|
Diogo
Mainardi
Gabeira para presidente
"Ganhar ele não ganha. O que eu
espero
dele não é
isso. O que eu espero dele é
que manifeste toda a minha repulsa
por lulistas e oposicionistas"
Fernando Gabeira é meu
candidato a presidente. O que falta agora é convencê-lo
a se candidatar.
O primeiro contato não
foi muito animador. Eu disse que votaria nele. Ele respondeu que
só se candidataria se fosse para ganhar. Como assim? Ele
quer ganhar? Ganhar ele não ganha. O que eu espero dele não
é isso. O que eu espero dele é que manifeste toda
a minha repulsa por lulistas e oposicionistas.
Na semana passada, Fernando Gabeira
disse que se sentia frustrado "ao ver que os bandidos estão
triunfando na vida pública". E concluiu: "Não rolei
tanto barranco para entregar o ouro aos bandidos". Claro que rolou.
Claro que ele terá de entregar o ouro aos bandidos. Como
todos nós. Mas o tom de seu discurso está certo. O
que Fernando Gabeira pode oferecer a mim e a um montão de
gente como eu, durante a campanha eleitoral, é isso mesmo:
um tantinho de teatro e um tantinho de demagogia, chamando sempre
os bandidos de bandidos.
Os oposicionistas não
entendem por que não conseguiram arrebanhar o eleitorado
antilulista. Eles não conseguiram porque o eleitorado não
é tonto e sabe perfeitamente que eles não são
antilulistas. Como declarou Fernando Gabeira na última quarta-feira,
o Congresso foi tomado por quadrilhas. Essas quadrilhas estão
acima do interesse partidário ou ideológico. Diante
delas, lulistas e oposicionistas se comportam de maneira igual.
O caso da empresa do filho de Lula é emblemático.
Os oposicionistas tinham a oportunidade de atingir diretamente o
presidente, mas preferiram ignorar o assunto, porque suas afinidades
com a Telemar acabaram prevalecendo.
Para conquistar o eleitorado
antilulista, Fernando Gabeira terá de dar o passo que ele
ainda não ousou dar. Ele chamou Severino Cavalcanti de bandido.
Ele chamou Ney Suassuna de bandido. Ele chamou Romero Jucá
de bandido. Ele chamou Natan Donadon de bandido. Ele só não
chamou Lula de bandido. Estou aqui, esperando.
Há também a questão
do táxi. Fernando Gabeira lembrou que, em sua campanha para
o governo do Rio de Janeiro, em 1986, ele não tinha dinheiro
nem para o táxi. Respondi que era melhor ficar sem táxi.
Das duas, uma: ou o candidato rouba e toma táxi, ou não
rouba e não toma táxi. Fernando Gabeira não
rouba. Por isso é meu candidato. Então não
pode tomar táxi. Ele concordou comigo.
Fernando Gabeira apoiou Lula
na campanha presidencial de 2002. Eu não. Fernando Gabeira
foi contra a CPI dos Bingos. Eu não. Fernando Gabeira foi
contra a guerra no Iraque. Eu não. Fernando Gabeira se preocupa
com o acúmulo de nitrogênio no solo. Eu não.
Mas não importa o que ele pensa. Fernando Gabeira é
o único político que ainda pode dar algum sentido
à disputa eleitoral, representando a recusa de uma parcela
do eleitorado em aceitar calada essa bandidagem tão rudimentar.
Eu apóio Fernando Gabeira
para presidente. Meu maior temor é que ocorra um acidente
e ele seja eleito. Um candidato só é realmente bom
se a gente sabe que ele nunca poderá ganhar.
|