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O
monstro das profundezas
Pescadores australianos acham lula
mais
comprida que duas girafas
Monica
Weinberg
AFP
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| Cientista
examina exemplar encontrado no Mar da Tasmānia: a superlula é o maior
invertebrado do planeta |
A lula que surgiu morta nas areias de uma praia da Tasmânia, na
semana passada, assombrou pelas dimensões gigantescas. Mede 15
metros e tem 250 quilos, o que a faz 75 vezes maior e 2.000 vezes mais
pesada que uma lula comum. É um exemplar da maior espécie
de invertebrado do planeta. Sabe-se que os espécimes mais compridos
dessa variedade, que especialistas acreditam ser a Architeuthis dux,
chegam a medir 20 metros. Essas lulas imensas, que muito raramente aparecem
na superfície do mar, são motivo de grande frustração
para a comunidade científica, que não tem como estudar seu
comportamento. Todas as vezes que um espécime foi avistado já
se encontrava morto. O que a ciência conseguiu saber até
hoje sobre esses animais é que os exemplares gigantes têm
sistema fisiológico idêntico ao de suas primas menores. Também
nascem tão pequenos quanto elas, na faixa de 4 milímetros.
A diferença está na velocidade do crescimento: em cerca
de cinco anos as lulonas alcançam proporções colossais,
enquanto as comuns não passam dos 20 centímetros. Não
há outro animal que cresça tanto.
Existem registros de aparição das grandes lulas em todos
os oceanos. Na região do Mar da Tasmânia, na Austrália,
ocorrem mais freqüentemente em razão do tipo de pesca praticado
na área. Os pescadores locais vasculham águas profundas
com suas redes e, com alguma regularidade, esbarram nas superlulas. Elas
não são os únicos animais marinhos que espantam e
intrigam pelo gigantismo. Além das baleias, há, por exemplo,
o oarfish, o peixe de maior comprimento, com 17 metros e um penachinho
coroando a cabeça. As lulonas são comuns nas fossas oceânicas
entre 1.000 e 3.000 metros abaixo da superfície, onde a água
é gelada e não há luz perceptível ao olho
humano. A natureza as esculpiu para viver nessas condições.
Cada um de seus olhos tem o tamanho de um cérebro humano. Elas
também suportam as imensas pressões das profundezas sem
problema algum. Um mergulhador nessas condições seria esmagado.
Essa pressão é exercida sobre o ar que o homem tem nos pulmões
e na corrente sanguínea. As lulas, ao contrário, não
levam ar nenhum no corpo.
Apesar do tamanho, esses bichos são ágeis: capturam diariamente
50 quilos de peixe e lulas menores. "São predadores talentosos,
com movimentos rápidos, excelente visão, tentáculos
precisos no bote e mandíbulas capazes de arrancar pedaços
de outros animais", descreve Paulo Yukio Sumida, especialista em mares
profundos do Instituto Oceanográfico da Universidade de São
Paulo. Na cadeia alimentar, são presas das baleias cachalotes,
de tamanho parecido, mas mais fortes. Não há registro de
nenhum embate de uma lula dessas com o homem, mas, pelas diferenças
de tamanho, velocidade e força, há poucas dúvidas
sobre quem levaria vantagem.
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