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DVD
Coleção
Audrey Hepburn (Paramount) Com sua figura esbelta até
o limite da fragilidade, Audrey Hepburn (1929-1993) era a antítese
das grandes estrelas dos anos 50 e início dos 60 todas voluptuosas
e erotizadas, a exemplo de Marilyn Monroe. Mas, já na sua estréia
no cinema americano, com A Princesa e o Plebeu, em 1953, a belga
Audrey, filha de um banqueiro inglês e uma baronesa holandesa, virou
um ícone. Mais do que um grande talento dramático, o que
a distinguia eram o encanto e a delicadeza. Além disso, ninguém
trajava um Givenchy como ela tanto que o estilista fazia questão
de vesti-la nas telas e fora delas. Essa elegância natural de Audrey
é o centro em torno do qual giram os quatro filmes dessa coleção.
Um deles, Quando Paris Alucina, é fraquinho, mas os outros
três são clássicos a começar por Bonequinha
de Luxo, boa adaptação do romance de Truman Capote,
na qual ela vive a festeira Holly Golightly. No mesmo patamar estão
Sabrina, dirigido por Billy Wilder, e Cinderela em Paris,
musical em que Fred Astaire transforma Audrey numa modelo très
chic tarefa que não requeria prática nem habilidade.
DISCOS
Charango,
Morcheeba (WEA) Em agosto de 2000, o trio inglês de trip
hop Morcheeba desembarcou em São Paulo a fim de divulgar seu trabalho
e sonhavam seus integrantes farrear um pouco. Eles odiaram
a cidade, mas pelo menos a capital inspirou o trio a compor São
Paulo,espécie de bossa eletrônica sobre o tédio
das turnês internacionais e uma das boas faixas de seu novo CD.
No todo, aliás, Charango está entre os melhores trabalhos
do grupo. Há canções de clima hipnótico como
Slow Down (que lembra o Pink Floyd), canções para
ouvir a dois como Undress me Now e Women Lose Weight e baladas
bem trabalhadas como What New York Couples Fight About, dueto da
vocalista Skye Edwards com Kurt Wagner, cantor do grupo de "jazz-country"
Lambchop.

Veja também |
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Volta
por Cima, Roberto Silva (Universal) Aos 82 anos, o cantor
carioca mantém intactas as qualidades que lhe renderam a admiração
incondicional de João Gilberto e títulos como "o príncipe
do samba". Silva emposta o vozeirão para cantar boleros e sambas-canções
como Da Cor do Pecado, de Bororó, e Notícia,
de Nelson Cavaquinho,que poderiam figurar tranqüilamente num disco
de Orlando Silva e adota um estilo mais moderno para interpretar
sambas sincopados, em que as letras são "quebradas" para dar mais
ritmo à interpretação. Os melhores momentos do CD
pertencem a essa categoria: A Rita, canção que Chico
Buarque escreveu na década de 60, e Gosto que me Enrosco,
de Sinhô. Primeiro disco de Roberto Silva em mais de trinta anos,
Volta por Cima agrada aos fãs do samba tradicional e tem
fôlego para atrair novos adeptos.

Veja também |
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Pet
Sounds Live, Brian Wilson (Zomba Music) Ex-líder
da banda americana Beach Boys, Brian Wilson foi diagnosticado como esquizofrênico
no final dos anos 60, e passou as décadas seguintes às voltas
com médicos e sanatórios. O último disco do grupo
que compôs e viu ser lançado, antes de sofrer um colapso,
foi Pet Sounds (1966), um marco na história do rock. Por
causa dele, os Beatles se sentiram desafiados a ousar mais em álbuns
como Revolver e Sgt. Pepper's, conforme disse certa vez
Paul McCartney. Em meados dos anos 90, Wilson superou a fobia de subir
ao palco que havia desenvolvido e voltou a apresentar-se. Pet Sounds
Live é uma recriação do disco clássico,
tema de quatro shows no começo deste ano. Pela primeira vez, Wilson
interpreta todas as faixas, inclusive aquelas em que não cantava
na versão original, como God Only Knows.

