A doença da alma

A depressão é o mal que mais ataca
as mulheres e cresce entre os homens,
mas já pode ser tratada com sucesso pela medicina

Maurício Cardoso e Sérgio Ruiz Luz
 
 


A depressão é muito, muito mais profunda e resistente do que a tristeza. Alguns de seus sintomas (que podem vir todos somados): melancolia, desânimo, incapacidade de se concentrar, desinteresse pela vida, sentimento de culpa, sensação de inutilidade. O psiquiatra americano Peter Whybrow, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, propôs recentemente uma imagem bastante sugestiva para descrever a doença. "Para se ter uma idéia do que é uma depressão severa, tente entender o desconforto de várias noites sem dormir misturado à dor causada pela perda de um parente querido", diz Whybrow. "Depois imagine a sensação de que esse torpor nunca mais vai acabar. Isso é uma crise depressiva."

Depressão grave é a dor que fica mesmo quando o problema vai embora. É a melancolia profunda que não se despede nem quando o namorado volta. Ela não é provocada pelos infortúnios da vida nem pode ser curada com situações prazerosas. O depressivo crônico que tem uma dívida se livra do débito se ganhar na loteria – mas não da tristeza. Depressão severa é uma doença, um desarranjo na química cerebral que precisa e – felizmente – pode ser tratado com remédio e psicoterapia. Segundo a Organização Mundial de Saúde, ela se tornou no ano passado o mal mais comum entre as mulheres, superando o câncer de mama e doenças cardíacas. No ano 2020 será a segunda moléstia que mais roubará anos da vida útil da população em geral. Ficará atrás apenas das doenças do coração. Como ainda não surgiu nenhum tratamento preventivo, os médicos dão como certo que vão surgir 2 milhões de novos deprimidos clínicos no mundo a cada ano. Só no Brasil são mais de 10 milhões de sofredores patológicos.

"Imagine o desconforto de várias noites sem dormir misturado à dor da perda de um ente querido que não acaba nunca. Depressão é isso."

Peter Whybrow, psiquiatra americano


Como tudo o que diz respeito à depressão, o fato de as mulheres serem vítimas mais freqüentes do mal ainda não é totalmente explicado. As mulheres costumam ser consideradas mais suscetíveis aos climas emocionais que os homens. Mas à depressão? Por quê? No caso específico da depressão, descobriu-se que os neurônios das mulheres são banhados com quantidades menores de uma substância-chave no controle do humor e das sensações de bem-estar. Essa substância, a serotonina, é mais abundante no cérebro masculino do que no feminino. Como as crises depressivas coincidem com a diminuição da concentração dessa substância no cérebro, os pesquisadores acham que encontraram uma boa pista para explicar a maior suscetibilidade das mulheres diante desse mal.

A americana Lucy Puryear, diretora da clínica feminina do Baylor College, de Houston, sustenta que a diferença deve ser procurada também nos hormônios femininos. "Os momentos de risco maior ocorrem nos dez dias que precedem o período menstrual, depois do parto e, especialmente, entre os 22 e os 45 anos de vida", afirma Lucy. São períodos em que os hormônios alteram sua concentração no corpo feminino. Uma outra explicação científica não agradaria muito aos homens, que sempre se consideraram mais resistentes do que as mulheres. Simplesmente, as mulheres seriam muito mais abertas para aceitar e revelar que sofrem de depressão. "Por ser confundida com um traço de fraqueza de caráter pela sociedade, a depressão tende a ser negada pelos homens. Mas não pelas mulheres", diz Lucy. No fundo, elas estariam sendo mais corajosas que os homens. De qualquer modo, o número de homens vítimas da depressão também é muito alto.

Cerca de 330 milhões de pessoas de ambos os sexos no mundo inteiro padecem desse tipo de sofrimento profundo. São dois Brasis de vítimas de todas as idades, classes sociais e raças, mergulhadas numa melancolia atroz que altera seus hábitos de vida, afastando-as do convívio social e do trabalho. Antes que se imagine um planeta mergulhado numa nuvem negra de habitantes depressivos e sem esperança, é bom saber que o tratamento eficaz da depressão nunca esteve tão próximo e acessível. Nos últimos dez anos o diagnóstico e o ataque médico à doença avançaram mais rapidamente do que em toda a história anterior da medicina. Oito em cada dez doentes diagnosticados podem-se livrar das garras da tristeza clínica com a ajuda de remédios e terapias. Os avanços no diagnóstico foram os mais notáveis. Os psiquiatras são capazes hoje de reconhecer com segurança o que é a depressão clínica entre os sintomas físicos e mentais mais intricados. O problema que antes passava por psicose, crise de astenia, cansaço crônico, tristeza sem causa ou simplesmente fraqueza de caráter hoje pode ser isolado corretamente como depressão clínica e devidamente tratado.

Os tratamentos deram um salto evolutivo. As primeiras pílulas surgidas para essa finalidade, na década de 50, provocavam efeitos colaterais tremendos, como diarréias e problemas de visão. As novas gerações de medicamentos (entre eles, o mais conhecido é o Prozac) conseguiram suprimir a maioria dos sintomas indesejáveis. Até os casos de crises profundas, aquelas em que o paciente se encontra à beira de tentar o suicídio, têm salvação na medicina moderna. "A depressão deixou de ser um flagelo cercado de preconceitos para ser uma doença controlável", afirma Antonio Egidio Nardi, psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Controlável apenas? Sim. Os médicos preferem falar em cura permanente apenas para uma porcentagem pequena de pacientes. Dados mais recentes do Instituto de Saúde dos Estados Unidos, o NIH, mostram que, a longo prazo, sete em cada dez pacientes que reagem bem aos remédios no começo do tratamento precisam ter suas dosagens aumentadas ou as drogas mudadas para que os benefícios perdurem.

A baiana Sicília e seu filho Gabriel: "Quando ele nasceu, virei a cara"

A história do estudante gaúcho André Pedroso, 17 anos, é uma lição sobre os estragos provocados pela depressão.

"Fazia um ano que meu pai tinha morrido por causa de um derrame cerebral. Ele era rígido, mas eu me dava bem com ele. Um ano depois, comecei a cair. Ficava triste, deprimido, meu rendimento na escola baixou. Durante a depressão, perdi a vontade de sair de casa, ficava três, quatro dias trancado no meu quarto, completamente no escuro, dormindo ou assistindo à televisão. Perdi a fome e emagreci 12 quilos. Nem trocava mais de roupa. Fiquei agressivo e quando ia à escola arranjava briga por qualquer besteira. Minha namorada sumiu e também perdi os amigos. Achei que era hora de procurar um médico. Fui a um psicólogo, mas ele só perguntava se eu usava drogas. Comecei a melhorar depois que larguei a escola. Estou indo a um psiquiatra, o único que não pediu que minha mãe fosse lá primeiro. Aos poucos, comecei a fazer pequenas tarefas que me davam prazer, como a pintura, e consegui voltar a sair de casa. Hoje levo uma vida igual à de qualquer outro adolescente."

"Minha vida se tornou um pandemônio. Cometia erros primários, a cabeça doía, sofri paralisia parcial do corpo. Só então
procurei o médico."

Rosemeire Pessoa, 33 anos, dona de casa


A grande maioria dos deprimidos passa a vida sofrendo e morre sem ter uma idéia precisa sobre o tipo de doença de que foi vítima – e sem procurar tratamento médico. Nove em cada dez pessoas afetadas pela depressão não sabem que têm uma moléstia específica. Não é difícil entender por quê. A dor de uma unha encravada dispensa reflexões. Uma úlcera no estômago, além de se anunciar fisicamente de forma indubitável, pode ser detectada em exames de laboratório. Com a depressão é diferente. Ela não pode ser auscultada pelo estetoscópio, revelada em radiografia nem observada em exames de laboratório. Localizada na parte mais nobre do corpo, o cérebro, ela se esconde em meio aos 100 bilhões de células neuroniais. Confunde-se com os pensamentos mais abstratos e com as emoções mais profundas – metaforicamente falando, tem raízes na própria alma. É uma doença híbrida. Embora possa ser reduzida a um problema bioquímico e atacada com sucesso pelos remédios, será sempre um mistério.

