipe de Nixon tratou
o debate como apenas mais um evento na campanha, os assessores de Kennedy criaram
um arsenal de artimanhas destinadas a humilhar o adversário. Os democratas
sabiam que Nixon se recuperava de uma lesão no joelho e sofria de hiper-hidrose,
disfunção que faz a pessoa suar além do normal. De posse
dessas informações, fizeram questão de que os candidatos
ficassem de pé durante todo o debate e pediram que a temperatura do estúdio
fosse aumentada. Quando Nixon começou a passar seguidamente as mãos
pela testa, para enxugar o suor, os marqueteiros de Kennedy irromperam na sala
de edição e insistiram para que o diretor de imagens focalizasse
os candidatos em close. O resultado marcou o início do reinado da imagem
nas campanhas. Enquanto as pessoas que assistiram ao debate pela televisão
viram em Kennedy o vencedor, os que acompanharam o confronto pelo rádio
consideraram Nixon melhor. Kennedy ganhou a disputa eleitoral por uma pequena
margem de votos. Em A History of the American
People (Uma História do Povo Americano), o historiador inglês
Paul Johnson diz que a trajetória de Kennedy, coroada com uma milionária
campanha que o levou à Casa Branca, mostra "até que ponto o dinheiro
pavimentou o caminho da política americana a partir da segunda metade do
século XX". É verdade que Kennedy tinha grandes qualidades, não
era um candidato "sabão em pó". Mas também é verdade
que, a partir de sua eleição, marketing, dinheiro e política
estreitaram seus laços. Marcelo
Carneiro | | Com
reportagem de Juliana Linhares, André
Rizek e Fábio Portela |