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Pobres,
fracos e ignorantes
Assim são os muçulmanos,
na
visão de Bernard Lewis
Diogo
Mainardi

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Pobres,
fracos e ignorantes. É como o historiador inglês Bernard
Lewis define os muçulmanos em O Que Deu Errado no Oriente
Médio? (tradução de Maria Luiza Borges; Jorge
Zahar; 204 páginas; 24 reais). Pobres: só produzem combustíveis
fósseis, extraídos com tecnologia ocidental. Fracos: perdem
todas as guerras em que se metem. Ignorantes: confundem-se até
mesmo para datar um documento ou medir uma propriedade.
Nem
sempre foi assim, claro. Lewis traça a história do Oriente
Médio demonstrando que, por cerca de 1.000 anos, os muçulmanos
mantiveram a supremacia econômica, militar, científica e
cultural sobre o resto da humanidade. Daí a pergunta: O que deu
errado? Como o Ocidente conseguiu alcançá-los e deixá-los
para trás? Onde eles falharam? Lewis aponta para a incapacidade
do mundo muçulmano de separar religião e Estado. Faltou-lhes
algo como a Reforma Protestante ou a Revolução Francesa.
A promiscuidade entre religião e Estado gerou um sistema monolítico,
avesso às contraposições, que os impediu de desenvolver
conceitos como democracia, emancipação feminina, liberdade
de imprensa ou música sinfônica, em que cada instrumento
segue a própria partitura para estabelecer uma harmonia de conjunto.
Não que o Ocidente não tenha tido culpas. O colonialismo
europeu e, mais tarde, o imperialismo americano e o soviético provocaram
uma infinidade de desastres entre os muçulmanos. Mas Lewis prefere
inverter a questão, observando que eles só foram conquistados
pelo Ocidente porque já haviam entrado em decadência. A cultura
ocidental foi mal assimilada pelo mundo islâmico. Uma idéia
como o nacionalismo, por exemplo, só produziu aberrações
como monarquias absolutistas e ditaduras militares. A frustração
e o ressentimento causados pelo fracasso das idéias ocidentais
insuflou o fundamentalismo religioso, com sua falsa promessa de um retorno
a um passado glorioso em que os muçulmanos dominavam o mundo. É
exatamente o que pretendiam fazer os talibãs no Afeganistão:
imitar a vida dos tempos do profeta Maomé. Mais ou menos como se
nós, brasileiros, reintroduzíssemos os costumes dos tupinambás.
O Ocidente reagiu aos atentados de 11 de setembro com julgamentos de valor
preconceituosos e ignorantes sobre o islamismo. Lewis, professor emérito
da Universidade Princeton, autor de mais de vinte livros sobre o assunto,
ajuda a trazer a discussão para o terreno da análise. Não
significa que sua análise seja neutra. Pelo contrário: Lewis
tem posições extremas. Tempos atrás, um tribunal
francês o condenou por uma entrevista em que minimizava o genocídio
dos armênios por parte dos turcos, em 1915. Mais recentemente, afirmou
que Israel errou ao permitir que Arafat voltasse de seu exílio.
O maior oponente de Lewis no universo acadêmico americano é
Edward Said, autor de Orientalismo. Não por acaso, o primeiro
é judeu, e o segundo, palestino. Para se ter uma visão mais
clara do Oriente Médio, convém ler os dois, deixando-os
soltos para guerrear dentro de sua casa. Com a esperança de que
não apareça nenhum homem-bomba, e de que um F-16 não
venha retaliar explodindo seus filhos.
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