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Edição 1 762 - 31 de julho de 2002
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Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

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DVD

Coleção Audrey Hepburn (Paramount) – Com sua figura esbelta até o limite da fragilidade, Audrey Hepburn (1929-1993) era a antítese das grandes estrelas dos anos 50 e início dos 60 – todas voluptuosas e erotizadas, a exemplo de Marilyn Monroe. Mas, já na sua estréia no cinema americano, com A Princesa e o Plebeu, em 1953, a belga Audrey, filha de um banqueiro inglês e uma baronesa holandesa, virou um ícone. Mais do que um grande talento dramático, o que a distinguia eram o encanto e a delicadeza. Além disso, ninguém trajava um Givenchy como ela – tanto que o estilista fazia questão de vesti-la nas telas e fora delas. Essa elegância natural de Audrey é o centro em torno do qual giram os quatro filmes dessa coleção. Um deles, Quando Paris Alucina, é fraquinho, mas os outros três são clássicos – a começar por Bonequinha de Luxo, boa adaptação do romance de Truman Capote, na qual ela vive a festeira Holly Golightly. No mesmo patamar estão Sabrina, dirigido por Billy Wilder, e Cinderela em Paris, musical em que Fred Astaire transforma Audrey numa modelo très chic – tarefa que não requeria prática nem habilidade.

 

DISCOS

Charango, Morcheeba (WEA) – Em agosto de 2000, o trio inglês de trip hop Morcheeba desembarcou em São Paulo a fim de divulgar seu trabalho e – sonhavam seus integrantes – farrear um pouco. Eles odiaram a cidade, mas pelo menos a capital inspirou o trio a compor São Paulo,espécie de bossa eletrônica sobre o tédio das turnês internacionais e uma das boas faixas de seu novo CD. No todo, aliás, Charango está entre os melhores trabalhos do grupo. Há canções de clima hipnótico como Slow Down (que lembra o Pink Floyd), canções para ouvir a dois como Undress me Now e Women Lose Weight e baladas bem trabalhadas como What New York Couples Fight About, dueto da vocalista Skye Edwards com Kurt Wagner, cantor do grupo de "jazz-country" Lambchop.

Veja também
Vídeo da música Otherwise
Para ouvir: trecho da música São Paulo


Volta por Cima, Roberto Silva (Universal) – Aos 82 anos, o cantor carioca mantém intactas as qualidades que lhe renderam a admiração incondicional de João Gilberto e títulos como "o príncipe do samba". Silva emposta o vozeirão para cantar boleros e sambas-canções – como Da Cor do Pecado, de Bororó, e Notícia, de Nelson Cavaquinho,que poderiam figurar tranqüilamente num disco de Orlando Silva – e adota um estilo mais moderno para interpretar sambas sincopados, em que as letras são "quebradas" para dar mais ritmo à interpretação. Os melhores momentos do CD pertencem a essa categoria: A Rita, canção que Chico Buarque escreveu na década de 60, e Gosto que me Enrosco, de Sinhô. Primeiro disco de Roberto Silva em mais de trinta anos, Volta por Cima agrada aos fãs do samba tradicional e tem fôlego para atrair novos adeptos.

Veja também
Para ouvir: trechos das músicas Da Cor do Pecado e Notícia


Pet Sounds Live, Brian Wilson (Zomba Music) – Ex-líder da banda americana Beach Boys, Brian Wilson foi diagnosticado como esquizofrênico no final dos anos 60, e passou as décadas seguintes às voltas com médicos e sanatórios. O último disco do grupo que compôs e viu ser lançado, antes de sofrer um colapso, foi Pet Sounds (1966), um marco na história do rock. Por causa dele, os Beatles se sentiram desafiados a ousar mais em álbuns como Revolver e Sgt. Pepper's, conforme disse certa vez Paul McCartney. Em meados dos anos 90, Wilson superou a fobia de subir ao palco que havia desenvolvido e voltou a apresentar-se. Pet Sounds Live é uma recriação do disco clássico, tema de quatro shows no começo deste ano. Pela primeira vez, Wilson interpreta todas as faixas, inclusive aquelas em que não cantava na versão original, como God Only Knows.

