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O
perfil de quem decide
Marcos Rosa
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| Dois
terços dos eleitores brasileiros ganham, em média, 500
reais por mês |
Uma
reportagem especial
da presente edição de VEJA mostra que o próximo presidente
da República será eleito pelo mais abrangente sistema representativo
já montado no Brasil. Cerca de 115 milhões de brasileiros,
ou 68% da população, estarão aptos a votar em outubro
próximo. Calcula-se que apenas quatro em cada centena de eleitores,
pelas mais diversas razões, devem se abster. O contingente dos
votantes tornou-se tão heterogêneo quanto a própria
sociedade brasileira. Ou seja, quando se representa graficamente o perfil
socioeconômico do eleitor, obtém-se uma pirâmide muito
parecida com a da própria população brasileira. Parece
óbvio, mas essa sobreposição, além de recentíssima
na história do Brasil, tem implicações muito interessantes.
No passado, só a elite votava. Em 1930, apenas 6% dos brasileiros
eram eleitores. Em 1970, esse número chegou a 25%. Agora, quando
sete em cada dez brasileiros votam, a busca pelo eleitor médio,
aquele que representa o maior batalhão de pessoas que podem decidir
o pleito, exige uma análise bem mais complexa que em eleições
passadas. Foi justamente esse o desafio enfrentado pelos jornalistas de
VEJA. O trabalho jornalístico fez foco sobre o grupo de eleitores
mais numeroso, uma fatia da pirâmide formada por cerca de 70 milhões
de brasileiros com renda média em torno de 500 reais. São
pessoas que freqüentaram a escola apenas até o fim do ensino
fundamental mas moram em casa própria e tem telefone. Esse é
o contingente que forma a chamada "maioria silenciosa", termo criado pelo
presidente americano Richard Nixon (1913-1994) para definir o grupo de
pessoas que não se faz ouvir ruidosamente fora das urnas mas é
o que mais peso tem na balança das urnas.
O hábito de leitura é pouco disseminado entre a "maioria
silenciosa" brasileira. E, o que é mais significativo quando se
trata da campanha eleitoral, mais de 80% deles têm um televisor
na sala. Esse número deixa claro que os debates e a programação
obrigatória dos candidatos na televisão vão ter um
peso na decisão do eleitor. A reportagem mostra também que
a maneira tradicional de agrupar os eleitores, classificando-os entre
rurais e urbanos, não tem mais sentido no Brasil de hoje. As diferenças
se fazem sentir muito mais entre os moradores das capitais e os habitantes
das cidades pequenas. O vencedor de outubro será o candidato que
melhor aprender a falar com esse novo eleitorado.
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