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Edição 1 762 - 31 de julho de 2002
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No rancho fundo

Como vivia o peão Rodrigo, antes de
ganhar os 500 000 reais do Big Brother

Ricardo Valladares

 
Otavio Magalhães/AE
Rodrigo comemora a vitória: a Globo queria um participante com cara de vaqueiro e que usasse chapéu

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Pouco antes da final de Big Brother Brasil 2, começou a circular, entre os seus aficionados, o boato de que os 500.000 reais de prêmio não fariam muita diferença na conta bancária do caubói paulista Rodrigo Fraga Leonel, de 32 anos. "Andam dizendo por aí que você é rico", inquiriu, então, o apresentador Pedro Bial. Rodrigo negou. Seus únicos bens seriam "uma égua chamada Laila, um cachorro chamado Pingo e as roupas que eu uso". Parece letra de música sertaneja, mas o peão não estava mentindo. Vencedor do reality show na terça-feira passada, ele não tem imóvel nem carro em seu nome, e tampouco a expectativa de receber uma herança polpuda. Com o dinheiro que ganhou, pensa agora em montar um "hotel para cavalos".

A infância e a adolescência de Rodrigo foram mais confortáveis que as do igualmente caipira Kléber Bambam, que faturou a bolada do primeiro Big Brother. Nascido em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Rodrigo estudou em bons colégios, morou em uma boa casa e chegou a viver por um ano e meio em Chicago, nos Estados Unidos. Seu pai era um bem-sucedido negociante de terras e gado, mas quebrou no começo dos anos 90, com o Plano Collor. Aí, segundo Rodrigo, acabou a mamata. Para ganhar a vida, ele se tornou "roleiro". "Se alguém queria vender um carro, eu corria atrás de um comprador para ganhar comissão. Fiz isso com tudo que é coisa, de terra a galinha", conta. Além disso, apostou no trabalho de adestrador, que começou a aprender aos 15 anos. Nos últimos tempos, tirava entre 1.000 e 2.000 reais por mês domando cavalos, e boa parte do dinheiro ia para a pensão de duas filhas, nascidas de dois casamentos desfeitos. "Eu estava duro", diz o caubói, que dividia um apartamento e um automóvel modelo 1994 com a mãe.

 
Divulgação
Thyrso e a segunda colocada Manu: "Me perdoa?"

Rodrigo não se inscreveu para tomar parte em Big Brother. "Eu tinha visto o primeiro programa e achado uma doideira", diz. Foi a Globo que chegou a ele. A emissora queria um participante do interior de São Paulo e pediu à sua afiliada de Ribeirão Preto que encontrasse um homem com cara de vaqueiro e que andasse de chapéu. Ao longo do programa, o caubói foi conquistando a simpatia do público e chegou à final como franco favorito. Em segundo lugar ficou a carioca Manuela Saadeh. Ela recebeu 30.000 reais e o perdão de seu namorado, o grudentíssimo Thyrso, de quem ela havia feito gato-sapato na casa. Os dois até já passaram uma noite juntos. Na terça-feira, a média de audiência de Big Brother foi de 45 pontos, com pico de 49. O número é menor que o registrado na final da edição anterior, que teve média de 59 pontos, mas foi um recorde no horário em que o programa foi ao ar (entre 23 horas e 0h20). Big Brother 3 já está nos planos. Pelo contrato com a produtora holandesa Endemol, que criou a atração, deveria sair daqui a seis meses, mas a Globo pensa em antecipá-lo.

   
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