Panorama
• Imagem da SemanaBrasil
• Sucessão: O rico sistema de apoio à candidata Dilma RousseffInternacional
• Estados Unidos: Obama aprova a reforma da saúdeGeral
• GenteArtes e Espetáculos
• Televisão: The Pacific, a minissérieLeitor
Morte de Glauco"Perfeita a abordagem da reportagem
de capa de VEJA. Espero que tenha sido um alerta a todos sobre o uso de drogas
ilícitas e lícitas. Nesse caso, foi uma grande tragédia,
para o Glauco, para o Eduardo e para seus familiares, vítimas dessa combustão
tóxica, legalizada pelas autoridades." Parabéns pela reportagem "Alucinação
assassina" (24 de março). É doloroso saber que pelo menos
três vidas foram ceifadas por causa desse fato. Espero sinceramente que
ele sirva para que o preconceito e o desconhecimento a respeito da doença
mental sejam combatidos e que outras vidas sejam poupadas. A reportagem de VEJA
vem em apoio a isso, sem apontar culpados, mostrando claramente causas e efeitos
de uma droga sobre um organismo já debilitado. Nada melhor do que um
"chá de realidade", de pés no chão, para enfrentar
as situações das quais, às vezes, tentamos fugir desesperadamente. Sou mãe de um daimista. O que o pai do Cadu disse é
puramente a verdade. Muito mais coisas acontecem depois que esses jovens se
tornam fardados; pior ainda, viram escravos da seita. E como é difícil
libertá-los! Os líderes devem parar de usar esse alucinógeno
(25 reais a dose). O meu filho estuda na USP, só que depois que entrou
para a seita está perdendo a vontade de continuar, fica alienado, dizendo
um monte de coisas que nunca aconteceram; parece que lhe foi feita alguma lavagem
cerebral. Choro dia e noite, pois é o meu filho único que a seita
está me roubando. Não encontro justificativa para a utilização
de drogas comprovadamente alucinógenas de forma individual ou grupal,
acobertadas por seitas religiosas. Muito me assusta que pessoas que detêm
o poder valorizem e promovam essas comunidades. Quantos depressivos ou psicóticos
estarão piorando seu quadro mental e colocando em risco sua vida e a
de outros? Droga é droga em qualquer situação. As justificativas
é que são volúveis e sempre acabam em tragédias
pessoais. Em 27 de maio de 1998, VEJA trouxe em sua capa uma indagação:
"Eles precisavam morrer?". Ao lado da pergunta, fotos de dezenove
jovens de classe média que haviam morrido em decorrência do uso
de drogas. Em 13 de setembro de 2000, a revista abordou a situação
do chá de ayahuasca, na reportagem "O barato legal". O subtítulo
da matéria dizia que "o chá de ayahuasca é uma droga
como qualquer outra, mas o governo faz vista grossa". As últimas
vidas perdidas para as drogas foram a do cartunista Glauco e a de seu filho
Raoni. Mais uma vez, VEJA dedicou sua capa ao assunto, questionando a tolerância
com a droga usada pelos adeptos da seita do Santo Daime. Mas o tema não
foi abordado somente na reportagem de capa, pois a revista o tratou também
na Carta ao Leitor, o espaço nobre que reflete a sua posição
oficial a respeito dos assuntos. Intitulado "Alucinação e
civilização", o texto deixou no ar a pergunta: "Talvez
Glauco ainda estivesse vivo se Carlos Eduardo estivesse sendo submetido a tratamento
psiquiátrico adequado?". A esse respeito, penso que precisamos fazer
uma profunda reflexão sobre o posicionamento de toda a sociedade brasileira.
Devemos nos questionar até quando haveremos de ter capas de revistas
importantes como VEJA mostrando tragédias iguais às relatadas
acima, sem que o nosso país tenha uma política consistente de
tratamento das doenças mentais, entre as quais se incluem as dependências
químicas. Até quando?
Robert ShillerConheço o trabalho de Shiller e já publiquei textos
sobre o assunto (Entrevista, 24 de março). Mas tendo a discordar dele
quando passa da teoria para a prática. A ideia de incluir psicologia
na economia já deu pelo menos dois prêmios Nobel (Simon e Kahneman),
mas há muita dificuldade para formar uma teoria sólida que responda
às grandes questões da economia mundial. Creio que ela serve para
advertir que não somos infalíveis. Cometemos erros por desvios
cognitivos e não conseguimos mensurar todas as probabilidades. A teoria
e a análise econômica devem tentar incorporar isso. Mas vejam que
ele não consegue responder de forma clara à questão sobre
o grau de interferência que o estado deve ter na economia ou como deve
ser a regulação financeira. Para responder a isso, eu ainda estou
com a teoria econômica que dá apoio aos valores de Reagan, Thatcher
e Washington. Eles mostraram o que funciona. No fim, os governantes devem observar
os valores democráticos e defender a livre iniciativa (livre da incompetência
estatal).
