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Edição 1 762 - 31 de julho de 2002
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O monstro das profundezas

Pescadores australianos acham lula
mais comprida que duas girafas

Monica Weinberg

AFP
Cientista examina exemplar encontrado no Mar da Tasmānia: a superlula é o maior invertebrado do planeta


A lula que surgiu morta nas areias de uma praia da Tasmânia, na semana passada, assombrou pelas dimensões gigantescas. Mede 15 metros e tem 250 quilos, o que a faz 75 vezes maior e 2.000 vezes mais pesada que uma lula comum. É um exemplar da maior espécie de invertebrado do planeta. Sabe-se que os espécimes mais compridos dessa variedade, que especialistas acreditam ser a Architeuthis dux, chegam a medir 20 metros. Essas lulas imensas, que muito raramente aparecem na superfície do mar, são motivo de grande frustração para a comunidade científica, que não tem como estudar seu comportamento. Todas as vezes que um espécime foi avistado já se encontrava morto. O que a ciência conseguiu saber até hoje sobre esses animais é que os exemplares gigantes têm sistema fisiológico idêntico ao de suas primas menores. Também nascem tão pequenos quanto elas, na faixa de 4 milímetros. A diferença está na velocidade do crescimento: em cerca de cinco anos as lulonas alcançam proporções colossais, enquanto as comuns não passam dos 20 centímetros. Não há outro animal que cresça tanto.

Existem registros de aparição das grandes lulas em todos os oceanos. Na região do Mar da Tasmânia, na Austrália, ocorrem mais freqüentemente em razão do tipo de pesca praticado na área. Os pescadores locais vasculham águas profundas com suas redes e, com alguma regularidade, esbarram nas superlulas. Elas não são os únicos animais marinhos que espantam e intrigam pelo gigantismo. Além das baleias, há, por exemplo, o oarfish, o peixe de maior comprimento, com 17 metros e um penachinho coroando a cabeça. As lulonas são comuns nas fossas oceânicas entre 1.000 e 3.000 metros abaixo da superfície, onde a água é gelada e não há luz perceptível ao olho humano. A natureza as esculpiu para viver nessas condições. Cada um de seus olhos tem o tamanho de um cérebro humano. Elas também suportam as imensas pressões das profundezas sem problema algum. Um mergulhador nessas condições seria esmagado. Essa pressão é exercida sobre o ar que o homem tem nos pulmões e na corrente sanguínea. As lulas, ao contrário, não levam ar nenhum no corpo.

Apesar do tamanho, esses bichos são ágeis: capturam diariamente 50 quilos de peixe e lulas menores. "São predadores talentosos, com movimentos rápidos, excelente visão, tentáculos precisos no bote e mandíbulas capazes de arrancar pedaços de outros animais", descreve Paulo Yukio Sumida, especialista em mares profundos do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Na cadeia alimentar, são presas das baleias cachalotes, de tamanho parecido, mas mais fortes. Não há registro de nenhum embate de uma lula dessas com o homem, mas, pelas diferenças de tamanho, velocidade e força, há poucas dúvidas sobre quem levaria vantagem.

   
 


Fotos Marco de Bari e Antonio Milena
   
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