Edição 1 651- 31/5/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo

Neofranciscanismo
Adivinhe quem vem para pregar

– Eu acredito em conversão. Vocês não?

 

GOVERNO

Era melhor antes
O Vox Populi fechou na sexta-feira passada uma pesquisa que dá bem a medida de quanto FHC andou se desgastando. A pergunta era: "Você prefere o Fernando Henrique do primeiro mandato ou o do segundo?" Apenas 7% dos entrevistados gostam mais do presidente agora, contra os 54% que escolheram os quatro primeiros anos da era tucana. Um terço respondeu "nenhum dos dois mandatos".

Orações fortes
O governo anda acompanhando com preocupação os movimentos da base da Igreja Católica. Acha que padres e bispos estão muito ouriçados.

Fora, mas nem tanto
Andrea Calabi foi demitido da presidência do BNDES em fevereiro, mas o que pouca gente sabe é que ele mantém um pezinho no governo FHC: continua como membro do conselho de administração da Caixa Econômica Federal.

 

RECEITA FEDERAL

Um auditor nada exemplar
Veja como podem ser frouxas as barreiras para a entrada de pilantras no serviço público – e quase intransponíveis para botá-los no olho da rua. Por razões que só a burocracia explica, a Receita Federal está quebrando a cabeça para tentar demitir um servidor concursado, dono de um prontuário de arrepiar. Atenção para o currículo desse auditor fiscal de Foz do Iguaçu: ele possui duas carteiras de identidade, seis CPFs e nada menos que 45 processos por estelionato, porte ilegal de arma e até sonegação de imposto de renda.

 

ECONOMIA

Emoção para valer 1
Um alto executivo da Coca-Cola fez umas contas para mostrar quanto era difícil se sair bem na guerra contra as tubaínas, aqueles refrigerantes populares campeões do preço baixo e da sonegação de impostos. Cada garrafa de 2 litros de Coca paga 60 centavos só de impostos – o mesmo que custam as tubaínas ao consumidor

Emoção para valer 2
O embate com as tubaínas está sugando não apenas o mercado da Coca-Cola (hoje, um em cada três refrigerantes vendidos no país é tubaína): na sofreguidão de baixar os preços para competir, o lucro da gigante americana no Brasil é hoje 55% menor que há três anos.

Tempo quente
A briga entre os sócios da Vale do Rio Doce pode acabar na Justiça. Essa seria a última cartada de Benjamin Steinbruch para se manter na empresa.

 

AVIAÇÃO

Procura-se
A Varig vai sair à cata de um superexecutivo para o cargo de vice-presidente, que está para ser criado. A idéia é que ele seja uma espécie de primeiro-ministro da companhia.

Minguando
A Justiça paulista decidiu pela execução de uma dívida de 30 milhões de reais que a Vasp tem com a Nossa Caixa/Nosso Banco.

 

INTERNACIONAL

Bandeira branca
A pequena Suíça tem um projeto para reformular suas Forças Armadas e definiu que o equivalente a 5,2 bilhões de dólares do orçamento federal será dedicado a elas. É mais da metade do que o Brasil gasta com seus militares. Nada como um país neutro.

 

INTERNET

Tudo o que sobe desce.
Ou despenca

Até outro dia, o tom da nova economia eram as notícias de empresas que passaram a valer bilhões de dólares em velocidade supersônica. Agora, a coisa virou. Chega a ser instrutivo correr os olhos pela lista de cotações das ações da Nasdaq de um ano para cá. Um exemplo, entre dezenas: nesse período, a Insweb, uma empresa pontocom, pulou de 2 dólares a ação para 44 e, na sexta-feira passada, aterrissava novamente nos 2 dólares. Chegou a hora da depuração implacável do capitalismo.

 

EDUCAÇÃO

Menos mal, mas ainda falta
Dados do último censo escolar do MEC revelam que o porcentual de crianças entre 7 e 14 anos matriculadas na escola é de 96,2% – uma taxa recorde no país. O problema é que ainda existe 1 milhão de crianças nessa faixa etária fora dos colégios. É muita gente.

 

Nome próprio

Ricardo Stuckert
Zeca quer criar o Estado do Pantanal


A despeito do marketing, às vezes dá para entender as razões que levam o governador Zeca do PT a apoiar a idéia de rebatizar de Estado do Pantanal o atual Mato Grosso do Sul. Recentemente, Zeca pediu a sua assessoria que marcasse uma conversa com o embaixador da Argentina. Quando chegou a Brasília, a audiência estava confirmada, mas o embaixador estava à espera de Dante de Oliveira (governador de Mato Grosso). Outra: a partir deste ano, o Banco Mundial está liberando 400 milhões de dólares para obras de saneamento do entorno do Pantanal. A verba foi dividida meio a meio para os dois Estados. Só que dois terços do Pantanal ficam em Mato Grosso do Sul.


Colaborou: José Edward Lima