Por sua complexidade, demorou muito para que fosse detectada com segurança e se aprendesse a lidar com ela. Durante muito tempo foi subestimada pela medicina e pela sociedade. Mesmo com o melhor acompanhamento médico, isso ainda pode acontecer. Em São Paulo, Duda Molinos, 33 anos, um dos mais requisitados maquiadores de moda do país, passou dez meses horrorosos. Ele vomitava sem parar. Desesperou-se buscando novos tratamentos para o estômago. Tudo em vão. O desconforto só aumentava.

"Devem ter se passado dez anos de depressão até começar a sentir reações físicas. Vomitava tudo o que comia. Consultei o médico, fiz todo tipo de exame, e não se constatou nada de anormal com o estômago, o intestino, nada. Perdi 6 quilos em seis meses. As pessoas sussurravam: 'Ele está HIV positivo', 'está com câncer de medula'. Isso me fazia sentir ainda pior. Não havia dia ensolarado nem trabalho interessante. Eu não sentia o menor prazer. Achava que ia morrer. Depois de dez meses de tortura e de pesquisas para resolver meus problemas de estômago, meu médico me encaminhou ao psiquiatra. Seu diagnóstico: eu estava profundamente deprimido. Quinze dias depois de medicado, parei de vomitar. Minha cabeça também mudou. O remédio me trouxe a vida de volta, e eu resolvi vivê-la."

A economista Marili: entre a excitação e a depressão, compras desatinadas e separação conjugal

Segundo a Associação Nacional de Depressivos e Maníaco-Depressivos, dos Estados Unidos, os pacientes costumam sofrer em média oito anos e passar por cinco médicos antes de chegar ao diagnóstico correto e ao tratamento que lhes dará alívio. Aos poucos, essa questão começa a ser resolvida. "Os médicos formados em psiquiatria sempre fizeram residência em neurologia. Pela mesma razão, os formandos em neurologia e em clínica geral agora também devem passar pela psiquiatria", diz Wagner Gattaz, chefe do departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Antes, quando um paciente se apresentava no consultório com algum tipo de desajuste emocional, a tendência era o médico receitar-lhe um calmante. Hoje, ele o encaminha ao psiquiatra. A expressão "doença mental" associada à palavra "depressão" não assusta tanto.

"Nunca pensei que procuraria um psiquiatra. Mas se você precisa de funilaria não adianta ir ao cabeleireiro. Quinze dias depois de passar pelo médico já estava melhor."

Rose Saldiva, 51 anos, publicitária

 

"Nunca pensei que precisaria de um psiquiatra na minha vida", diz a publicitária Rose Saldiva, 51 anos, que tentou tratar-se com sessões de psicoterapia antes de procurar um médico. "Se você precisa mesmo de funilaria, não adianta ir ao cabeleireiro. Procurei o psiquiatra e em quinze dias comecei a sentir os efeitos positivos do tratamento com remédios."

Os especialistas, hoje, estão habilitados a detectar o quadro depressivo com segurança. Os manuais de psiquiatria apontam nove sintomas básicos da doença (veja quadro). Quem apresenta pelo menos quatro deles precisa de tratamento médico.

"Desandei a cometer erros básicos no escritório onde trabalhava como secretária da diretoria. Esquecia datas, preparava documentos errados e fichava a papelada fora de ordem. Não conseguia me concentrar em nada. Em casa, minha vida se tornou um pandemônio. De repente comecei a sofrer de insônia e não tinha disposição nem para escovar os dentes. Fui me isolando do mundo", lembra a dona de casa mineira Rosemeire Pessoa, 33 anos. "Também comecei a sentir muita dor de cabeça. Só procurei o médico dois meses depois, quando sofri paralisia do lado direito do corpo. Surgiu a suspeita de que eu pudesse ter um coágulo no cérebro. Fiquei desesperada porque meu primeiro filho, Yuri, tinha apenas 7 meses."

