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A
esperança congelada
Há opções cada vez mais baratas
para
apostar na ressurreição
Fotos Reuters
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| Lemler
e os tanques gelados: cinqüenta corpos |
Ted Williams, um dos maiores jogadores de beisebol de todos os tempos,
tornou-se no começo do mês o 50º e mais célebre
integrante de uma mórbida comunidade: a de corpos congelados em
nitrogênio líquido nos laboratórios da empresa Alcor,
no Estado americano do Arizona. Williams morreu de ataque cardíaco
aos 83 anos e a decisão de congelá-lo, tomada por dois de
seus filhos, rendia uma polêmica familiar na semana passada. Uma
terceira herdeira, Bobby-Jo Williams Ferrell, briga com os irmãos,
alegando que o pai expressou o desejo de ser cremado. A discussão
fez o mundo retomar a atenção para essas exóticas
experiências científicas que vêm sendo montadas desde
a década de 60, sem que se saiba ainda se pelo menos um dos casos
poderá ter um, digamos, final feliz.
Em outros quatro laboratórios ao redor do mundo, há dezenas
de corpos também mergulhados em nitrogênio, de cabeça
para baixo, à temperatura de 196 graus negativos, à espera
da ressurreição. A criogenia propõe que esses cadáveres
sejam reavivados quando duas condições tiverem sido alcançadas.
A primeira seria a cura da doença que vitimou cada uma dessas pessoas.
A segunda é a descoberta de uma técnica segura para o descongelamento.
Embora o processo de reanimação da vida depois da suspensão
dela a baixíssimas temperaturas já seja um sucesso no caso
de células reprodutivas e até de embriões, ninguém
tem a menor idéia de como isso seria feito com o corpo inteiro
de um ser humano sem que houvesse danos letais a vários órgãos,
entre eles o cérebro. Em alguns casos, por meio de planos econômicos,
houve pessoas que optaram por manter apenas a cabeça congelada,
numa situação que as obrigará a esperar até
o dia em que se domine também uma técnica para implante
dessa parte num outro corpo.
Há pelo menos 1.000 pessoas vivas inscritas nos planos de congelamento
post mortem, assegura Jerry Lemler, presidente do Alcor, o maior laboratório
do ramo. Os negócios nesse setor andam prósperos depois
de um período difícil. Nos últimos anos, várias
empresas faliram e cerca de quarenta defuntos criogenizados tiveram seu
sonho de reanimação sepultado junto com seu corpo. Agora,
chama a atenção a árdua concorrência baseada
em preços. O Alcor cobra 120.000 dólares ou perto
de 350.000 reais pela operação. Outras companhias
pedem apenas um quarto dessa quantia para garantir uma vaga nos tanques
de nitrogênio. Normalmente, os candidatos à eternidade fazem
um seguro beneficiando a empresa criogênica como garantia do negócio
e pagam taxas em torno de 300 dólares por ano para sustentar as
apólices e renovar a opção de congelamento.
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| Ted
Williams: divergências na família sobre o congelamento e a cremação |
Os
aparelhos criogênicos foram desenvolvidos em pesquisas com sangue,
esperma e até alimentos. Também servem para armazenar hidrogênio
na forma líquida. Daí à especulação
sobre a ressurreição foi apenas um passo. A técnica
da criogenia só pode ser aplicada em pessoas consideradas legalmente
mortas. Em muitos casos isso acontece ao se decretar a morte cerebral,
quando coração e outros órgãos ainda estão
em condições de funcionar como nos casos de retirada
de partes do corpo para transplante. Os inscritos ganham um bracelete
e um colar com seus dados de identidade e a informação de
que devem ser levados para o laboratório de criogenia assim que
morrerem. "Os especialistas estimam que num prazo de vinte a 100 anos
já estaremos fazendo os primeiros descongelamentos", costuma garantir
Jerry Lemler. "Nós nos comprometemos a conservar o corpo pelo tempo
que for necessário."
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