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De
galho em galho
Com
suas enciclopédias sobre plantas,
o pesquisador Harri Lorenzi montou
um florescente negócio editorial
Marcelo Marthe
Claudio Rossi
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Lorenzi:
quase detido por carregar uma plantinha
na bagagem |

Veja também |
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Vinte
anos atrás, o botânico Harri Lorenzi vendeu o apartamento
onde morava para bancar a publicação de um livro. Era um
livro de cunho técnico, sem apelo comercial aparente. Com Plantas
Daninhas do Brasil, contudo, ele desbravou um filão no mercado
editorial: o das enciclopédias ilustradas sobre a flora brasileira,
com informações que são úteis tanto para estudiosos
quanto para jardineiros de fim de semana. De lá para cá,
Lorenzi lançou oito títulos, que, somados, ultrapassaram
a barreira dos 250.000 exemplares vendidos (veja
quadro).
Entre eles, há uma obra de valor inestimável: os dois
volumes de Árvores Brasileiras, o compêndio mais completo
sobre o assunto. Lorenzi tem público cativo. Vende a maior parte
de seus livros por mala-direta e, na hora de colocá-los nas livrarias,
aproveita-se da posição de quem detém praticamente
um monopólio. "O homem é duro. Se alguém rejeita
suas condições de preço e prazo de pagamento, ele
não faz negócio", diz um dos maiores distribuidores de São
Paulo. Com o sucesso comercial, Lorenzi montou o que se pode chamar de
círculo virtuoso: os livros sustentam sua atividade de pesquisador
e vice-versa.
O botânico dispõe de uma estrutura empresarial eficiente.
Em vez de recorrer a uma grande editora, criou um negócio próprio
para lançar suas obras o Instituto Plantarum, sediado na
região de Campinas, no interior paulista. Assim, assumiu total
controle sobre a confecção dos livros e divide os lucros
apenas com uns poucos colaboradores (em geral, botânicos veteranos).
"O instituto sou eu mesmo", resume. Seu maior trunfo são os 25.000
clientes cadastrados na mala-direta, que inclui desde estudantes de agronomia
até paisagistas diletantes. Para esses leitores, Lorenzi tornou-se
uma espécie de professor sabe-tudo. Toda semana, ele recebe quase
200 cartas pedindo conselhos sobre como combater pragas ou podar roseiras.
Muitos enviam galhos de plantas para ser identificados. "Diante de qualquer
matinho meio esquisito, eles não têm dúvida: mandam
para o Lorenzi. Pensam que essas coisas não tomam o tempo da gente",
brinca ele, com seu jeitão meio caipira.
Boa parte do dinheiro que ganha com os livros é reinvestida em
sua grande paixão: as expedições botânicas.
Periodicamente, Lorenzi promove viagens de pesquisadores para rincões
remotos. Há quinze dias, ele e seus colegas embrenharam-se nos
igapós da selva amazônica para fotografar uma palmeira rara.
Nessas aventuras, já foi ameaçado por índios e esteve
sob a mira de jagunços desconfiados com um bando de marmanjos remexendo
em matagal alheio. Atualmente, Lorenzi bate-se contra uma medida provisória
que dificulta qualquer retirada de amostras de espécies nativas.
Numa recente expedição, ele quase foi preso no aeroporto
por trazer um ramo de uma folhagem que não conhecia na bagagem.
"Levada ao pé da letra, a medida inviabiliza a pesquisa de campo
e o intercâmbio com cientistas estrangeiros", reclama.
A renda obtida com os livros permite que Lorenzi, de 52 anos, leve uma
vida confortável ao lado da mulher e de suas duas filhas. Com o
lançamento de livros e a promoção de palestras, o
Instituto Plantarum fatura hoje 1,5 milhão de reais por ano. Ciente
de que seu maior best-seller, Plantas Ornamentais no Brasil, alargou
seu horizonte de público por tratar de variedades usadas para decoração,
ele pretende lançar em breve dois livros de apelo fortemente popular:
um sobre ervas medicinais e outro sobre árvores importadas que
são comumente usadas na arborização de ruas e jardins.
Sua maior ambição, contudo, é de cunho científico.
Ele almeja fazer uma enciclopédia que abranja toda a flora nacional,
em vários volumes. "Cerca de 55.000 plantas já foram catalogadas
no território brasileiro", estima Lorenzi. "Tenho a convicção
de que ainda faltam pelo menos 20.000."


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