Veja também |
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LIVROS
Um
Mês no Campo, de J.L. Carr (tradução de Carlos
Szlak; Globo; 162 páginas; 25 reais) O escritor inglês
J.L. Carr, que morreu em 1994, foi reconhecido tardiamente, quando já
beirava os 70 anos, ao ser indicado para o prestigioso Booker Prize graças
a essa idílica novela. O lançamento da obra no Brasil, duas
décadas depois de sua publicação na Inglaterra, é
uma excelente notícia. Um Mês no Campo conta a história
de Tom Birkin, um veterano da I Guerra Mundial que tenta retomar a vida
ao voltar da batalha e verificar, entre outras coisas, que a mulher
o abandonou. Ao estabelecer-se num vilarejo do interior, onde se ocupa
da restauração de um mural religioso, o personagem vai refazendo
sua auto-estima em meio a uma exótica galeria de personagens.

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Um
Médico Brasileiro no Front, de Massaki Udihara (Imprensa
Oficial do Estado de São Paulo e co-editoras; 380 páginas;
38 reais) Esse lançamento traz à tona um relato inédito
a respeito da participação nacional na II Guerra Mundial.
É o diário mantido pelo médico Massaki Udihara, tenente
da Força Expedicionária Brasileira (FEB) entre 1944 e 1945.
Udihara é um narrador fluente e imbuído de espírito
crítico. Ele registra o cotidiano dos pracinhas com riqueza de
detalhes, revolta-se diante da tragédia da guerra e não
poupa de críticas seus superiores e os próprios companheiros.
"Os nossos soldados são bons. Quando não se embriagam",
alfineta. A bem-cuidada edição traz artigos que ajudam a
entender o ponto de vista do autor, filho de imigrantes japoneses.

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O
Urso Azul, de Lynn Schooler (tradução de Marcos
Santarrita; Objetiva; 302 páginas; 39,90 reais) Nos anos
90, o fotógrafo japonês Michio Hoshino, reconhecido mundialmente
por seus trabalhos em revistas como a National Geographic, fez
uma expedição ao Alasca com o objetivo de documentar a vida
de uma espécie rara: o urso azul. Teve uma morte trágica
nas garras justamente de um urso (não da espécie que procurava).
O episódio é a peça central desse livro, escrito
pelo guia e também fotógrafo Lynn Schooler, que era seu
amigo e o acompanhou na viagem. Schooler fornece visões impressionantes
sobre a gélida natureza daquele Estado americano.Trata-se de uma
obra de aventura de primeira.

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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Em
oitavo lugar na lista de não-ficção de VEJA,
a antologia Os 100 Livros que Mais Influenciaram a Humanidade
(tradução de Fausto Wolff; Difel; 678 páginas;
59 reais) parte de uma premissa interessante. O ensaísta
inglês Martin Seymour-Smith morto há quatro
anos, pouco antes da publicação da obra optou
por uma seleção que dá pouco destaque à
literatura. Em compensação, abre grande espaço
a escritos científicos, filosóficos e religiosos que,
na sua visão, deixaram marcas indeléveis na civilização.
Há, é claro, alguns títulos com lugar cativo:
entre eles, o Velho e o Novo Testamento, o Corão
e O Príncipe, de Maquiavel. Mas Seymour-Smith também
fez inúmeras inclusões menos óbvias. É
o caso, por exemplo, do Tratado sobre Eletricidade e Magnetismo
(1873), do cientista James Clerk Maxwell, e de Estruturas Sintáticas
(1957), do lingüista Noam Chomsky. Leitores que buscam
um contato inicial com os livros, ou apenas um vernizinho cultural,
provavelmente ficarão intimidados com a erudição
derramada com que Seymour-Smith escreve. Isso não quer dizer,
no entanto, que os ensaios contenham análises profundas
mesmo porque raramente superam as três páginas. O pecado
do autor é a indecisão. Não fez um livro nem
para iniciantes nem para iniciados.
Marcelo
Marthe
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