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A
situação piorou para ele
Serra cai mais nas pesquisas, e analistas
já
dizem que, nas próximas rodadas,
o
tucano poderá aparecer em quarto lugar
Mauricio
Lima e Sandra Brasil
Joedson Alves/AE
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| Serra
e Rita reúnem quinze governadores aliados em Brasília: evitando defecções
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Veja também |
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Desde
que deixou o Ministério da Saúde, em fevereiro passado,
para candidatar-se a presidente da República, o tucano José
Serra nunca viveu um momento tão ruim. Na época, Serra tinha
7% nas pesquisas de opinião, mas vinha fazendo uma trajetória
ascendente, chegando no início de junho a 19% das intenções
de voto, seu ponto mais alto. De lá para cá, no entanto,
o tucano tem caído a cada semana que passa. São quedas pequenas,
quase nunca superiores a 2 pontos porcentuais, mas constantes, o que indica
um padrão negativo. Na semana passada, segundo o Ibope, Serra caiu
de novo, ficando com 13%, e se encontra tecnicamente empatado com o ex-governador
Anthony Garotinho, do PSB. Isso significa que a campanha mais cara, a
de Serra, está num patamar semelhante ao da mais pobre, a de Garotinho
e tão pobre, de dinheiro e de apoios, que o candidato não
passa um dia sem ser alvo de especulações de que está
prestes a renunciar ao projeto presidencial. "Não será surpresa
se, na próxima pesquisa, o Serra aparecer em quarto lugar, atrás
de Garotinho", especula o dono de um dos maiores institutos de pesquisa
do país.
Os
analistas entendem que, apesar das conversas sobre desistência,
Garotinho tem um eleitorado fiel, que o impede de desabar muito nas pesquisas.
Embora sua candidatura apresente pouca consistência política
(alguns de seus aliados já defendem publicamente sua renúncia),
Garotinho tem cerca de 30% do eleitorado do Rio de Janeiro, onde construiu
sua carreira, e uma parcela do público evangélico, que o
candidato costuma cortejar fazendo discursos de Bíblia na
mão. Com essa massa cativa, Garotinho garante cerca de 10% da preferência
nos levantamentos de intenção de voto. Esse número
pode oscilar um pouco, subindo ou descendo, mas tende a não ficar
muito abaixo disso. No caso de José Serra, as indicações
são de que, por enquanto, ele ainda não conquistou a mesma
rede de segurança, ou seja, uma parte significativa do eleitorado
com forte fidelidade a seu nome e a seu programa. "Nossas pesquisas mostram
que Serra ainda não conseguiu passar ao eleitorado outra qualidade
além daquela de ter sido bom ministro da Saúde. E isso não
é suficiente", diz um analista de outro instituto.
Para piorar ainda mais a situação de Serra, sua queda nas
pesquisas vem acompanhada de uma ascensão vertiginosa de Ciro Gomes,
do PPS. Nas últimas cinco semanas, desde que começou sua
arrancada, Ciro já subiu 15 pontos porcentuais o que equivale
a uma multidão de mais de 17 milhões de votos. Com 26% de
preferência na última pesquisa do Ibope, Ciro está
isolado em segundo lugar e começa a oferecer uma ameaça
à liderança de Luís Inácio Lula da Silva,
do PT, que permanece com 33%. Nas simulações de segundo
turno realizadas pelo Ibope, Ciro consegue uma vitória sobre Lula,
com a vantagem de 7 pontos. Nas pesquisas anteriores, os dois já
apareciam tecnicamente empatados no caso de um segundo turno, mas essa
é a primeira vez nesta eleição que um candidato consegue
superar o petista com uma dianteira superior à margem de erro.
O quadro atual, naturalmente, não é definitivo, mas tem
provocado movimentos intensos nos bastidores dos comitês
especialmente no de José Serra.
Como reflexo da perda de musculatura nas pesquisas, o tucano está
começando a enfrentar o dilema de perder palanques nos Estados.
Considerando que todo político tem um extraordinário instinto
de sobrevivência, alguns de seus aliados já demonstram certa
ansiedade e começam a olhar para os lados à procura de alternativa
e, em geral, os olhares têm pousado sobre a candidatura de
Ciro Gomes. Isso está acontecendo, em graus variados, em mais de
dez Estados. "Agora é a hora de namorar homem", diz um dos mais
influentes membros da campanha de Serra. "Temos de cortejar os políticos
que tenham hoje uma postura ambígua em relação à
campanha e manter os nossos", completa. A montagem de palanques estaduais,
embora possa parecer uma preocupação paroquial, é
um dado fundamental na campanha de um presidenciável. Os políticos
que concorrem a deputado, senador e governador formam uma eficiente rede
de atração de votos para o presidenciável
e perder palanques nos Estados, em geral, é uma péssima
notícia.
Patricia Santos/Folha Imagem
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| Lula,
em campanha: liderança no eleitorado já começa a ser ameaçada por
Ciro |
Na
semana passada, o comitê de Serra tentou espantar a possibilidade
de defecções. Em Brasília, reuniu em torno de uma
mesa quinze governadores aliados num encontro sobejamente fotografado.
