Edição 1958 . 31 de maio de 2006

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Carta ao leitor
Longe do populismo


Divulgação
Fox e Schelp no avião do presidente mexicano

O jornalista Diogo Schelp, 30 anos, editor de assuntos internacionais de VEJA, viu-se ocupado em diversas ocasiões em explicar aos leitores a extensão do avanço do populismo na América Latina. Foi com esse objetivo que ele viajou ao México, onde, no próximo dia 2 de julho, os eleitores vão escolher um novo presidente para substituir o atual, Vicente Fox. Entre os candidatos com maior chance de ser eleito está o ex-prefeito da capital mexicana Andrés Manuel Lopez Obrador, cujo discurso e prática pregressos o colocam, no espectro político, na vizinhança do venezuelano Hugo Chávez.

Schelp, porém, voltou do México portando uma boa notícia. O país que Fox entregará a seu sucessor, a exemplo do Brasil, parece ter ultrapassado uma linha de racionalidade que impede os governantes de se lançar em aventuras políticas e econômicas. "As instituições já são fortes o suficiente e o governo mexicano está hoje obrigado a compartir o poder com outros setores da sociedade", disse o atual presidente mexicano ao editor de VEJA a bordo do Boeing 757 da Presidência da República, durante um vôo de uma hora entre Guadalajara e a Cidade do México.

Desde 1994, quando entrou em vigor um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos, o México vive o período de menor turbulência social e econômica de sua história. A economia mexicana cresce a taxas que, se não superam as médias mundiais nem as da própria América Latina, são as mais intensas e distributivas experimentadas pelo país em décadas. É, enfim, um desempenho suficiente para blindar o México contra as tentações populistas. O populismo ganha terreno, em geral, quando uma grande parcela da população deixa de se sentir representada pelos partidos políticos e quando o Estado, fraco e corrupto, não tem respostas para as demandas sociais acumuladas. Nesses períodos de crise, a sociedade fica desnorteada e não raro entrega seu destino nas mãos de líderes messiânicos tão vazios quanto pomposos. Boa parte dos países da América Latina sucumbiu a esse processo. É um alívio saber que o México resiste e avança no rumo certo.

 

 
 
 
 
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