Veja também
Para ouvir: a música God Only Knows

 

LIVROS

Um Mês no Campo, de J.L. Carr (tradução de Carlos Szlak; Globo; 162 páginas; 25 reais) – O escritor inglês J.L. Carr, que morreu em 1994, foi reconhecido tardiamente, quando já beirava os 70 anos, ao ser indicado para o prestigioso Booker Prize graças a essa idílica novela. O lançamento da obra no Brasil, duas décadas depois de sua publicação na Inglaterra, é uma excelente notícia. Um Mês no Campo conta a história de Tom Birkin, um veterano da I Guerra Mundial que tenta retomar a vida ao voltar da batalha – e verificar, entre outras coisas, que a mulher o abandonou. Ao estabelecer-se num vilarejo do interior, onde se ocupa da restauração de um mural religioso, o personagem vai refazendo sua auto-estima em meio a uma exótica galeria de personagens.

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Trecho do livro


Um Médico Brasileiro no Front,
de Massaki Udihara (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e co-editoras; 380 páginas; 38 reais) – Esse lançamento traz à tona um relato inédito a respeito da participação nacional na II Guerra Mundial. É o diário mantido pelo médico Massaki Udihara, tenente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) entre 1944 e 1945. Udihara é um narrador fluente e imbuído de espírito crítico. Ele registra o cotidiano dos pracinhas com riqueza de detalhes, revolta-se diante da tragédia da guerra e não poupa de críticas seus superiores e os próprios companheiros. "Os nossos soldados são bons. Quando não se embriagam", alfineta. A bem-cuidada edição traz artigos que ajudam a entender o ponto de vista do autor, filho de imigrantes japoneses.

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Trecho do livro


O Urso Azul, de Lynn Schooler (tradução de Marcos Santarrita; Objetiva; 302 páginas; 39,90 reais) – Nos anos 90, o fotógrafo japonês Michio Hoshino, reconhecido mundialmente por seus trabalhos em revistas como a National Geographic, fez uma expedição ao Alasca com o objetivo de documentar a vida de uma espécie rara: o urso azul. Teve uma morte trágica nas garras justamente de um urso (não da espécie que procurava). O episódio é a peça central desse livro, escrito pelo guia e também fotógrafo Lynn Schooler, que era seu amigo e o acompanhou na viagem. Schooler fornece visões impressionantes sobre a gélida natureza daquele Estado americano.Trata-se de uma obra de aventura de primeira.

Veja também
Trecho do livro


OS MAIS VENDIDOS CRÍTICA

Em oitavo lugar na lista de não-ficção de VEJA, a antologia Os 100 Livros que Mais Influenciaram a Humanidade (tradução de Fausto Wolff; Difel; 678 páginas; 59 reais) parte de uma premissa interessante. O ensaísta inglês Martin Seymour-Smith – morto há quatro anos, pouco antes da publicação da obra – optou por uma seleção que dá pouco destaque à literatura. Em compensação, abre grande espaço a escritos científicos, filosóficos e religiosos que, na sua visão, deixaram marcas indeléveis na civilização. Há, é claro, alguns títulos com lugar cativo: entre eles, o Velho e o Novo Testamento, o Corão e O Príncipe, de Maquiavel. Mas Seymour-Smith também fez inúmeras inclusões menos óbvias. É o caso, por exemplo, do Tratado sobre Eletricidade e Magnetismo (1873), do cientista James Clerk Maxwell, e de Estruturas Sintáticas (1957), do lingüista Noam Chomsky. Leitores que buscam um contato inicial com os livros, ou apenas um vernizinho cultural, provavelmente ficarão intimidados com a erudição derramada com que Seymour-Smith escreve. Isso não quer dizer, no entanto, que os ensaios contenham análises profundas – mesmo porque raramente superam as três páginas. O pecado do autor é a indecisão. Não fez um livro nem para iniciantes nem para iniciados.

Marcelo Marthe

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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