Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 762 - 31 de julho de 2002
Artes e Espetáculos Livros
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
  Perfil do caubói Rodrigo, vencedor do Big Brother
Minority Report, de Spielberg, com Tom Cruise
O Que Deu Errado no Oriente Médio?, de Bernard Lewis
Harri Lorenzi, o botânico que virou best-seller

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

De galho em galho

Com suas enciclopédias sobre plantas,
o pesquisador Harri Lorenzi montou
um florescente negócio editorial

Marcelo Marthe

 
Claudio Rossi
Lorenzi: quase detido por carregar uma plantinha
na bagagem

Veja também
Mais informações sobre o botânico
Trechos do livro Plantas Ornamentais no Brasil

Vinte anos atrás, o botânico Harri Lorenzi vendeu o apartamento onde morava para bancar a publicação de um livro. Era um livro de cunho técnico, sem apelo comercial aparente. Com Plantas Daninhas do Brasil, contudo, ele desbravou um filão no mercado editorial: o das enciclopédias ilustradas sobre a flora brasileira, com informações que são úteis tanto para estudiosos quanto para jardineiros de fim de semana. De lá para cá, Lorenzi lançou oito títulos, que, somados, ultrapassaram a barreira dos 250.000 exemplares vendidos (veja quadro). Entre eles, há uma obra de valor inestimável: os dois volumes de Árvores Brasileiras, o compêndio mais completo sobre o assunto. Lorenzi tem público cativo. Vende a maior parte de seus livros por mala-direta e, na hora de colocá-los nas livrarias, aproveita-se da posição de quem detém praticamente um monopólio. "O homem é duro. Se alguém rejeita suas condições de preço e prazo de pagamento, ele não faz negócio", diz um dos maiores distribuidores de São Paulo. Com o sucesso comercial, Lorenzi montou o que se pode chamar de círculo virtuoso: os livros sustentam sua atividade de pesquisador e vice-versa.

O botânico dispõe de uma estrutura empresarial eficiente. Em vez de recorrer a uma grande editora, criou um negócio próprio para lançar suas obras – o Instituto Plantarum, sediado na região de Campinas, no interior paulista. Assim, assumiu total controle sobre a confecção dos livros e divide os lucros apenas com uns poucos colaboradores (em geral, botânicos veteranos). "O instituto sou eu mesmo", resume. Seu maior trunfo são os 25.000 clientes cadastrados na mala-direta, que inclui desde estudantes de agronomia até paisagistas diletantes. Para esses leitores, Lorenzi tornou-se uma espécie de professor sabe-tudo. Toda semana, ele recebe quase 200 cartas pedindo conselhos sobre como combater pragas ou podar roseiras. Muitos enviam galhos de plantas para ser identificados. "Diante de qualquer matinho meio esquisito, eles não têm dúvida: mandam para o Lorenzi. Pensam que essas coisas não tomam o tempo da gente", brinca ele, com seu jeitão meio caipira.

Boa parte do dinheiro que ganha com os livros é reinvestida em sua grande paixão: as expedições botânicas. Periodicamente, Lorenzi promove viagens de pesquisadores para rincões remotos. Há quinze dias, ele e seus colegas embrenharam-se nos igapós da selva amazônica para fotografar uma palmeira rara. Nessas aventuras, já foi ameaçado por índios e esteve sob a mira de jagunços desconfiados com um bando de marmanjos remexendo em matagal alheio. Atualmente, Lorenzi bate-se contra uma medida provisória que dificulta qualquer retirada de amostras de espécies nativas. Numa recente expedição, ele quase foi preso no aeroporto por trazer um ramo de uma folhagem que não conhecia na bagagem. "Levada ao pé da letra, a medida inviabiliza a pesquisa de campo e o intercâmbio com cientistas estrangeiros", reclama.

A renda obtida com os livros permite que Lorenzi, de 52 anos, leve uma vida confortável ao lado da mulher e de suas duas filhas. Com o lançamento de livros e a promoção de palestras, o Instituto Plantarum fatura hoje 1,5 milhão de reais por ano. Ciente de que seu maior best-seller, Plantas Ornamentais no Brasil, alargou seu horizonte de público por tratar de variedades usadas para decoração, ele pretende lançar em breve dois livros de apelo fortemente popular: um sobre ervas medicinais e outro sobre árvores importadas que são comumente usadas na arborização de ruas e jardins. Sua maior ambição, contudo, é de cunho científico. Ele almeja fazer uma enciclopédia que abranja toda a flora nacional, em vários volumes. "Cerca de 55.000 plantas já foram catalogadas no território brasileiro", estima Lorenzi. "Tenho a convicção de que ainda faltam pelo menos 20.000."

 





   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Livraria Nobel
 
Ingressos
Ingresso.com.br
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS