VÍDEO
O Sexto Sentido
(The Sixth Sense,
EUA, 1999, Buena Vista) Você pode não ter
visto este suspense no cinema, mas dificilmente deixou de
ouvir comentários sobre seu final acachapante. Não
há exagero nisso. O
Sexto Sentido parece saído
de uma assustadora sessão espírita. Atormentado
por visões de pessoas mortas, garotinho (o ótimo
Haley Joel Osment) atrai o interesse de um psicólogo
(Bruce Willis). O que vem a seguir é uma aula de
como arquitetar um roteiro nota 10. Se você já
viu, experimente checar como tudo se encaixa na engenhosa
trama.
LIVROS
O
Napoleão do Crime,
de Ben Macintyre (tradução de Beth Vieira;
Companhia das Letras; 408 páginas; 34 reais) Para
criar Moriarty, malfeitor que desafiava Sherlock Holmes,
sir Arthur Conan Doyle inspirou-se num célebre ladrão:
Adam Worth (1844-1902), que imigrou da Alemanha para os
Estados Unidos ainda pequeno, começou a dar golpes
durante a guerra civil e mais tarde se mudou para Londres.
Pouco se sabia a seu respeito até Ben Macintyre,
do jornal The Times,
descobrir documentos reveladores. O resultado é uma
biografia em que o rigor jornalístico se mescla a
boas doses de aventura.
América
Púrpura, de Rick
Moody (tradução de Fernando Resende e Roberto
Grey; Rocco; 302 páginas; 30 reais) Com juba de
roqueiro e fixação por gibis, o nova-iorquino
Rick Moody é um expoente da melhor literatura pop.
Em relação a concorrentes como os ingleses
Nick Hornby e Alex Garland, porém, há uma
diferença ele não tem nada de superficial.
Autor de Tempestade de Gelo,
romance que deu origem ao
filme homônimo de Ang Lee, Moody investe numa prosa
densa. Neste livro, focaliza a tensão entre um jovem
alcoólatra e sua mãe, acometida de uma doença
degenerativa. O efeito é cortante.
DISCOS
The
Steel Town Sessions,
Jackson Five; Three Cream
Crackers and a Dog Biscuit, Sly
& The Family Stone (Nikita) Estes CDs dão
largada a uma coleção só com pérolas
de astros da música pop em início de carreira.
Michael Jackson e seus irmãos brilham em regravações
de sucessos dos anos 50 e 60, como o hino anti-racismo A
Change is Gonna Come e a
romântica My Girl.
As versões faziam parte da fita demo que os Jackson
Five enviaram a diversas gravadoras americanas antes de
virarem astros. O CD de Sly & The Family Stone apresenta
as faixas mais dançantes do cantor, um dos pioneiros
do funk.
Sinfonia de Pardais,
vários intérpretes (Som Livre) Nome
destacado da geração de ouro do samba, que
incluiu bambas como Noel Rosa, Wilson Batista e Geraldo
Pereira, Herivelto Martins morreu em 1992, aos 80 anos,
deixando um dos mais consistentes legados da música
popular brasileira. O disco em sua homenagem reúne
treze de suas melhores músicas, em novos arranjos,
num projeto de Yaçanã Martins, sua filha.
Os pontos altos certamente estão nas faixas Pensando
em Ti, Praça Onze e
Caminhemos,
cantados respectivamente por Caetano Veloso, Leny Andrade
e Beth Carvalho. O disco traz um encarte muito bem cuidado,
coisa rara nas produções nacionais.
J.L. Bulcão
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J.L. Bulcao
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Herivelto:
regravações
de clássicos
de um mestre
do samba
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TELEVISÃO
Divulgação
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| Rattle: ótimo comunicador
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Mundo Clássico do Século XX
(quarta, à 1h30, no Multishow) Sir Simon Rattle
não é apenas um dos maiores regentes da atualidade.
O maestro inglês, que assumirá a Filarmônica
de Berlim em 2002, também se revela um excelente
comunicador nesta série produzida pela TV inglesa.
Como Leonard Bernstein no antológico programa Omnibus,
ele é capaz de fazer um leigo se interessar por música
clássica mostrando, com didatismo e entusiasmo, como
surgiram as obras-primas de Gustav Mahler e George Gershwin,
por exemplo. A série está condensada numa
maratona noturna com cinco horas de duração.
Vale gravar e assistir aos poucos.
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OS
MAIS VENDIDOS Crítica
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Para o escritor americano James
Redfield, o ser humano deve ficar sempre atento a
certas verdades. A principal delas é que o
apego às coisas materiais não leva a
nada. Só a edificação espiritual
pode conduzir a uma existência superior, em
que praticamente tudo seria possível por meio
da força do pensamento. Os poderes da mente
de Redfield devem ser mesmo impressionantes. Mas ele
os usou, paradoxalmente, em busca de... coisas materiais.
Até hoje, foram vendidos no mundo inteiro mais
de 5 milhões de cópias de seu primeiro
best-seller, A Profecia
Celestina. Suas continuações,
A Décima Profecia
e A
Visão Celestina,
repetiram o sucesso nas livrarias. Agora, o autor
está de volta à lista dos mais vendidos
com O Segredo de
Shambhala (tradução
de Eliana Sabino; Objetiva; 295 páginas; 26,90
reais), que ocupa o quarto lugar na categoria de auto-ajuda
e esoterismo da lista de VEJA.
Assim como o brasileiro Paulo
Coelho, Redfield mistura ficção e chavões
esotéricos num só pacote. Nos romances
anteriores, revelações transcendentais
vieram à tona em lugares de calculada atmosfera
new age, como os Andes peruanos e as Montanhas Apalaches,
nos Estados Unidos. Desta vez, o cenário é
uma misteriosa localidade na Cordilheira do Himalaia.
Prepare-se para uma aventura com personagens mal desenvolvidos,
diálogos para lá de estapafúrdios
e uma cantilena politicamente correta pró-independência
do Tibete, país hoje sob domínio chinês.
No fim de tudo, Redfield nos deixa uma pontinha de
esperança. Como já explorou quase todas
as grandes cordilheiras do planeta, espera-se que
a saga celestina acabe logo por absoluta escassez
de locações.
Marcelo
Marthe
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