Rosemeire se recuperou depois de nove meses de tratamento com antidepressivos. A economista paulista Marili Bardes, de 38 anos, sofreu de um outro tipo da doença, que a fez alternar momentos de abatimento profundo e de euforia exagerada. Esse tipo de depressão é chamado pelos médicos de bipolar e seus pacientes são diagnosticados como maníaco-depressivos. O sofrimento é mais desconcertante que o das depressões tradicionais. Depois do poço profundo que lhe custou o emprego, Marili voou para o pico da hiperatividade.

"Nessa fase, uma das minhas loucuras preferidas era torrar dinheiro comprando presentes para as amigas. Meu marido cancelou nossa conta conjunta, bloqueou meus cartões de crédito e foi embora de casa. Só voltamos a viver juntos quando eu comecei a levar a sério o tratamento psiquiátrico."



Os psiquiatras associam a depressão à falta de certas substâncias encontradas no cérebro, os chamados neurotransmissores. São eles que carregam os impulsos elétricos de uma célula para outra no cérebro. Chegou-se a essa conclusão por acaso. Há alguns anos, os médicos repararam que doentes de diabetes tratados com um remédio que, entre outros efeitos secundários, provocava aumento dos neurotransmissores tinham visível melhora de humor. Nasceu daí a primeira droga antidepressiva moderna. Ela deu origem a um dos mais rentáveis ramos da indústria farmacêutica, com faturamento anual de 7 bilhões de dólares e projeções de crescimento de 50% nos próximos cinco anos. Nasceu também a esperança de cura definitiva para alguns e de controle permanente da doença para a maioria.

"Se não fosse depressivo, um gênio como Hemingway teria escrito com a mesma qualidade, mas não teria cometido suicídio."

Wagner Gattaz, psiquiatra


O maquiador Duda Molinos: dez meses tratando o estômago, mas o problema estava na cabeça
Tão importante quanto o refinamento dos remédios foi a erradicação do preconceito sobre a doença e seus tratamentos. Isso permitiu que o ataque à depressão pudesse ser feito livremente com drogas e até com eletrochoque. Outro ponto de vista, oposto ao dos médicos, sustentava no passado que toda e qualquer doença mental devia ser tratada pela psicanálise e/ou psicoterapia. Hoje ninguém pensa mais assim. Os médicos admitem que em muitos casos só remédio não adianta. Por seu lado, os psicanalistas já não são radicalmente contra a farmácia. A receita moderna para o controle da doença combina remédios e sessões de análise. "Muitos pacientes precisam de remédios para que saiam do estado depressivo mais profundo e possam se ajudar pela psicanálise", diz Renato Mezan, professor da Universidade de São Paulo.

O estudante André: "Fui ao médico, mas ele só perguntava se eu usava drogas"
As pesquisas indicam que, de cada vinte pessoas, três vão ter pelo menos um surto depressivo na vida. A rigor, a doença pode atacar qualquer pessoa. Pela mesma razão de que existe gente mais propensa a desenvolver hipertensão sanguínea ou catarata, as vítimas da depressão sucumbem ao mal também por motivos genéticos. A hereditariedade é, de longe, o fator mais determinante. Filhos de pai e mãe depressivos têm cinco vezes mais chances de ter a doença do que os filhos de pais não depressivos. Mas a genética não explica tudo. A instabilidade hormonal durante a vida, mais acentuada nas mulheres do que nos homens, tem seu papel. Por causa disso, segundo a americana Lucy Puryear, o grupo de risco mais exposto à depressão é o das mulheres que acabaram de ter filhos. A depressão pós-parto é um dos quadros clássicos e mais dramáticos da doença.

"Quando Gabriel nasceu, não quis vê-lo, virei a cara. Senti a pior sensação de toda a minha vida na primeira vez que ele mamou no meu peito. Fiquei com raiva de mim por não conseguir amamentá-lo. Só de ouvir o choro dele à noite tinha vontade de me matar. Cheguei a pensar em sufocá-lo, mas não tive coragem. Já consigo brincar com ele, mas ainda me sinto diferente das mães que falam com orgulho dos filhos. Não que eu desgoste do Gabriel. Mas estou vazia de sentimentos. Parece que estou perdida dentro de um enorme buraco negro", conta a estudante baiana Sicília Castello Branco Ledoux, de 26 anos.

