Edição 1 651 -31/5/2000

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VÍDEO

O Sexto Sentido (The Sixth Sense, EUA, 1999, Buena Vista) – Você pode não ter visto este suspense no cinema, mas dificilmente deixou de ouvir comentários sobre seu final acachapante. Não há exagero nisso. O Sexto Sentido parece saído de uma assustadora sessão espírita. Atormentado por visões de pessoas mortas, garotinho (o ótimo Haley Joel Osment) atrai o interesse de um psicólogo (Bruce Willis). O que vem a seguir é uma aula de como arquitetar um roteiro nota 10. Se você já viu, experimente checar como tudo se encaixa na engenhosa trama.

 

LIVROS

O Napoleão do Crime, de Ben Macintyre (tradução de Beth Vieira; Companhia das Letras; 408 páginas; 34 reais) – Para criar Moriarty, malfeitor que desafiava Sherlock Holmes, sir Arthur Conan Doyle inspirou-se num célebre ladrão: Adam Worth (1844-1902), que imigrou da Alemanha para os Estados Unidos ainda pequeno, começou a dar golpes durante a guerra civil e mais tarde se mudou para Londres. Pouco se sabia a seu respeito até Ben Macintyre, do jornal The Times, descobrir documentos reveladores. O resultado é uma biografia em que o rigor jornalístico se mescla a boas doses de aventura.

América Púrpura, de Rick Moody (tradução de Fernando Resende e Roberto Grey; Rocco; 302 páginas; 30 reais) – Com juba de roqueiro e fixação por gibis, o nova-iorquino Rick Moody é um expoente da melhor literatura pop. Em relação a concorrentes como os ingleses Nick Hornby e Alex Garland, porém, há uma diferença – ele não tem nada de superficial. Autor de Tempestade de Gelo, romance que deu origem ao filme homônimo de Ang Lee, Moody investe numa prosa densa. Neste livro, focaliza a tensão entre um jovem alcoólatra e sua mãe, acometida de uma doença degenerativa. O efeito é cortante.

 

DISCOS

The Steel Town Sessions, Jackson Five; Three Cream Crackers and a Dog Biscuit, Sly & The Family Stone (Nikita) – Estes CDs dão largada a uma coleção só com pérolas de astros da música pop em início de carreira. Michael Jackson e seus irmãos brilham em regravações de sucessos dos anos 50 e 60, como o hino anti-racismo A Change is Gonna Come e a romântica My Girl. As versões faziam parte da fita demo que os Jackson Five enviaram a diversas gravadoras americanas antes de virarem astros. O CD de Sly & The Family Stone apresenta as faixas mais dançantes do cantor, um dos pioneiros do funk.

Sinfonia de Pardais, vários intérpretes (Som Livre) – Nome destacado da geração de ouro do samba, que incluiu bambas como Noel Rosa, Wilson Batista e Geraldo Pereira, Herivelto Martins morreu em 1992, aos 80 anos, deixando um dos mais consistentes legados da música popular brasileira. O disco em sua homenagem reúne treze de suas melhores músicas, em novos arranjos, num projeto de Yaçanã Martins, sua filha. Os pontos altos certamente estão nas faixas Pensando em Ti, Praça Onze e Caminhemos, cantados respectivamente por Caetano Veloso, Leny Andrade e Beth Carvalho. O disco traz um encarte muito bem cuidado, coisa rara nas produções nacionais.

J.L. Bulcão
J.L. Bulcao

Herivelto: regravações de clássicos de um mestre
do samba

 

TELEVISÃO

Divulgação
Rattle: ótimo comunicador


Mundo Clássico do Século XX
(quarta, à 1h30, no Multishow) – Sir Simon Rattle não é apenas um dos maiores regentes da atualidade. O maestro inglês, que assumirá a Filarmônica de Berlim em 2002, também se revela um excelente comunicador nesta série produzida pela TV inglesa. Como Leonard Bernstein no antológico programa Omnibus, ele é capaz de fazer um leigo se interessar por música clássica mostrando, com didatismo e entusiasmo, como surgiram as obras-primas de Gustav Mahler e George Gershwin, por exemplo. A série está condensada numa maratona noturna com cinco horas de duração. Vale gravar e assistir aos poucos.

 

OS MAIS VENDIDOS — Crítica

Para o escritor americano James Redfield, o ser humano deve ficar sempre atento a certas verdades. A principal delas é que o apego às coisas materiais não leva a nada. Só a edificação espiritual pode conduzir a uma existência superior, em que praticamente tudo seria possível por meio da força do pensamento. Os poderes da mente de Redfield devem ser mesmo impressionantes. Mas ele os usou, paradoxalmente, em busca de... coisas materiais. Até hoje, foram vendidos no mundo inteiro mais de 5 milhões de cópias de seu primeiro best-seller, A Profecia Celestina. Suas continuações, A Décima Profecia e A Visão Celestina, repetiram o sucesso nas livrarias. Agora, o autor está de volta à lista dos mais vendidos com O Segredo de Shambhala (tradução de Eliana Sabino; Objetiva; 295 páginas; 26,90 reais), que ocupa o quarto lugar na categoria de auto-ajuda e esoterismo da lista de VEJA.

Assim como o brasileiro Paulo Coelho, Redfield mistura ficção e chavões esotéricos num só pacote. Nos romances anteriores, revelações transcendentais vieram à tona em lugares de calculada atmosfera new age, como os Andes peruanos e as Montanhas Apalaches, nos Estados Unidos. Desta vez, o cenário é uma misteriosa localidade na Cordilheira do Himalaia. Prepare-se para uma aventura com personagens mal desenvolvidos, diálogos para lá de estapafúrdios e uma cantilena politicamente correta pró-independência do Tibete, país hoje sob domínio chinês. No fim de tudo, Redfield nos deixa uma pontinha de esperança. Como já explorou quase todas as grandes cordilheiras do planeta, espera-se que a saga celestina acabe logo por absoluta escassez de locações.

Marcelo Marthe

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano. Esta lista não inclui livros vendidos em bancas.