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 | Antes
de nos darem prisões de segurança máxima, por que não
nos dão ruas de segurança mínima? |
Dialética
para metrópoles e metropolitanos (Zenão
revisitado) Noutro dia, com a serenidade que lhe
parece peculiar, e grande capacidade de síntese, o governador do estado
de São Paulo surgiu à luz da ribalta (ribalta, ainda existe?) e,
com invejável serenidade diante do tumulto em frente, acalmou o povo, que
esperava sua palavra: "Está tudo sob controle". Estava.
Mas não do ponto de vista do governador.
Porém é preciso não esquecer que o governador é mentiroso.
Calma! Não estou me referindo à pessoa desse governador. Estou falando
do governador entidade. Todo governador é mentiroso. Esse cargo é
pressuposto de mentira. Sobretudo em tempo de crise.
Imagina um governador saindo do hospital onde outro governador está à
morte e dizendo: "De hoje ele não passa". No caso presente pensem no condestável
sentado na coletiva, comunicando aos jornalistas: "Vou ser sincero; estamos dofudis*
e mal pagos". Imediatamente estaríamos todos duidfos** e muuiiito mal pagos.
Mesmo em tempos de bonança, lembram?, já
houve, bastava o FhC tirar o pé da cozinha e dizer algumas daquelas
bolas de ouro furadas, chamando todos à realidade, pra realidade dele aparecer
imediatamente. Feia di campar. Por isso,
pra ajudar governantes, volto à teoria de Zenão, que vocês
todos conhecem (ou seja, quase ninguém ouviu falar):
Zenão, imitando o Governador Lembo, ao ver uma seta sendo disparada contra
um alvo, ignora a seta, certo de que ela jamais chegará a seu destino.
Pois, pra chegar ao alvo, a seta tem antes que percorrer a metade do caminho.
Certo? Brilhante, Zenão. Chegando ao meio do caminho, a seta, para chegar
ao alvo, tem que percorrer o meio desse meio. Certo também? Evidente. Mas
aí ainda tem que percorrer o meio do outro meio, o meio do outro meio e,
mesmo quando está a um milímetro do destino, tem que percorrer meio
milímetro desse milímetro, e meio do meio, meio do meio, meio do
meio, meio do meio, meio do meio, meio do meio, meio do meio, cansou, leitor?
A seta, ou qualquer outro projétil, não chega nunca.
O raciocínio é irrefutável.
Bem, um governador pode usar esse princípio para acalmar o ambiente (que,
segundo Billy Blanco, merece respeito). Um Presidente pode até ampliar:
"Ninguém vai ficar na miséria!". Pois, pra perder tudo que tem,
o possuidor tem antes que perder a metade. E depois a metade dessa metade. E depois
outra metade. Sempre sobra um feijão. O
problema é um safadinho, sem poder refutar dialeticamente a teoria, exigir
do Governador: "Está bem, doutor, teoricamente está provado que
o disparo (ou a revolta) jamais chega a seu objetivo. Mas vamos fazer uma experiência
empírica: Vossa Excelência fica em
pé ali no canto e eu disparo um teco no seu quengo". *Misturei
as letras da palavra. **Misturei de novo pela mesma pudicícia.
A GLÓRIA Sorry,
periferia suíça! Antes de vocês, nós já
somos HEXA. Pelo sexto ano consecutivo nosso saite ganha o prêmio PERSONALIDADE,
do iBest 
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