O mensageiro da pazPerfeita a análise de VEJA sobre a viagem do presidente
Lula ao Oriente Médio ("No tropeço, aprende-se a andar",
24 de março). Quanta arrogância, quanta grosseria, quanta ignorância!
O Brasil se apresenta como negociador internacional a 10 000
quilômetros de casa, num caso antigo e complicadíssimo, enquanto
não consegue resolver assuntos básicos com seus vizinhos do Mercosul.
E nem isento é, pois mal acaba sua visita a Israel já chega criticando
aquele país junto às autoridades palestinas. Por fim, não
sei se é ignorância ou má-fé o presidente Lula
sugerir que a Síria e o Irã deveriam ajudar nas conversações
de paz entre israelenses e palestinos. Logo o Irã do presidente Ahmadinejad,
que não se cansa de repetir que seu desejo é "riscar Israel
do mapa", no que é aplaudido pela Síria? Lula achou que ia resolver o histórico conflito entre
judeus e palestinos com os seus discursinhos para analfabetos e ignorantes ou
as suas performances de palanque que não enganam mais ninguém.
O nosso pretensioso "estadista" deve descer do pedestal e dar uma
voltinha por aqui mesmo, nas cidades brasileiras, para constatar a legião
de moradores de rua, de crianças abandonadas, de famílias desesperadas
que perambulam sem emprego, sem destino e sem esperança. Às vezes, penso que o presidente Lula recebeu a visita
do anjo Miguel, que, em nome do Altíssimo, lhe transmitiu a incumbência
de acabar com a "rixa milenar" existente entre os filhos de Abraão,
Ismael e Isaac, coisa que nem Jesus conseguiu. A diplomacia brasileira é pautada pelo pragmatismo, mas
o presidente Lula confunde pragmatismo com megalomania. O barão do Rio
Branco deve estar se remoen-do em seu túmulo. Lula, aliado, fiel escudeiro e principal porta-voz do tirano Ahmadinejad
no Ocidente, tentou bancar o pacificador em Israel. Saiu de lá
com o "rabino" entre as pernas.
Delúbio SoaresDe início, pensei estar diante de uma piada ("Onde
está Wally?", 24 de março). Ao ver que não, imaginei:
então deve ser uma palestra para integrantes do PT, apadrinhados e colegas
de profissão (José Dirceu, Pedro Corrêa, Marcos Valério,
Silvio Pereira, Adalberto do Dinheiro na Cueca, José Roberto Arruda e
outros). Saber que era de fato para uma turma de formandos me deixou indignado
e triste. Pois bem, ainda não perdi essa teimosa capacidade de me indignar.
Mas eu estava certo, é uma piada mesmo. Quem lá compareceu deve
ter dado boas gargalhadas da grotesca solenidade e do bisonho palestrante. Sugestão:
convidem o Fernandinho Beira-Mar para proferir a aula inaugural da próxima
turma. Quando se pensa que já se viu de tudo nesta vida, aparece
Delúbio Soares dando aula de ética na política. É
a piada do ano! Ao escolherem Delúbio Soares como patrono, os formandos
da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba emporcalharam
seu diploma e demonstraram não ter assimilado o sentido daquilo que cursaram. Eu sempre soube que o trote é dado nos calouros no
início dos cursos. Parece que os 22 formandos de Goiatuba
resolveram inovar. Criaram o trote de fim de curso.
A guerra dos royaltiesO Rio de Janeiro fez um grande movimento para garantir intocada
sua fatia nos royalties do petróleo ("A revolta dos royalties",
24 de março). Uma coisa ficou clara: quem não sabia nada sobre
o assunto ficou sabendo e quem já sabia, mas não tinha noção
de quanto era, agora sabe que são 7,3 bilhões de reais por ano
que estão em jogo. O governo não pode mais alegar que não
tem dinheiro para saneamento básico, educação, saúde,
transporte etc. É necessário lembrar que essa dinheirama toda
é receita além dos impostos arrecadados. Precisamos saber onde
foi empregado o montante do dinheiro dos royalties recebido nos muitos anos
anteriores. As pessoas que se envolveram, direta ou indiretamente, com a manifestação
querem transparência e prestação de contas de como é
empregado esse dinheiro. Se um lado tem de dividir algo com os estados e municípios
não produtores de petróleo, esse lado é o da União,
que fica com um porcentual da exploração. Penalizar os que hoje
usufruem os recursos da extração de petróleo é um
engodo de ano eleitoral que dá a falsa sensação de que
municípios e estados não produtores poderão enriquecer
de uma hora para outra. Em contrapartida, o município de Campos dos Goytacazes
e o estado do Rio de Janeiro declararão sua falência, pois
seus orçamentos contam em alta porcentagem com o dinheiro dos royalties.
Além disso, o mais grave: zombam da Constituição Federal,
rasgando-a em praça pública. Veja EssaEm
relação à frase publicada na seção Veja Essa
(24 de março), o Walmart informa que, segundo a polícia americana,
foi um cliente (um garoto de 16 anos) que usou um dos microfones da loja de Nova
Jersey e ordenou aos clientes negros que saíssem do estabelecimento. O
Walmart repudia veementemente qualquer tipo de discriminação e colaborou
com as investigações das autoridades. O adolescente foi detido e
liberado em seguida. A loja já modificou seu sistema interno de som para
que isso não volte a acontecer.
Crimes de trânsitoNa Câmara
dos Deputados existem projetos que preveem pena de reclusão para esse tipo
de homicídio. O combate mais eficiente aos acidentes mostra que não
é o simples endurecimento da legislação, mas a certeza de
fiscalização e punição, que ajudam a coibir o comportamento
de risco. É preciso lançar uma campanha para a realização
de 1 milhão de testes de bafômetro em todo o país, para retirar
de circulação o condutor que dirige sob a influência de álcool.
Isso é uma recomendação da OMS, que funciona tal qual uma
campanha de vacinação. Felizmente, o Rio de Janeiro dá
o bom exemplo na implementação da Lei Seca ("Crimes sem punição",
17 de março).
Minas GeraisEm relação ao artigo "Área
de risco" (J.R. Guzzo, 17 de março), o governo de Minas esclarece
que a construção da Cidade Administrativa cumpre o planejamento
definido no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), aprovado em 2003
com diretrizes e metas traçadas até o ano de 2023. Nele, três
projetos estruturadores foram definidos para dar eficiência à gestão
e aos serviços públicos. São eles: Choque de Gestão:
Pessoas, Qualidade e Inovação na Administração Pública;
Modernização da Receita; e Centro Administrativo de Minas Gerais.
A escolha da região norte de Belo Horizonte para a localização
do complexo foi precedida de estudos que indicaram a importância de dotar
a capital de novo ordenamento urbano, criando um polo de crescimento a partir
de áreas que se encontravam em severo processo de empobrecimento. A transferência
da administração direta e indireta para essa região não
afeta o centro de BH, uma vez que, do total de 53 endereços por onde se
espalhava a administração estadual, apenas dois se localizavam na
região central. Já os cálculos que indicam economia de 92
milhões de reais ao ano a partir da centralização administrativa
foram auditados pela BDO Trevisan, a terceira maior empresa de auditoria do mundo,
com atuação em 110 países. Sobre o futuro do Palácio
da Liberdade, o prédio permanecerá sediando solenidades oficiais
e, após seu acervo ter sido integralmente restaurado neste governo, ele
também será aberto à população dentro do Circuito
Cultural da Praça da Liberdade.
HolofoteO
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)
é regido por um conselho deliberativo formado por treze entidades da iniciativa
privada e governamentais. Cabe à diretoria executiva da instituição
implantar o programa de trabalho previamente aprovado pelos conselheiros. É
necessário aprovar uma lei no Congresso Nacional para incluir ou excluir
entidades no conselho deliberativo do Sebrae (Holofote, 17 de março). Distrito FederalNão está correta a informação
contida na matéria "Vai sobrar alguém?", publicada na
última edição da revista VEJA, que afirmou que o governador
em exercício do DF, Wilson Lima, é réu em processo por improbidade
administrativa. Na verdade, existe uma ação contra os membros da
Mesa Diretora da Câmara Legislativa, da qual ele era o primeiro-secretário,
mas que ainda não foi recebida pelo juiz. Portanto, nem ele nem os demais
deputados são réus nessa ação.
Cezar PelusoA Associação Paulista de Magistrados repudia
o contido na reportagem "Muito saber, poucas palavras" (24 de março),
quando afirma que o "...Conselho Nacional de Justiça, o prestigioso
CNJ, que cresceu em importância nos últimos tempos ao jogar luz nos
porões corruptos dos tribunais estaduais e estabelecer metas de produtividade
para os juízes". Em 2009, foram proferidos mais de 5 milhões
de sentenças e realizaram-se quase 1,5 milhão de audiências,
apenas em primeiro grau. Em segunda instância os números também
são superlativos, afinal foram exarados mais de 800 000 votos pelos
desembargadores paulistas. Noutras palavras, a produtividade dos magistrados de
São Paulo é considerada uma das mais elevadas do mundo. Intuitivo
que os tribunais estaduais assim como todos os outros são,
sim, passíveis de falhas e desvios. É imprescindível esclarecer,
entretanto, que generalizações são perigosas e desqualificam
o trabalho de magistrados sérios e dedicados. O próprio ministro
Peluso iniciou sua vida forense na Justiça Estadual de São Paulo,
sendo o único juiz de carreira na atual composição do Supremo
Tribunal Federal. ConversaNa seção
Conversa, com Maurílio Almeida, a cidade de Alagoinha foi colocada no sertão
de Pernambuco. A cidade situa-se na região do agreste central do estado. |