Foi uma forma de demonstrar força política, mas também
de evitar que alguns se desgarrem do ninho tucano. Os governadores foram
informados de que o Palácio do Planalto pretende protegê-los
dos cortes no Orçamento da União, tentando preservar seus
nacos de verba um assunto que costuma encantar qualquer político
no exercício de cargo executivo. Em troca, os governadores prometeram
trabalhar para elevar em pelo menos 10% a preferência por Serra
em seus Estados até o início do horário eleitoral
gratuito, que estréia em 20 de agosto. Num sinal eloqüente
de descompasso, há Estados em que o governador é candidato
e tem mais da metade dos votos mas Serra, nesse mesmo eleitorado,
não consegue chegar a 20%.
A
estratégia tucana inclui até uma participação
mais ativa do presidente Fernando Henrique. Discretamente, ele atacou
em duas frentes. Deixou vazar a informação de que, num eventual
segundo turno entre Ciro e Lula, votaria no petista. Trata-se de uma manobra
astuta, que não pretende credenciar Lula, mas, sobretudo, desqualificar
Ciro, na medida em que ajuda a dinamitar a idéia de que o candidato
da Frente Trabalhista poderia aglutinar setores governistas caso encarnasse
a figura do anti-Lula. O presidente também segurou apoios que ameaçavam
migrar. Na reunião dos governadores, Fernando Henrique garantiu
a presença de Espiridião Amin, de Santa Catarina, que andava
um pouco afastado. O presidente preocupou-se, ainda, em atrair o deputado
Aécio Neves, que concorre ao governo de Minas com um palanque eclético
e aberto, inclusive, à presença de Ciro Gomes. Depois da
conversa com o presidente, Aécio mudou um pouco seu discurso e
chegou até a levar o PPB mineiro para uma visita de cortesia ao
Palácio do Planalto para dissuadi-lo de apoiar Ciro. O único
desgarrado que não receberá acenos, por enquanto, é
o governador tucano Tasso Jereissati, do Ceará, que tem apoiado
Ciro cada vez mais abertamente.
Nos
últimos dias, no entanto, tornou-se evidente que a grande esperança
dos tucanos repousa no horário eleitoral gratuito, no qual Serra
terá uma exposição fantástica. Ele aparecerá
uma hora por semana até o fim da campanha, o dobro do tempo de
seus adversários mais diretos. Isso lhe garantirá uma presença
no vídeo digna dos maiores lançamentos publicitários
da história da televisão brasileira. Já está
acertado que o programa de estréia terá a presença
do presidente Fernando Henrique. Isso porque boa parte do eleitorado ainda
ignora que Serra é o candidato oficial. De acordo com a pesquisa
do Ibope, entre os eleitores que aprovam o governo Fernando Henrique,
a maior parte vota em Ciro Gomes e não em José Serra.
Além do horário eleitoral gratuito, Serra veiculará
pelo menos 225 comerciais de trinta segundos em cada emissora de televisão.
No fim, fará 1.125 aparições, contra 600 de Lula
e 400 de Ciro. Com tamanha exposição, é natural que
os tucanos confiem numa recuperação do candidato. Há,
porém, um dado a considerar sobre os efeitos do horário
eleitoral gratuito. Em eleições passadas, o tempo de televisão
costumava ser usado para apresentar o candidato, enquanto o duelo de propostas
e a troca de críticas só apareciam nos programas seguintes.
Agora, será diferente. Como a campanha começou cedo, a fase
de apresentação dos candidatos já parece superada.
"O horário eleitoral começará mais quente", diz a
socióloga Fátima Pacheco Jordão, que trabalha com
pesquisas políticas há três décadas. "Já
deve começar com críticas aos adversários e com nível
elevado de argumentação. Não basta dizer: vou fazer.
Vai precisar deixar claro o 'como' fazer", completa.
O eleitor está mais consciente e dá sinais também
de otimismo. Na semana passada, VEJA ouviu pesquisadores para saber quais
as qualidades mais evidentes que ele enxerga em cada candidato. Desse
levantamento, conclui-se que os eleitores nunca se sentiram tão
bem servidos de bons candidatos. De quatro qualidades que considera fundamentais
para um presidente da República caráter, seriedade,
honestidade e inteligência , o eleitor acha que três
candidatos reúnem todas elas. São eles: Lula, Ciro e Serra.
A socióloga Maria Tereza Monteiro, dona do instituto de pesquisas
Retrato, empresa que estuda o comportamento dos eleitores há quinze
anos, diz que tem tido essa mesma percepção em seus trabalhos.
Em 1989, resume ela, o eleitor procurava um "salvador da pátria",
que encontrou em Fernando Collor. Em 1994, queria o combate férreo
à inflação, personificado em Fernando Henrique como
autor do Plano Real. Em 1998, o eleitor desejava manter a estabilidade
e entendeu que deveria dar um crédito ao presidente, reelegendo-o.
Agora, os eleitores querem escolher alguém que tenha capacidade
de manter os avanços dos dois governos de FHC e produzir outros,
especialmente na área social. O dilema doce dilema
é que o eleitor acha que há mais de um candidato capaz de
fazê-lo.
Ana Araujo
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Nelio Rodrigues
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Wilton Junior/AE
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| O
deputado Aécio Neves, candidato
a governador em Minas Gerais, teve uma conversa com FHC. À saída,
adotou discurso mais favorável à candidatura do tucano José
Serra |
FHC,
atuando nos bastidores, levou o governador de Santa Catarina,
Espiridião Amin, a comparecer à
reunião com Serra em Brasília. Amin estava afastado da campanha
tucana |
O
presidente acha que, nesta hora, é preferível deixar o governador
do Ceará, Tasso Jereissati, atuando
em aliança com Ciro. Talvez mais tarde o tucanato o traga de
volta |
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