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Carta ao leitor Decisão
histórica Ag.
O Globo
 | | Ministro
Celso de Mello: erudição e clareza em defesa da liberdade de expressão
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Ao mandar arquivar uma postulação
que lhe chegou às mãos pedindo punição penal a jornalistas
da revista VEJA pelo conteúdo de reportagens políticas publicadas
há três semanas, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal
(STF), deu uma aula de liberdade de expressão. O ministro rechaçou
a ação movida por um advogado que viu nas reportagens crimes de
"subversão contra a segurança nacional" e "contra a pessoa dos Chefes
dos Poderes da União". Sua decisão foi acompanhada de uma explanação
clara e erudita do papel da imprensa, da origem e das razões de sua liberdade.
Abaixo, os trechos mais contundentes da decisão do ministro do STF.
• "A Constituição da República assegura,
ao jornalista, o direito de expender crítica, ainda que desfavorável
e exposta em tom contundente e sarcástico, contra quaisquer pessoas ou
autoridades." • "Vê-se, pois, que a crítica
jornalística, quando inspirada pelo interesse público, não
importando a acrimônia e a contundência da opinião manifestada,
ainda mais quando dirigida a figuras públicas, com alto grau de responsabilidade
na condução dos negócios de Estado, não traduz nem
se reduz, em sua expressão concreta, à dimensão de abuso
da liberdade de imprensa, não se revelando suscetível, por isso
mesmo, em situações de caráter ordinário, à
possibilidade de sofrer qualquer repressão estatal."
O ministro ressalta que as prerrogativas do jornalismo devem ser ainda mais protegidas
quando a crítica "revele-se inspirada pelo interesse público e decorra
da prática legítima" justamente as características
identificadas por ele nas reportagens de VEJA que foram objeto da ação.
O ministro Celso de Mello conclui admiravelmente que "o Estado não dispõe
de poder algum sobre a palavra, sobre as idéias e sobre as convicções
manifestadas pelos profissionais dos meios de comunicação social".
VEJA não entende a lição do ministro como o reconhecimento
pela corte constitucional brasileira de que a imprensa pode tudo. Não pode.
A decisão de Celso de Mello aumenta ainda mais nossa responsabilidade,
a melhor companheira da liberdade. |