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Mil e uma utilidades

Além de alisar rugas, a toxina
que paralisa músculos pode
atenuar outros problemas estéticos

Silvia Rogar

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Dos arquivos de VEJA
Reportagem de 6/3/2002 sobre os exageros da plástica
Reportagem de 4/4/2001: "Toxina do bem"
Reportagem de 21/3/2001: "Salão cirúrgico"
Reportagem de 17/1/2001: "Antes & depois. Retoques finais"

Nem parece que o tempo também passou para ele, mas já faz uma década que o Botox foi usado pela primeira vez no Brasil. Até agora, não deu sinal algum de envelhecimento – muito pelo contrário. Além de continuar alisando sulcos na testa e entre as sobrancelhas e pés-de-galinha de homens e mulheres, a toxina botulínica ampliou sua utilidade: agora também serve para minimizar vincos na pele do colo (as chamadas "rugas do decote"), levantar a ponta do nariz, atenuar aquele sorriso escancarado que deixa gengivas à mostra e arredondar rostos quadrados. Ela é usada, ainda, como tratamento auxiliar nos casos de paralisia e assimetria facial. O pacote de novas aplicações, ainda pouco conhecidas por quem sonha com uma aparência melhor, está sintetizado no primeiro livro médico escrito no país sobre o assunto, Uso Cosmético da Toxina Botulínica, que contém 46 artigos de especialistas e foi organizado pelas dermatologistas Dóris Hexsel e Ada Trindade de Almeida.

A boa notícia é que uns poucos minutos de aplicações de Botox no consultório substituem as cirurgias na maioria dos casos citados. O lado ruim já é conhecido: os efeitos da toxina não costumam durar mais do que seis meses e a aplicação tem de ser feita por quem realmente entenda do riscado. Como tem o efeito de paralisar músculos, qualquer deslize pode ser perigoso. Mas mesmo levando em conta tudo isso, e ainda o custo, para a maioria dos aflitos a alternativa é sedutora. Quem, afinal, triste com os efeitos da gravidade sobre o próprio nariz, resiste a uma empinada sem anestesia nem curativos? "Com o envelhecimento, a face tende a cair, inclusive o nariz. A aplicação de Botox o eleva, rejuvenescendo a fisionomia", diz a dermatologista Ada Trindade. A técnica também pode ser usada em jovens, desde que a causa não seja óssea ou de cartilagem – casos que não escapam do bisturi.

 
Galeria de botocados
João Passos

Não é difícil identificar quem faz aplicação de Botox, já que os efeitos, como se diz, estão na cara. Mesmo assim, tem gente que não confessa:

QUEM FAZ E ASSUME: Gugu Liberato, Bruna Lombardi, Sheila Mello, Monique Evans, Marília Gabriela, Miguel Falabella, Narcisa Tamborindeguy, Núbia Ólive, Fernando Collor

QUEM FAZ E NÃO ASSUME: Madonna, Vera Fischer, Elba Ramalho, Chitãozinho, Xuxa, Cesar Maia

Entre os usos mais recentes da toxina, um grande sucesso em pacientes que já passaram dos 50 anos são as injeções para amenizar as rugas do decote, a seqüência de pequenos vincos que denuncia a idade de muita gente de rosto bem conservado. O efeito só aparece duas semanas depois, e as aplicações têm de ser bem cuidadosas. "Mal empregada, a técnica pode tirar a força do abraço e causar dificuldade para carregar peso", adverte o médico paulista César Isaac. Também leva duas semanas para se perceber a ação do Botox sobre o queixo quadrado, ou hipertrofia do músculo masseter – uma espécie de inchaço na metade inferior do rosto que se acentua quando a pessoa cerra os dentes. A toxina relaxa o músculo e atenua o problema por cerca de um ano. Já em paralisias e assimetrias faciais, ela funciona como acessório de tratamentos convencionais, como plásticas e fisioterapias, na harmonização do rosto. Em geral, as injeções são aplicadas no lado que não perdeu o movimento, para reduzir o contraste com o lado paralisado até que este se recupere.

A maioria dos empregos estéticos do Botox foi descoberta por acaso, em aplicações do produto para fins médicos. A suavização das rugas do decote, por exemplo, foi notada ao se aplicar a toxina em mulheres que sofriam de espasmos no músculo peitoral. Uma observação mais atenta levou à prescrição para correção do sorriso que expõe demais a gengiva. "Comecei meus estudos depois de notar que uma amiga que tem esse problema sorria normalmente toda vez que voltava anestesiada do dentista", diz a médica Jandira Coscarelli, uma das pesquisadoras do assunto. Sorte da pediatra mineira Juliana Araújo Pinheiro, 28 anos, que há três meses exibe um sorriso muito mais feliz: levou duas picadas de Botox e, três dias depois, a diferença já era visível. "O problema não me incomodava a ponto de passar por uma cirurgia. Mas agora me sinto muito melhor", comemora. Cliente satisfeita, fabricante mais ainda: no Brasil, segundo mercado mundial do produto na área cosmética, as vendas de Botox cresceram 60% só neste primeiro semestre.

 
Cada vez mais

A área de atuação cosmética do Botox não pára de crescer. A toxina botulínica também já é usada para:

atenuar vincos no pescoço e no colo, as "rugas de decote"  

elevar a ponta do nariz  

corrigir o sorriso em que a gengiva aparece mais do que deveria

harmonizar assimetrias faciais

 

   
 
   
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