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• Televisão: The Pacific, a minissérieInternacionalOperação "voto no deserto"O xiita Iyad Allawi vence as eleições no país
com o
apoio
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Nabil Al-Jurani/AP![]() |
| SÓ BARULHO Protesto em apoio ao candidato derrotado Maliki, em Basra: a ONU aceitou, mas ele pediu a recontagem dos votos |
O futuro do Iraque continua tão volátil quanto
seu passado, mas, com a retirada das tropas americanas em agosto e o resultado
das eleições na semana passada, a palavra normalidade começa
a fazer algum sentido no país. O vencedor nas urnas foi Iyad Allawi.
Sua coalizão, o Movimento Nacional Iraquiano, conquistou 91 das 325 cadeiras
do Parlamento. Xiita, Allawi conseguiu manter distância do fundamentalismo
dos aiatolás iranianos, que há trinta anos comandam a teocracia
no país vizinho e exercem influência direta sobre milhões
de seguidores no Iraque. Allawi é um conciliador que defende um estado
laico. Consegue ser popular tanto entre sunitas como entre xiitas. Em segundo
lugar ficou o atual primeiro-ministro, Nuri al Maliki, com duas cadeiras a menos.
Para obter maioria no Parlamento, os dois adversários terão de
cortejar os curdos, minoria étnica que vive no norte do país.
Os dois políticos também devem disputar o apoio do bloco xiita
mais ferrenho, cujo chefe é o clérigo Moqtada al Sadr, que tem
mantido silentes as armas de sua própria milícia. Desde agosto
de 2007, depois de ser responsabilizado pela morte de cinquenta peregrinos na
cidade de Karbala, al Sadr está menos belicoso. Os analistas garantem
que ele tem percebido as vantagens de ser visto como um líder político.
Khalib Mohammed/AP![]() |
| FELIZ DA VIDA Allawi: ele pode ser primeiro-ministro pela segunda vez |
Maliki perdeu por uma margem pequena e pediu a recontagem parcial
dos votos. Isso fomentou pequenos focos de protesto nas ruas em seu apoio -
mas nada que empanasse as eleições. O pleito teve alto grau de
comparecimento, com maciça adesão dos sunitas, a corrente religiosa
majoritária no país, que, em 2005, boicotou as eleições.
Allawi foi primeiro-ministro interino do Iraque após a invasão
americana, em 2003. Integrou o partido Baath, de Saddam Hussein, com quem se
desentendeu. Foi para o exílio nos anos 90, de onde comandou a oposição
ao regime em colaboração com a CIA. Allawi foi uma das fontes
do relatório americano que afirmava haver armas de destruição
em massa no Iraque - o mentiroso argumento usado para justificar a invasão.
Agora, sete anos depois da derrocada de Saddam, o Iraque dá sinais de
que vai tentar a sério governar-se por essa invenção ocidental
chamada democracia representativa. Para funcionar, será preciso que os
iraquianos aceitem que as alianças partidárias, a alternância
de poder e o voto secreto se sobreponham às seculares divisões
étnicas e religiosas. Não é a primeira tentativa do gênero
no Oriente Médio. Se falhar, também não será a primeira
vez.