Os próximos passos da crise nos Estados Unidos
 
Roberto Macedo, economista e professor da Universidade de São Paulo

Marcílio Marques Moreira, consultor sênior da Merrill Lynch e ex-ministro da Fazenda

João Paulo dos Reis Velloso, economista e ex-ministro do Planejamento

Delfim Netto, economista, deputado e ex-ministro da Fazenda

Gustavo Loyola, economista, sócio da consultoria Tendências e ex-presidente do Banco Central

Paulo Nogueira Batista Jr., economista e professor da FGV-SP
A crise nas bolsas vai gerar recessão nos EUA? É provável. O maior risco é os investidores fugirem das bolsas e encolherem seus gastos por medo do pior. Isso provoca retração econômica. É muito provável. As notas de dólar têm a inscrição em inglês "Em Deus confiamos." Portanto, uma crise de confiança não se esgota nas bolsas. É provável. O país perdeu credibilidade. A retração dos investimentos nos EUA já se faz sentir na valorização do euro, que reflete a fuga de capitais para a Europa. Sim. A falta de credibilidade pode provocar recessão num país em que os investidores domésticos têm 40% de sua poupança na bolsa. O risco existe. A reversão da crise e do clima negativo das bolsas tem de ser rápida, para não transbordar para a economia real. Os reflexos internos da crise acionária serão graves. O mercado de capitais tem papel central na vida econômica americana.
Como a crise vai afetar o Brasil? Teremos um segundo semestre mais turbulento. Mas não acredito em descontrole total. O risco de isso ocorrer é de 10%. Teremos mais instabilidade. As probabilidades de ocorrer mais uma disparada do dólar são de 20%. A fonte externa de dólares pode secar. Já secou para o Chile, o "queridinho" de Wall Street. A situação vai ficar mais difícil. A volatilidade das bolsas americanas introduziram um elemento novo de insegurança. É preciso amenizar o risco político. O clima de aversão ao risco já é péssimo para quem precisa, como o Brasil, de 30 bilhões de dólares por ano de investimentos de fora. Se os investidores fogem do risco, o dinheiro não vem. O problema para nós é que em clima de crise a fonte dos investimentos seca primeiro para os destinatários mais arriscados. O Brasil preenche todos os requisitos para sofrer com a crise por causa dos oito anos de dependência do capital externo. O clima eleitoral só piora a situação.
Fotos Egberto Nogueira/Bia Parreiras/Paulo Jares/Sergio Dutti/Ricardo Stuckert e Wilson Pedrosa/Agência Estado