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Carta ao leitor
Longe do populismo
Divulgação
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| Fox e Schelp no avião do presidente mexicano
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O jornalista Diogo Schelp, 30
anos, editor de assuntos internacionais de VEJA, viu-se ocupado
em diversas ocasiões em explicar aos leitores a extensão
do avanço do populismo na América Latina. Foi com
esse objetivo que ele viajou ao México, onde, no próximo
dia 2 de julho, os eleitores vão escolher um novo presidente
para substituir o atual, Vicente Fox. Entre os candidatos com maior
chance de ser eleito está o ex-prefeito da capital mexicana
Andrés Manuel Lopez Obrador, cujo discurso e prática
pregressos o colocam, no espectro político, na vizinhança
do venezuelano Hugo Chávez.
Schelp, porém, voltou
do México portando uma boa notícia. O país
que Fox entregará a seu sucessor, a exemplo do Brasil, parece
ter ultrapassado uma linha de racionalidade que impede os governantes
de se lançar em aventuras políticas e econômicas.
"As instituições já são fortes o suficiente
e o governo mexicano está hoje obrigado a compartir o poder
com outros setores da sociedade", disse o atual presidente mexicano
ao editor de VEJA a bordo do Boeing 757 da Presidência da
República, durante um vôo de uma hora entre Guadalajara
e a Cidade do México.
Desde 1994, quando entrou em
vigor um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos,
o México vive o período de menor turbulência
social e econômica de sua história. A economia mexicana
cresce a taxas que, se não superam as médias mundiais
nem as da própria América Latina, são as mais
intensas e distributivas experimentadas pelo país em décadas.
É, enfim, um desempenho suficiente para blindar o México
contra as tentações populistas. O populismo ganha
terreno, em geral, quando uma grande parcela da população
deixa de se sentir representada pelos partidos políticos
e quando o Estado, fraco e corrupto, não tem respostas para
as demandas sociais acumuladas. Nesses períodos de crise,
a sociedade fica desnorteada e não raro entrega seu destino
nas mãos de líderes messiânicos tão vazios
quanto pomposos. Boa parte dos países da América Latina
sucumbiu a esse processo. É um alívio saber que o
México resiste e avança no rumo certo.
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