A doença ataca em todas as idades, mas a maior incidência ocorre entre os 25 e os 40 anos. Dois outros grupos de especial risco são os adolescentes e os idosos. Nos dois casos, a depressão aflora nas pessoas mais suscetíveis por causa das perturbações que vêm com as transformações da puberdade e a deterioração física da velhice.

"Quando os filhos começaram a trabalhar e conquistaram independência financeira, passei a me sentir inútil, deslocada. Às vezes, passava o dia inteiro na cama, chorando e pensando em nada e em tudo ao mesmo tempo", conta a pernambucana Carly Teresinha Ferreira Maia, 64 anos, viúva há 25 anos, mãe de cinco filhos, que ainda se recupera do ataque da tristeza sem fim.

A depressão foi muito associada no passado ao gênio criador. Beethoven, Schubert e Chopin, na música, Van Gogh e quase todos os impressionistas na pintura, Ernest Hemingway, Virginia Woolf e Fernando Pessoa na literatura foram vítimas da melancolia que machuca. De acordo com as pesquisas mais recentes, a relação entre criação e depressão não passa de um mito. Alguns dos principais sintomas da doença – desânimo, apatia, falta de iniciativa – na verdade matam em vez de estimular a criação. "Os grandes artistas, mesmo os depressivos clássicos, nunca trabalhavam quando estavam atacados de depressão grave", diz o psiquiatra Gattaz. "Se não fosse depressivo, Hemingway certamente teria escrito com a mesma qualidade e produzido mais obras, já que não teria cometido suicídio." Sem dúvida, se tivessem tido a chance de escolher, teriam optado por viver e trabalhar sem depressão. É essa chance que a medicina pode oferecer atualmente para milhões de pessoas.


O que eles disseram

Textos famosos em que a depressão é evidente

"Tenho a impressão de que vou ficar louca. Ouço vozes e não posso concentrar-me no trabalho. Eu lutei, mas não posso continuar. Devo a vocês toda a felicidade da vida. Vocês foram perfeitos. Não posso continuar a estragar suas vidas."
Virginia Woolf (1882-1941), escritora inglesa, no bilhete que escreveu antes de se suicidar

"Sou o mais miserável dos homens. Se o que sinto fosse distribuído por igual entre os seres humanos, não haveria face alegre na Terra. Não sei se algum dia vou me sentir melhor, mas continuar assim é impossível. Se nada mudar, prefiro morrer."
Abraham Lincoln (1809-1865), presidente dos Estados Unidos

"Ser ou não ser, eis a questão. Que é mais nobre para o espírito: sofrer os dardos e setas de um ultrajante destino ou tomar armas contra um mar de calamidades e pôr-lhes fim, resistindo? Morrer... dormir, nada mais. E com o sono terminamos o pesar do coração e os mil naturais conflitos que constituem a herança da carne. Que fim poderia ser mais devotadamente desejado? Morrer, dormir, dormir..."
William Shakespeare (1564-1616), em Hamlet

"Eu não queria morrer porque me odiava. Queria morrer porque eu me amava o bastante para querer acabar com meu sofrimento. Escutei meu irmão cantando no banheiro e pensei que se me matasse eu o faria parar de cantar."
Martha Manning (1953), americana, autora do livro Undercurrents, a Life Beneath the Surface, sobre depressão

"Eu vejo uma porta vermelha e a quero pintada de preto. Tomara, então, que eu desfaleça e não tenha de enfrentar os fatos. Não é fácil reagir quando seu mundo todo está negro."
Mick Jagger (1943), líder dos Rolling Stones, em Paint in Black



Montagens de Camila Mesquita sobre fotos de Fernando Vivas, Alexandre Tokitaka, Egberto Nogueira e Liane Neves
Com reportagem de Adriana Setti, de Salvador, Cristine Prestes, de Porto Alegre, Daniella Camargos, de Belo Horizonte, e Dina Duarte, do Recife




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