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Lindo,
caro e sujo
Obras malsucedidas e descaso
ambiental pioram
a estada de
quem visita Fernando de Noronha
Sergio Viegas
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| Cartão-postal:
a obra feita pela natureza |

Veja também |
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Quem
viaja ao arquipélago de Fernando de Noronha para visitar um paraíso
ecológico preservado enfrenta preços para lá de salgados
pela passagem aérea, geralmente se hospeda em casas de família
sem nenhuma privacidade muitas em péssimas condições
de conservação , submete-se a um programa de passeios
num ritmo que quase não permite fotografar as paisagens, come mal
em poucos e mal-administrados restaurantes e paga caro por poucas atrações
proporcionadas por empresas quase amadoras e carentes de concorrência.
As obras que deveriam amenizar essas inconveniências, nos últimos
anos, conseguiram agravá-las. A principal delas, um sistema de
dessalinização da água do mar que reduziria a escassez
de água doce na ilha, só fez estragar a paisagem. Os canos
de captação foram instalados numa altura que só permitia
que funcionassem na maré alta. A obra se estende sobre uma praia,
num improviso horroroso, e, para piorar, teve a estrutura corroída
pelas ondas, deixando exposta a tubulação. Enquanto funcionou,
jogou dejetos poluidores num córrego.
Lourival da Silva
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| Improviso:
a obra feita pelo homem |
O mangue de Fernando de Noronha, único localizado em ilha oceânica
em todo o Atlântico do Sul, foi comprometido pela presença
de gado pastando livremente na região, além de ter sido
constatado, há seis meses, que uma vila da Aeronáutica lançava
esgoto in natura na área. "Esse problema já resolvemos",
garante o administrador da ilha, Sérgio Salles, que tem o poder
de dar concessões para ampliação de construções,
autorizar a entrada de novos moradores e permitir que casas particulares
se convertam em pousadas. Por enquanto, a solução consistiu
apenas numa notificação para que os responsáveis
pela vila dêem outro destino ao esgoto. Há três anos
no cargo, Salles repassa a responsabilidade pelos maiores problemas ao
Ministério do Meio Ambiente e diz que nesse período concedeu
250 autorizações para construções e reformas
as duas maiores para dois amigos, segundo denúncia da Associação
dos Moradores de Fernando de Noronha.
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